sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tertuliando: rocambole de chocolate aos dois brigadeiros



Eu adoro a Moira, a dona do Tertúlia de Sabores, aquelas coisas estilo "nunca te vi sempre te amei" que só a internet é capaz de proporcionar. Exatamente isso. Quando ela convocou seus leitores para celebrar o aniversário do blog eu me animei na hora mesmo sabendo que eu sou difícil com datas e compromissos, adoro uma vida sem agendas. Mas, enfim, resolvi "tertuliar" e aqui estou eu, "tertuliando". Para celebrar resolvi escolher uma receita que falasse comigo e enquanto eu procurava me lembrei que tinha guardado a receita de uma sobremesa que me cativou na hora que eu vi. Claro que seria uma sobremesa, que eu já desisti de pratos salgados. Se tem uma coisa que não me emociona são sopas, assados e "cozinhados" salgados diversos. Por isso eu escolhi esta receita para tertuliar.




A receita original é um rocambole de chocolate recheado com um doce de limão que é na verdade uma espécie de "curd" de limão (aquele doce amanteigado dos ingleses) com uma cobertura de chocolate ao rum. Moira usou na receita dela uma ganache de chocolate. Eu delirei e recheie o meu rocambole com brigadeiro de limão e cobri com brigadeiro de chocolate. Abrasileirei totalmente o doce e batizei-o de rocambole.



As últimas modificaçoes foram de forma, e não de conteúdo, já que não segui as instruções para preparar a massa e preparei meu rocambole como pão de ló, separei as claras das gemas, não usei fermento e usei menos açúcar. Por fim, ao invés de usar amêndoas fatiadas, eu cobri o meu rocambole com uma paçoca de amêndoas, acentuando ainda mais a brasilidade do doce, como se para ser brasileiro já não bastasse ele ter sido feito por mim.




Rocambole de chocolate com recheio de brigadeiro de limão e cobertura de brigadeiro de chocolate

A receita da Moira você encontra aqui: Receita para tertuliar, a minha você pode ler abaixo...

Massa do rocambole

4 ovos separados
50 gramas de açúcar
50 gramas de farinha de trigo
30 gramas de cacau em pó sem açúcar
pitada de sal
2 colheres de sopa de água (usei fria)


Como:

Aqueça o forno a 180C. Coloque as claras e o sal num pote e com a batedeira bata até elas ficarem em neve, bem duras e reserve. Num outro pote bata as gemas com o açúcar até esbranquiçar e dobrar o volume. Peneire a farinha e o cacau. Adicione metade da mistura de farinha e cacau às gemas bata para incorporar. Adicione a água e bata mais um pouco e adicione então a segunda parte da farinha com cacau às gemas. Por fim adicione as claras à mistura de cacau e gemas e mexa com uma espátula para não reduzir demais o volume da massa. Coloque a massa numa forma retangular média untada e forrada com papel manteiga também untado com manteiga. Asse por 25 minutos a 180C ou até que um palito saia seco. Deixe esfriar levemente e transfira para uma superfície limpa, sobre uma folha de papel manteiga limpa. Coloque o recheio que preferir, no caso eu usei um brigadeiro de limão. Depois de recheado enrole a massa, com a ajuda do papel e deixe repousar coberto por alguns minutos. Cubra com a cobertura na hora de servir.

Dica: deixe a massa enrolada com papel ou uma toalha limpa até a hora de servir, desse modo evita que o rocambole fique seco demais.




Brigadeiros de limão e de chocolate


Brigadeiro de limão:

200 ml de leite condensado
200 ml de leite desnatado
1 colher de sopa de manteiga
suco e raspas de meio limão verde

Brigadeiro de chocolate:

200 ml de leite condensado
200 ml de leite desnatado
1 colher de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de cacau em pó

Como:

Primeiro faça o brigadeiro de limão e deixe esfriar para rechear. Leve os leites, a manteiga, o suco e as raspas de liµao ao fogo médio e com uma colher de pau mexa até que a mistura ferva. Deixe cozinhar por mais 10 a 15 minutos ou até que a mistura engrosse e cubra a colher com uma camada grossa de creme. Retire do fogo e deixe esfriar. Repita a operação na hora de fazer o brigadeiro de chocolate.



Como era de se esperar o rocambole foi um sucesso aqui em casa, acabou em tempo recorde, sem chance de sobras para fotografar amanhã. Foi tudo num instante e as crianças já pediram bis.

Moira, feliz aniversário para o Tertúlia... e obrigada pela receita!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Gelatina de leite de coco com salada de kiwi e tangerina



Meus dias estão uma loucura, uma confusão atrás da outra, fim de ano, festas, festas e mais festas, reuniões, conferência de pais na escola, feira de natal, AIG, sim o presente do AIG foi postado hoje, ufa, uma semana só para empacotar. Estava tudo pronto mais foi tanta confusão para decidir como empacotar e depois da confusão, a dúvida. O pacote ficou pesado demais, frágil demais, eu estava insegura, vai quebrar tudo, amassar tudo, destruir tudo e fui refazer. E o pacote ainda custou mais caro do que os presentes, sim, e olha que o presente em si custou bem mais do que o mínimo sugerido, mas o pacote custou muito mais do que o presente. Uma loucura o preço dos correios, enfim, agora isto é passado, estamos em festa, eu adoro pacotes. Espero que agrade as presenteadas...



Estou as voltas com um outro evento, o aniversário de um blog português que eu adoro, será que vocês adivinham qual é? E talvez ainda volte mais tarde com minha surpresa para a Moira. Mas eu tinha esta gelatina de leite de coco pronta para publicar e resolvi soltar tudo logo. Nada de guardar postagem. Esta gelatina poderia ser chamada de panna cotta, uma falsa panna cotta já que não leva creme, apenas leite e leite de coco. Fácil, leve e perfumada. Como dá para ver eu adicionei raspas de meia fava de baunilha o que deu um tchan no sabor do leite de coco. Eu gosto de adicionar baunilha em tudo, sou totalmente fascinada por esta fava...



Eu coloquei as gelatinas em xícaras, mas desenformei na hora de servir. Para acompanhar eu fiz uma saladinha de kiwi e tangerina que fez um par maravilhoso com o sabor do leite de coco e baunilha. Mas dá para servir nas xícaras mesmo e fica uma espécie de falsos "potes de creme". Desenformar é facílimo, basta passar uma faquinha na borda da xícara e enfiar o fundo da xícara na água quente. Dá uma balançadinha, vira num prato e ela sai sem problemas. Se não quiser sair molhe um pouco mais ou sacuda com um pouquinho mais de força...



Gelatina de leite de coco com salada de kiwi e tangerina


200 ml de leite de coco integral
400 ml de leite desnatado
125 ml (meio copo de 250ml) de açúcar
raspas de meia fava de baunilha (use extrato se preferir)
3 colher de chá de gelatina em pó ou 3 folhas
3 kiwis picadinhos
3 tangerinas picadinhas

Como:

Numa panela de fundo grosso coloque o leite de coco, 350 ml do leite, as raspas de baunilha (se for usar extrato adicione no final) e o açúcar cozinhe em fogo médio até ferver. Enquanto o leite cozinha amoleça a gelatina no leite restante. Se for usar folhas de gelatina amoleça-as em água. Quando a mistura de leite de coco ferver retire a panelinha do fogo e adicione a gelatina amolecida e mexa bem para dissolver a gelatina totalmente. Volte a gelatina ao fogo se precisar de mais calor para dissolver. Distribua a mistura em tacinhas ou xicaras de café. vidro. Deixe esfriar e leve para gelar por pelo 3 horas antes de servir. Sirva com uma salada feita de kiwis e tangerinas.


Rende 6 porções.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Chocolate em dose dupla para levantar a moral...



Não precisa dizer muito. Para entendedores meia palavra basta, ou melhor, meia frase basta: chocolate... moral... vida melhor. Sim, para mim a vida melhora com chocolate. Em todos os sentidos. Aqui, nesta esquina do planeta, nada pode ser mais revigorante para enfrentar dias gelados e escuros, muito escuros. São quase nove da manhã mas a noite insiste em ficar por aqui e me fazer companhia. Eu não consigo tomar café da manhã enquanto o dia não clareia. Fiquei assim de repente, deixei de ter vontade de comer enquanto está escuro lá fora, simplesmente não rola. A fome só chega quando o dia raia de verdade. E ainda estamos no meio de novembro, daqui até o final de dezembro ainda tem muito chão para o escuridão... Chocolate nela, chocolate e doces de ovos, muitos ovos com chocolate...



O bolo é aquela coisa de sempre, uma mousse (chocolate com ovos e manteiga) assada que vira um bolo tipo fondant que é um sonho de inverno pois é denso e melhor se comido quente. Mas pensando melhor, bolo de chocolate escuro denso se encaixa perfeitamente em qualquer situação da vida. Assim como um suspiro de chocolate amargo. Faz tempo que vinha tentando achar a fórmula do suspiro de chocolate perfeito, e achei. Aqueles suspiros com cacau em pó puro ficam bons, mas amargam de um jeito que as crianças não aceitavam. O segredo é usar uma bela barra de chocolate na mistura de claras e açúcar e deixar o pó de cacau de lado. Ficou uma coisa de louco e consegui fazer as crianças gostarem de suspiro de chocolate. Finalmente um suspiro de chocolate para arrebatar multidões, se joga...



Bolo fondant de chocolate

125 gramas de chocolate amargo (usei com 70% de cacau)
100 gramas de manteiga (usei com sal)
3 ovos
1/2 copo de 250ml de açúcar (use mais ou menos se preferir, mas não muito menos)
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 colher de chá de extrato de baunilha, um pouco de café forte ou licor de sua preferência(opcional)

Como:

Aqueça o forno a 180C. Unte quatro forminhas individuais refratárias para suflê ou pudim ou um refratário pequeno com manteiga, salpique um pouco de açúcar e reserve. Em banho maria derreta o chocolate com a manteiga. Bata os ovos com o açúcar até incorporar bem. Adicione a baunilha, café ou licor se for usar e bata para incorporar. Adicione a mistura de chocolate e manteiga e bata para incorporar. Por fim adicione as duas colheres de farinha para dar uma liga. Mexa até incorporar e distribua a massa nos potinhos ou no pote preparado. Leve para assar por uns 20 minutos ou até que enfiando um palito ele saia seco. Sirva com uma bela colherada de iogurte.

Cuidado para não assar demais e secar muito o bolo.

Rende 4 porções pequenas



Suspiro de chocolate dos meus sonhos


3 claras (cerca de 90 gramas)
1 copo de 200ml de açúcar (cerca de 180 gramas)
80 gramas de chocolate amargo (usei com 70% de cacau)

Como:

Forre duas formas grandes com papel manteiga e reserve. Derreta o chocolate em banho maria e deixe esfriar. Misture as claras com o açúcar e comece a bater com um batedor de mão num pote sobre banho maria até que a mistura alcance cerca de 60C no termômetro. Usei termômetro de carne mesmo pois não tenho de doce. Se você souber a temperatura que precisa enfie o termômetro de assados (lavado, claro!) no açúcar e confira, não é a melhor solução mas ajuda. Remova do banho maria e com uma batedeira bata bem até formar um suspiro duro mas não muito seco (eu deixei secar um pouco demais). Adicione por fim o chocolate derretido e com uma espátula mexa suavemente para incorporar o chocolate sem que as claras não percam volume. Mexa até incorporar totalmente. Se por acaso você bateu demais a massa do suspiro vai começar a secar nas bordas, mas não se desespere, prossiga transfirando para um saco de confeiteiro e forme suspiros no formato que desejar nas formas preparadas. Eu fiz uns círculos que cresceram demais e ficaram com cara de outra coisa. Se preferir faça bolinhas com uma colher ou corte a ponta de um saco plástico e forme apenas umas pontinhas no papel.

Asse a 140C se forem suspirinhos bem pequenininhos, ou 150C se forem maiories, por 10 minutos. Quanto mais baixa a temperatura menor a chance dos suspiros racharem ou quebrarem. Quando prontos os suspiros soltam do papel sem nenhuma dificuldade.

Rende cerca de 50 suspiros grandes.

Obs. A quantidade de açúcar é normalmente duas vezes a de claras. Então calcule a partir da quantidade de claras que você tenha disponível no momento.


domingo, 15 de novembro de 2009

Mousse de laranja e graviola com a cabeça no Rio...



Com a cabeça no Rio eu fiz esta mousse. É que em fevereiro estarei no Brasil, dividindo o curto mês de fevereiro entre Rio e São Paulo. Claro que vou passar o Carnaval no Rio e isto é tudo o que eu sei sobre a viagem até o momento. Com a passagem na mão eu fico bem mais relaxada para gastar meu estoque que brasilidade todinho. Vou viajar sozinha o que significa que na volta não vou poder encher e trazer o mesmo volume de coisas já que Per é o grande incentivador e carregador de tralhas. Mesmo assim eu estou gastando por conta, bebendo mate todos os dias, cozinhando e bebendos os licores, moendo as castanhas e me enchendo com a melhor goiabada caseira que Minas Gerais pode produzir com queijo graddöst. Goiabada é definitivamente minha pièce de résistance, como dizem os franceses.



Em meio a tantos exageros fiz uma moussezinha onde a estrela é um licorzinho de graviola singelo que eu trouxe do Ceará onde, infelizmente, não irei visitar desta vez. O Brasil é um gigante e nem de longe eu posso visitar todos os cantos que eu gostaria. Mas acho que dá para comprar ou encomendar os licores e cachaças do Artesanato Mamulengo pela internet sem qualquer problema. As garrafas do Mamulengo são o máximo, feitas por artesãos de todo o Ceará, mas o maior dificuldade para carregar com as terríveis regras de segurança dos aeroportos. Ô inferno.



Esta receita não tem nada mais, é uma mousse de laranja bem básica, uma receita batida que se acha em todo canto, onde ao invés do tradicional licor de laranja eu adicionei uma bela talagada de licor de graviola. O resultado é uma mousse mezzo cítrica com uma sabor ligeiramente diferente, puxadinho, que vem da graviola. Graviola combina muito bem com cítricos e na minha opinião a mousse ficou fantástica. Mas o importante é que o interessado aprovou o sabor. É que eu fiz 16 porções, 12 foram congeladas para a festa de aniversário de um menininho muito especial que vai acontecer no final do mês (sim a produção para o mês das festas de aniversário já começou!) e as outras quatro foram devidamente devoradas durante o final de semana.



Mousse de laranja e graviola


300 ml de suco de laranja fresco (cerca de 3 laranjas)
raspas das 3 laranjas
6 ovos separados
125ml (meio copo de 250ml) de açúcar + 1 colher de sopa
150ml de creme de leite
80 ml de licor de graviola (use de laranja ou de limão se preferir)
2 colheres de sopa de amido de mandioca (que nada mais é do que polvilho doce)

Como:

Batas as claras em neve com uma colher de sopa de açúcar até ficarem bem duras. Num outro potte bata as gemas com meio copo de açúcar e o amido de mandioca até esbranquiçar. Adicione o suco de laranja, as raspas e o licor de graviola às gemas e bata bem. Leve a mistura ao fogo médio e mexendo sempre cozinhe até que engrosse, mas não deixe ferver de jeito nenhum. Retire do fogo. Coloque a mistura de gemas ainda quente num pote com água e gelo e vá adicionando as claras à mistura de gemas em partes para não perder volume. A coisa de colocar as gemas sobre água com gelo evita que as duas partes da mistura se separem posteriormente. Leve isto a sério.

Quando a mistura estiver homogênea, sem sombras de claras, nem de gemas, separadas na mistura deixe-a de lado e bata o creme de leite até formar um chantilly bem duro. Adicione o creme à mistura mexendo bem suavemente, com uma espátula ou colher de pau até incorporar. Distribua em potinhos e leve ao freezer. Se não congelar direto a mistura se separa e aí fica com uma aparência bem esquisita.

Rende de 12 a 15 porções, dependendo do pote. Eu fiz 12 potinhos para a festa e mais quatro taças para o jantar...


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Orgânicos e a agricultura familiar, um texto que eu estava devendo...

Horta orgânica em município do Estado do Rio Grande do Norte


Faz tempo que eu venho ensaiando um texto sobre alimentos orgânicos que possa servir de referência para autores de blogs e sites em língua portuguesa interessados na questão da produção de alimentos orgânicos e este aqui é o primeiro de uma série de pequenos artigos que virão onde eu pretendo tocar nas muitas questões que circundam o tema "alimentos orgânicos". Eu tropeço no tópico "orgânicos" em todos os cantos da internet mas encontro muitos problemas em quase todos. É que ao mesmo tempo em que se fala muito de produtos orgânicos há muitas informações erradas, simplórias e até mesmo contraditórias e o assunto permanece pouco claro.

As informações divulgadas através da grande imprensa são, na maior parte das vezes, ainda piores pois além de extremamente parciais são repletas de preconceitos e juízos de valor fato que não ajuda ninguém a entender os benefícios da agricultura orgânica. De uma maneira geral o grande público concorda que a agricultura orgânica é melhor do que a agricultura convencional, mas não sabe dizer porque. Durante muito tempo os benefícios da agricultura orgânica apareciam apenas quando a grande imprensa relatava os perigos e o excessivo uso de agrotóxicos nos alimentos agrícolas.

Filhos de agricultores familiares da comunidade rural de Teixeira, no município sertanejo de Rafael Godeiro (RN), cultivam horta agroecológica e sentem orgulho de viver no campo.


As coisas funcionam mais ou menos assim, o povo ouve falar da agricultura orgânica (hoje em dia mais do que nunca) mas continua sem saber bem do que se trata exatamente e quais são os benefícios desse tipo de agricultura. Quando a pessoa vai ao mercado atrás dos alimentos orgânicos a primeira coisa que chama atenção é o preço desses alimentos e muita gente não ultrapassa a barreira dos preços, ou seja, não dão uma chance real aos orgânicos pelo simples fato deles custarem mais caros do que os produtos convencionais. A alienação continua em função da barreira do preço.

Por causa do preço, que na realidade não é mais alto na maior parte do país, o grande público continua a desconhecer os benefícios e, até mesmo, a definição de agricultura orgânica. Explicando orgânico é o sistema de produção agrícola que exclui o uso de aditivos agrícolas, i.e. fertilizantes sintéticos, agrotóxicos diversos, pesticidas e aditivos alimentares sintéticos para animais. A agricultura orgânica baseia-se no uso de estercos animais e matérias orgânicas no lugar de fertilizantes e adota práticas como a rotação de culturas, compostagem, controle de pragas e doenças através da harmonização de culturas. Por exemplo, no caso do algodão orgânico cultivado em determinadas regiões do Brasil a colheita é protegida contra pragas com a plantação de diversos tipos de legumes ao longo dos pés de algodão que protegem contra grande parte das pragas.


Jovens do assentamento Ursulina, na zona rural do município de Caraúbas (RN), cuidam do viveiro de mudas implantado a partir das ações financiadas pela Diaconia, União Européia e Tearfund.

Os motivos mais comuns que levam ao consumo de alimentos orgânicos são as características desses alimentos, muito mais saudáveis do que os alimentos produzidos pela agricultura convencional pelo fato de serem livres de agrotóxicos e agentes químicos. Não que uma laranja orgânica tenha mais vitamina C do que uma laranja convencional. O poder nutritivo não se altera, mas a qualidade sim, já que o produto orgânico é mais saudável para consumo por estar livre de aditivos químicos. Um outro fator importante em relação aos alimentos orgânicos é que eles são produzidos de forma ecológica e muito menos danosa à natureza já que os dejetos da agricultura convencional poluem rios e outras fontes de recursos hídricos e contribuirem para o aquecimento global sendo a agricultura convencional a principal emissora do dióxido de nitrogênio na atmosfera.

Mas na minha opinião há no Brasil um motivo ainda mais importante para justifica o consumo de produtos orgânicos, o fato de 80% da agricultura orgânica brasileira ser produzida pelas pequenas propriedades de agricultura familiar. O aumento no consumo de orgânicos é uma forma direta de apoio à agricultura familiar apoio esse que é fundamental para a sobrevivência da agricultura familiar um setor extremamente importante no desenvolvimento sustentável do Brasil e para o desenvolvimento de um país mais justo. Por trás do sucesso da agricultura familiar estará uma sociedade muito mais justa e feliz. A valorização da agricultura familiar contribui é uma forma de defesa da vida como um todo já que a valorização das pequenas propriedades de agricultura familiar e orgânica contribui para a melhoria da vida no campo, a valorização da vida nas áreas rurais do país, contribui para a fixação das famílias no campo, desestimula a migração que causa o inchamento das cidades e a consequente concentração de terras nas áreas rurais de todas as regiões do país.

Hortaliças agroecológicas cultivadas por jovens da comunidade Teixeira, no município de Rafael Godeiro, reforçam alimentação da família e servem de motivo para permanência do jovem no campo.

De acordo com cientistas da Embrapa e dados da Pastoral da Terra a agricultura familiar é hoje o setor mais produtivo e mais ameaçado da agricultura brasileira. Para se ter uma idéia, o censo agropecuário publicado pelo IBGE em 2008 mostrou que apesar de deter apenas 24,3% da área agrícola brasileira, a agricultura familiar é responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do gado suíno, 50% das aves, 30% dos bovinos e 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar no censo de 2008, como era de se esperar é a soja (16%) produto símbolo das grandes empresas do agronegócio. E, como mencionei acima, agricultura familiar é responsável por 80% da produção orgânica e responde por 10% do PIB nacional.

Além de produzir em uma reduzida área, a agricultura familiar ainda recebe um volume muito pequeno de recursos públicos. De acordo com a Pastoral da Terra, em 2008 a agricultura familiar recebeu 13 bilhões de reais enquanto o agronegócio abocanhou cerca de R$100 bilhões de reais. Sem apoio ostensivo do governo a agricultura familiar e orgânica vai permanecer pobre e marginal apesar de sua importância, seu peso econômico, seu papel social e dos benefícios que a produção agrícola sustentada oferece a toda população. Além disso a agricultura familiar é a principal geradora de empregos no campo.

Feira orgânica organizada pelo PAAF (Programa de Apoio a Agricultura Familiar)


A medida que a agricultura familiar perde espaço aumenta a concentração da terra, as fazendas comerciais e a expansão do agronegócio levando a degradação das condições de vida dos trabalhadores do campo já que as grandes unidades do agronegócio concentram os casos de exploração de trabalho escravo e as péssimas condições de trabalho.


Para Malvezzi, da Pastoral da Terra, " saber produzir comida é uma arte... o Brasil ainda tem agricultores que detém a arte de plantar e produzir comida. No norte e no nordeste são mais as tradições negra e indígena. No sul e no sudeste mais a tradição européia de italianos, alemães, polacos etc. É preciso ainda considerar a presença japonesa na produção de hortifrutigranjeiros nos cinturões das grandes cidades. Preservar esses agricultores é preservar o "saber fazer" de produtos alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro na sua totalidade sofrerá com essa ausência".


Curso de apicultura orgânica para agricultores que participam do PAAF no Estado do Rio Grande do Norte


Para que a agricultura familiar continue a crescer é fundamental a ajuda de todos nós. Por isto compre alimentos orgânicos, se você já compra de vez em quando passe a comprar regularmente, cheque a origem e pague por eles pensando que está ajudando a construir um Brasil melhor, mais justo. Se você costuma ir ao supermercado passse a frequentar os mercados dos produtores, os horti-frutis abastecidos pelos produtores rurais da agricultura familiar, os sacolões e feiras livres. Evite frutas e legumes de supermercados, quando você protege a agricultura familiar do Brasil você está protegendo a produção agrícola artesanal, a vida no campo, os produtos orgânicos e a sua saúde física. Vamos proteger a agricultura familiar brasileira e para isto precisamos fazer a nossa parte, não apenas esperar que políticas públicas e que os políticos defendam a pequena agricultura. Devemos agir e cobrar medidas de proteção e estímula a agricultura orgânica familiar, mesmo que seja através do subsídio como é feito nos EUA e em toda a Europa.

Para concluir eu gostaria de frisar que me entristece imensamente ler em determinados blogs e sites brasileiros texto onde as pessoas reclamam dos altos preços dos produtos orgânicos em São Paulo e no Rio de Janeiro por exemplo. Eu não veria nenhum problemas se essas mesmas pessoas não gostassem de exibir em seus blogs e sites livros, equipamentos e produtos alimentícios importados caríssimos. Acho que um pouquinho de consciência e de inteligência nessa hora faz bem para a saúde e o paladar de todo mundo. Tudo é uma questão de prioridades, algumas pessoas ainda consideram mais importante exibir equipamentos importados e cozinhar com frutinhas importadas a pagar um pouco mais e servir em casa comida orgânica produzida pelo setor mais importante da economia brasileira, nossas micro, pequenas e médias propriedades de agricultura orgânica familiar.

Gostaria de lembrar que eu escrevo com os olhos voltados para o Brasil e público brasileiro, tendo em vista a realidade da economia e da sociedade brasileira. Mas espero poder contribuir para o público interessado nessas questão fora do Brasil, em Portugal, Angola, Moçambique e os demais países de língua portuguesa.

José Ribamar, agricultor familiar do município de Dr. Severiano, na região semi-árida do Rio Grande do Norte, usa água da cisterna para aguar a horta no quintal de casa e para as galinhas.

Fotos do PAAF(Programa de Apoio à Agricultura Familiar) da ONG Diaconia.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Revelações, biscoitos e bacalhau em pó japonês



Os últimos dias foram surpreendentes, entre outras coisas descobri com pesar que Per é alérgico a castanha do Brasil. Ele comeu uns dois macarons, falou que o sabor estava diferente, estranhou e não me falou mais nada. Como eu tinha um pacote de castanha do Brasil em casa resolvi usar estas castanhas em algumas outras receitas. Já tinha feito os macarons, os crocantes do sorvete de pera (feitos com os pedaços maiores das castanhas, aqueles que não passaram pela peneira) e anteontem eu fiz um biscoitinho de baunilha e castanha do Brasil que ficou uma maravilha e foi aí que recebi a notícia.



Eu desci da cozinha (que fica no andar de cima) e coloquei um prato lindo com os biscoitos na mesa, de frente para ele. Ele pegou um biscoito mas, antes de colocar na boca, perguntou (e ele nunca pergunta nada antes de comer) "são feitos com o que?" E eu com cara de susto, devia estar com cara de susto, respondi a pergunta com outra: "como assim feitos do que?" e ele: "o que você colocou nestes biscoitos?" E eu, quase impaciente: "castanhas do Brasil, baunilha, manteiga, açúcar..." e ele me interrompeu e falou: "eu não posso comer essas castanhas, minha boca ficou dormente na hora quando eu comi o outro (os macarons)". A dormência é a primeira reação que ele tem quando fica alérgico, quando come pêssegos por exemplo, fruta a qual também é alérgico. Conclusão, nada de castanhas do Brasil para o meu amor...



Mas eu vou fazer mais destes biscoitinhos até o final do ano já que ficaram ótimos, mas não vou poder oferecer ao meu querido, assim como todas as demais delícias de castanha. Fiz um pudim com leite de castanhas do Brasil e o resultado acabou em fracasso pois sobrou quase inteiro já que eu não estou querendo comer muito e as crianças também não se animaram. Talvez eu publique um dia desses. O biscoitinho eu também servi com compotinha de maças, e também comi os últimos macarons com a mesma
compotinha de maças.



Adoramos a compotinha de maças picadinhas, serve para um monte de coisas e ficou linda como recheio para estes macaronzinhos, ainda que fiquem um pouquinho molhadinho já que o doce é pura calda.


Biscoito de baunilha e castanhas do Brasil


100 gramas de manteiga em temperatura ambiente
80 gramas de açúcar
40 gramas de castanha do Brasil torrada
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
Raspas de meia fava de baunilha ou um colher de chá de extrato puro
130 gramas de farinha de trigo
1 ovo

Como:

Misture a manteiga com o açúcar, a farinha de castanha, o bicarbonato e a baunilha (raspas ou colherada) e bata bem até formar uma massa homogênea. Adicione a farinha, aos poucos e com uma colher de pau mexa para incorporar. Adicione por fim o ovo e mexa até incorporar. Coloque a massa num saco de confeiteiro com um bico de estrela médio faça círculos de massa numa forma forrada com papel manteiga, ou um daqueles tapetinhos de silicone, deixando espaço de 2cm entre cada biscoito pois eles vão dar uma inchadinha, mas não muito. Asse em forno pré-aquecido a 200C por 7 a 8 minutos ou até que as bordinhas do biscoito fiquem douradas. Retire do forno mesmo que o biscoito ainda esteja molinho e deixe esfriar na forma antes de remover que ele vai endurecer.

Rende 40 biscoitos.



Eu resolvi colocar um pouco da compotinha de maças no biscoito e provar e ficou tudo de bom. Como na postagem anterior, eu salpiquei uma paçoquinha de amêndoas bem torradinha sobre as maças. Se preferir experimente usar uma paçoquinha de amendoim...



Outro dia eu mencionei o bacalhau em pó cor de rosa japonês que eu amo e resolvi apresentar umas fotos do pózinho rosa para matar a curiosidade de certas garotas. Eu não anotei o nome em japonês que a minha amiga falou ao telefone e não consigo me lembrar agora. Preciso voltar a consultar minha fornecedora deste pózinho de bacalhau cor de rosa, minha amiga Noriko, que me traz vários pacote sempre que volta de Tóquio.



Eu provei este peixe em pó pela primeira vez num almoço na casa dela preparado por estudantes japoneses que vieram participar de um congresso e ficaram hospedados na casa da minha amiga. Eles prepararam um almoço simples onde serviram como entrata um pratinho pequeninho de arroz com cogumelos, algas secas e este pózinho mágico por cima. Eu comi e repeti diversas vezes o pratinho de arroz e fiquei totalmente enfeitiçada pelo pó de bacalhau. É o típico condimento japonês, uma alternativa simples que torna um produto caro (bacalhau importado) viável para uma grande quantidade de pessoas de uma forma que o povo japonês adora: pó de peixe salgado.



Eu infelizmente não fotografei nenhuma receita minha com o tal pó de bacalhau, já falei que por uma infinidade de motivos eu simplesmente não consigo fotografar pratos salgados, mas prometo fotografar da próxima vez que fizer. Fica ótimo sobre sopas, saladas e arroz. Dá um tom totalmente japonês a qualquer prato.

domingo, 8 de novembro de 2009

Pudim de tapioca com leite de coco, amburana e uma compota de maças...



Eu andava com o estômago meio sensível e fui fazer meu remédio favorito para aliviar estômagos sensíveis: um mingau de tapioca com amburana. Sou meio viciada em mingau com amburanas já que essas maravilhosas sementinhas são uma maravilha para o estômago. Em geral eu não uso nada além de leite e um pouquinho de açúcar. Quando quero servir como sobremesa eu adiciono leite de coco. Desta vez usei um leite de coco integral e ficou muito bom. Tenho usado leite de coco de baixa calorias em quase todas as receitas mas o leite de coco normal é bem melhor. Um milhão de anos mais perfumado e saboroso.



Eu comi o primeiro prato ainda quente e bem líquido, da panela para o prato, com canela em pó, o par perfeito para dar uma revigorada no meu estômago. O resto eu dividi em potinhos e levei para gelar. O amido da tapioca endurece e forma um pudim macio maravilhoso. Com os potinhos na geladeira há mais de 24 horas eu ainda não sabia o que fazer o pudim para acompanhar o ultra suave pudim. Até que saracutiando pela aí eu vi essas maçazinhas aqui e enlouqueci e preparei minha versão pensando numa compota de maças que eu comia na casa da minha avó materna.




Pudim de tapioca, leite de coco e semente de amburana de cheiro


1 litro de leite desnatado
500 ml de leite de coco
1/2 copo de 250 ml de açúcar (use a quantidade que preferir)
12 sementes de amburana de cheiro
1/2 copo de 250ml de pérolas de tapioca

Como:

Numa panela grande de fundo grosso coloque o leite, leite de coco, açúcar, tapioca e as sementes de amburana de cheiro e cozinhe em fogo médio mexendo o tempo todo para evitar que grude no fundo da panela. Quando ferver reduza o fogo e deixe cozinhar até que as pérolas fiquem transparentes e macias, de 15 a 20 minutos. Com uma escumadeira retire as sementes de amburana e descarte-as. Distribua o creme em potinhos deixe esfriar e leve para gelar. Se, como eu, você preferir sirva quente, ou morno, com canela em pó ou compota de maças salpica de paçoca de amêndoas.

Rende 6 porções


Compotinha de maças
Inspirada nessa compotinha aqui

6 maças descascadas e picadas em pedaços bem pequenos
1 xícara de açúcar (use mais ou menos se preferir)
1 colher de sopa de suco de limão
1 xícara de água
1 pau de canela
1 a 2 colheres de chá de canela em pó

Como:

Coloque o açúcar num pote e vá adicionando as maças ao açúcar enquando pica e mexendo para não escurecerem. Quando todas as maças estiverem picadas adicione o suco de limão e mexa com uma colher para distribuir o suco pelo açúcar e frutas. Coloque a mistura de maças, açúcar e limão numa panela de fundo grosso, adicione a água e as canelas e deixe ferver em fogo médio. Quando ferver reduza o fogo e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos ou até que as maças estejam bem transparentes e a calda esteja levemente reduzida e tenha engrossado. Retire do fogo, transfira para um pote de vidro de deixe esfriar. Quando estiver fria coloque uma colherada generosa da compota sobre os potinhos de pudim e salpique com paçoquinha de amêndoas picadas.



Obs. Se preferir use raspas de uma fava de baunilha no lugar das sementes de amburana, mas a baunilha não tem o mesmo poder revigorante para o estômago que a amburana.