quarta-feira, 10 de junho de 2009

Empada doce de queijo com goiaba e maracujá



Meu plano para hoje era outro, era publicar sobre uma sobremesa grega, com uma conversa longa sobre minha primeira viagem à Grécia e os dias inesquecíveis que passei em Atenas. No entanto, essa sobremesa vai ficar para outro dia, quem sabe amanhã. Enquanto eu me debatia para finalizar a postagem grega, saíram do forno, assim por acaso e muito rapidamente, umas empadinhas de queijo doce que eu banhei com calda de goiaba e com uma redução de suco de maracujá de garrafa. Eu estava louca para usar o final de uma garrafa de suco maracujá (amarelo e azedo)que eu estava economizando há uns dias para uma caldinha e foi exatamente o que fiz.



Estive em casa durante dois dias, cuidando de criança doente e não foram dias fáceis. É que ficar em casa, circular aqui pela minha rua, pelo meu bairro (onde ocorreu um incêndio horrível hoje por sinal) é o tipo da coisa que eu não faço nos dias da semana normais pois as crianças estudam numa escola internacional no Centro da cidade, perto da universidade onde eu passo a maioria dos meus dias. O fato de estar mais próxima daqui, do meu bairro, expõe as nossas diferenças culturais. Não escrevo sobre esse assunto, tento não pensar demais, mas sofro muito com o jeito de ser dos noruegueses e com o lado mais conservador da cultura norueguesa.

Eu sou uma pessoa extremamente crítica em relação ao Brasil, marco posição em relação aos problemas do meu país. No entanto, parece-me que, no Brasil os problemas, assim como as atitudes e os enfrentamentos são abertos, estão expostos, as claras, sem muita hipocrisia. No Brasil a sociedade é dividida, é uma sociedade de classes mesmo, cada classe, uma posição, uma atitude. É perverso? É, mas faz sentido. Enquanto eu estiver viva eu combato aquela injustiça. No entanto aqui a coisa é velada, disfarçada, negada, não discutida, ou controlada de uma maneira muito incômoda. O mundo é imenso e cheio de lugares diferentes. Este aqui é apenas um deles. Não é dos piores. As vezes dá para segurar numa boa, outras vezes é insuportável. Hoje foi assim. Difícil.




Empada doce de queijo com cobertura de goiaba


Massa

50 gramas de manteiga gelada cortada em pedaços (usei com sal)
1 xícara de farinha de trigo
3 colheres de sopa de açúcar
1 gema
1 colher de sopa de água gelada
Canela em pó a gosto (usei 1/2 colher de chá)
Pitada de sal (no caso de usar manteiga sem sal)

Aqueça o forno a 180C e unte com manteiga 10 formas de empada ou de quindins (sem furo no meio). Com as pontas dos dedos, ou num processador, misture farinha e manteiga até formar uma farofa. Adicione então o açúcar, a canela, a gema e a água. Se precisar de um pouquinho mais de água para dar liga adicine, mas em gotas, aos poucos para não deixar a massa húmida demais. Divida a massa em 10 partes e pressione nas forminhas. Leve ao forno por 10 a 15 minutos ou até que a massa fique levemente dourada. Retire do forno e deixe esfriar. Enquanto prepara o recheio



Recheio:

150 gramas de queijo cremoso com baixo teor de gordura em temperatura ambiente
5 colheres de sopa de açúcar (usei com baunilha)
1 ovo
1/2 colher de chá de extrato natural de baunilha

Bata todos os ingredientes com a batedeira até formar uma massa líquida homogênea. Divida o recheio sobre a massa pré-cozida das empadinhas sem encher totalmente. Leve as empadas com o recheio novamente ao forno por mais 10 minutos ou até que o creme assente e eventualmente comece a subir. Quando o recheio começar a subir retire do fonro e deixe esfriar. O recheio vai baixar novamente e formar uma leve covinha no coentro da empadinha doce de queijo. Nessa covinha você pode deitar um pouco de calda de frutas.



Calda de goiaba

1/2 xícara de goiabada
3 ou 4 colheres de sopa de água

Como:

Derreta a goiabada com a água numa panelinha até desfazer toda a massa da goiabada e formar uma calda lisa e fina. Deixe esfriar e sirva com as empadinhas doces de queijo.


Redução de suco de maracujá de garrafa:

1/2 xícara de suco da maracujá de garrafa
2 ou 3 colheres de sopa de água
3 ou 4 colheres de açúcar

Como:

Leve os ingredientes ao fogo e deixe ferver em fogo baixo por uns 5 a 10 minutos ou até que o suco se reduza formando uma espécie de calda bem fina e perfumada. Sirva com as empadinhas doces de queijo.


15 comentários:

Gina disse...

Cláudia, essa empada com a calda escorrida está uma perdição.
Saborear essas delícias é, por alguns momentos, esquecer que a injustiça permeia as relações humanas, em qualquer lugar. Não que se deva ficar de braços cruzados, mas, por vezes, só nos resta desabafar, o que já é uma forma de manifesto.
Bjs.

Magia na Cozinha disse...

Gostei muito do comentário da Gina.
Tenho a impressão que quando a gente mora fora, as diferenças ficam ainda mais evidentes entre os povos.
Eu moro aqui nos EUA, mas não gosto dos americanos. Acho eles super "phonies". Isto me irrita profundamente! Povinho marreta! Pronto, falei!
Tirando estes, tem 2 ou 3 que são gente boa.
Pior que isso, só os brasileiros que vem para cá e entram na mesma onda. Ai eu não posso aguentar!
Amei as empadinhas. Nunca me ocorreria fazê-las doce. O bom é que a sua receita pega leve no açúcar, dai não fica enjoativo.
A calda de goibada dá um realce lindo!
Bjs :)

Verena disse...

Claudia, a diversidade é complicada e poucas são as pessoas que sabem lidar com isso...não sabia que por aí era tão sério...
Quando tinha 12 anos moramos um ano na Alemanha e sofríamos na pele...eu sou ruiva e falava alemão quase sem sotaque...minha mãe e meu pai tiveram muitos problemas...a língua muito difícil, os dois tem cabelos pretos encaracolados...imagine só...tratavam que nem cachorro!
Foi difícil...Espero que o dodói em casa tenha melhorado!
Ah, essa empadinha de queijo está linda!!!! Adoro queijo doce!

maria fernanda disse...

Clau deve ser complicado mmo conviver c essas diferenças culturais principalmente p nos latinos.Imagino vc q é uma pessoa q gosta de se posicionar.As vezes eu acho q o alienado vive um pouco melhor Será? Naum posso nem pensar em ser uma pessoa sem visåo critica . Divagaçòes... A proposito fiz os biscoitos de chocolate fiquei na duvida se tinham q ficar na geladeira ou freezer. Deixei no frezzer.Veja nos comentarios do flower power tem umas msgs minha e da Bebe.(filha da Bia). Por hora bjs e mto flower power p vcs Gostei de saber q a Tete está melhor

Mari disse...

Claudinha, eu imagino o quanto deva ser complicado para você lidar com esse choque cultural todo. Não bastasse a diferença brutal entre os costumes, os estrangeiros não facilitam em nada o convívio com quem vem de outro país. Se todas essas injustiças são o que há de desagradáveis, essas empadinhas, por sua vez, são a beleza materializada. Que coisa mais linda!!! E aposto que, deliciosas ao extremo... como as fotos ficaram lindos!!!
Beijo grande,

Mari

Moira disse...

Essas empadas com a calda a escorrer são uma tentação mesmo para quem não e muito guloso como eu.
Bj
Moira

Isabel disse...

Cláudia, imagino que a Noruega comparada com o Brasil seja outro planeta. Não conheço os países nórdicos, mas imagino a diferença cultural. Se os brasileiros aqui em Portugal falam de como no Brasil é diferente, imagino aí. Sabe que no outro dia passaram dois rapazes brasileiros por mim quando eu ía para o supermercado e disseram "oi, bom dia", eu como não os conhecia, não respondi. Eles ficaram ofendidos e comentaram um com o outro "aqui o povo é muito diferente, não responde pra gente, são muito frios". Eu olhei pra trás, encolhi os ombros e sorri, como quem diz "são diferenças culturais!". E isso foi só um pequeno exemplo.
Espero que a sua filha esteja melhor e que viver aí fique cada dia mais fácil.
O doce é de babar, como sempre!
Nota: Elizabeth Bennet é minha heroína preferida de toda a literatura.

Claudia disse...

Gina,

comida é a meu consolo para qualquer problemas de adapatação. É a forma que eu tenho de me sentir mais perto do Brasil. Esqueço mesmo todas as injustiças deste mundo. Beijos.

Clauzinha,

Imagino que não seja fácil mesmo. Eu estudei nos EUA durante quatro meses, muito tempo atrás, e não foi muito fácil, mas nas aparências eles são bem amigáveis.Se você se sente assim tem que falar. Acho que ninguém deve ficar fingindo que acha tudo lindo se no fundo as coisas não são como aparentam. Bj.

Verena,

A coisa na Alemanha é mais séria do que aqui, sem dúvida. Os noruegueses, juntamente com os suecos, são os povos mais abertos aos estrangeiros da Europa, mas no trato pessoal são bem complicadinhos. Em teoria uma coisa, na prática outra. Bj.

Fernandinha, querida, eu vi o comentário da Beatrizinha. Uma graça, fiquei toda feliz. Mas estive tão enrolada que não deu para responder, Estelita ficou em casa dois dias, não fiz muita coisa. Beijos na Beatriz e em você.

Mari,

Os europeus são de uma natureza diferente mesmo. Meu marido é norueguês e mesmo para ele já é difícil pois ele é totalmente abrasileirado. Ele fala mais em voltar para o Brasil do que eu. O problema são as crianças.

As empadas ficaram boas demais, uma revelação. Bj.

Moira,

Ficaram tão boas que você ia adorar. E nada doces, muito levinhas. Bj.

Isabel,

Quando um rapaz brasileiro passar e de desejar "bom dia" responda por mim. Me faz esse favor.

Lembre que tem um brasileira aqui em cima que todos os dias dá bom dia para as pessoas e ninguém responde. Na universidade, onde eu passo a maior parte dos meus dias ninguém me responde. Dê bom dia para um estranho brasileiro, faça isso por mim. Um bom dia generoso e descompromissado, daqueles faz toda a diferença para um coração brasileiro!!! Bj.


Claudia

Isabel disse...

Cláudia, eu fiquei tão chateada com o que eles disseram! Fiquei mesmo.
Aqui temos uma regra de boa-educação que é "um bom-dia não se nega a ninguém", mas está implícito que é alguém que se conhece nem que seja só de vista, mas se calhar temos que olhar essa regra com mais abrangência e não negar um bom dia a ninguém mesmo! Eu vou dar bom dia a todos os brasileiros, pode ficar descansada!

Agora essa de ninguém no seu local de trabalho te responder é terrível! Nesse aspecto, aqui é diferente, no local de trabalho todo a gente se fala, mesmo que não se conheça muito bem.
Bjs

Nana disse...

Clau, lendo os comentários, eu posso te dizer que as crianças acostumam muito fácil, no começo é um chororó e depois não querem mais saber.
Sei como é complicado e aqui no Brasil temos essa diferença também, o Sul é totalmente o contrario do Nordeste, não dá para entender.
Suas empadas me deixaram com desejo!
Bjss

Viviane disse...

Olá Claudia

Tudo bem com você?

Eu sou a Viviane Cavalcante, do Cyber Cook. Estou lhe escrevendo para dizer que o Sabor Saudade será citado em nossa sessão recem criada chamada "Aqui tem Comida da Boa", onde nossa equipe irá regularmente fazer a indicação de blogs que tratam sobre culinária e que tenham a qualidade necessária para que possamos indicá-los aos nossos visitantes.

Para nós é um grande prazer poder realizar esta indicação, pois só assim atingimos nosso objetivo principal que é divulgar a culinária de boa qualidade para todos na web.

Caso você deseje colocar o selo em seu blog, acesse este link e cole o código do selo escolhido em seu blog. Lembre-se que este endereço é exclusivo para o seu blog, pois nele tem o link que aponta para a página do Cyber Cook que está a indicação.

Parabéns e, qualquer dúvida, entre em contato comigo direto pelo Suporte Cyber Cook, sem problemas.

Anakoelho disse...

Boa tarde Cláudia!
Passei po acaso e amei seu blog...,
receita "anotada",parece deliciosa.
Boa sorte no trabalho,tudo de bom.
Um maravilhoso fim de semana p/ vc.


Ana.

Cláudia disse...

Uaaau :) estou aqui a babar só a olhar para estas empadas!!!

parabéns pelo seu blog. Adorei

beijinhos

gasparzinha disse...

Mesmo para quem é europeu, os países do Norte são marcados pela frieza do clima e do povo. Deve ter momentos mais duros, e é nesses que um belo doce aligeira a diferença.

:)
Beijos.

Kati Monteiro disse...

Cláudia,
sou brasileira morando na França e também sinto este choque cultural de vez em quando. Mas cada lugar tem seus problemas e suas qualidades. Hoje eu fico revoltada quando vejo certas noticias do que está acontecendo no Brasil, e mais revoltada ainda quando eu vejo que algumas pessoas de lá acham tudo "normal".
E nestas horas a gente se sente meio distante de tudo e de todos, como se a gente não fosse de lugar nenhum.
Um docinho ajuda a alivia a tensão.
Fiz a tua receita de empadinha, uma vez com ganache de chocolate amargo, e outra com recheio de queijadinha.
Gostei muito da massa, que não é muito doce. Perfeita.
Deixo aqui o link, se você quiser dar uma olhada.

http://katmont.blogspot.fr/2013/02/empadinha-de-chocolate-com-banana.html
http://katmont.blogspot.com/2013/02/queijadinha.html

Beijos