domingo, 8 de fevereiro de 2015

Meu tabule de quinoa com couve



Estou completamente viciada neste meu tabule de quinoa! O que quer dizer que: faço praticamente toda semana e como dele durante alguns dias direto, pois, ele rende bem e sobra. Além disso, não são todos os integrantes da família que comem deste prato. Antes de mais nada é importante frisar que esta é uma versão bem heterodoxa do tabule, um prato típico de diversos países do oriente médio feito com trigo (ou bulgur, trigo integral mais escuro) mas que eu faço com quinoa, estas sementinhas bolivianas, alimento tradicional dos povos andinos e couve. Quinoa é uma semente bem pequenina, mais ou menos do tamanho dos caquinhos de trigo usados para fazer tabule, que não contém glúten e pode ser consumida sem contraindicação por celíacos. Mas por ser semente, a quinoa contém ácido fítico, um compomente comum de sementes em geral, cuja presença serve para evitar que elas brotem, mas que pode ser levemente indigesto, deixando a semente mais difícil de digerir por alguns seres vivos. Por isso eu recomendo deixar as sementinhas de molho antes de cozinhar. O molho e o próprio cozimento, anulam a presença do ácido fítico.


Como vendo muita quinoa lá na loja, eu faço quinoa sempre que posso, geral da "branca" ou da vermelha e acho a quinoa é uma delícia, tanto o sabor como a textura. Mas reconheço que há controvérsias. Independente de ser um alimento com alto valor nutricional, versátil e sem glúten, a quinoa é um alimento caro e importado que não faz muita diferença na vida daqueles brasileiros que comem uma dieta tradicional bem balanceada. Por isso eu não recomendo como um alimento essencial. Não acho fundamental a pessoa comer quinoa. Mas, se a pessoa for como eu, curiosa e metida; se interessar por provar coisas diferentes, neste caso eu acho que vale a pena comer uma quinoa aqui ou ali, como um novo tipo de alimento. Principalmente para aquele alérgicos a glúten e trigo.




Essa receita resultou de uma quinoa misturada com uma sobra de couve refogada. Eu gostei tanto que passei a fazer couve especialmente para misturar com quinoa. Eu preparo, deixo esfriar e depois misturo tudo num pote grande. Quando a quinoa e a couve estão frias eu adiciono os demais ingredientes, misturo bem, tempero e sirvo. Comemos com tudo, mas combina especialmente bem com espetinhos grelhados. Mas sirvo com bolinhas de carne, peixe refogado, peixe cru, com outros vegetais, com ovo cozido, com muzzarela ou queijo de coalho picado. O céu é o limite para este tabule de quinoa.




Tabule de Quinoa com Couve

Uma xícara de quinoa
Um pé de couve cortado em tiras bem fininhas
Um pepino inteiro picado em cubinhos bem pequenininhos
Um pimentão vermelho picado em cubinhos bem pequenininhos
Meia cebola média picada em cubinhos mínimos
Salsinha a gosto bem picadinha
Um dente de alho bem picadinho
Azeite extra virgem a gosto
Vinagre de maça ou de arroz a gosto
Suco de um limão a gosto
Sal e pimenta do reino a gosto


Como:


Primeiro prepare a quinoa. Na noite anterior lave e deixe de molho. No dia seguinte descarte a água e lave as sementes um pouco mais. Ferva uma xícara e meia de água e coloque a quinoa lavada na água fervendo com um pouco de azeite e sal. Deixe a quinoa cozinhar, até ficar levemente al dente. A quinoa vai cozinhar rápido. Escorra a quinoa cozida numa peneira e deixe esfriar coberta.

Lave bem as folhas e pique a couve em tirinhas bem fininhas, como se fosse fazer couve a mineira. Refogue a couve picadinha com um pouco de azeite e um dente de alho picado bem pequenininho. Adicione um cheirinho de sal e cozinhe levemente, sem deixar perder a cor. A couve vai dar uma bela reduzida. Cuidado para não cozinha demais. Reserve.

Num pote grande coloque a quinoa, a couve, pepino, pimentão, cebola e mexa bem. Adicione os temperos (sal, pimenta, azeite, vinagre e limão e misture bem. Prove e ajuste o tempero. No fim adicione bastante salsinha picada e mistura mais uma vez.

Rende seis porções. Dura até três dias na geladeira.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Minha Vitamina Verde...





Os sucos e vitaminas verdes estão em todo canto e para quem, como eu, bebe vitaminas de frutas com vegetais desde criancinha, não há novidade alguma na moda das vitaminas verdes... Mas acho que as novas modas sempre contribuem positivamente para educar, neste caso reforçar o hábito de consumir essas vitaminas de excelente valor nutricional, junto as novas gerações...

Mas preciso confessas que acho muita graça da forma como os velhos sucos, tão comuns lá em casa e em qualquer loja de sucos do Rio, foram rebatizados com nomes da moda. Uma andada pelos Hortifrutis do Rio e a pessoa (já com uma certa idade, diga-se de passagem) morre de rir com os novos apelidos: suco detox, suco energético, suco bronzeador, suco diurético, suco refrescante, suco da mulher etc... Até os mais distraídos sem surpreendem!




Mas para essa velha carioca, as vitaminas sempre foram um porto seguro. Preparadas com frutas e vegetais frescos, sem adição de açúcar e/ou adoçantes e sem misturar com sucos prontos, são parte do conhecimento que herdei de minha mãe, que sempre fez sucos e vitaminas sensacionais lá em casa. A minha vitamina verde é deliciosa e rica, não apenas de sabor, mas de nutrientes. E pode ser feita com a folha que você desejar. Eu uso espinafre pois acho o espinafre delicioso e é super saudável. Mas se você tiver acesso a outras alternativas como couve e/ou agrião, também está valendo. Uma coisa que eu nunca uso é salsão pois acho indigesto demais.




Vitamina verde



100g de folhas de espinafre (ou agrião, ou couve)
Meio abacate
Uma banana e meia (usei uma banana + pedaços de uma banana congelada)
Pedaços de abacaxi (usei congelado)
Um kiwi inteiro
Uma ou duas laranjas seletas
Um naco de pepino
Água filtrada e gelo para bater



Como:


Coloque todos os ingredientes no copo de um liquidificador, adicione água filtrada gelada em quantidade suficiente para cobrir metade do volume dos ingredientes. Adicione mais ou menos líquido de acordo com sua preferência por uma consistência mais fina ou mais grossa. Mas não encha demais de água, para não ficar muito aguado. Lembre que o espinafre ocupa espaço no copo do liquidificador, mas depois de batido não gera muito suco. Adicione gelo se desejar e bata bem até ficar uma vitamina bem homogênea, sem pegaços de folha de espinafre. É importante bater bem pois a vitamina não será coada e precisa estar sem pedaços.

Sirva imediatamente. Rende 4 copos grandes.



Dicas:

- Para ficar cremoso e homogêneo eu sempre adiciono abacate e banana. Com a adição dessas duas frutas, mesmo batendo o suco/vitamina com água, o suco fica homogêneo e praticamente não se separa. Claro que, se você deixar o suco de um dia para o outro, os sólidos do suco acabam se separando da água. Mas o suco deve ser consumido imediatamente, principalmente sucos com banana e abacate, muito sensíveis a oxigenação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Xarope de Groselha, com e sem Açúcar





O melhor verão de todos os tempos está terminando por aqui. Muito calor e sol, tudo bem acima do padrão escandinavo desta estação, onde verão não é sinônimo de calor. Há verões por aqui quando os dias são apenas menos frios do que o inverno, com um pouco menos chuva em dias mais longos, mas de sol cansado. Sol cansado? Vai entender o que eu quis dizer com isso... Mas parece que o ano de 2014 teve o verão mais quente dos últimos 70 anos, e foi sensacional. Como de costume, colhemos montes de groselhas nos arbustos do nosso jardim. Groselha é uma frutinha suculenta, de sabor levemente terroso, azedinha, de vermelho profundo e por isso é muito usada em geléias, molhos e no famoso xarope feito do suco a partir das frutas cozidas e reduzido. O xarope é em geral consumido como refresco.



Os arbustos carregadinhos de groselhas são lindos demais...


Apesar da minha convicção a cerca dos benefícios de viver uma vida sem adição de açúcar, eu preciso frisar que faço diversas coisas com açúcar, entre elas faço geléias e xaropes de frutas. Eu concordo com Dr. Robert Lustig e nesta entrevista ele coloca claramente que não se deve banir o açúcar, mas aceitar que assim como outras drogas, bebida e cigarros, o açúcar é uma substância que vicia e o excesso de açúcar é principal causa de uma série de doenças que afetam a sociedade moderna. Com açúcar, todo cuidado é pouco. Por isso, se você puder leia a entrevista e depois compre o livro do Lustig. Ele vai mudar a sua vida. E por isso, por mais que eu evite açúcar, eu também faço coisas com açúcar para o Per e as crianças, muito poucas, mas faço. As geléias e licores em geral também servem como presente para os amigos e familiares.


Os gatinhos são a melhor companhia para uma colheita de groselhas...


Em geral, quando temos groselhas, eu faço geléia de groselha e a minha receita você encontra aqui. Mas as crianças não gostam de geléia de groselha, preferem comer as frutinhas frescas ou o refresco de groselha feito com o xarope e por isso este ano eu fiz apenas xarope, COM e SEM adição de açúcar. As receitas abaixo são praticamente idênticas, a única diferença é a adição de açúcar o que deixa o xarope mais denso, melado e com validade mais longa. O xarope de groselha adoçado, se engarrafado em vidro esterilizado e depois fervido para ser lacrado contra ar, pode ser guardado por seis a nove meses fora da geladeira, se protegido do sol e calor. O xarope sem açúcar pode se engarrafado corretamente pode ficar na geladeira por cerca de dois a três meses.



Xarope de groselha SEM Açúcar

1,5kg de groselhas frescas ou congeladas
500 ml de água
Raspas de uma baunilha ou meia colher de chá de baunilha em pó
Duas colheres de sopa de suco de limão verde ou amarelo



Xarope de Groselha COM Açúcar

1,5kg de groselhas frescas ou congeladas
400 ml de água
300 gramas de açúcar
Raspas de uma baunilha ou meia colher de chá de baunilha em pó
Duas colheres de sopa de suco de limão verde ou amarelo


Como:


Coloque as groselhas e a água numa panela de fundo grosso e deixe cozinhar em fogo médio-baixo até ferver, abaixe o fogo se necessário e deixe as frutinhas cozinharem até que as groselhas se desfaçam totalmente. Se preferir use um amassador de batatas para ajudar e esmague as groselhas enquanto elas cozinham. Se a água começar a evaporar rápido demais adicione um pouco mais de água. Enquanto as groselhas cozinham coloque uma peneira grande de metal sobre um pote ou jarra e forre com uma toalha de linho ou um pano de drenar queijo. Quando as groselhas estiverem bem desfeitas e macias transfira as frutas para a peneira forrada com o pano de linho grosso e deixe-as drenar por cerca de duas horas, ou uma noite toda. Se deixar pingar a noite inteira cubra e coloque na geladeira para evitar moscas ou poeira. Não pressione as groselhas para evitar que o xarope fique nebuloso pois você quer um líquido vermelho transparente.

Depois de drenar o suco das groselhas, transfira para uma jarra medidora e confira a quantidade de suco obtida. A quantidade de suco vai determinar a quantidade de açúcar. Se você for preparar um xarope sem açúcar, não vai precisar calcular mais nada. A receita da minha sogra diz que a quantidade de açúcar do xarope deve ser igual a metade daquela de suco, por exemplo: se você obtiver 800ml, adicione 400ml de açúcar (duas xícaras de 200ml). Mas eu não segui esta regra. Eu obtive 800ml de suco de groselhas mas usei apenas cerca de 300ml de açúcar (uma xícara de 250ml bem cheia).

Para o xarope sem açúcar: Coloque os 800 ml de suco, a baunilha e o suco de limão de volta na panela e deixe que ferva. Reduza o fogo para médio-brando e cozinhe por 15 a 20 minutos.

Para o xarope com açúcar: Coloque os 800 ml de suco, os 300ml de açúcar, a baunilha e o suco de limão de volta na panela e deixe que ferva. Reduza o fogo para médio-brando e cozinhe por 10 minutos. Cuidado para não cozinhar mais do que o necessário para não virar geléia.

Desligue o fogo e coloque o xarope quente em dois ou três vidros esterilizados (i.e. fervidos por 10 minutos e com as tampas lavadas com água fervendo) e ainda quentes. Feche os vidros sem pressionar demais e deixe esfriar totalmente. Quando esfriar as tampas vão "popar" e formar vácuo. Se usar garrafas, use a mesma técnica. Xarope com açúcar pode resistir até 9 meses se os vidros forem propriamente esterilizados e lacrados. Xarope sem açúcar pode resistir até 3 meses, em geladeira, se os vidros forem propriamente esterilizados e lacrados.



E no fim eu dei uma decoradinha as garrafas com masking tape para simular um lacre e embelezar um pouco o vidro.




Na hora de servir adicione um dedo de xarope para um copo de 250 ml de água gelada. Se você fez o xarope sem açúcar e desejar adoçar use um adoçante de sua preferência. Eu recomendo gotas de stevia pura e/ou stevia com eritritol. Cuidado com as misturas de stevia com adoçantes artificiais.

Sirva com gelo...

PS. A receita das panquecas de trigo saraceno virá na próxima postagem.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pãezinhos Enrolados de Espelta e Centeio com Recheio de Canela. Sem Adição de Açúcar...


Uma das maiores paixões norueguesas é um pãozinho doce enrolado e recheado de canela, açúcar e manteiga, o chamado kanel boller e eu já escrevi sobre o kanel boller aqui. A receita típica é naturalmente carregada de açúcar e, além do açúcar da massa e do recheio, um kanelboller típico ainda leva uma calda de açúcar por cima do pão. Um verdadeiro exagero. Mas se você puder, dá para rachar um kanel boller com alguém que você ama e curtir sua meia dose de açúcar sem culpa. Mesmo podendo, por que não fazer uma versão um pouco menos junk?

O problema com o açúcar é que: 1. faz mal, 2. engorda e 3. vicia, e é um vício dificílimo de abandonar pois ao redor do açúcar há toda uma imensa convenção social te convidando permanentemente a comer alguma coisa doce e será muito difícil evitar. Então, se você não quiser correr riscos, melhor achar alternativas para saciar o desejo de comer um pãozinho doce com recheio de canela. E aqui vai uma receita alternativa com substitutos do açúcar e farinhas integrais com uma quantidade maior de fibra para reduzir o ritmo acelerado dessa bomba de carboidratos...




Eu já confessei por aí que acho todos os substitutos do açúcar horríveis. Quando faço uso deles é para criar alguma alternativa realmente saborosa que justifica o uso do substituto ao invés do açúcar branco comum e é o caso desses pãezinhos, feitos para uns visitantes muito especiais. Fiz com o adoçante eritritol + stevia. Mas acho importante lembrar que sempre que uso a palavra "adoçante" eu estou me referindo apenas aos substitutos do açúcar de origem orgânica e não artificiais, que por diversos motivos são considerados seguros para uso doméstico e na indústria alimentícia.

Você sabe quais são os adoçantes totalmente artificiais que eu nunca usei e jamais usarei? são aqueles artificiais, produzidos a partir de compostos químicos e que são exatamente como remédios e exatamente como eles, cheios de contra-indicação e problemas. Esses são os adoçantes artificiais que eu acho que ninguém deveria usar:aspartame, sacarina, ciclamato e sucralose,

Em adoçantes artificiais eu não coloco a minha mão
. Mas da sua vida que decide é você.

Quando menciono adoçantes, ou substitutos de açúcar, me refiro a uma classe menos nefasta de adoçantes, aqueles do grupo dos Poliols os álcools de açúcar e a Stevia. Todos os adoçantes "poliols", ou "álcools de açúcar" são compostos orgânicos que ocorrem naturalmente a partir da fermentação de frutas e vegetais diversos. Todos os poliols/alcools de açúcar tem os nomes terminados em "OL, mas nem todos podem ser consumidos por humanos. Lembre que Metanol e Etanol, por exemplo, fazem parte deste grupo e são extremamente tóxicos.


Os alcools de açúcar (sugar-alcohols) contém em geral baixas calorias, alguns deles são registrados como contendo "zero caloria", mas conteúdo exato do eritritol, por exemplo, é de cerca de 0,2Kcal/g enquanto o açúcar tem 4kcal/g. Em alguns países (EUA e Japão) os poliols são registrados como contendo zero calorias 0kcal/g pois o valor de 0,2kcal é arredondado para baixo. No caso do eritritol, que uso nesta receita, 90% dele é absorvido pelo sangue ainda no intestino delgado e apenas 10% é entra no colón, diferentemente de outros adoçantes desse grupo, como xylitol e sorbitol que muito frequentemente podem causar um efeito laxativo bem incômodo.



O adoçante que eu uso neste pãozinho é a steviosa, uma mistura de 98% eritritol e 2% stevia que tem cara de açúcar cristal, mas não é. O Erythritol, em português Eritritol pode ser usado tanto puro como misturado com stevia nesta receita. A diferença é que puro o eritritol é 50% menos doce do que o açúcar, enquanto a mistura dele com a stevia ajuda a criar um produto com consistência parecida a do açúcar e tão doce quanto. A mistura é tão desigual pelo da stevia ser 40 vezes mais doce do que o açúcar.

De qualquer maneira, muito cuidado na hora de usar os danados dos adoçantes, é necessário escolher com muita atenção e paciência o que usar e o que cozinhar o tipo de adoçante que você escolheu, pois os resultados podem ser surpreendentes. Algumas coisas funcionam melhor do que outras. Pães são um bom começo, para quem nunca usou esses produtos e quer se aventurar. A massa responde da mesma forma, sem problemas, pois a quantidade de açúcar na massa é pequena. O eritritol com stevia funcionam muito bem no recheio também, e a não faz a menor diferença na mistura com canela pão no recheio do pão. Importante: o resultado final é significativamente menos doce pelo simples fato de levar bem menos adoçante do que o equivalente em açúcar da receita original.




Pãozinho Doce de Espelta e Centeio com Recheio de Canela (Kanelboller)

Massa:
500 ml de leite
1/2 xícara de manteiga + manteiga para pincelar
4 colheres de sopa de stevia em pó (*ver explicação acima)
10g de fermento seco
3 xícaras de espelta integral
2 xícaras de centeio integral
1/2 colher de chá de sal
Pitada de cardamomo em pó ou uma semente de cardamomo esmagada (opcional)

Recheio
100 gramas de manteiga derretida
Eritritol puro e/ou açúcar de stevia em pó a gosto
5 colheres de sopa de canela em pó

Como:

Numa panela esquente levemente o leite e a manteiga com a stevia em pó (mistura de stevia e eritritol) e o cardamono para derreter a manteiga, o açúcar/stevia e aromatizar o leite com o cardamomo. Não deixe ferver e deixe a mistura amornar e quando estiver aproximadamente 40C. Adicione o fermento seco e a mistura das farinhas de espelta e centeio e o sal e usando as mãos ou uma colher de pau (ou use uma máquina se preferir) misture até incorporar totalmente e formar uma massa macia e grudenta. Se usar semente inteira de cardamomo amassada, remova a semente antes de adicionar o fermento e a farinha e descarte. Coloque a massa numa bacia esfarinhada e deixe a massa descansar coberta para crescer por pelo menos um hora. Depois de uma hora transfira a massa para uma superfície esfarinhada e comece a abrir a massa usando as mãos. Se a massa ainda estiver muito grudenta adicione até uma xícara mais de farinha, mas evite adicionar farinha demais para não resultar num pãozinho muito seco.

Abra a massa sobre uma superfície esfarinhada até formar um retângulo de aproximadamente 20 X 50 cm. Quando a massa estiver do tamanho e espessura desejadas, espalhe uma camada de manteiga derretida em toda a superfície do retângulo. Misture a canela com o açúcar/stevia e salpique uma camada generosa por cima da manteiga. Enrole a massa sobre a parte menor do retângulo até formar um rocambole de massa. Feche bem as pontas, até que grudem,. Corte fatias do rocambole de massa com aproximadamente 2 cm de largura. Coloque as fatias de massa cortadas em uma forma grande, retangular ou redonda. Deixe crescer por pelo menos 45 minutos.

Asse a 200C por 15-20 minutos ou até que estejam bem dourados. Quando retirar do forno pincele manteiga sem sal nos pãezinhos para dar brilho... Se preferir, cubra com calda de açúcar (sic).


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Noites de verão, de calor e reflexão...



Queridos,

Muito obrigada pelos muitos emails cheios de carinho e pela atenção que me é dedicada durante meus longos períodos de silêncio. Adoro receber emails, os comentários no blog, vocês me animam muito. Mas eu ainda ando devagar. Sabe aquela coisa de perder a voz interior? Estou assim, sem voz, precisando encontrar meu tom, perdido por aí. E no meio do processo muita coisa boa tem acontecido, eu nunca mudei tanto, vivo um intenso processo de transformação que é excitante mas que no fim das contas é o que tem me deixado em silêncio.

Se por aqui ando quieta, minha vida anda movimentada e cheia de atividades e novas possibilidades. Além disso eu nunca li tanto, nunca aprendi tanto na minha vida. Mas ando numa fase difícil, entre outras coisas, em crise com minha vida de expatriada, sofrendo as muitas dores do longo exílio, ainda que voluntário. Mudança de país é um processo de adaptação difícil, trabalhoso, surpreendentemente longo e, mesmo depois de 10 anos vivendo aqui na Noruega, ainda sofro e me irrito profundamente com a vida na Europa... Não é fácil viver aqui, não é fácil para mim viver fora do Brasil, mas também não é fácil fazer as malas e voltar, não depois de tantos anos. São tantos detalhes complicados que o melhor é tentar se adaptar mais um pouco, rever posições e tentar renovar as energias e o amor pelo país onde se vive...



Neste verão maravilhoso que está dando as graças por aqui este ano, eu e Per temos saído muito, fizemos novos planos, reorganizamos nossa casa, nosso jardim e tudo mais. E o calor foi de grande ajuda, o calor me inspira e aumentou a minha disposição de sair de casa e de circular por aqui e, de uma forma, ou de outra, me alimentei novamente de Noruega, das coisas boas daqui, das coisas que me inspiram e me animam. Nunca toquei nesse assunto aqui no blog, não abertamente... mas imagino que eu amor incondicional pelo Brasil sinalizava meu vínculo forte, meu apego, meu interesse permanente e, indiretamente, demonstrava minha vontade de viver no meu país e de deixar de viver no país onde vivemos hoje. Mas nunca tinha falado isso abertamente. Do quão difícil é viver longe de casa. Mas eu não decido as coisas apenas em meu nome, somos uma família e todas as decisões aqui em casa precisam ser boas para todo mundo e isso não é uma coisa fácil de se atingir...

E nestes dias de verão, dias longos de junho e julho, sem a escuridão da noite, quando o sol brilha até as 23h, 23h30, eu me abasteci de luz e de energia vital. Incrível como o sol faz toda a diferença, iluminou tudo e produziu uma nova vida. Eu também refleti muito sobre a realidade dos sonhos, pois minha vida é uma parte da vida que sonhei quando menina, quando sonhava viver numa terra onde não houvesse noites... E não é que eu consegui! Claro que tudo tem um lado ruim. Quando menina eu detestava a noite, e sonhava com um lugar onde os dias não acabassem nunca. E nesse mesmo lugar sem noites, durante longos meses do ano, os dias são curtíssimos, praticamente sem luz do sol. E como todos os lugares do mundo, não é perfeito, é diferente de tudo o que eu mais prezo, mas é um lugar muito bom e muito generoso comigo, e eu sou muito grata por ser tão bem recebida por aqui.

Mas o fato é que nenhum lugar fora do Brasil jamais me será suficiente, onde quer que eu vá, onde quer que eu viva, um imenso pedaço de mim vai estar sempre faltando...




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Chocolate Caseiro com Manteiga de Amendoim e sem Açúcar



Eu adoro chocolate, mas meu paladar mudou muito nos últimos anos e não tenho conseguido comer os chocolates que comia antes. Hoje acho-os doces demais. O meu paladar está ainda mais sensível em relação ao açúcar.

E não é apenas o meu.

Todo mundo aqui em casa está mais sensível em relação ao açúcar. E, apesar da liberdade para comer açúcar quando desejar, afinal nossa restrição em relação ao açúcar é uma opção e não uma obrigação. Ninguém mais consegue traçar uma barra de chocolate e/ou uma sobremesa tradicional. O paladar mudar e a gente perde o hábito. Na hora do desejo, a alternativa é tentar produzir algo prazeroso que agrade o paladar da família toda.



Em teoria o chocolate caseiro é a alternativa ideal mas, na prática,o produto final é bem complexo. O resultado é levemente diferente do chocolate comercial, já que não leva nem 1/4 da quantidade de chocolate do chocolate comercial e, por isso, não tem a mesma textura e nem muito menos a mesma resistência.

O chocolate natural caseiro é mais uma espécie de chocolate de geladeira, pois não resiste a temperatura ambiente por muito tempo (nenhum chocolate resiste, mas o natural resiste menos ainda).

Com chocolate natural caseiro o segredo é: Servir e comer.

Se não comer na hora, é precisa guardar para não derreter. Mas em compensação não contém aditivos o que, de certa forma, reduz os efeitos nefastos desse chocolate e não contém açúcar, mas xarope de malte de arroz (100% glucose, i.e. sem frutose).



Mas chocolate caseiro? Que chocolate caseiro?

O que costumamos chamar de "chocolate caseiro", ou "chocolate feito em casa", trata-se majoritariamente de algum tipo de chocolate industrial que, uma vez derretido, pode ser usado para fazer um arsenal de coisas diferentes, como bombons recheados, trufas, barrinhas de chocolate e afins.

O que aqui eu chamo de "chocolate caseiro" é um chocolate um pouco diferente, é uma versão mais artesanal, feita a partir da mistura de cacau em pó, massa de cacau, manteiga de cacau, algum tipo de sabor e algum tipo de adoçante e/ou açúcar.

Essa método permite, aos interessados, construir um chocolate ao seu gosto, com amargor e/ou doçura controladas, moldadas ao paladar e dieta de cada um. E é muito legal poder construir um chocolate original, com o sabor que você desejar. Mas, vou logo avisando, não é fácil, requer vontade de experimentar e coragem para errar. O lado bom é que, como todo chocolate, se o resultado final ficar amargo demais ou sem graça, ou mole demais, basta derreter e adicionar aquilo que esteja faltando ou em excesso.



Há muito eu venho tentando acertar com uma receita de chocolate caseiro, mas ainda não achei uma que seja perfeita. Não é fácil. Sem adição de açúcar então, fica muito mais difícil. Se há uma receita quase perfeita, é esta aqui, com manteiga de amendoim pura e coco. Além disso, uma mistura balanceadas de massa de cacau, manteiga de cacau e óleo de coco com um cacau puro saboroso.


Uma coisa eu sei com certeza: o meu chocolate caseiro perfeito leva algum tipo de castanha ou noz. Amendoim, castanha de cajú, do Pará, avelã ou amêndoas. Ah, e coco. Seja óleo, seja extrato, seja coco ralado. Coco também faz uma grande diferença na hora de arredondar o sabor do chocolate.




Qual a diferença entre o chocolate caseiro e o chocolate industrial?


Em teoria não há muita diferença. Os ingredientes são mais ou menos idênticos. Se você checar a lista de ingredientes de um chocolate comercial, você verá que o chocolate comercial é feito de AÇÚCAR, manteiga de cacau (produzida a partir do cacau fermentado, seco, torrado e depois processado para separar a manteiga de cacau do grão do cacau que depois vai virar cacau em pó), massa de cacau, cacau em pó, leite em pó e sabores diversos e eventualmente antioxidantes e conservantes de algum tipo. No chocolate industrial, um outro ingrediente fundamental, o emulsificante, que em geral é lecitina de soja. Alguns chocolates orgânicos hoje em dia usam lecitina de semente de girassol, mais fácil de achar do que a lecitina de soja orgânica.

A presença do emulsificante faz uma grande diferença no resultado final, tanto para a preservação, como na consistência e na aparência do produto final.

O chocolate caseiro leva os mesmo ingredientes, mas em geral é adoçado por algum tipo de alternativa ao açúcar refinado comum e como regra não leva emulsificante. O chocolate caseiro vai ter uma consistência mais delicada e é ainda mais frágil em relação a temperatura.



Chocolate caseiro com manteiga de amendoim


100g manteiga de cacau pura orgânica (eu uso essa)
50g massa de cacau orgânica( eu uso essa )
30g de cacau em pó puro orgânico (eu usei esse )
50g óleo de coco extra virgem
50g manteiga orgânica de amendoim pura sem sal e/ou sem açúcar
50g xarope de malte de arroz orgânico (ou mel, ou xarope de bordo, ou stevia ou o que você preferir)
1/2 colher de chá de baunilha em pó


Como:


Num pote de vidro ou de metal sobre uma panela com água fervendo (banho maria) derreta a manteiga de cacau, a massa de cacau, o óleo de coco, o xarope de arroz e a manteiga de amendoim. Adicione o cacau em pó e a baunilha e mexa delicadamente até incorporar totalmente. Divida a massa em forminhas de bombom de silicone ou em formas de muffin de silicone. Leve a geladeira até endurecer, por cerca de 30 minutos. Manter em geladeira até servir.

Eu usei duas formas diferentes e adicionei coco ralado seco ao chocolate que moldei nas formas de muffin de silicone. Se usar a forma grande, encha apenas um quarto da forma, para não formar um chocolate grande demais. Quanto mais fininho, mais saboroso.Faça as substituições que preferir. Use a criatividade baseando-se no seu gosto pessoal. Use frutas secas, nozes e castanhas, manteigas de nozes diversas. O céu é o limite.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mousse de Morango e Mirtilos




Na última postagem eu listei alguns adoçantes tidos como "menos perigosos" para o corpo, com os quais eu andei flertando e experimentando por um tempo: stevia pura líquida, eritritol e tagatose. Na mesma postagem também deixei claro que estava deixando esses adoçantes para trás já que, a medida que experimentava substitutos para o açúcar, eu era tomada por uma sensação péssima de estar substituindo um problema por outro. Inclusive o xarope de malte de arroz.

Ainda que o açúcar, principalmente a parte frutose dele, me faça muito mal quando consumido regularmente, eu não estava nem um pouco segura em relação ao projeto de usar substitutos para alimentar meu paladar doce. Muito menos convencida da idéia de fazer isso para o resto da vida. Por isso desisti dos substitutos. Afinal, se meu plano é deixar de consumir açúcar, o ideal é parar de tentar substitui-lo. Do contrário, seria como curar um vício com outro.

O sabor doce cria todos os tipos de dependências, a emocional sendo talvez a pior delas. A gente se apega aos doces de forma sentimental. Mesmo que você se acostume com o sabor sem açúcar do seu café, do seu chá, do seu mate etc... você vai acabar se vendo apegada ao hábito de servir brigadeiros, refrigerantes, ou quindins em festas. Vai ter saudade de comer uma rabanada no natal, ou uma cocada de baiana no centro da cidade. A gente se apega, se envolve, já que o doce faz parte da cultura que criamos ao nosso redor. Comida tem esse poder. Mas, se parar com o açúcar for importante para você, é fundamental identificar suas fraquezas e combater. Afinal somos mestres da nossa vontade, não é verdade?


A boa notícia é que sabor doce permanece marcado na pessoa por um tempo. Você pode se reeducar e começar a apreciar seu café sem açúcar em menos de dois meses. A pessoa estranha no começo, mas depois acostuma. Hoje em dia até o leite no meu café me parece doce demais e sinto a presença da lactose, em diferentes graduações, em diferente tipos de leite. É uma coisa impressionante, e olha que eu nunca adocei café na vida, nem chás, pois nunca gostei de bebidas doces. Quando comecei a tomar café já comecei sem adoçar. Meu problema com açúcar nunca foi em bebidas...

Mas o mais impressionante é observar a mudança no paladar das crianças. Aqui em casa elas estão se adaptando lindamente. E este está sendo um processo interessante, processo este que passou pela fase dos substitutos até conseguir deixar de adoçar uma sobremesa totalmente. Como o mousse desta postagem, que não leva nada doce além dos morangos e mirtilos. Este é uma espécie de mousse, mas pode ser chamado de creme. Não é panna cotta pois o creme não foi cozido, ainda que leve gelatina... Mas a textura é de mousse pois o creme de leite fresco foi bem batido, junto com o mascarpone e as frutas (que não são frutas, são bagos)... Ajuda bastante se as frutas estiverem na época. Não esqueça que a gelatina é uma fonte excelente de proteína.




Creme de morango e mirtilos

300 ml de creme de leite fresco
200g de mascarpone ou outro tipo de queijo cremoso sem sal
200g de morangos congelados
200g de mirtilos congelados
1 colher de chá de baunilha em pó
2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
80 a 100 ml de água fervendo

Como:

Numa tigela grande coloque os morangos e mirtilos ainda congelados, adicione o creme de leite fresco, o mascarpone e a baunilha. Usando um batedor (mixer) de mão elétrico, ou um processador, bata até obter uma mistura bem homogênea e reserve. Coloque a gelatina numa tigelinha de vidro pequena. Ferva água e adicione a água fervente á gelatina e mexa bem para dissolver totalmente a gelatina. Adicione a gelatina dissolvida em água fervendo á mistura de creme e frutas. Misture um pouco mais com o mixer. Tranfira a mistura para potinhos ou taças de vidro e leve para gelar por cerca de duas horas. Sirva pura ou com frutas.


Obs. Açúcar é delicioso e fácil de usar, dá textura e sabor a receitas doces e salgadas etc... mas faz mal pacas, vicia e está na base de uma série de problemas de saúde. Mas, isso não quer dizer que eu nunca coma, nem vá comer açúcar. Impossível dizer nunca, até porque eu não preciso ser radical. Mas a reeducação é preciosa e poderosa. Com a exclusão do açúcar por dois, ou três meses, o paladar da gente muda e o prazer diante do açúcar desaparece, o que vai reduzir muito o desejo de consumir doce. A gente passa a dizer não sem problema nenhum e, eventualmente, quando diz sim, diante de uma tentação extraordinária, isso também será sem problemas. Entende?