sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Xarope de Groselha, com e sem Açúcar





O melhor verão de todos os tempos está terminando por aqui. Muito calor e sol, tudo bem acima do padrão escandinavo desta estação, onde verão não é sinônimo de calor. Há verões por aqui quando os dias são apenas menos frios do que o inverno, com um pouco menos chuva em dias mais longos, mas de sol cansado. Sol cansado? Vai entender o que eu quis dizer com isso... Mas parece que o ano de 2014 teve o verão mais quente dos últimos 70 anos, e foi sensacional. Como de costume, colhemos montes de groselhas nos arbustos do nosso jardim. Groselha é uma frutinha suculenta, de sabor levemente terroso, azedinha, de vermelho profundo e por isso é muito usada em geléias, molhos e no famoso xarope feito do suco a partir das frutas cozidas e reduzido. O xarope é em geral consumido como refresco.



Os arbustos carregadinhos de groselhas são lindos demais...


Apesar da minha convicção a cerca dos benefícios de viver uma vida sem adição de açúcar, eu preciso frisar que faço diversas coisas com açúcar, entre elas faço geléias e xaropes de frutas. Eu concordo com Dr. Robert Lustig e nesta entrevista ele coloca claramente que não se deve banir o açúcar, mas aceitar que assim como outras drogas, bebida e cigarros, o açúcar é uma substância que vicia e o excesso de açúcar é principal causa de uma série de doenças que afetam a sociedade moderna. Com açúcar, todo cuidado é pouco. Por isso, se você puder leia a entrevista e depois compre o livro do Lustig. Ele vai mudar a sua vida. E por isso, por mais que eu evite açúcar, eu também faço coisas com açúcar para o Per e as crianças, muito poucas, mas faço. As geléias e licores em geral também servem como presente para os amigos e familiares.


Os gatinhos são a melhor companhia para uma colheita de groselhas...


Em geral, quando temos groselhas, eu faço geléia de groselha e a minha receita você encontra aqui. Mas as crianças não gostam de geléia de groselha, preferem comer as frutinhas frescas ou o refresco de groselha feito com o xarope e por isso este ano eu fiz apenas xarope, COM e SEM adição de açúcar. As receitas abaixo são praticamente idênticas, a única diferença é a adição de açúcar o que deixa o xarope mais denso, melado e com validade mais longa. O xarope de groselha adoçado, se engarrafado em vidro esterilizado e depois fervido para ser lacrado contra ar, pode ser guardado por seis a nove meses fora da geladeira, se protegido do sol e calor. O xarope sem açúcar pode se engarrafado corretamente pode ficar na geladeira por cerca de dois a três meses.



Xarope de groselha SEM Açúcar

1,5kg de groselhas frescas ou congeladas
500 ml de água
Raspas de uma baunilha ou meia colher de chá de baunilha em pó
Duas colheres de sopa de suco de limão verde ou amarelo



Xarope de Groselha COM Açúcar

1,5kg de groselhas frescas ou congeladas
400 ml de água
300 gramas de açúcar
Raspas de uma baunilha ou meia colher de chá de baunilha em pó
Duas colheres de sopa de suco de limão verde ou amarelo


Como:


Coloque as groselhas e a água numa panela de fundo grosso e deixe cozinhar em fogo médio-baixo até ferver, abaixe o fogo se necessário e deixe as frutinhas cozinharem até que as groselhas se desfaçam totalmente. Se preferir use um amassador de batatas para ajudar e esmague as groselhas enquanto elas cozinham. Se a água começar a evaporar rápido demais adicione um pouco mais de água. Enquanto as groselhas cozinham coloque uma peneira grande de metal sobre um pote ou jarra e forre com uma toalha de linho ou um pano de drenar queijo. Quando as groselhas estiverem bem desfeitas e macias transfira as frutas para a peneira forrada com o pano de linho grosso e deixe-as drenar por cerca de duas horas, ou uma noite toda. Se deixar pingar a noite inteira cubra e coloque na geladeira para evitar moscas ou poeira. Não pressione as groselhas para evitar que o xarope fique nebuloso pois você quer um líquido vermelho transparente.

Depois de drenar o suco das groselhas, transfira para uma jarra medidora e confira a quantidade de suco obtida. A quantidade de suco vai determinar a quantidade de açúcar. Se você for preparar um xarope sem açúcar, não vai precisar calcular mais nada. A receita da minha sogra diz que a quantidade de açúcar do xarope deve ser igual a metade daquela de suco, por exemplo: se você obtiver 800ml, adicione 400ml de açúcar (duas xícaras de 200ml). Mas eu não segui esta regra. Eu obtive 800ml de suco de groselhas mas usei apenas cerca de 300ml de açúcar (uma xícara de 250ml bem cheia).

Para o xarope sem açúcar: Coloque os 800 ml de suco, a baunilha e o suco de limão de volta na panela e deixe que ferva. Reduza o fogo para médio-brando e cozinhe por 15 a 20 minutos.

Para o xarope com açúcar: Coloque os 800 ml de suco, os 300ml de açúcar, a baunilha e o suco de limão de volta na panela e deixe que ferva. Reduza o fogo para médio-brando e cozinhe por 10 minutos. Cuidado para não cozinhar mais do que o necessário para não virar geléia.

Desligue o fogo e coloque o xarope quente em dois ou três vidros esterilizados (i.e. fervidos por 10 minutos e com as tampas lavadas com água fervendo) e ainda quentes. Feche os vidros sem pressionar demais e deixe esfriar totalmente. Quando esfriar as tampas vão "popar" e formar vácuo. Se usar garrafas, use a mesma técnica. Xarope com açúcar pode resistir até 9 meses se os vidros forem propriamente esterilizados e lacrados. Xarope sem açúcar pode resistir até 3 meses, em geladeira, se os vidros forem propriamente esterilizados e lacrados.



E no fim eu dei uma decoradinha as garrafas com masking tape para simular um lacre e embelezar um pouco o vidro.




Na hora de servir adicione um dedo de xarope para um copo de 250 ml de água gelada. Se você fez o xarope sem açúcar e desejar adoçar use um adoçante de sua preferência. Eu recomendo gotas de stevia pura e/ou stevia com eritritol. Cuidado com as misturas de stevia com adoçantes artificiais.

Sirva com gelo...

PS. A receita das panquecas de trigo saraceno virá na próxima postagem.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pãezinhos Enrolados de Espelta e Centeio com Recheio de Canela. Sem Adição de Açúcar...


Uma das maiores paixões norueguesas é um pãozinho doce enrolado e recheado de canela, açúcar e manteiga, o chamado kanel boller e eu já escrevi sobre o kanel boller aqui. A receita típica é naturalmente carregada de açúcar e, além do açúcar da massa e do recheio, um kanelboller típico ainda leva uma calda de açúcar por cima do pão. Um verdadeiro exagero. Mas se você puder, dá para rachar um kanel boller com alguém que você ama e curtir sua meia dose de açúcar sem culpa. Mesmo podendo, por que não fazer uma versão um pouco menos junk?

O problema com o açúcar é que: 1. faz mal, 2. engorda e 3. vicia, e é um vício dificílimo de abandonar pois ao redor do açúcar há toda uma imensa convenção social te convidando permanentemente a comer alguma coisa doce e será muito difícil evitar. Então, se você não quiser correr riscos, melhor achar alternativas para saciar o desejo de comer um pãozinho doce com recheio de canela. E aqui vai uma receita alternativa com substitutos do açúcar e farinhas integrais com uma quantidade maior de fibra para reduzir o ritmo acelerado dessa bomba de carboidratos...




Eu já confessei por aí que acho todos os substitutos do açúcar horríveis. Quando faço uso deles é para criar alguma alternativa realmente saborosa que justifica o uso do substituto ao invés do açúcar branco comum e é o caso desses pãezinhos, feitos para uns visitantes muito especiais. Fiz com o adoçante eritritol + stevia. Mas acho importante lembrar que sempre que uso a palavra "adoçante" eu estou me referindo apenas aos substitutos do açúcar de origem orgânica e não artificiais, que por diversos motivos são considerados seguros para uso doméstico e na indústria alimentícia.

Você sabe quais são os adoçantes totalmente artificiais que eu nunca usei e jamais usarei? são aqueles artificiais, produzidos a partir de compostos químicos e que são exatamente como remédios e exatamente como eles, cheios de contra-indicação e problemas. Esses são os adoçantes artificiais que eu acho que ninguém deveria usar:aspartame, sacarina, ciclamato e sucralose,

Em adoçantes artificiais eu não coloco a minha mão
. Mas da sua vida que decide é você.

Quando menciono adoçantes, ou substitutos de açúcar, me refiro a uma classe menos nefasta de adoçantes, aqueles do grupo dos Poliols os álcools de açúcar e a Stevia. Todos os adoçantes "poliols", ou "álcools de açúcar" são compostos orgânicos que ocorrem naturalmente a partir da fermentação de frutas e vegetais diversos. Todos os poliols/alcools de açúcar tem os nomes terminados em "OL, mas nem todos podem ser consumidos por humanos. Lembre que Metanol e Etanol, por exemplo, fazem parte deste grupo e são extremamente tóxicos.


Os alcools de açúcar (sugar-alcohols) contém em geral baixas calorias, alguns deles são registrados como contendo "zero caloria", mas conteúdo exato do eritritol, por exemplo, é de cerca de 0,2Kcal/g enquanto o açúcar tem 4kcal/g. Em alguns países (EUA e Japão) os poliols são registrados como contendo zero calorias 0kcal/g pois o valor de 0,2kcal é arredondado para baixo. No caso do eritritol, que uso nesta receita, 90% dele é absorvido pelo sangue ainda no intestino delgado e apenas 10% é entra no colón, diferentemente de outros adoçantes desse grupo, como xylitol e sorbitol que muito frequentemente podem causar um efeito laxativo bem incômodo.



O adoçante que eu uso neste pãozinho é a steviosa, uma mistura de 98% eritritol e 2% stevia que tem cara de açúcar cristal, mas não é. O Erythritol, em português Eritritol pode ser usado tanto puro como misturado com stevia nesta receita. A diferença é que puro o eritritol é 50% menos doce do que o açúcar, enquanto a mistura dele com a stevia ajuda a criar um produto com consistência parecida a do açúcar e tão doce quanto. A mistura é tão desigual pelo da stevia ser 40 vezes mais doce do que o açúcar.

De qualquer maneira, muito cuidado na hora de usar os danados dos adoçantes, é necessário escolher com muita atenção e paciência o que usar e o que cozinhar o tipo de adoçante que você escolheu, pois os resultados podem ser surpreendentes. Algumas coisas funcionam melhor do que outras. Pães são um bom começo, para quem nunca usou esses produtos e quer se aventurar. A massa responde da mesma forma, sem problemas, pois a quantidade de açúcar na massa é pequena. O eritritol com stevia funcionam muito bem no recheio também, e a não faz a menor diferença na mistura com canela pão no recheio do pão. Importante: o resultado final é significativamente menos doce pelo simples fato de levar bem menos adoçante do que o equivalente em açúcar da receita original.




Pãozinho Doce de Espelta e Centeio com Recheio de Canela (Kanelboller)

Massa:
500 ml de leite
1/2 xícara de manteiga + manteiga para pincelar
4 colheres de sopa de stevia em pó (*ver explicação acima)
10g de fermento seco
3 xícaras de espelta integral
2 xícaras de centeio integral
1/2 colher de chá de sal
Pitada de cardamomo em pó ou uma semente de cardamomo esmagada (opcional)

Recheio
100 gramas de manteiga derretida
Eritritol puro e/ou açúcar de stevia em pó a gosto
5 colheres de sopa de canela em pó

Como:

Numa panela esquente levemente o leite e a manteiga com a stevia em pó (mistura de stevia e eritritol) e o cardamono para derreter a manteiga, o açúcar/stevia e aromatizar o leite com o cardamomo. Não deixe ferver e deixe a mistura amornar e quando estiver aproximadamente 40C. Adicione o fermento seco e a mistura das farinhas de espelta e centeio e o sal e usando as mãos ou uma colher de pau (ou use uma máquina se preferir) misture até incorporar totalmente e formar uma massa macia e grudenta. Se usar semente inteira de cardamomo amassada, remova a semente antes de adicionar o fermento e a farinha e descarte. Coloque a massa numa bacia esfarinhada e deixe a massa descansar coberta para crescer por pelo menos um hora. Depois de uma hora transfira a massa para uma superfície esfarinhada e comece a abrir a massa usando as mãos. Se a massa ainda estiver muito grudenta adicione até uma xícara mais de farinha, mas evite adicionar farinha demais para não resultar num pãozinho muito seco.

Abra a massa sobre uma superfície esfarinhada até formar um retângulo de aproximadamente 20 X 50 cm. Quando a massa estiver do tamanho e espessura desejadas, espalhe uma camada de manteiga derretida em toda a superfície do retângulo. Misture a canela com o açúcar/stevia e salpique uma camada generosa por cima da manteiga. Enrole a massa sobre a parte menor do retângulo até formar um rocambole de massa. Feche bem as pontas, até que grudem,. Corte fatias do rocambole de massa com aproximadamente 2 cm de largura. Coloque as fatias de massa cortadas em uma forma grande, retangular ou redonda. Deixe crescer por pelo menos 45 minutos.

Asse a 200C por 15-20 minutos ou até que estejam bem dourados. Quando retirar do forno pincele manteiga sem sal nos pãezinhos para dar brilho... Se preferir, cubra com calda de açúcar (sic).


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Noites de verão, de calor e reflexão...



Queridos,

Muito obrigada pelos muitos emails cheios de carinho e pela atenção que me é dedicada durante meus longos períodos de silêncio. Adoro receber emails, os comentários no blog, vocês me animam muito. Mas eu ainda ando devagar. Sabe aquela coisa de perder a voz interior? Estou assim, sem voz, precisando encontrar meu tom, perdido por aí. E no meio do processo muita coisa boa tem acontecido, eu nunca mudei tanto, vivo um intenso processo de transformação que é excitante mas que no fim das contas é o que tem me deixado em silêncio.

Se por aqui ando quieta, minha vida anda movimentada e cheia de atividades e novas possibilidades. Além disso eu nunca li tanto, nunca aprendi tanto na minha vida. Mas ando numa fase difícil, entre outras coisas, em crise com minha vida de expatriada, sofrendo as muitas dores do longo exílio, ainda que voluntário. Mudança de país é um processo de adaptação difícil, trabalhoso, surpreendentemente longo e, mesmo depois de 10 anos vivendo aqui na Noruega, ainda sofro e me irrito profundamente com a vida na Europa... Não é fácil viver aqui, não é fácil para mim viver fora do Brasil, mas também não é fácil fazer as malas e voltar, não depois de tantos anos. São tantos detalhes complicados que o melhor é tentar se adaptar mais um pouco, rever posições e tentar renovar as energias e o amor pelo país onde se vive...



Neste verão maravilhoso que está dando as graças por aqui este ano, eu e Per temos saído muito, fizemos novos planos, reorganizamos nossa casa, nosso jardim e tudo mais. E o calor foi de grande ajuda, o calor me inspira e aumentou a minha disposição de sair de casa e de circular por aqui e, de uma forma, ou de outra, me alimentei novamente de Noruega, das coisas boas daqui, das coisas que me inspiram e me animam. Nunca toquei nesse assunto aqui no blog, não abertamente... mas imagino que eu amor incondicional pelo Brasil sinalizava meu vínculo forte, meu apego, meu interesse permanente e, indiretamente, demonstrava minha vontade de viver no meu país e de deixar de viver no país onde vivemos hoje. Mas nunca tinha falado isso abertamente. Do quão difícil é viver longe de casa. Mas eu não decido as coisas apenas em meu nome, somos uma família e todas as decisões aqui em casa precisam ser boas para todo mundo e isso não é uma coisa fácil de se atingir...

E nestes dias de verão, dias longos de junho e julho, sem a escuridão da noite, quando o sol brilha até as 23h, 23h30, eu me abasteci de luz e de energia vital. Incrível como o sol faz toda a diferença, iluminou tudo e produziu uma nova vida. Eu também refleti muito sobre a realidade dos sonhos, pois minha vida é uma parte da vida que sonhei quando menina, quando sonhava viver numa terra onde não houvesse noites... E não é que eu consegui! Claro que tudo tem um lado ruim. Quando menina eu detestava a noite, e sonhava com um lugar onde os dias não acabassem nunca. E nesse mesmo lugar sem noites, durante longos meses do ano, os dias são curtíssimos, praticamente sem luz do sol. E como todos os lugares do mundo, não é perfeito, é diferente de tudo o que eu mais prezo, mas é um lugar muito bom e muito generoso comigo, e eu sou muito grata por ser tão bem recebida por aqui.

Mas o fato é que nenhum lugar fora do Brasil jamais me será suficiente, onde quer que eu vá, onde quer que eu viva, um imenso pedaço de mim vai estar sempre faltando...




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Chocolate Caseiro com Manteiga de Amendoim e sem Açúcar



Eu adoro chocolate, mas meu paladar mudou muito nos últimos anos e não tenho conseguido comer os chocolates que comia antes. Hoje acho-os doces demais. O meu paladar está ainda mais sensível em relação ao açúcar.

E não é apenas o meu.

Todo mundo aqui em casa está mais sensível em relação ao açúcar. E, apesar da liberdade para comer açúcar quando desejar, afinal nossa restrição em relação ao açúcar é uma opção e não uma obrigação. Ninguém mais consegue traçar uma barra de chocolate e/ou uma sobremesa tradicional. O paladar mudar e a gente perde o hábito. Na hora do desejo, a alternativa é tentar produzir algo prazeroso que agrade o paladar da família toda.



Em teoria o chocolate caseiro é a alternativa ideal mas, na prática,o produto final é bem complexo. O resultado é levemente diferente do chocolate comercial, já que não leva nem 1/4 da quantidade de chocolate do chocolate comercial e, por isso, não tem a mesma textura e nem muito menos a mesma resistência.

O chocolate natural caseiro é mais uma espécie de chocolate de geladeira, pois não resiste a temperatura ambiente por muito tempo (nenhum chocolate resiste, mas o natural resiste menos ainda).

Com chocolate natural caseiro o segredo é: Servir e comer.

Se não comer na hora, é precisa guardar para não derreter. Mas em compensação não contém aditivos o que, de certa forma, reduz os efeitos nefastos desse chocolate e não contém açúcar, mas xarope de malte de arroz (100% glucose, i.e. sem frutose).



Mas chocolate caseiro? Que chocolate caseiro?

O que costumamos chamar de "chocolate caseiro", ou "chocolate feito em casa", trata-se majoritariamente de algum tipo de chocolate industrial que, uma vez derretido, pode ser usado para fazer um arsenal de coisas diferentes, como bombons recheados, trufas, barrinhas de chocolate e afins.

O que aqui eu chamo de "chocolate caseiro" é um chocolate um pouco diferente, é uma versão mais artesanal, feita a partir da mistura de cacau em pó, massa de cacau, manteiga de cacau, algum tipo de sabor e algum tipo de adoçante e/ou açúcar.

Essa método permite, aos interessados, construir um chocolate ao seu gosto, com amargor e/ou doçura controladas, moldadas ao paladar e dieta de cada um. E é muito legal poder construir um chocolate original, com o sabor que você desejar. Mas, vou logo avisando, não é fácil, requer vontade de experimentar e coragem para errar. O lado bom é que, como todo chocolate, se o resultado final ficar amargo demais ou sem graça, ou mole demais, basta derreter e adicionar aquilo que esteja faltando ou em excesso.



Há muito eu venho tentando acertar com uma receita de chocolate caseiro, mas ainda não achei uma que seja perfeita. Não é fácil. Sem adição de açúcar então, fica muito mais difícil. Se há uma receita quase perfeita, é esta aqui, com manteiga de amendoim pura e coco. Além disso, uma mistura balanceadas de massa de cacau, manteiga de cacau e óleo de coco com um cacau puro saboroso.


Uma coisa eu sei com certeza: o meu chocolate caseiro perfeito leva algum tipo de castanha ou noz. Amendoim, castanha de cajú, do Pará, avelã ou amêndoas. Ah, e coco. Seja óleo, seja extrato, seja coco ralado. Coco também faz uma grande diferença na hora de arredondar o sabor do chocolate.




Qual a diferença entre o chocolate caseiro e o chocolate industrial?


Em teoria não há muita diferença. Os ingredientes são mais ou menos idênticos. Se você checar a lista de ingredientes de um chocolate comercial, você verá que o chocolate comercial é feito de AÇÚCAR, manteiga de cacau (produzida a partir do cacau fermentado, seco, torrado e depois processado para separar a manteiga de cacau do grão do cacau que depois vai virar cacau em pó), massa de cacau, cacau em pó, leite em pó e sabores diversos e eventualmente antioxidantes e conservantes de algum tipo. No chocolate industrial, um outro ingrediente fundamental, o emulsificante, que em geral é lecitina de soja. Alguns chocolates orgânicos hoje em dia usam lecitina de semente de girassol, mais fácil de achar do que a lecitina de soja orgânica.

A presença do emulsificante faz uma grande diferença no resultado final, tanto para a preservação, como na consistência e na aparência do produto final.

O chocolate caseiro leva os mesmo ingredientes, mas em geral é adoçado por algum tipo de alternativa ao açúcar refinado comum e como regra não leva emulsificante. O chocolate caseiro vai ter uma consistência mais delicada e é ainda mais frágil em relação a temperatura.



Chocolate caseiro com manteiga de amendoim


100g manteiga de cacau pura orgânica (eu uso essa)
50g massa de cacau orgânica( eu uso essa )
30g de cacau em pó puro orgânico (eu usei esse )
50g óleo de coco extra virgem
50g manteiga orgânica de amendoim pura sem sal e/ou sem açúcar
50g xarope de malte de arroz orgânico (ou mel, ou xarope de bordo, ou stevia ou o que você preferir)
1/2 colher de chá de baunilha em pó


Como:


Num pote de vidro ou de metal sobre uma panela com água fervendo (banho maria) derreta a manteiga de cacau, a massa de cacau, o óleo de coco, o xarope de arroz e a manteiga de amendoim. Adicione o cacau em pó e a baunilha e mexa delicadamente até incorporar totalmente. Divida a massa em forminhas de bombom de silicone ou em formas de muffin de silicone. Leve a geladeira até endurecer, por cerca de 30 minutos. Manter em geladeira até servir.

Eu usei duas formas diferentes e adicionei coco ralado seco ao chocolate que moldei nas formas de muffin de silicone. Se usar a forma grande, encha apenas um quarto da forma, para não formar um chocolate grande demais. Quanto mais fininho, mais saboroso.Faça as substituições que preferir. Use a criatividade baseando-se no seu gosto pessoal. Use frutas secas, nozes e castanhas, manteigas de nozes diversas. O céu é o limite.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mousse de Morango e Mirtilos




Na última postagem eu listei alguns adoçantes tidos como "menos perigosos" para o corpo, com os quais eu andei flertando e experimentando por um tempo: stevia pura líquida, eritritol e tagatose. Na mesma postagem também deixei claro que estava deixando esses adoçantes para trás já que, a medida que experimentava substitutos para o açúcar, eu era tomada por uma sensação péssima de estar substituindo um problema por outro. Inclusive o xarope de malte de arroz.

Ainda que o açúcar, principalmente a parte frutose dele, me faça muito mal quando consumido regularmente, eu não estava nem um pouco segura em relação ao projeto de usar substitutos para alimentar meu paladar doce. Muito menos convencida da idéia de fazer isso para o resto da vida. Por isso desisti dos substitutos. Afinal, se meu plano é deixar de consumir açúcar, o ideal é parar de tentar substitui-lo. Do contrário, seria como curar um vício com outro.

O sabor doce cria todos os tipos de dependências, a emocional sendo talvez a pior delas. A gente se apega aos doces de forma sentimental. Mesmo que você se acostume com o sabor sem açúcar do seu café, do seu chá, do seu mate etc... você vai acabar se vendo apegada ao hábito de servir brigadeiros, refrigerantes, ou quindins em festas. Vai ter saudade de comer uma rabanada no natal, ou uma cocada de baiana no centro da cidade. A gente se apega, se envolve, já que o doce faz parte da cultura que criamos ao nosso redor. Comida tem esse poder. Mas, se parar com o açúcar for importante para você, é fundamental identificar suas fraquezas e combater. Afinal somos mestres da nossa vontade, não é verdade?


A boa notícia é que sabor doce permanece marcado na pessoa por um tempo. Você pode se reeducar e começar a apreciar seu café sem açúcar em menos de dois meses. A pessoa estranha no começo, mas depois acostuma. Hoje em dia até o leite no meu café me parece doce demais e sinto a presença da lactose, em diferentes graduações, em diferente tipos de leite. É uma coisa impressionante, e olha que eu nunca adocei café na vida, nem chás, pois nunca gostei de bebidas doces. Quando comecei a tomar café já comecei sem adoçar. Meu problema com açúcar nunca foi em bebidas...

Mas o mais impressionante é observar a mudança no paladar das crianças. Aqui em casa elas estão se adaptando lindamente. E este está sendo um processo interessante, processo este que passou pela fase dos substitutos até conseguir deixar de adoçar uma sobremesa totalmente. Como o mousse desta postagem, que não leva nada doce além dos morangos e mirtilos. Este é uma espécie de mousse, mas pode ser chamado de creme. Não é panna cotta pois o creme não foi cozido, ainda que leve gelatina... Mas a textura é de mousse pois o creme de leite fresco foi bem batido, junto com o mascarpone e as frutas (que não são frutas, são bagos)... Ajuda bastante se as frutas estiverem na época. Não esqueça que a gelatina é uma fonte excelente de proteína.




Creme de morango e mirtilos

300 ml de creme de leite fresco
200g de mascarpone ou outro tipo de queijo cremoso sem sal
200g de morangos congelados
200g de mirtilos congelados
1 colher de chá de baunilha em pó
2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
80 a 100 ml de água fervendo

Como:

Numa tigela grande coloque os morangos e mirtilos ainda congelados, adicione o creme de leite fresco, o mascarpone e a baunilha. Usando um batedor (mixer) de mão elétrico, ou um processador, bata até obter uma mistura bem homogênea e reserve. Coloque a gelatina numa tigelinha de vidro pequena. Ferva água e adicione a água fervente á gelatina e mexa bem para dissolver totalmente a gelatina. Adicione a gelatina dissolvida em água fervendo á mistura de creme e frutas. Misture um pouco mais com o mixer. Tranfira a mistura para potinhos ou taças de vidro e leve para gelar por cerca de duas horas. Sirva pura ou com frutas.


Obs. Açúcar é delicioso e fácil de usar, dá textura e sabor a receitas doces e salgadas etc... mas faz mal pacas, vicia e está na base de uma série de problemas de saúde. Mas, isso não quer dizer que eu nunca coma, nem vá comer açúcar. Impossível dizer nunca, até porque eu não preciso ser radical. Mas a reeducação é preciosa e poderosa. Com a exclusão do açúcar por dois, ou três meses, o paladar da gente muda e o prazer diante do açúcar desaparece, o que vai reduzir muito o desejo de consumir doce. A gente passa a dizer não sem problema nenhum e, eventualmente, quando diz sim, diante de uma tentação extraordinária, isso também será sem problemas. Entende?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Novas fontes de energia para um ano novo em novo estilo...





Meus queridos, mais de seis meses depois, eu estou de volta. Ainda cambaleante, meio perdida, mas estou de volta. Sinto-me como um soldado ferido, que voltou de uma batalha sangrenta...

Mas estou inteira, me sentindo bem melhor fisicamente, feliz de estar aqui novamente, mas ainda emocionalmente frágil. Estou fazendo uma força imensa para conseguir escrever, sinto-me como alguém que foi amordaçado e ainda não conseguiu voltar a falar, mesmo depois de retirada a mordaça. Os emails e comentários simpáticos de vocês foram um alimento precioso na minha recuperação Para todos aqueles que não acompanham este blog há muito tempo, e não sabem muito de mim, um breve resumo para lembrar e continuar onde parei...

No final de 2012 minha vida sofreu um baque forte, meu pai morreu e, levada pela tristeza e pela revolta da perda, entrei num túnel escuro onde me escondi, me perdi e já não achava caminho de saída. Minha criatividade sofreu muito com isso e meus trabalhos também. Nesse meio tempo a minha dieta, que vinha mudando aos poucos, se radicalizou e causou uma reviravolta no meu estilo de vida e no do blog. Embora eu sinta-me melhor fisicamente, ainda estava bem perdida, já não sabia mais o que escrever e já tinha manifestado isso aqui. Afinal, quando a gente deixa de lado o açúcar, a vida começa a mudar em todos os sentidos, não apenas os hábitos alimentares e precisei rever posições e avaliar a importância de certas coisas para mim e para a minha família para ser capaz de escrever coisas que fizessem algum sentido. Está sendo difícil pacas, reordenar a vida e decidir onde e como me colocar e ainda não bati meu martelo em relação a diversos assuntos...

Por isso, ainda não estou 100% certa de como será este blog neste 2014 que já começou. Vou tentar contar minhas histórias, como antes, sem me tornar uma chata de galochas radical ou uma pregadora mala. Como eu não sou diabética, não tenho nenhuma alergia, não estou de dieta para perder peso e evito açúcar para me sentir bem e melhorar a condição geral do meu corpo, pensava em fazer um blog bem leve, relaxado. Mas o fato é que minha convicção de que os males do açúcar são muitos está cada vez mais forte e, por isso, a cada dia fica mais difícil para mim "dourar o açúcar" novamente. Caramelos, nunca mais, se é que vocês me entendem.

Aí, vocês me perguntam? Mas se você não é diabética, nem alérgica, nem nada, por que parar com açúcar?

Para evitar o os problemas digestivos e o mal estar que que eu desenvolvi depois de ter desenvolvido uma doença autoimune na tireóide conhecida como doença de graves. Minha dieta é o resultado de uma busca pessoal por uma alimentação que me ajude a viver melhor com os efeitos pós-doença e com os riscos do meu histórico familiar. Mas atenção: não recomendo, nem indico, meu estilo de vida para ninguém.

Mas se você não está bem, se você sente que sua alimentação é mais sua inimiga, do que amiga, se os alimentos que você consome não ajudam você a se sentir melhor, nem a viver bem, minha sugestão: Mude de vida, mas investigue os caminhos por sua própria conta. Use minha história como referência se for o caso, como inspiração para mudar de alimentação, mas descubra você mesma o que combina com o seu estilo de vida, com o seu corpo e faça da sua mente a sua aliada maior.





Qual o meu projeto?

Para mim, pessoalmente, a frutose está na raiz de todos os meus problemas digestivos e desejo reduzir ao máximo o consumo de frutose. Mas tenho trabalhado para zerar o uso de açúcar de mesa na minha vida. E por açúcar de mesa eu quero dizer (sacarose), aquele composto feito de uma molécula de glucose e uma de frutose. E comer o mínimo possível de frutose, o que inclui excluir adoçantes naturais como mel, xarope de bordo, agave etc... reduzir ao mínimo o consumo de frutas com alto índice de frutose (como uma ou duas frutas por dia ao máximo, em geral uma laranja), deixar de beber sucos de frutas prontos (já havia deixado há anos pois o ácido detona os dentes), frutas secas (todas) e alimentos que levem açúcar na sua composição como molhos de tomate com açúcar e afins. Comer menos pães e massas diversas, mas que sejam sempre 100% integrais, e substituitr as farinhas com glúten sempre que possível.


Neste processo passei pelo mais difícil de todos os meus desafios: deixar definitivamente de comer mel. A retirada do mel da minha vida merece uma postagem a parte pois mel era a "coisa doce" que eu mais gostava nesta vida. Mas ao invés de sentir tristeza por ter deixado de comer mel, eu me sinto aliviada pois descobri que o mel era o principal responsável pelo meu permanente mal estar digestivo pois era a minha principal fonte de frutose. Importante lembrar que apesar de natural e ser carregado de benefícios, alguns tipos de mel podem chegar a ter 55% de frutose em sua composição. Assim como outros xaropes supostamente naturais e saudáveis como o de bordo e do agave. Cuidado com eles!


Enfim, o açúcar estava me fazendo um mal horroroso e influenciou muito o meu rodamoinho de tristeza. Açúcar (sacarose), principalmente a parte frutose dele, me afeta de forma cruel, além de contribuir para os altos e baixo de energia que causavam um imenso mal estar na minha vida. O consumo de açúcar, destaque para a frutose, altera significamente a química do meu organismo e representa um risco a mais considerando o meu histórico familiar. É uma decisão difícil mas que vale a pena pois:

1. Açúcar desequilibra os níveis de açúcares no sangue (naturalmente) e bagunça com o seus hormônios de uma maneira geral, principalmente com a insulina;
2. Diversos estudos comprovaram que açúcar sozinho também pode causar doenças do coração;
3. Açúcar causa e alimenta infecções pois alimenta bactérias;
4. Açúcar alimenta células cancerosas e compromete o balanço natural de antioxidantes e mecanismos de defesa do organismo facilitando o desenvolvimento de uma série de cânceres;
5. Açúcar vicia e cria dependência e estudos demontraram ser mais viciante do que drogas pesadas como cocaína;
6. Açúcar engorda, causa diabetes e tem um papel importante no desenvolvimento da síndrome metabólica.
7. Açúcar bagunça o seu paladar e perturba o sabor natural dos alimentos. Até que você pare totalmente de comer açúcar você não será capaz de sentir o sabor naturalmente doce de uma série de alimentos, desde um simples copo de leite até um suco de maracujá.



E como substituir o açúcar? Como viver sem açúcar?

Em busca de dicas e informações para uma dieta sem açúcar, principalmente sem frutose, encontrei o trabalho de pessoas interessantes, entre elas o David Gillespie autor de vários livros e do blog Sweet poison que eu recomendo. É do David a arte acima sobre adoçantes e açúcares acima. O David divide os açúcares e adoçantes em três colunas: safe (seguros) na coluna da esquerda, your call (você decide) na coluna do meio e unsafe (inseguros) na longa lista na coluna da direita. Como pode-se ver, quando o objetivo é uma dieta sem açúcar e, principalmente, sem frutose, muito pouco é recomendado. O David não recomenda o uso de adoçantes, pois defende que só devemos usar glucose e suas várias versões: dextrose, xarope de glucose, maltose, maltodextrina e maltodextrose... Para o David, stevia, eritritol, xilitol e outros são uma opção pessoal, cada um sabe o que pode e o que não pode e os riscos que deseja correr. Mas eu acho que o David exagera no uso da dextrose e recomenda sobremesas demais.

Acho que para deixarmos de consumir açúcar devemos devemos deixar de lado o hábito de usar substitutos do açúcar, ou fazer isso o mais rápido possível também. Acho que o ideal é cortar açúcares adicionados e voltar a comer frutas como sobremesa, como fonte de açúcar.

Eu acho que no mundo perfeito todo mundo aboliria o hábito de adicionar açúcar e adoçantes pois esses não ajudam você a quebrar o ciclo da dependência do sabor doce. Por isso, use substitutos o mínimo possível pois eles também podem tumultuar o funcionamento do seu organismo. Mas tudo é uma escolha pessoal!

Uma breve descrição dos adoçantes que ainda uso:

Erythritol: Eritritol em português, é um poliol ( conhecidos em inglês como "sugar alcohols"). O Eritritol é um pó cristalino branco, menos doce que o açúcar, dá para fazer algumas coisas bem legais e dele o corpo não absorve nada.Também é encontrado misturado com stevia e comercializado com diversos nomes diferentes ao redor do mundo. Misturado com stevia é mais doce do que o açúcar, pelo menos duas vezes. Mas o fato de não ser absorvido pelo corpo pode causar um certo desconforto instestinal em alguns. Eu tenho usado o eritritol quando faço alguns tipos de bolo para as crianças, mas é um bolo bem menos doce que o normal. Bom para adoçar principalmente cremes e creme de leite batido em chantilly, pudins de baunilha e chocolate, panna cottas, iogurte natural. O sabor doce é bem suave e natural, se não deixa aquele sabor amargo como a maioria dos adoçantes. Eu acho que eritritol vale a pena, principalmente se usado uma ou duas vezes por semana. Mas teste sua resistência aos poderes laxativos do eritritol.

Stevia: É uma velha conhecida dos brasileiros, mas que foi liberada na Europa há cerca de três anos. Tenho usado muito pouco e apenas em gotas, para adoçar algumas coisas específicas e as crianças e o marido não se importam. Uso umas gotas de stevia no chocolate quente com cacau puro para as crianças e quando desejo bater creme de leite e/ou no iogurte grego natural. Eu tenho usado a Stevia em gotas, misturada com extrato de baunilha. A Stevia em gotas com extrato de baunilha também é ótima para dar um twist adocicado numa panna cotta, iogurte, cremes e mousse. Em geral em receitas que não precisam de consistência do açúcar...

Tagatose é uma incógnita para mim pois ainda é o mais desconhecido de todos os substitutos do açúcar (sucrose). Nas minhas primeiras experiências a Tagatose se revelou o melhor de todos, fácil de usar e o mais saboroso. A Tagatose que uso é um pó branco finíssimo, com aparência de açúcar de confeiteiro e de sabor igual ao açúcar, um pouco menos doce que o açúcar e perfeito para bolos e biscoitos. Tagatose é um açúcar produzido a partir da lactose e que tem sido muito bem recebido por aqui por conter pouquíssimos carboidratos e baixa caloria. A maior parte da Tagatose não é absorvido pelo corpo, no entanto, a parte absorvida é metabolizada exatamente como a frutose e não é recomendado para pessoas que tenham algum tipo de intolerância a frutose. Uso muito pouco, apenas para bolos e biscoitos para as criancas pois aguardo mais informações sobre esse tipo de adoçante. O quadro do David não lista Tagatose.

Xarope de malte de cevada e Xarope de malte de arroz integral são xaropes de maltose, uma variação da glucose que não contém qualquer frutose e são perfeitos para adoçar biscoitos e alguns tipos de bolos. São menos doces que açúcar pois não contém frutose e são perfeitos para substituir o mel na hora de adoçar iogurte, panquecas, waffles etc... Os xaropes de maltose (tanto de arroz como de cevada) não são menos calóricos mas mais saudáveis para quem busca uma dieta sem frutose.


Em breve volto com uma postagem onde conto mais ou menos como estou lidando com as farinhas e uma síntese dos grãos e sementes sem glúten que tenho consumido em família.

E feliz 2014 para todos!!!!

domingo, 16 de junho de 2013

Sobre Baunilha em pó e o sexto comentário premiado....


Hoje finalmente apresento aqui o nome da autora do sexto comentário selecionado. Demorei pois desde quarta feira rolaram tantas coisas aqui em casa e na minha vida que não foi possível. Um pouquinho de suspense não faz mal, né? Mas antes de apresentar o nome eu vou falar um pouco mais sobre o que é a baunilha em pó que foi sorteada.

A baunilha é retirada de um tipo de orquídea, uma orguídea que produz uma fruta que depois de seca pode ser usada como especiaria. A fruta da orquídea seca e produz uma fava, cheia de semetinhas. A fava e suas sementes concentram intenso aroma da flor e podem ser consumidos sem restrição, adicionando sabor poderoso aos alimentos, perfumes, cremes, óleos e tudo mais. A baunilha é curada, com fermentação natural e depois moída sem adição de alcool ou de coisa alguma. É baunilha pura. A baunilha em pó é produzida a partir da moagem das favas inteiras de baunilha. O resultado é um pó bem fino e extremamente aromático.
Esta baunilha é oriunda de Madagascar e foi batizada por franceses há séculos como "Baunilha Bourbon" e assim é conhecida no mundo todo.

Não dá para comparar o aroma da baunilha pura com o aroma de uma essência artificial. É como comparar um morango com a essência artificial de morango, imagina um morango de verdade e uma gelatina de morango artificial? Aquela coisa rosa pintada com sabor de bala? É a diferença entre o sabor real e o sabor artificial daquelas essências horrorosas.

O produtor alemão, desta baunilha que estou sorteando, indica que meia colher de chá de pó equivale a uma fava inteira. Eu, em geral, uso bem menos pois acho que pode ficar forte demais o sabor. Mas, para quem não está acostumado a usar baunilha em pó, ela pode ter sabeor bem diferente das essências. As essências são mais doces do que a baunilha natural.

Uma coisa sensacional é que a baunilha é naturalmente doce e ajuda na hora de evitar o uso de açúcar, por exemplo, no café com leite, no chocolate quente, no iogurte natural e ou no creme de leite na hora de bater chantilly. Ao invés de açúcar, adicione um tantinho de baunilha.

Apesar do pacote ter data de validade, a baunilha não envelhece, muito pelo contrário. O sabor fica mais intenso com o tempo, mas se conservada em local seco e em pote de vidro vedado. Por isso, coloque seu pozinho em um vidro limpo e seco imediatamente e guarde em local seco e fresco. Oxigênio e umidade são os maiores inimigos de qualquer alimento que tem vida longa...


Como e onde usar?

1. Açúcar de baunilha:

Antes de sair usando em doces, prepare um açúcar baunilhado. Coloque meio quilo de açúcar de confeiteiro num vidro limpo, adicione duas colheres de chá de baunilha em pó, feche o vidro bem fechado e sacuda bastante para misturar. Deixe o vidro descansar por pelo menos um mês de depois use o açúcar de confeiteiro temperado para adicionar sabor as mais diversas receitas adicionando uma ou duas colheres de sopa de açúcar de baunilha no lugar da essência artificial.

Você pode adicionar a baunilha em pó ao açúcar cristal, açúcar comum ou qualquer outros tipo de açúcar. Quem sou eu para decidir. Eu coloco baunilha não no açúcar de confeiteiro, mas no açúcar de cana amarelo, orgânico, não refinado que eu uso nas receitas doces aqui de casa.

2. Sal de baunilha:

Da mesma forma que baunilha pode ser adicionada ao açúcar, uma colher de chá do pó de baunilha pode ser adicionada a 250g de sal. Use sal puro, marinho, não refinado, sal grosso triturado é melhor ainda pois é mais saudável, e adicione um salzinho de baunilha as suas receitas.

3. Adicione a receitas diversas: bolos, pudins, geléias, tortas, granolas, musli, cremes, mingaus, vitaminas, leite quente, creme de chantilly, iogurte natural, coalhada etc...

4. Use de pitadinhas, se for bater um copo de leite e use uma colher de chá se for fazer um pudinzão de 2L. Meia colher de chá é perfeita para bolos e tortas.

5. Aproveite!


E finalmente o nome de mais uma vencedora. A sexta vencedora é a Ana Brasil que falou de lar, família, marido carinhoso, criança feliz e como a baunilha vai reforçar tudo isso. A gente ficou dividido muito tempo, a Ana foi unanimidade só no final, mas levou com o seguinte comentário:

Blogger Ana Brasil disse...

Aroma de baunilha para mim se confunde com aroma de LAR, aroma de bolo que invade a casa e instantaneamente faz minha filha sorrir; aroma de arroz doce que faço para o marido e que me enche de beijos por causa dessa delícia; aroma de biscoitinhos e chá, que também uso baunilha e um bom livro para acompanhar...cozinha se mistura com vida, com sentimento, com momentos e que delícia usar baunilha para intensificar tudo isso!

24 de maio de 2013 19:00
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Parabéns Ana, agora manda para mim o teu endereço, tá? Amanhã, de posse de todos os endereço, eu dispacho os pacotinhos todos! Mas a Tatiana precisa me mandar endereço dela... Do contrário eu vou precisar escolher outro comentário.