segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vermelho pêssego...



Diferentemente das ameixas, os pêssegos estavam bem doces. Mas duas caixas de pêssego foram demais considerando que o Per gosta mas tem alergia, Tormod não gosta de pêssegos e só come obrigado e Estela não gosta de pêssegos moles, para ela pêssegos tem que estar meio verdes. Eu sozinha só conseguiria acabar com tantos pêssegos fazendo geléia. E antes que os pêssegos se perdessem eu peguei oito dos mais maduros, piquei e fiz uma geléia rápida. Misturei pêssegos brancos e amarelos, já que tinha dos dois tipos, mas ambos estavam doces, talvez os brancos estivessem mesmo mais doces, mas estavam mais maduros e quase se perdendo.



Uma coisa que choca pessoas é que as minhas geléias de pêssego são feitas com a casca pois acho que a cor e o açúcar da casca são fundamentais para a geléia. Nunca deu errado uma geléia de pêssego, mas elas tem que ficar mais tempo no fogo para que a casca e a carne se se desintegrem formando uma massa vermelha homogênea. Acho que porque eu amo geléia de pêssegos eu sempre compro pêssegos demais. E essa semana não foi diferente. A cor do pote de geléia formou um par perfeito com as folhas que caiam do vaso de peonies.





Geléia de pêssego

8 pêssego maduros lavados e picados (aproximadamente 300 gramas)
7 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de água

Como:

Leve os pêssegos e o açúcar ao fogo médio numa panela de fundo grosso e mexa até ferver. Abaixe o fogo e deixe a mistura cozinhar por aproximadamente 20 minutos, mexendo de vez em quando. Se começar a secar ou engrossar demais vá adicionando as colheres de sopa de água. Quando as cascas estiverem se desfazendo e a polpa dos pêssegos estiver bem macia, formando uma massa homogênea retire do fogo e deixe esfriar.






Uma atualização:
Para fazer esta geléia eu uso pêssegos como os da foto abaixo, aqueles aveludados e macios. Eu não uso nectarinas não. Acho que a pele macia dos pêssegos se desfaz melhor do que as de nectarinas, mas na verdade nunca fiz geléia de nectarinas. Outra geléia perfeita mesmo com cascas são as de damascos.

sábado, 27 de junho de 2009

Uma mistura diferente: mousse de ameixa e gianduia com farofinha de amendoim



Então estava eu com um pote cheio de ameixas azedas. Muito azedas. Ameixas que levaram as crianças a declarar que não gostam de ameixas, mas gostam. Enfim, depois de servir para caldas ainda sobravam 11 ameixinhas no pote. Algumas já bem moleguinhas, queria uma solução diferente. Mousse de ameixa já vi bastante pela aí e inclusive, recentemente, vi num blog francês uma torta mousse de ameixa com cobertura de mousse de baunilha. Resolvi dar mais intensidade ao sabor. Sabia que uma mousse de ameixas azedas sozinha não daria conta. Mas uma mousse de chantilly com baunilha para contrapor ainda era muito pouco. Como eu tinha pasta gianduia derretendo no armário (por conta do calor) e resolvi fazer uma mousse (um chantilly) de pasta gianduia para cobrir e dar mais graça à mousse de ameixa. Por cima eu salpiquei uma paçoquinha de amendoim (misturinha de amendoim, aveia e açúcar ultra picados).



Se o resultado ficou maravilhoso eu não sei. Ficou bom, na hora que fiz comi uma tacinha e já fiquei meio enjoada. Mas estava tão quente, a mousse tão gordurosa que, ideologicamente criei um bloqueio e já não sei mais. O resultado da mistura são duas mousses pouquíssimo doce, mas muito gordurosas e fica meio pesado. Ambas levam creme de leite fresco com alto teor de gordura, uma coisa que eu estou tentando evitar ao máximo. Fiz as mousses pois tinha que usar o creme de leite aberto que tinhamos na geladeira e iria acabar estragando. O Knut, meu enteado cozinheiro, esteve aqui nos visitando e comprou pote grande de creme para uma receita mas usou apenas metade. Eu não podia deixar aquele creme estragar...



Mousse de ameixa com mousse gianduia


Mousse de ameixa

200 ml de suco grosso de ameixas vermelhas frescas (purê de ameixas)
200 ml de creme de leite fresco
Meio copo de açúcar
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor ou duas folhas de gelatina
3 ou 4 colheres de sopa de água

Como:

Num pires salpique a gelatina em pó sobre a água e deixe a gelatina amolecer. Numa panela sobre fogo médio misture o suco de ameixa puro com o açúcar e deixe ferver. Retire do fogo e adicione a gelatina amolecida e misture bem. Leve a mistura novamente so fogo até ferver e a gelatina estar totalmente incorporada ao suco de ameixas. Retire do fogo, transfira a gelatina de ameixa para um pote de vidro e deixe esfriar.
Quando a gelatina estiver quase fria adicione o creme de leite batido em chantilly duro. Misture suavemente o chantilly a gelatina de ameixa até incorporar totalmente. Distribua em potinhos e leve para gelar.


Mousse de gianduia (blød nougat)


200 ml de creme de leite fresco
100 gramas de pasta gianduia com pelo menos 25% de avelãs (blød nougat dinamarquês)

Como:

Ferva o creme e derrame sobre a gianduia picada. Deixe esfriar um pouco e leve para gelar por no mínimo seis horas. No dia seguinte faça um chantilly com a ganache de gianduia e distribua por cimas das taças com a mousse de ameixa. Decore com frutas, paçoquinha de amendoim ou outro tipo qualquer de farofinha crocante.

Rende 6 taças.



Eu gosto de usar esses potinhos de iogurte antigos e tudo o que faço coloco um pouquinho neles também pois acho que ficam lindos. Neste caso deixei os potinhos mais vazios para colocar uns pedacinhos de morangos (já que ainda tinhamos) e quebrar um pouco o sabor denso das mousses. Por cima a tal farofinha de amendoim.

Farofinha de amendoim


4 colheres de sopa de amendoins torrados e descascados
2 colheres de sopa de açúcar fino
2 a 3 colheres de sopa de farelo de aveia, aquele fino para mingau
pitadinha de sal (se o amendoim não tiver sal)

Como:

Bata tudo no processador ou num pilão até formar uma farinha homogênea. Salpique sobre as mousses.

(Copo de 250ml)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Praia, calor e um muesli do meu jeito



Hoje foi o dia mais fantástico do ano. O dia que a gente esperava desde que junho começou. Além do calor maravilhoso, deve ter feito uns 30C durante o dia mas o termômetro do meu carro marcava 29C as 18:00 quando saímos da praia, foi um dia de muito sol. Um dia de 30C aqui é coisa rara e quando faz calor esquenta bem pois aqui é ultra seco, e calor seco é bem mais sufocante na minha opinião. O dia também foi de banhos de mar já que a temperatura da água no fiorde de Trondheim ajudou. De acordo com Per a temperatura da água era cerca de mais de 20C, o que para água de um fiorde gelado como este é uma maravilha. Acho que a água estava mais quente do que o mar do Rio de Janeiro durante o verão. Se pensar que até poucos meses atrás este fiorde estava cheio de gelo, do gelo que desce quando os rios que desaguam no fiorde descongelam.



Depois da praia fizemos um churrasco simples mas delicioso. Eu tinha deixado umas coxas e sobrecoxas de frango marinando e quando chegamos foi só acender o fogo. Pensei que ia dar para fazer umas fotos pois o dia estava lindo e ficamos lá fora direto mas foi simplesmente impossível. Primeiro estava uma fumaceira danada na churrasqueira e depois a fome simplesmente não permitiu que eu fotografasse o frango que foi devidamente atacado. Para acompanhar o frango, saladinha, arroz de cenoura (que é um clássico aqui em casa) e o brasileiríssimo molho a campanha com muito tomate, típico de qualquer churrasco brasileiro. Fico devendo as fotos. Tudo que consegui foi fotografar o vaso de peonies que decorou a mesa do jardim. Sim, eu cortei duas peonies e coloquei no vaso. Sempre faço isso, elas ficam lindas demais dentro de casa.



Se não rolou nenhuma fotinha do churrasco, eu apresento algumas do muesli que eu fiz ontem. Eu adoro muesli e granola, mas sou meio difícil pois não gosto de granolas prontas, nem daquelas com muitas sementes diferentes juntas, nem daquelas outras com pedaços grandes demais de nozes em geral. Além disso gosto mais para muesli pois os eles são tradicionalmente mais simples, levam apenas aveia, castanhas e frutas secas. Eu gosto de muesli com aveia, gergelim branco, amendoas moídas, castanha do pará moída, bastante mel e muitas passas. As amêndoas que eu usei dessa vez são as sobras da farinha de amêndoas, aquela parte pedaçuda da farinha que não passa pela peneira. Meu processador não tritura tudo de jeito nenhum e eu vou guardando a parte mais pedaçuda da farinha para fazer muesli. Além disso eu adiciono coco ralado seco e sem açúcar. Fica tudo de bom e totalmente personalizado... Na foto muesli servido com iogurte e melão galia.



Muesli do meu jeito

250 gramas de grãos de aveias
250 gramas de farelo de aveia (aquela aveia fina para mingau)
100 gramas de gergelim branco
125 gramas de amendoas moídas (usei sobras de farinha de amendoas que não passam pela peneira)
50 gramas de coco ralado desidratado sem açúcar
Uva passa a gosto
75 ml de mel (usei mel de acácias)
50 ml de óleo de girassol
1 colher de chá de canela moída



Como:

Num pote grande misture os grãos de aveia, o farelo de aveia, o gergelim, as amendoas, o coco e a canela. Num outro pote misture mel e o óleo com um fouet até incorporar totalmente o óleo ao mel. Regue a mistura de grãos com a mistura de mel e, usando as mãos, misture bem até que a mistura de grãos forme uma farofa homogênea. Transfira a mistura para uma forma forrada com papel manteiga e asse até dourar, por cerca de 25 a 30 minutos. A cada 10 minutos retire do forno e mexa a mistura com uma colher de pau. Quando a granola estiver toda dourada por igual, e seca, retire do forno e sem deixar esfriar adicione as passas. Depois de fria distribua a mistura em potes ou vidros. Rende aproximadamente 800 gramas de muesli.



Nas fotos a prainha do nosso bairro, um recantinho delicioso que fica cheio de barquinhos e de crianças durante o verão. Nossa praia fica numa das baías dentro do Trodnheim fjord.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Um punhado de "norsk jordbær" e uma falsa panna cotta de chocolate



A Noruega é um país altamente industrializado que hoje importa a maior parte dos alimentos que consome. Claro que há indústrias alimentícias, muitas, mas a matéria prima é largamente importada, exceto os produtos animais (carnes e derivados) e grande parte dos laticínios. Além da produção de carnes e laticínios a Noruega mantém uma tradicional e poderosa indústria de pesca. Mas a agricultura norueguesa hoje vai pouco além dos cereais aveia, centeio, cevada e uma grande produção de canola, o principal óleo usado pelo povo aqui (mas não aqui em casa). Por essas característica a maior parte dos pães que se come aqui são de centeio. Batatas e repolhos de vários tipos são outros vegetais importantes na mesa norueguesa, mas a produção local não dá conta de jeito nenhum. A maior parte das batatas e dos repolhos também é importada.



Num país que importa alimentos numa proporção altíssima, como poucos outros, é uma grande emoção o momento da chegada dos morangos noruegueses ao mercado. Para os noruegueses é um momento importante tanto pelo lado simbólico, já que o morango é um dos poucos produtos (juntamente com as maças, mirtilos e framboesas) que ainda se produz em larga escala aqui, pelo menos durante dois ou tres meses ao ano, mas também pelo fato de serem morangos muito melhores do que todos os outros morangos importados já que são bem mais doces.

Mas os morangos que chegaram esta semana ainda não são daqui "da área", eles vieram do sul, da região onde vive a Luciana outra blogueira brasileira expatriada. Os morangos daqui de Trondelag (região onde fica Trondheim) só chegam ao mercado em julho mesmo, a coisa aqui em cima demora. No próximo mês não serão apenas os morangos de Trondelag que inundarão os mercados, mas as batatas também. Por algumas semanas os noruegueses poderão saborear suas próprias batatas.



Acho importante frisar que a Noruega aboliu os subsídios agrícolas ao redor dos quais países desenvolvidos e países em desenvolvimento brigam arduamente na Organização Mundial do Comércio (OMC = WTO) e que eu também combato ferrenhamente. A Noruega hoje mantém uma política ambiental e agrícola muito avançada e independente já que não faz parte da União Européia. Muito comum achar produtos do mundo inteiro nos mercados noruegueses não havendo muita concessão para a União Européia, o que eu também aprecio. Encontra-se muito mais produtos asiáticos, africanos e americanos nos mercados do que da Europa em si e eu acho que é assim que tem que ser. Mas é claro que o governo socialista protege muito sua indústria de carnes, laticínios e peixes taxando os produtos importados dessas naturezas, o que eu acho muito natural dado o grau de abertura desse país.



Fiz um pudim de chocolate para acompanhar que além de fácil é bem rápido que eu adorei. Influenciada pelas receitas simples de panna cotta e em busca de replicar o sabor do flan de chocolate que eu gosto tanto (mas sem tempo de forno) resolvi dar uma experimentada. Ao invés de adicionar ovos como os flans, ou creme de leite como nas panna cottas, fiz uma coisa mais simples. Levei ao fogo leite desnatado com cacau em pó, açúcar e umas sementes de amburana e adicionei gelatina. Fiz uma calda de caramelo e forrei os potinhos com a calda. Coloquei o leite e levei para gelar ainda morno. Algumas horas depois o pudim estava pronto e solto na forma pois a calda ajuda a desenformar. Mais fácil não há. Ficou uma espécie de leite achocolatado gelatinado, uma panna cotta falsa. Eu gostei pois ficou bem leve. O perfume das amburanas enobrece o sabor suave do cacau em pó. Eu ainda acho que pudins e flans têm consistência bem mais interessante do que este pudinzinho, por causa dos ovos e do longo banho maria no forno. Mas este aqui é bem leve e fresquinho, ótimo para um dia quase quente de verão nórdico.




Falsa panna cotta de chocolate


600 ml de leite desnatado + 5 colheres de sopa para dissolver a gelatina
2 colheres de sopa de cacau em pó sem açúcar
1 dl de açúcar
3 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
10 sementes de amburana

Calda:

1/2 copo de açúcar
1/4 copo de água


Como:

Numa panelinha derreta o açúcar com 1/8 de copo de água. Sem mexer deixe a mistura ferver em fogo médio até que o açúcar comece a ganhar cor de caramelo. Cuidado para não esquentar demais a panela e queimar o caramelo. Quando atingir uma cor amarelo escuro retire do fogo e, com muito cuidado pois pode espirrar, adicione 1/8 de copo de água restante. Com a panela fora do fogo sacuda a panela para ajudar a incorporar a água fria ao caramelo. Uma vez incorporado o caramelo adquire uma consistência mais líquida pronto para ser usado. Se estiver grosso adicione um pouco mais de água, uma colher de cada vez. Se endurecer volte a panela ao fogo que vai derreter. Resista a tentação de mexer com uma colher de pau. Caramelo é o tipo da coisa que eu faço sem mexer em nenhum momento da operação. Divida o caramelo em 4 potinhos ou ramequins.


Para fazer o pudim ferva o leite com o cacau, as amburanas (use baunilha se preferir) e o açúcar. Num pires coloque as colheres de leite frio e salpique a gelatina em pó. Deixe a gelatina descansar por alguns minutos até que ela amoleça e se incorpore ao leite. Quando o leite ferver coe para remover as sementes de amburana ou a fava de baunilha e adicione a gelatina dissolvida. Mexa bem para dissolver a gelatina e leve a mistura de volta ao fogo até ferver. Quando ferver distribua nos potinhos, sobre a calda de caramelo. Deixe esfriar um pouco antes de levar a geladeira. Deixe gelar por umas tres horas antes de desenformar para servir.

Sirva com frutas ou iogurte temperado com extrato natural de baunilha.
Rende 4 a 6 potinhos individuais.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A flor mais poderosa do meu jardim



A primavera está chegando ao fim e o verão parece que deixa de ser uma teoria e começa a dar sinais de que não esqueceu da gente aqui. O sol aos pontos se firma e já são tres dias sem chuva. Como sempre as peonies são as últimas a abrir, antes das rosas claro, que inundam o jardim quando já não há mais flores. A peony é uma flor linda, algumas espécies de peonies estão entre as flores mais lindas do mundo na minha opinião. Mas nem todas. A maior parte das peonies gosta de ficar coberta de neve durante o inverno pois elas precisam hibernar para ganhar força na primavera. Eu amo as minhas peonies que já sofreram muito aqui em casa. As peonies aqui de casa vieram junto com a casa. Mudamos para esta casa durante o inverno e o jardim estava já meio morto. Vimos um canteirinho cercado de arame e imaginamos que ali havia algo interessante. No verão seguinte elas abriram radiantes. Um grande jardim de peonies vermelhas a Paeonia officinalis também conhecida como rubra plena.



Um belo dia decidimos que o local onde elas estavam não era dos melhores pois pegava sol apenas pela manhã já que durante a tarde ficavam a sombra dos imensos arbustos de spireas. Decidimos então dividir as raízes (seguinte os procedimentos da jardinagem) e plantamos uma parte das batatas no outro lado do jardim onde o sol é mais intenso. No primeiro ano depois da mudança a peony transplantada sofreu mais floresceu só com folhas, o que é normal. No segundo ano uma tragédia: nosso vizinho, cuja casa fica atrás do arbusto de spireas diante do qual foi transplantada parte das peonies, decidiu impermeabilizar as paredes do subsolo da casa deles e cavou pesado ao redor da casa com máquinas destruidoras que removeram grande parte da imensa cerca verde de spireas que separava as casas e devastaram o canteirinho transplantado de peonies. Foi de um dia para o outro, o sujeito que usou a escavadeira fez a destruição por conta própria enquanto todos estavam no trabalho e criou o maior mal estar do mundo. Depois de muita reclamação a empresa pagou uma indenização...



Mas quando chegamos e vimos a destruição teve início a operação salvamento e rapidamente retiramos as batatas que continuavam na terra e as transplantamos mais uma vez, fora de época, de volta ao local onde estavam anteriormente, onde permanecia a outra metade das raízes das peonies. Peonies não gostam de muitas mudanças, precisam se acostumar com o solo para florir bem e além disso gostam de muito sol, quanto mais sol melhor. Lentamente nossas peonies se recuperam de tantas mudanças e as muitas folhagens que florescem todos os anos começam a produzir mais flores a cada ano. Mas elas permanecem ameaçadas. É que aquele arbusto maravilhoso de spireas, que eu tanto amo, cresceu demais e praticamente cobriu metade do canteiro de peonies, o que significa que vai ter que haver poda ou as peonies terão que ser removidas mais uma vez.



A peony que eu tenho aqui em casa é chamada de peony européia. Os chineses são tarados por peonies e há centenas de anos são os maiores divulgadores dessas flores que ilustram pinturas, porcelanas, bordados e todos os tipos de arte chinesa. As peonies meio que fecham a primavera aqui em casa pois são as últimas a abrir. Flores agora só as rosas que florescem no verão e já começaram a mostrar os primeiros botões. As rosas vão florir direto até começarem as geadas de outubro. É o gelo que vai acabar com elas.



Mas o que nós não podemos mais esperar é pela hora de colher as frutas domésticas. Framboesas, morangos, groselhas, maças, cerejas e ameixas estão crescendo lindamente. As maças ainda não tem futuro aqui em casa, é que não podemos deixar as frutas crescendo demais pois as duas macieiras ainda são bem pequenas e ficam tão carregadas de maças que ameaçam os pequenos galhos. Além do peso, o crescimento das frutas demandam muita energia da árvore que deixa de crescer para produzir as frutas. Precisamos remover as maçazinhas, mesmo diante da tristeza das crianças para que a árvore cresça mais rápido.

Hoje foi dia de praia e não deu para acabar as postagens engatilhadas. Quem sabe amanhã.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mousse de tapioca com calda de ameixas



Mesmo correndo o risco de ficar repetitiva, por escrever tanta vezes sobre tapioca, não dá para deixar de publicar mais uma postagem sobre tapioca. Foi assim. Um dia qualquer na semana passada eu cheguei em casa super mal do estômago, depois de um longo dia na universidade. Eu tinha acabado de entregar o abstract de um artigo que ainda não escrevi (o lado futurista da ciência) e fiquei o dia inteiro sem comer direito. Quando cheguei em casa com as crianças estava com uma azia horrorosa, um super desconforto no estômago. A única alternativa capaz de reverter aquele mal estar (sem tomar remédio, claro) era comer um creminho quente com bastante amido. Um mingau. Um mingau de maizena? Ou mingau de cremogema? (Cremogema não há!) Não um mingau de tapioca. E o melhor, eu tinha tudo em casa, leite, tapioca, açúcar e uma sobra de leite de coco.



Cheguei em casa e fui direto para cozinha. Derramei um litro de leite desnatado na panela, uns 180ml de leite de coco com baixo teor de gordura, uma xícara de perolinhas bem pequenas de tapioca (diferentes daquelas que eu usei para o cuscuz que são maiores), adocei com quatro colheres de sopa de açúcar e deixei cozinhar bem em fogo baixo (mexendo de vez em quando) e coloquei umas 10 sementes de amburana (lembram que elas ajudam em casos de indigestão?) até que as bolinhas estivessem totalmente transparentes e macias. Eu comi ainda quente com um tantinho de canela em pó por cima. Exatamente como um mingau.

O Per chegou a tempo de sentar e comer um prato de mingau comigo. Ele adora mingau de arroz, faz sempre, mas as crianças não estavam interessadas. Eu coloquei as sobras em potinhos para comer depois. Mas aí é que está, depois de frio o creme endurece de tal forma que vira um cuscuz. Os copinhos com os cuscuz ficaram na geladeira por uns tres dias, até sábado quando eu resolvi transforma-los em uma mousse e aí que está a delícia. Adicionar um tanto de creme de leite batido em chantilly e uma nova sobremesa surgiu out of the blue.



Para acompanhar minha "mousse" de tapioca eu fiz uma calda feita com as mais lindas e mais azedas ameixas espanholas. Uns dias antes eu comprei uma caixa de ameixinhas lacrada, sem provar. Onde já se viu provar ameixas em supermercado norueguês. Sem chance e aqui não há feiras vendendo ameixinhas e um vendedor oferecendo provinhas de tudo. Aqui amiexas só no supermercado e elas vêm em caixas fechadas com plástico (não apenas as ameixas). A cor das ameixas estava perfeita e eu acreditei. A maior desilusão. Nem Estela, que adora uma fruta azeda não se interessou. Depois de uns dias elas viraram calda, levemente azedinha que também não agradou muito, mas comeram.

Conclusão da história: mingau de tapioca é muito melhor do que mingau de maizena (amido de milho) e de cremogema. Ainda é muito melhor do que mingau de arroz. As pérolas de tapioca são puro amido de mandioca, a goma desidratada que uma vez cozida em água ou leite ganham tamanho e maciez. As sobras do mingau, que endurece facilmente devido a alta concentração de amido, viram 'cuscuz' e podem ser comidas como tal, fatiado, com coco ralado por cima ou caldas diversas. Ou apenas com um fiozinho de leite condensado, como se come nas praias no Rio. Se quiser variar pegue o cuscuz e dele uma mousse, assim:




Mousse de tapioca

300 gramas de mingau de tapioca frio (ver receita abaixo)
300 ml de creme de leite fresco
2 colheres de sopa de açúcar de baunilha

Como:

Coloque o mingau de tapioca num pote grande. Como o mingau frio fica duro, amasse o mingau para dar uma quebrada nele e formar uma massa. Bata o creme de leite com o açúcar até formar um chantilly com consistência média (nem muito mole, nem muito duro). Adicione o creme aos pouco ao mingau e com uma espátula vá mexendo para incorporar o creme à mistura de tapioca separando as bolinhas no creme. Não vai ser difícil fazer a mistura, mas você deve mexer suavemente, de dentro para fora de modo que o chantilly não perca muito a forma. Adicione o creme em tres vezes até forma um creme super aerado.

Divida o creme em quatro taças e leve para gelar por pelo menos duas horas.
Sirva com uma calda de frutas ou de chocolate.

Rende 4 porções.




Calda de Ameixas:

5 ameixas pequenas picadas com a casca (mantenha a casca se quiser dar cor à calda)
4 colheres de sopa de açúcar (use mais ou menos se preferir)
60 ml (4 colheres de sopa) de água



Leve as ameixas picadas ao fogo com o açúcar e a água e deixe que ferva em fogo médio-baixo. Se começar a secar adicione mais água, aos poucos, e deixe cozinhar até que a calda fique bem vermelha e os pedaços de ameixas fiquem totalmente defeitos. Deixe esfriar e sirva sobre as mousses.

Mas estas ameixas espanholas estão muito azedas e não me agradaram. O Per gosta, mas eu não. Quando comprei tinha em mente as ameixas sulafricanas que comprei no começo do ano e que estavam uma maravilha. Comprei diversas caixas ao longo do inverno norueguês (verão sulafricano) e todas elas estavam ótimas...





Mousse de tapioca


1 xícara de pérolas de tapioca pequena
1 litro de leite desnatado
180 ml de leite de coco
4 colheres de sopa de açúcar (use mais se preferir)
10 sementes de amburana

Como:

Leve todos os ingredientes ao fogo e deixe cozinhar em fogo médio-baixo até que as pérolas de tapioca estejam macias e transparentes. Retire as sementes de amburana com uma peneirinha e descarte-as. Sirva quente ou deixe esfriar totalmente para fazer a mousse.

sábado, 20 de junho de 2009

Bolo de banana com pedaços de chocolate



Uma amiga americana muito querida, expatriada como eu, costuma fazer este bolo de banana na casa dela. Desde que provei-o pela primeira vez decidi adotar e passei a fazer quando há bananas sobrando em casa. Além disso virou uma espécie de clássico nas festas da escola das crianças. Banana e chocolate, tem coisa melhor? Minha amiga adiciona nozes de diversos tipos à massa, eu adiciono apenas pedacinhos de chocolate. Na escola das crianças a paranóia em relação as alergias a nozes é impressionante. Todo mundo parece ser alérgico e na escola não se deve levar nada com nozes (i.e.: avelãs, nozes, castanhas, amendoas e o inimigo: amendoim). Mas você pode adicionar o que desejar. Chocolate de todas as cores, qualquer tipo de noz, uva passa de todas as cores ou o tipo de frutas secas que preferir. Ainda dá para adicionar coco seco que também fica legal. Por influencia de uma receita de biscoito que fiz algumas vezes percebi que fica bom com a adição de coco seco à massa.



Bolo de banana com pedaços de chocolate

Receita da minha amiga Sarah...

(copo de 250ml)

60 gramas de manteiga em temperatura ambiente
1 copo de açúcar
2 ovos grandes
4 bananas maduras amassadas (usei 3 bananas d'água grandes)
250 ml de creme azedo (aí é que está, se não tiver creme azedo use iogurte, kefir, cultura, coalhada, creme de leite, leite ou água mesmo)
2 copos de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
uma boa pitada de sal
1 colher de chá de extrato de baunilha (opcional)
100 gramas de chocolate ao leite ou chocolate amargo picado (dessa vez eu usei um pouco de cada um dos tipos de chocolate)




Como:

Aqueça o forno a 180C. Unte um forma média do formato que preferir com manteiga e salpique farinha. Se prefeir forre 24 forminhas de muffin ou empada com forminhas de papel.

Bata bem manteiga e açúcar. Adicione os ovos e bata mais um pouco até formar um creme bem clarinho. Adicione as bananas amassadas e bata até incorporar. Misture farinha, sal e fermento e adicione um copo de farinha. Adicione então o copo de creme (ou leite) e por fim adicione o segundo copo de farinha. Adicione a baunilha e mexa para incorporar. Adicione os chocolates ou frutas secas, um de cada vez e mexa com uma colher de pau para incorporar.

Transfira a massa para a forma ou divida-a nas forminhas de papel sem encher mais do 3/4 da forma. Eu encho apenas metade pois gosto de bolinhos mais baixinhos e por isso rende uns dois bolinhos a mais.

Rende 24 bolinhos ou uma forma retangular média.



Cobertura de chocolate

200 gramas de chocolate ao leite (usei com 37% de cacau) ou o chocolate que preferir
4 colheres de sopa de manteiga (usei com sal)

Derreta em banho maria sem deixar o chocolate ferver. Retire do fogo e cubra o bolo já frio. Deixe endurecer levemente antes de cortar.




Obs. Eu fiz um tabuleiro grande raso e sobrou massa para estes quatro bolinhos que aparecem nas fotos. O bolo grande eu decorei com açúcar de baunilha, cortei em quadradinhos e servi em outra ocasião.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Banquete amazônico e a revista Pororoca 3

Uma fantástica refeição amazônica /Foto Rogério Assis

A revista Pororoca 3 já está disponível nas melhores bancas do país e recheada de fotografias lindas e matérias incríveis sobre o caldeirão mais rico do planeta: a região amazônica. Já falei sobre o lançamento da revista Pororoca e do maravilhoso projeto bilingue da revista. A Pororoca 3 apresenta São Gabriel da Cachoeira, um dos paraísos intocados da região Norte do Brasil, um lugar como poucos desse nosso planetinha. Em São Gabriel da Cachoeira vive e trabalha dona Brazi, a chef amazônica que produziu o banquete acima, fotogrado e devidamente deglutido por Rogério Assis, diretor da Pororoca.

Dona Brazi, a já famosa chef de São Gabriel da Cachoeira - Foto Rogério Assis

Segundo Rogério o banquete servido por dona Brazi foi a melhor refeição de sua vida. Não tenho dúvida que a refeição servida por dona Brazi estava cercada por aquela energia que chamam pela aí de terroir, ou alguém tem alguma dúvida que é simplesmente impossível comer um tucupi preto fora do perímetro amazônico, ou que é humanamente impossível achar as saúvas maniwaras em outro canto desse planeta terrinha. E as saúvas maniwara são o segredo do sucesso desse tucupi.

Foto: Rogério Assis

Dona Brazi causou o maior rebuliço no evento do Paladar: Cozinha do Brasil em São Paulo no mês passado e foi louvada pelos grandes chefs de São Paulo. O grau de reverência à sabedoria de dona Brazi pode ser apreciada na entrevista feita por Alex Atala durante o evento e cujo vídeo foi publicado no site do Paladar suplemento do Estadão. No vídeo dona Brazi fala como faz para pegar as maniwaras e conta que sua mãe era da etnia Baré. Quer saber mais sobre dona Brazi? Leia Pororoca 3.


O banquete de dona Brazi em imagens. Nas fotos maiores: no alto um close das maniwaras e na foto inferior a mujeca, uma sopa de peixe - Fotos Rogério Assis.


Churrasquinho amazônico... Foto Rogério Assis.

São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Foto Rogério Assis


Cozinha tradicional brasileira em São Gabriel da Cachoeira. Foto Rogério Assis


Quer mais, muito mais sobre a Amazônia e suas delícias? Revista Pororoca.

Todas as fotos desta postagem são de autoria de Rogério Assis e não podem ser reproduzidas sem autorização da Editora Mandioca.