Mundo Orgânico


Presentes legais:



Queridos, falar em consumo me dá até coceira. Pessoalmente eu sou aquela pessoa que acha que o consumo é mais um problema do que uma cura para os problemas sociais. Mas, ao mesmo tempo, eu acho importante divulgar iniciativas comerciais que me emocionam, projetos e produtos maravilhosos e que não me pagam um centavo sequer para divulgar, que eu divulgo por amor e por acreditar que eles fazem diferença. Minha dica para vocês é: não fique por aí gastando seu precioso dinheirinho com bobagens, as taxas de juros para o consumidor vão aumentar, a crise está instalada em todo o planeta e, mesmo que você tenha dinheiro bastante para gastar, por que não fazer bom uso? Por que não capitalizar socialmente consumindo produtos ecológicos, orgânicos, de comérico justo e comunitários?


Na minha opinião natal é um momento para dividir, não só com a família e os amigos, mas com a comunidade, com o país, é momento de ser generoso com o planeta, mesmo que seja doando pouco para quem não se conhece. Por que não doar ao invés de só comprar, gastar e desperdiçar? Se for comprar, sugiro que compre produtos brasileiros, nativos, orgânicos, do comércio justo e comunitário. Suas compras de natal podem ajudar a desenvolver e a melhorar a vida das comunidades rurais de todo o país e fazer um Brasil muito melhor. Por isso, seja forte, resista ao poder de sedução do consumo de bobagens importadas, não se deixe levar pela aparência das embalagens e pelos shoppings centers engarrafados e por delícias de outras nações. Ame-se, cuide da sua gente e do seu país.




Presenteie com uma cesta de produtos orgânico e compre apenas produtos brasileiros. Para ajudar eu fiz uma lista de cooperativas e comunidades brasileiras que vendem em todo o país e via internet. Não perca tempo, compre seus produtos orgânicos e nacionais. Minhas dicas para vocês são:



1. A menina dos meus olhos é o site Gravetero, da Coopersuc de Cooperativa agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá no Sertão da Bahia. Eles fazem coisas fantásticas e o site tem um textinho de abertura da Neide. Lá tem geléia de maracujá da caatinga, geléia de umbu, doce de manga, doce de maracujá com banana e doce de corte de umbu sem açúcar. Além de compotas de manga, goiaba e montes de delícias e até receitas. Basta entrar em produtos e se informar.

Gravetero da Coopersuc



2. Outro site que me emociona e onde vocês podem encontrar coisas ótimas é o site da Caatinga Cerrado e eu já tinha inclusive colocado um link na barra lateral do blog. A Caatinga Cerrado é uma iniciativa de articulação das redes e empreendimentos da agricultura familiar para a promoção e comercialização de produtos da sociobiodiversidade desses biomas e é um projeto maravilhoso com parceiros incríveis para o qual eu só tenho uma palavra: Apoie!





3. O site da Agreco, a Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral de Santa Catarina, uma associação de agricultores que vai celebrar 15 anos de existência em 2011 e muita dedicação a agricultura fammiliar orgânica.

A Agreco produz molhos de tomates, geléias de tangerina e frutas diversas, tudo orgânico e natural e fantástico. Mas viaje pela lista de produtos, tem um monte de coisas fantásticas. Além de Santa Catarina, você pode encontrar os produtos em diversos estados: como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.



4. Que tal um presente super romântico, ir conhecer uma fazenda de café orgânicos certificados e que também é hotel? Conheça a Fazenda Cachoeira que recebe reservas dos interessados pela internet. Tem coisa mais chique do que dar de presente para um amigo, namorado ou um parente um final de semana numa fazenda colonial que produz café orgânico? A pessoa vai poder tomar parte numa oficina de café, aprender a provar a bebida e vai te amar para o resto da vida. Vai nessa, gaste o seu precioso dinheirinho com inteligência e charme em Minas Gerais. Consulte tarifas e reservas aqui





Por isso, se seu amor é do tipo que gosta de café eu se fosse você esquecia de vez aquela cafeteira pós-moderna que prepara café porcaria, em cápsula, e convidava o seu amor para passar uma final de semana numa fazenda de café de verdade, que produz cafés orgânicos. Cafés bacanérrimos, de alta qualidade, café de verdade e tudo de bom. Não se deixe levar pela aparência do maquinário, coloque as mãos nos grãos de verdade e sinta a diferença. Máquina não faz café, quem faz um bom café é o agricultor e a água que você usa no preparo.





5. Quer cachaça orgânica de qualidade? Visite o site da Sanhaçu, uma cachaça orgânica certifica e de alta qualidade. Você sabia que só Minas Gerais já tem oito cachaças com certificado de origem? Se jogue já e conheça a linha de produtos da Sanhaçu.








6. A BioAgrepa é a marca dos produtos da Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia, a Cooperagrepa, localizada no norte do Estado do Mato Grosso. A "Cooperagrepa nasceu da união de pequenos agricultores familiares vindos de todas as partes do Brasil que escolheram fazer da Amazônia o seu lar",é fruto das muitas migrações que marcam a história da região. A BioAgrepa comercializa guaraná, açúcar, melado, café e castanhas, tudo orgânico e produzido de forma sustentável, preservando o território do Portal da Amazônia.

Clique no link para entrar em contato com a BioAgrepa.



7. A Coopes Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina é obrigatório nesta lista e você precisa visitar o site para conhecer os produtos. Na Coopes você pode comprar não só artesanatos ótimos, como a bolsa da foto, mas docinhos, biscoitos, mel mas também o grande sucesso da região, o licuri, um coquinho da caatinga na região do Piemonte da Diamantina, Estado da Bahia. O licuri pode ser consumido em natura, como aperitivo, pode virar farinha e ser usado em bolos, pudins e pães e ainda há o azeite que pode ser usado como especiaria. Chique perde...

Visite o site e conheça os produtos da Coopes


8. Parceira do projeto Caatinga Cerrado a APAEB está localizada no município de Valente, estado da Bahia e é uma Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão promover o desenvolvimento social e econômico sustentável e solidário, visando a melhoria da qualidade de vida da população da região sisaleira. A importância da APAEB é resultado de atividades como a batedeira de sisal que foi fundamental para melhorar a vida das comunidades sisaleiras.

Entre outras iniciativas mantém um núcleo de beneficiamento e produção de maravilhosos tapetes de sisal. Gente, tapete de sisal é tudo, é o que há de lindo, frescos e facéis de limpar e um produto ultra ecológico, ao contrário das fibras artificiais importadas e/ou dos algodões transgênicos. A página está sendo rearranjada e ainda tem alguns problemas mas você pode conhecer os locais e os revendedores do tapetes produzidos na região.

Para saber onde comprar vá até a página de Tapetes de sisal da APAEB


9. A Assema é uma associação das áreas de assentamento no Estado do Maranhão, são áreas que hoje estão voltadas para as pequenas atividades rurais, como o agroextrativismo, a produção de alimentos orgânicos e o processamento de derivados do babaçu, preservando essa palmeira e não mais desmatando. É um projeto importantíssimo considerando-se que o Maranhão é hoje o Estado mais pobre do Brasil e abriga alguns dos mais intensos e violentos conflitos no campo, onde o desrespeito aos direitos dos trabalhadores rurais e ao meio ambiente são corriqueiros.

A Assema representa o esforço dos pequenos agricultores de estabalecer um nosso sistema de produção capaz de melhorar a vida dessas comunidades. Apoiar a Assema é mais do que consumo justo, é um ato de prazer. No momento os produtos disponíveis na linha Babaçu Livre ainda são poucos, mas interessantíssimos e vale a pena conferir os produtos que em breve estarão disponíveis.

Conheça a linha de produtos Babaçú Livre da Assema.


10. A Coocaram é uma cooperativa de produtores localizada na região central de Rondônia, na Amazônia Ocidental. É hoje a maior cooperativa de agricultura familiar do Estado. O principal produto da produção dos agricultores é o café e a Coocaram desenvolve e apóia os processos de produção agroecológicos a comercialização via "Comércio Justo". Infelizmente, em função dos solos e da altitude, os grãos produzidos na região são robusta, que eu não aprecio, mas acredito que bebedores de café espresso e café instantâneo estão mais acostumados ao aroma do café robusta. Além do café a Coocaram produz guaraná em pó e frutas secas e desidratadas, perfeitas para a época do Natal.

A Coocaram faz venda direta para o consumir nas cidades sem ponto de venda da cooperativa. A Coocaam tem ponto de venda em todo o estado de Rondônia e em Brasília.
Conheça os produtos da Coocaram os pontos de venda de produtos
e como entrar em contato para adquirir diretamente com o pessoal da Coocaram



11. Arvoredo Brasil, projeto do Instituto Agroflorestal Bernardo Hakvoort (IAF) do Paraná, uma organização não governamental fundada por agricultores, técnicos, professor e um líder comunitário preocupados com a acelerada descaracterização e degradação da Floresta Araucária na região do Município de Turvo e da Região Central do Estado do Paraná. O projeto é formado por 85 pequenas propriedades de agricultores familiares que integram a Coopaflora, com 765 hectares de terras produtivas localizadas a altitude de 1080m onde desenvolvem agricultura orgânica e agroecológica de excelência. Todas as propriedades têm certificação orgânica pela Ecocert e estão localizadas em um dos maiores remanescentes de Floresta com Araucária, um dos ecossistemas mais ameaçados do Bioma Mata Atlântica.

A Arvoredo Brasil oferece chás e ervas aromáticas e medicinais desidratadas orgânicas e certificadas. A Cooperativa tem como principal objetivo a produção e comercialização sustentável de plantas medicinais, aromáticas e condimentares desidratadas, contribuir para a preservação, recuperação e conservação da Mata Atlântica. Conheça a seleção impressionante de espécies cultivadas pelo Arvoredo Brasil. O trabalho deles é lindo e você pode entrar em contato com o pessoal da Arvoredo para saber como adquirir os produtos na sua cidade. Eles também produzem erva-mate-sombreada que é um dos destaques da cooperativa.

Clique no link para baixar o catálogo de produtos da Arvoredo Brasil e saber como entrar contato.



Se preferir faça doações para demonstrar o seu apoio a esses projetos sensacionais:

1. Articulação do Semi-árido Brasileiro é um colegiado de associações e cooperativas diversas que desenvolveu e coordena os mais importantes programas de convivência com o semi-árido brasileiro. A ASA está fazendo história em todo o nordeste com os programs P1MC (Programa 1 milhão de cisternas rurais) que já revolucionou a vida dos beneficiados, famílias rurais pobres na região semi-árida. Já o P1+2 (Programa uma terra e duas águas) é ainda mais sensacional e está revolucionando não só as vidas das famílias envolvidas, mas transformando a vida de comunidades inteiras e municípios isolados e esquecidos pelas autoridades. O P1+2 pode transformar o futuro do Brasil, começando pelo Nordeste. É emocionante. Para saber como doar para o programa 1 milhão de cisternas rurais basta entrar no site da Articulação do Semi-árido Brasileiro.



2. Associação Serracima em Cunha, São Paulo fala a minha língua: agricultura familiar orgânica e desenvolvimento. O projeto da Serracima é apoiar o desenvolvimento rural sustentável em seus aspectos ambientais (recuperação da Mata Atlântica), econômicos (geração de renda para o agricultor familiar) e sociais (reversão do êxodo rural). Poderoso perde! Vai lá e faça uma doação.






3. A iniciativa chamada de Recaatingamento do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), associado a Articulação do Semi-árido (ASA) é emocionante, é muito mais do que o esforço de conservar a região da caatinga. O projeto é exemplar, meu sonho de consumo, de futuro. Eu queria estar lá, ser uma parte do projeto de recaatingar, uma coisa lindíssima. Vocês sabe do quanto eu sou apaixonada pela caatinga e o projeto é digno da região.

Uma das metas mais importantes e audaciosas do Recaatingamento é contribuir com o sequestro de carbono da atmosfera e o desafio de "recaatingar" áreas dos sete Fundo de Pasto das Comunidades Recaatingueiras evitando assim a liberação de 123 mil toneladas de CO2. Você tem noção da maravilha que isso significa? Gente, esse projeto é de chorar de lindo, emocionante. Minha, cara, minha alma, eles me tem de corpo inteiro e eu não faço parte.


Agricultura familiar e orgânica

Horta orgânica em município do Estado do Rio Grande do Norte


Faz tempo que eu vinha ensaiando um texto sobre alimentos orgânicos que possa servir de referência para autores de blogs e sites em língua portuguesa interessados na questão da produção de alimentos orgânicos e este aqui é o primeiro de uma série de pequenos artigos que virão onde eu pretendo tocar nas muitas questões que circundam o tema "alimentos orgânicos". Eu tropeço no tópico "orgânicos" em todos os cantos da internet mas encontro muitos problemas em quase todos. É que ao mesmo tempo em que se fala muito de produtos orgânicos há muitas informações erradas, simplórias e até mesmo contraditórias e o assunto permanece pouco claro.

As informações divulgadas através da grande imprensa são, na maior parte das vezes, ainda piores pois além de extremamente parciais são repletas de preconceitos e juízos de valor fato que não ajuda ninguém a entender os benefícios da agricultura orgânica. De uma maneira geral o grande público concorda que a agricultura orgânica é melhor do que a agricultura convencional, mas não sabe dizer porque. Durante muito tempo os benefícios da agricultura orgânica apareciam apenas quando a grande imprensa relatava os perigos e o excessivo uso de agrotóxicos nos alimentos agrícolas.

Filhos de agricultores familiares da comunidade rural de Teixeira, no município sertanejo de Rafael Godeiro (RN), cultivam horta agroecológica e sentem orgulho de viver no campo.


As coisas funcionam mais ou menos assim, o povo ouve falar da agricultura orgânica (hoje em dia mais do que nunca) mas continua sem saber bem do que se trata exatamente e quais são os benefícios desse tipo de agricultura. Quando a pessoa vai ao mercado atrás dos alimentos orgânicos a primeira coisa que chama atenção é o preço desses alimentos e muita gente não ultrapassa a barreira dos preços, ou seja, não dão uma chance real aos orgânicos pelo simples fato deles custarem mais caros do que os produtos convencionais. A alienação continua em função da barreira do preço.

Por causa do preço, que na realidade não é mais alto na maior parte do país, o grande público continua a desconhecer os benefícios e, até mesmo, a definição de agricultura orgânica. Explicando orgânico é o sistema de produção agrícola que exclui o uso de aditivos agrícolas, i.e. fertilizantes sintéticos, agrotóxicos diversos, pesticidas e aditivos alimentares sintéticos para animais. A agricultura orgânica baseia-se no uso de estercos animais e matérias orgânicas no lugar de fertilizantes e adota práticas como a rotação de culturas, compostagem, controle de pragas e doenças através da harmonização de culturas. Por exemplo, no caso do algodão orgânico cultivado em determinadas regiões do Brasil a colheita é protegida contra pragas com a plantação de diversos tipos de legumes ao longo dos pés de algodão que protegem contra grande parte das pragas.


Jovens do assentamento Ursulina, na zona rural do município de Caraúbas (RN), cuidam do viveiro de mudas implantado a partir das ações financiadas pela Diaconia, União Européia e Tearfund.

Os motivos mais comuns que levam ao consumo de alimentos orgânicos são as características desses alimentos, muito mais saudáveis do que os alimentos produzidos pela agricultura convencional pelo fato de serem livres de agrotóxicos e agentes químicos. Não que uma laranja orgânica tenha mais vitamina C do que uma laranja convencional. O poder nutritivo não se altera, mas a qualidade sim, já que o produto orgânico é mais saudável para consumo por estar livre de aditivos químicos. Um outro fator importante em relação aos alimentos orgânicos é que eles são produzidos de forma ecológica e muito menos danosa à natureza já que os dejetos da agricultura convencional poluem rios e outras fontes de recursos hídricos e contribuirem para o aquecimento global sendo a agricultura convencional a principal emissora do dióxido de nitrogênio na atmosfera.

Mas na minha opinião há no Brasil um motivo ainda mais importante para justifica o consumo de produtos orgânicos, o fato de 80% da agricultura orgânica brasileira ser produzida pelas pequenas propriedades de agricultura familiar. O aumento no consumo de orgânicos é uma forma direta de apoio à agricultura familiar apoio esse que é fundamental para a sobrevivência da agricultura familiar um setor extremamente importante no desenvolvimento sustentável do Brasil e para o desenvolvimento de um país mais justo. Por trás do sucesso da agricultura familiar estará uma sociedade muito mais justa e feliz. A valorização da agricultura familiar contribui é uma forma de defesa da vida como um todo já que a valorização das pequenas propriedades de agricultura familiar e orgânica contribui para a melhoria da vida no campo, a valorização da vida nas áreas rurais do país, contribui para a fixação das famílias no campo, desestimula a migração que causa o inchamento das cidades e a consequente concentração de terras nas áreas rurais de todas as regiões do país.

Hortaliças agroecológicas cultivadas por jovens da comunidade Teixeira, no município de Rafael Godeiro, reforçam alimentação da família e servem de motivo para permanência do jovem no campo.

De acordo com cientistas da Embrapa e dados da Pastoral da Terra a agricultura familiar é hoje o setor mais produtivo e mais ameaçado da agricultura brasileira. Para se ter uma idéia, o censo agropecuário publicado pelo IBGE em 2008 mostrou que apesar de deter apenas 24,3% da área agrícola brasileira, a agricultura familiar é responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do gado suíno, 50% das aves, 30% dos bovinos e 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar no censo de 2008, como era de se esperar é a soja (16%) produto símbolo das grandes empresas do agronegócio. E, como mencionei acima, agricultura familiar é responsável por 80% da produção orgânica e responde por 10% do PIB nacional.

Além de produzir em uma reduzida área, a agricultura familiar ainda recebe um volume muito pequeno de recursos públicos. De acordo com a Pastoral da Terra, em 2008 a agricultura familiar recebeu 13 bilhões de reais enquanto o agronegócio abocanhou cerca de R$100 bilhões de reais. Sem apoio ostensivo do governo a agricultura familiar e orgânica vai permanecer pobre e marginal apesar de sua importância, seu peso econômico, seu papel social e dos benefícios que a produção agrícola sustentada oferece a toda população. Além disso a agricultura familiar é a principal geradora de empregos no campo.

Feira orgânica organizada pelo PAAF (Programa de Apoio a Agricultura Familiar)


A medida que a agricultura familiar perde espaço aumenta a concentração da terra, as fazendas comerciais e a expansão do agronegócio levando a degradação das condições de vida dos trabalhadores do campo já que as grandes unidades do agronegócio concentram os casos de exploração de trabalho escravo e as péssimas condições de trabalho.


Para Malvezzi, da Pastoral da Terra, " saber produzir comida é uma arte... o Brasil ainda tem agricultores que detém a arte de plantar e produzir comida. No norte e no nordeste são mais as tradições negra e indígena. No sul e no sudeste mais a tradição européia de italianos, alemães, polacos etc. É preciso ainda considerar a presença japonesa na produção de hortifrutigranjeiros nos cinturões das grandes cidades. Preservar esses agricultores é preservar o "saber fazer" de produtos alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro na sua totalidade sofrerá com essa ausência".


Curso de apicultura orgânica para agricultores que participam do PAAF no Estado do Rio Grande do Norte


Para que a agricultura familiar continue a crescer é fundamental a ajuda de todos nós. Por isto compre alimentos orgânicos, se você já compra de vez em quando passe a comprar regularmente, cheque a origem e pague por eles pensando que está ajudando a construir um Brasil melhor, mais justo. Se você costuma ir ao supermercado passse a frequentar os mercados dos produtores, os horti-frutis abastecidos pelos produtores rurais da agricultura familiar, os sacolões e feiras livres. Evite frutas e legumes de supermercados, quando você protege a agricultura familiar do Brasil você está protegendo a produção agrícola artesanal, a vida no campo, os produtos orgânicos e a sua saúde física. Vamos proteger a agricultura familiar brasileira e para isto precisamos fazer a nossa parte, não apenas esperar que políticas públicas e que os políticos defendam a pequena agricultura. Devemos agir e cobrar medidas de proteção e estímula a agricultura orgânica familiar, mesmo que seja através do subsídio como é feito nos EUA e em toda a Europa.

Para concluir eu gostaria de frisar que me entristece imensamente ler em determinados blogs e sites brasileiros texto onde as pessoas reclamam dos altos preços dos produtos orgânicos em São Paulo e no Rio de Janeiro por exemplo. Eu não veria nenhum problemas se essas mesmas pessoas não gostassem de exibir em seus blogs e sites livros, equipamentos e produtos alimentícios importados caríssimos. Acho que um pouquinho de consciência e de inteligência nessa hora faz bem para a saúde e o paladar de todo mundo. Tudo é uma questão de prioridades, algumas pessoas ainda consideram mais importante exibir equipamentos importados e cozinhar com frutinhas importadas a pagar um pouco mais e servir em casa comida orgânica produzida pelo setor mais importante da economia brasileira, nossas micro, pequenas e médias propriedades de agricultura orgânica familiar.

Gostaria de lembrar que eu escrevo com os olhos voltados para o Brasil e público brasileiro, tendo em vista a realidade da economia e da sociedade brasileira. Mas espero poder contribuir para o público interessado nessas questão fora do Brasil, em Portugal, Angola, Moçambique e os demais países de língua portuguesa.

José Ribamar, agricultor familiar do município de Dr. Severiano, na região semi-árida do Rio Grande do Norte, usa água da cisterna para aguar a horta no quintal de casa e para as galinhas.

Fotos do PAAF(Programa de Apoio à Agricultura Familiar) da ONG Diaconia.