sábado, 6 de fevereiro de 2010

Uns marronzinhos de cacau (brownies) antes de zarpar em direção ao Rio...



Pessoas, quando esta mensagem for publicada eu estarei voando em direção a Paris, onde pegarei um vôo direto para o Rio de Janeiro...

Não poderíamos estar mais felizes, já era mais do que tempo de voltar para casa, ainda que por algumas poucas semanas. A próxima postagem, se possível, vai ser direto do Rio, durante a semana do Carnaval. Espero ter tempo e chance de escrever. Não poderia ir sem deixar uma fotinhas, ainda que pouco fotogênicas, desta maravilha que eu experimentei e totalmente aprovei, um brownie de cacau em pó que leva apenas cacau em pó puro.




Usei cacau Valrhona, 100% cacau, mas que é processado com alcaloídes o que deixa o pó muito mais escuro do que o tom natural do cacau. Nâo acho o cacau Valrhona sensacional, muito pelo contrário, acho que é um cacau infinitamente inferior aos cacaus naturais. Mas neste mundo tudo é uma questão de gosto. Com o uso de cacau processado o resultado é um bolo muito preto, mas delicioso. Eu pessoalmente prefiro o tom mais avermelhado do cacau natural, não processado e não adoçado. Sei que estou devendo uma postagem sobre cacaus e e estou pronta para pagar minha dívida em breve.

Quanto aos marronzinhos da foto, que de tão pretos eu os rebatizei de "neguinhos", é uma receita de brownie de cacau é de um livro famoso escrito por Alice Medrich, chamado Bittersweet, muito sugestivo o nome, não?


Neguinhos de cacau em pó


150 gramas de manteiga
1 copo de 250ml de cacau em pó puro não adoçado
1 e 1/2 copo de 250ml de açúcar branco
3 ovos médios (ou dois grandes)
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
1/2 copo de farinha de trigo

Como:

Pré-aqueça o forno a 180c.

Coloque a manteiga, o açúcar e o cacau num pote de vidro, ou metal, que possa ser colocado dentro de uma panela ou frigideira grande com água fervendo. Com uma colher de pau, ou espátula, mexa a mistura até que a manteiga totalmente derretida misture-se homogeneamente ao açúcar e ao cacau. Vai formar uma mistura bem grossa, meio talhada, mas não tem problema. Se a mistura estiver muito quente deixe esfriar um pouco até amornar. Adicione então os ovos, um por um, mexendo bem com a colher de pau para incorpora-los totalmente. Adicione a baunilha e, por fim, a farinha. Depois que a farinha estiver totalmente incorporada mexa a massa, fazendo movimentos circulares, por 40 vezes usando uma colher de pau. Coloque a massa numa forma quadrada ou retangular pequena, com cerca de 15cm X 20cm forrada com papel alumínio ou com papel manteiga untado.

Asse o bolo em forno pré-aquecido a 180C por 20 a 25 minutos. Não deixe o bolo secar demais para não perder a umidade. Quando um palito sair levemente sujo de massa o bolo está no ponto. Retire do forno e deixe esfriar totalmente antes de desenformar e servir.

Rende de 12 a 16 pedaços





Só penso no Rio e é muito bom voltar para casa.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Uma receita de tagliatelli e um amigo...



Eu nunca gostei de massa, nem mesmo quando era pequena. Minha mãe fazia macarrão mas eu só comia se fosse afogado em muito caldo de feijão. Nunca gostei muito mesmo. Quando viajava com amigos, em acampamentos ou na casa de praia, quando todos se jogavam num prato de miojo ou numa macarronada eu preferia um iogurte ou um pão com manteiga. Massa pronta nunca me interessou, nunca achei interessante. Mas com o passar do tempo duas coisas aconteceram. Primeiro eu conheci um moço italiano, um amigo querido, amigo mesmo. Um artista que trabalhou numa das reformas gráficas da Folha de S.Paulo e que nos anos 90 conquistou o coração de todos nós da redação.



Nosso amigo querido adorava receber os amigos em seu imenso e lindo apartamento na Praça da República, em pleno Centro de São Paulo. No dia do meu primeiro jantar em seu apartamento, ainda na redação, meu amigo me perguntou muito naturalmente: "você gosta de pasta?" E eu respondi: "Não, mas eu como mesmo assim". E meu amigo falou: "você não gosta dessa massa comprada pronta, mas da minha pasta você vai gostar". E eu gostei. Ele fez para um pequeno grupo de amigos, naquela noite, um tagliatelle fresco e serviu com um molho de anchovas e alho. Aquela foi a melhor massa que eu comi na minha vida e ela foi marcante. Por causa daquela noite e daquela massa eu passei a apreciar massa e passei a fazer massa em casa e nunca mais deixei de fazer massa com molho de anxovas e alho.



Meu amigo italiano comandou a reforma gráfica da Folha de S.Paulo, fez montes de outras coisas para imprensa brasileira, casou com uma brasileira linda e teve uma filha linda, linda, linda. Mas, de um dia para o outro, ele foi derrotado por um câncer terrível. Em pouco tempo ele foi levado de nossas vidas para sempre. Meu querido amigo italiano, apaixonado pelo Brasil, por São Paulo, pela vida, pelas pessoas, por comida boa, não teve chance de ver sua linda filha crescer. Ele nos deixou para sempre em 2006, mas sua obra está disponível para todos.





Por influencia dele eu percebi que massa caseira é uma criatura totalmente diferente de massa pronta e desde então eu passei a gostar de fazer e comer massa caseira. Continuo a desgostar de massa pronta. As crianças aqui em casa amam, mas eu não gosto. Até como eventualmente, mas não me agrada. Mas a minha massa, a massa que eu faço a mão, por influencia do meu amigo italiano, eu adoro e cada vez que faço dedico meu esforço e o resultado ao meu amigo. Eu sempre invento maneiras diferentes do servir e de cortar a massa. Mas o tagliatelle é o mais clássico. As crianças, como era de se esperar, gostam de massa com molho de carne e foi assim que eu servi ontem. Fiz uma espécie de ragú com carne e toucinho defumado. Deixei o molho cozinhar em fogo baixo por mais de uma hora e ficou uma maravilha.



Tagliatelle com ragú de carne e toucinho

Para o tagliatelle:

400 gramas de farinha de trigo
4 ovos
2 colheres de sopa de água (opcional, depende da umidade da tua cozinha)

Como

Num pote misture ovos e farinha até forma uma massa macia que degruta totalemnte das mãos e que é muito fácil de abrir. Sove a massa por uns 10 ou 15 minutos e deixe-a descansar por uns 20 minutos. Corte a massa sovada em três partes menores e abra um de cada vez. Abra a massa bem fina, o mais fina que conseguir. Quanto mais fina melhor. Enrole e corte fatias da massa mesmo que de tamanhos irregulares. (Veja as fotos abaixo). Se preferir deixe a massa secar um pouquinho num escosto de cadeira.

Na hora de cozinhar ferva água com sal numa panela grande sobre fogo alto. Quando a água ferver reduza o fogo e adicione a pasta. Quando começar a ferver deixe a massa cozinhar por 2 minutos em água fervendo. Escorra, adicione o molho e sirva imediatamente.





















Ragú com carne e toucinho defumado

(para 4 pessoas)

500 gramas de carne moída com pouca gordura
200 gramas de toucinho picadinho com a faca
1 cebola média picadinha
6 tomates pelados picados
1 cenoura grande ralada
4 dentes de alho ralados
1 copo de vinho branco
sal e pimenta do reino
páprica doce em pó
duas colheres de sopa de azeite de oliva
salsinha picada a gosto
um folha de louro (opcional)
água ou caldo de legumes suficiente para cobrir todos os ingredientes na panela

Como:

Numa panela grande aqueça o azeite. Adicione o toucinho picado e deixe dourar. Adicione a carne e deixe dourar e secar até grudar na panela. Adicione a cebola e o alho ralado e quando começarem a dourar adicione o vinho e deixe dar um boa evaporada. Adicione a cenoura, os tomates, a salsa picada, a água (ou caldo) o sal, a pimenta, a páprica, o louro e deixe ferver. Quando ferver abaixe o fogo bem baixo e deixe cozinhar por cerca 50 minutos ou uma hora até formar um caldo grosso.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pudim de baunilha com peras...



O pudim de leite é o tipo de pudim coringa, que serve de base para muitos outros pudins. Com um pouco de criatividade um pudim simples pode se transformar em outro pudim completamente diferente, sem grande esforço ou confusão. Se quiser que o pudim de leite vire pudim de baunilha basta adicionar as raspas de uma fava. Se quiser incrementar adicione uma calda de caramelo. Se quiser açúcar queimado por cima (brulée) basta salpicar um tanto de açúcar e queima-lo com um maçarico. Se quiser fazer um pudim de doce de leite basta substituir metade do leite por doce de leite. Se preferir um pudim mais denso, basta substituir uma parte do leite por creme de leite. Se quiser transforma-lo num pudim de chocolate adicione chocolate derretido, ou cacau em pó, à mistura. O céu é o limite para uma base simples de leite, açúcar e ovos.



Uma outra maneira simples de incrementar um pudim simples é adicionar frutas. Adicione alguns pedaços de frutas com peras, pêssego ou mamão e o pudim vira outro. Eu gosto de todos os jeitos mas o meu prefirido é o pudim feito com leite desnatado e raspas de baunilha. Faço sempre, sem enjoar nunca. Hoje, diante das peras, resolvi variar e adicionar umas rodelas de peras cortadas com a casca. Sem casca o visual do pudim fica bem mais simples. Prefiro com o visual das rodelas de frutas com a moldura das cascas. Minha versão leva pouco açúcar e com leite magro já que eu não gosto da sensação gordurosa do pudim feito com creme de leite. E ainda sobram as claras para uma segunda sobremesa...




Pudim de baunilha com peras


850ml de leite semi-desnatado
150 gramas de açúcar (ajuste ao seu gostos)
Raspas de uma fava de baunilha inteira
3 gemas
3 ovos
1 ou 2 peras lavadas e fatiadas

Como:

Reserve 6 formas refratárias individuais do tipo ramequins. Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água numa panelinha. Em outra panela, de fundo grosso, coloque o leite, adicione as raspas da fava de baunilha, a fava vazia e metade do açúcar. Deixe cozinhar em fogo médio, até fever, mas mexa o tempo todo para evitar que a mistura grude na panela ou que queime. Quando ferver desligue o fogo, retire a fava de baunilha. Num pote grande bata as gemas e os ovos com o restante do açúcar com um batedor de mão (fouet). Adicione lentamente a mistura leite fervida aos ovos batidos e msiture vigorosamente, sem parar, até incorporar totalmente a mistura de leite e temperar a mistura de ovos e, desse modo, evitar que talhem.

Deixe a mistura de leite lado e fatie as peras. Distribua as fatias entre as formas. Quando adicionar a misturas as frutas vão subir para a superfície. Adicione quantas fatias desejar. Divida a mistura nas formas individuais refratárias reservadas sobre as fatias de peras. Coloque as formas num tabuleiro grande e encha o tabuleiro com a água fervida, ainda quente, enchendo até metade da altura dos potinhos/formas. Leve ao forno pré-aquecido a 180C e asse por 30 minutos, ou até que assente. Retire do forno e deixe esfriar antes de levar à geladeira e deixe gelar por umas quatro horas antes de servir. O ideal é servir o pudim gelado.

Pode ser desenformado com facilidade se for adicionada uma calda de caramelo ao fundo das forminhas. Também pode ser servido com caldas diversas. Você também pode adicionar açúcar ao topo do pudim e caramelizar com um maçarico e vai virar um creme brulê. Eu não gosto de creme brulê feito com creme de leite e sempre prefiro aqueles feitos com leite e ovos apenas e acho que esta receita produz um creme brulê leve e fantástico por causa do sabor intenso da baunilha.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Com gosto de casa de mãe: bobó de camarão..



Estava arrumando o freezer e descongelando o que precisa ser consumido antes da minha viagem para abrir espaço para as comidinhas frescas que estão sendo preparadas para aqueles que ficarão por aqui, diga-se: Per. Meio quilo de camarão estavam ali pedindo para serem devorados. E já com a cabeça no Rio, lembrei-me do bobó de camarão da mamãe, comida com jeito e sabor de casa de mãe. Um dos meus pratos favoritos. Fiz uma adaptação e não usei nem leite de coco, nem dendê, pois não tinha nenhum dos dois em casa no momento. A mandioca e páprica em pó comandaram o show de sabores juntamente com os camarões e um tantinho de creme de leite. Ficou tão bom, mas tão bom que devoramos tudo e ainda limpamos o fundo da panela com pão.



As receitas de bobó de camarão que circulam pela aí não são muito diferentes umas das outras. Algumas delas podem pedir camarão seco, outras pimentão vermelho, mas a base é mesma: camarão, creme de mandioca, leite de coco e um tantinho de nada de dendê (óleo de palma vermelho). A quantidade e o tipo de pimenta e alho vai depender do gosto do freguês. Eu encho de alho e cebola, sempre, qualquer comida minha costuma ter sempre muito alho e muita cebola. Mas como usei o mixer de mão para triturar tudo e formar um creme homogêneo não ficaram muitos pedaços para contar histórias, se é que vocês me entendem...



Meu bobó de camarão: versão sem dendê e sem leite de coco

(para duas pessoas)

24 camarões grandes (cerca de 500 gramas)
4-5 tomates maduros pelados (use de lata se preferir)
1 cebola média picada
4 dentes de alho grandes (2 picados e 2 esmagados)
1 colher de sopa de páprica picante (use o quanto preferir)
sal e pimenta do reino a gosto
400 gramas de mandioca cozida (use menos se preferir)
salsinha picada
cebolinha picada
100 ml de creme de leite
2 a 3 colheres de sopa de azeite
água

Como:

Descasque a mandioca, corte-a em pedaços pequenos. Cozinhe a mandioca em bastante água até ficar bem macia. Retire a mandioca da água e reserve a água da mandioca na panela.

Se seu camarão estiver congelado descongele-os antes de usar. Descasque e limpe os camarões reserve os camarões descascados. Coloque as cascas e cabeças dos camarões na panela com a água da mandioca, adicione um ou dois dentes de alho esmagados. Cozinhe as cabeças, cascas e dentes de alho por uns 10 minutos com a água onde foi cozida a mandioca e usando a mesma panela. Coe o caldo de camarão e alho, descarte cascas e cabeças e reserve o caldo.

Numa outra panela grande, em fogo médio, coloque o azeite. Adicione a cebola picada e deixe cozinhar até ficar transparente, sem queimar. Aumente um pouco o fogo e adicione o alho picado e os camarões. Doure os camarões dos dois lados até ficarem levemente cozidos, de 2 a 3 minutos. Retire os camarões da panela, apenas os camarões e transfira-os para um prato e reserve.

Adicione então os tomates pelados picados com uma concha do caldo de camarão e deixe os tomates cozinharem até ficarem macios. Se precisar adicione mais caldo. Adicione os pedaços da mandioca cozida ao molho de tomates e um pouco mais de caldo. Deixe esta mistura cozinhar por cerca de 2 a 3 minutos. Adicione então a páprica, pimenta do reino, salsa e cebolinha picadas e um pouco mais de caldo se necessário. Retire a panela do fogo e usando um mixer de mão, ou o liquidificador, processe a mistura até formar um creme grosso. Se necessário adicione um pouco do caldo de camarão na hora de bater. Transfira o creme de mandioca e tomates de volta para a panela e deixe cozinhar um pouco mais. Adicione mais caldo se necessário. Quando ferver adicione os camarões reservados, adicione o sal e prove. Se necessário adicione mais pimenta, páprica e mais salsinha picada. Deixe ferver e adicione por fim o creme de leite.

Sirva quente com torradas de pão francês ou pão sueco.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fevereiro, o lado B de uma viagem de carro...



Outro dia eu escrevi que a viagem a Oslo foi maravilhosa, e foi. Mas uma viagem só acaba, quando acaba. E então voltamos de Oslo ontem, de carro, dirigimos felizes os cerca de 500km entre uma cidade e a outra. Eu adoro guiar, Per também. Falamos, comemos e ouvimos muita música. As crianças estavam impossíveis, riram e gritaram o tempo todo. Mas a temperatura fora do carro estava ainda mais impossível. Um frio assassino baixou neste centro-sul norueguês com a entrada do mês de fevereiro justificando o meu desejo incontrolável de fazer malas e desaparecer daqui durante os meses de fevereiro.

As fotos abaixo, do painel do carro, exibem a verdade nua e crua. As temperaturas mais baixas do ano demonstram porque fevereiro é o pior mês para viver aqui. O frio era tanto que nos impedia de desejar parar na estrada para um café quente ou uma passadinha no banheiro. Olha que são cerca de oito horas de viagem que invariavelmente demandam umas três ou quatro paradinhas. Mas com o clima ruim que baixou evitamos parar e a viagem andou mais rápido.



Com temperatura média entre -27C e -28C, chegou a -30C, até o carro fazia barulhos estranhos reclamando do frio. Os vidros congelavam por dentro e por fora e uma sensação de pavor era inevitável. Já conduzimos muito inverno a fora, faz parte, mas ficamos muito surpresos com o frio intenso de ontem e hoje. Ninguém seria capaz imaginar a quantidade de cobertores de lã que levamos no carro apesar do aquecedor no máximo, assentos também aquecidos e todos impecavelmente vestidos. Quando paramos, numa cidadezinha um pouco antes de Oppdal, a temperatura era impensavelmente baixa para a região: -27C. Deixamos o carro ligado enquanto comemos e tomamos café e chocolate... E me perguntem por que será que o clima está aquecendo?



Mas este ano eu vou fugir daqui. Estou com as malas prontas e no final de semana eu parto em direção ao Rio. Vou fazer como os pássaros e zarpar rumo ao sul e fazer deste mês de fevereiro o melhor mês do ano! Só volto para Trondheim em março! Ainda que simbolicamente existe uma diferença muito grande entre fevereiro e março.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um amor, um lugar: Oslo (1)



Estamos em Oslo desde sexta-feira pela manhã quando tinhamos agendado uma hora na Embaixada do Brasil para retirar nossos passaportes novos. Chegamos numa manhã de muita neve, tanto em Trondheim como em Oslo. E frio, muito frio, muitos graus abaixo de zero, mas dias claros, lindos e sem vento. O vento, como se sabe, piora o frio imensamente.

Fizemos muitos passeios com as crianças, algumas comprinhas rápidas e muita comilança. Eu amo Oslo, esta cidade é o nosso lugar romântico, idealizado e está totalmente ligada ao nosso casamento. Quando eu conheci o Per, ele morava em Oslo e quando casamos moramos em Oslo por um tempo, numa casa linda em Ormøya, uma ilhota dentro do Oslo fiorde mas que fica apenas 4 minutos do centro de ônibus. A decisão de mudar para Trondheim foi muito difícil mas hoje, depois de vários anos, estamos totalmente adaptados a nossa pequena cidade. Para falar a verdade a loucura de Oslo já me deixa até meio nervosa. Imagine o que a loucura de São Paulo e Rio há de fazer comigo!



Amanhã voltaremos para Trondheim e vamos finalizar os prepararivos para a viagem ao Rio. Mas hoje, depois de circularmos em nossos museus favoritos fomos à ópera, na nova casa de espetáculos inaugurada em Oslo há mais ou menos um ano, acho. Foi a primeira vez que eu entrei no lugar, um prédio interessante que me agradou mais por dentro do que por fora. No programa As bodas de Figaro. Parecia que toda a sociedade "senior" norueguesa estava presente. Na entrada e no intervalo eu fiz fotos do prédio, era a única deslumbrada fotografando e todo mundo me olhava.



Andamos muito hoje apesar da neve e do frio. Os museus que visitamos hoje ficam um praticamente ao lado do outro, dentro de um parque onde também fica o Jardim Botânico de Oslo. Entre um prédio e outro é preciso dar uma bela caminhada pelo parque. Nunca tinha ido até lá no invernão, apenas no verão e primavera. Neste parque há um jardim de rosas imenso, lindo e guardo muitas fotos feitas por lá em verões passados. Passamos por uma mesa de picnic completamente coberta de neve e de gelo, naquela mesma mesa já fizemos vários picnic, o que dá uma certa tristeza ao ver aquela brancura toda cobrindo o lindo jardim.

As colagens mostram um pouco do parque que abriga uma espécie de complexo de museus que forma o grande Museu de História Natural formado pelos Museu Geológico, o Museu Botânico e o Museu de Paleontologia, além do Jardim Botânico. Ainda no parque, mais no final dos jardins, cobertos por uma grossa camada de neve, fica o Museu Munch dedicado a obra de Edvard Munch, o maior pintor norueguês de todos os tempos e um dos meus pintores favoritos. Infelizmente não é possível faze fotos dentro do museu...



As fotos das colagens entre outras coisas exibem Tormod e Estela orgulhosos debaixo do fóssil de um T-Rex, e Per, meu querido Per, admirando as focas e caminhando pelo parque sendo perseguido pelas crianças. Foram elas que insistiram para visitar os museus mais uma vez. Eles amam, conhecem tudo de cor e sentem-se em casa. O mais interessante é que esse parque fica praticamente no centro do Oslo, incrível, não? Parece tão isolado mas fica a duas estações de metrô da estação central de trem e de metrô, super fácil de se chegar.

Oslo é uma cidade cara, umas das mais caras do mundo, mas é muito linda e vale a pena o investimento de passar uns dias por aqui, principalmente no verão. Mas há muito para se fazer no inverno também. A vida aqui não vive só de fiordes, parques, praias e ilhas. Há museus incríveis, muitos, e um parque de esculturas que na minha opinião é o parque mais lindo do mundo. Um presente do escultor Gustav Vigeland para a cidade de Oslo. Desta vez, por causa do frio, não fizemos até esse parque e não fiz uma viagem digna de Oslo, que exibisse toda a beleza dessa cidade. Mas eu voltarei com uma continuação, quem sabe no próximo verão eu não publico aqui uma segunda parte.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Refazendo a chocotorta argentina, presente espanhol e tortinhas folheadas...



Com a minha despensa ainda cheia de potes doce de leite feito em casa e depois de ver essa receita de chocotorta no site do chocolate espanhol Aula Chocovic lembrei-me com ternura da chocotorta, um doce típico argentino, caseiro, e resolvi fazer uma versão razoavelmente diferente. Esta torta também é popular em outros países de língua espanhola e eu acho muito interessante o trajeto que certas receitas fazem com a ajuda da língua. Enfim, eu sempre gostei de chocotorta que provei pela primeira vez num restaurante de beira de praia em Búzios de propriedade de um argentino, claro, há uns mil anos. E lembro-me com satisfação das versões que minha mãe e minha ex-sogra ( sim, tenho sogra e ex-sogra e adoro as duas!) faziam da chocotorta ambas usando uma receita que nos anos 90 aparecia na embalagem do chocolate em pó, ou do creme de leite, não me lembro.



A chocotorta tem diversas versões, todas muito simples e o sucesso deve-se ao fato de ser uma torta que não precisa ir ao forno. Basta reunir ingredientes, misturar e levar para gelar. Pode se feita com creme de leite ou com queijo cremoso, mas sempre com doce de leite e biscoitos de chocolate. Eventualmente usa-se tanto creme de leite como queijo cremoso misturados ao doce de leite batidos e arranjados num pote em camadas, exatamente como um pavê. Eu resolvi fazer uma massa de biscoito com cacau em pó e além de misturar o doce ao queijo eu adicionei, ovos e baunilha e levei ao forno por 20 minutos para assentar. Ficou tudo de bom. Uma versão a altura das receitas tradicionais.



Presente espanhol

As fotos acima exibem as delícias que eu recebi da Silvia, minha Amiga Invisível Gastronômica. O presente chegou na semana passada e, ao que tudo indica, a Silvia teve problemas com o correio e o meu presente chegou a ser devolvido para ela. Demorou mas chegou, isto é o que importa... Silvia me mandou chocolates, em barra orgânico e em pó para beber. Dois pacotes de chá que eu ainda não consegui adivinhar o sabor exato pois são misturas com aromas bem complexos mas adoráveis, tomates cereja secos também orgânico e um chorizo regional picante que parece maravilhoso. O bom de ter em casa ingredientes como este é que me permitem programar um jantar mais picante, bem ao gosto de alguns amigos especiais, e sei que vou encanta-los com o chorizo. Além disso Silvia perfumou a caixa com um pacote de pot pourri que eu já abri e coloquei num pote, dá par aver na foto da direita. Muchas gracias Silvia.



Minha chocotorta

Massa

200 gramas de biscoitos de chocolate ou baunilha caseiros (usei uns biscoitos de amêndoas e adicionei cacau)
2 colheres de sopa de cacau em pó puro
4 a 5 colheres de sopa de maneteiga derretida, vai depender do grau de gordura do biscoito
Açúcar (opcional, dependendo do grau de açúcar do biscoito usado adicione um pouco de açúcar)

Recheio

400 gramas de doce de leite
250 gramas de queijo cremoso com baixo teor de gordura em temperatura ambiente
2 ovos
1 colher de chá de extrato natural de baunilha

Como:

Unte uma forma de torta e forre com papel manteiga e reserve. Triture os biscoitos bem finos e num pote misture os biscoitos triturados com a manteiga derretida, o cacau em pó eo açúcar, se você estiver usando, até formar uma farofa. Pressione a farofa de massa na forma preparada até formar uma massa homogênea. Asse a massa por 10 minutos em forno pré-aquecido a 180C. Retire do forno e deixe esfriar levemente.

Bata o doce de leite com o queijo cremoso, a baunilha e adicione os ovos, um de cada vez, batendo para incorporar bem. Transfira a mistura para a forma com a massa pré-assada e asse por 20 a 25 minutos a 180C. Deixe esfriar totalmente e coloque na geladeira. Sirva gelada!!!!



De entrada para o jantar de ontem eu fiz umas tortinhas folheadas de tomate e bacon. Como eu tinha um naco de massa folheada no freezer e eu queria usa-la antes de viajar (vamos para Oslo amanhã) resolvi usar um pedaço com cerca de 250 gramas para fazer estas tortinhas. Se precisar de uma receita de massa folheada fácil use a minha. Estas tortinhas são uma delícia e o tamanho final delas depende do gosto do freguês. Fiz 12 tortinhas que cortei com as bordas de uma forma de tartelete.




Tortinhas folheadas com tomate e bacon

200 gramas de massa folheada caseira
200 gramas de queijo ralado (cerca de 150 de queijo gruyere + 50 gramas de parmesão)
1 tomate cortado em seis fatias finas cortadas ao meio, em meia lua.
2 ou 3 fatias de bacon grelhadas, e bem sequinhas, picadas
2 colheres de sopa de mostarda tipo Dijon

Como:

Aqueça o forno a 200C. Abra a massa folheada (use massa caseira pois faz toda a diferença) em uma supefície levemente esfarinhada e deixe a massa com cerca de 1/2 cm de espessura. Corte a massa com a ajuda de um molde. Eu usei a borda de uma forma de tartelette mas você pode usar um cortador de biscoitos ou outro prato qualquer. Espalhe um pouco de mostarda no centro da massa, deixando uma borda de pelo menos 1 cm limpa. Coloque o queijo gruyére sobre a mostarda no centro da massa, salpique os pedaços de bacon, coloque a meia lua de tomate e por fim salpique um pouco do queijo parmesão. Asse por 10 minutos a 200C e depois reduza para 180C e asse por mais 10 minutos ou até que as bordas da massa fiquem levemente douradas. Dependendo do tamanho das suas tortinhas você vai precisar de mais tempo para assar. Sirva quente com molho de iogurte e pepinos.

Rende 12 unidades



Molho de iogurte


250 ml de iogurte natural desnatado
1 ou 2 colheres de sopa de azeite extra virgem
sal e pimenta do reino
1 dente de alho ralado fino
1 pepino japonês
salsinha a gosto

Como:

Misture todos os ingredientes, exceto o pepino. Na hora de servir corte o pepino em cubos bem pequenos, se preferir rale pelo ralo grosso, e adicione a mistura, mas corte e adicione o pepino apenas na hora de servir.