domingo, 8 de março de 2009

O nosso peixe de sábado: ceviche de salmão



Nas noites de sábado, depois que as crianças foram dormir, eu e Per costumamos comer algum prato de peixe que as crianças em geral não tragam de jeito nenhum. Pratos com ovas ou peixes crus como sushi, sashimi ou ceviche. As crianças aqui em casa tem um problema com peixes não empanados e não enlatados. Todos os peixes que não são 'a milanesa', nem sardinhas ou atum em lata, elas só comem obrigadas, sob ameaças de retaliações. Ou melhor, sanções, exatamente como o Bush fazia e o Obama resolver continuar fazendo com o Zimbabwe (mas isto é conversa para outra postagem). É aos sábados que preparamos algumas delícias para dois. Ontem comemos um prato que nós dois amamos: ceviche de salmão, feita com um salmão norueguês fresquíssimo.

Ceviche é um prato que, apesar de ser peruano, eu comi muito no Chile feito com trutas, robalo e claro, com o salmão chileno bem fresco. A primeira vez que eu comi ceviche foi na casa do meu querido amigo Jorge Medeiros, de quem eu falo sempre, que me apresentou a muitos pratos diferentes e eu tinha pouco mais de 20 anos. Uns anos mais tarde, ele fez numa festa na casa dele e serviu ceviche de bife, filet mignon cru cozido no molho de limão e cebolas. Foi amor a primeira vista. E eu ainda não morria de amores por carne crua até então. Naquela época o carpaccio ainda não tinha chegado aos restaurantes brasileiros e comer carne fatiada crua não era coisa muito comum. O Jorge vivia esquiando no Chile e na Argentina e tornou-se um grande conhecedor da cozinha Andina.




Ceviche de Salmão para duas pessoas

400 gramas de filé de salmão fresco (nada de defumado)
1/2 cebola pequena picada em pedaços bem pequenos
1 tomate grande picado bem pequeno
1/2 pepino japonês (ninja) picado em pedaços bem pequenos
3 colheres de azeite de oliva extra virgem
2 limões verdes mas maduros (que dizer nada de limão amarelo)
Sal e pimenta do reino a gosto
Salsa, coentro ou endro a gosto

Como:

Corte as fatias do filé de salmão bem finas e arrume-as um prato raso. Não precisa ser assim, mas este é o jeito que eu gosto de fazer.

Esprema o suco dos dois limões num potinho e com a colher banhe as fatias de peixe com o suco até que o peixe esteja totalmente regado com o suco. Se preferir esprema os limões direto sobre o peixe. Adicione o azeite, sal e pimenta e deixe o peixe descansar por uns 3 minutos.

Adicione a cebola, o tomate, o pepino picados e as ervas e sirva imediatamente.

Obs. O peixe vai perder a cor depois que o limão for adicionado já que o limão vai 'cozinhar' a carne do peixe causando a mudança de cor.


O peixe já banhado em limão, com azeite, sal e pimenta



Já com tomate e cebola picadinhas



E com uma camadinha de pepino...



Para acompanhar um molhinho de coalhada (creme azedo) com azeite, sal, pimenta e pepino. Eu acho que molhos azedos combinam com salmão;



e o melhor pão que você tiver em casa. O meu não era o melhor, mas era o que mais estava com vontade de comer, uma pequena seleção de pães suecos. Eu não morro de amores por pão sueco mas de vez em quando me dá vontade de comer.



E as quatrocentas gramas de peixe foram mais do suficientes para abastecer o casal de esfomeados. Ainda sobrou uma rebarba.

8 comentários:

Alcina disse...

Lindo esse prato, tão colorido e bem saudável me parece, bem mais do que as minhas alheiras hehe.
Claudia se quiser ver o que são alheiras veja lá no meu blog na etiquetas enchidos/fumeiro e verá as alheiras da minha perdição, é um enchido tradicional do norte de portugal, que não leva carne de porco, normalmente é feito de carne de aves.
"Segundo a tradição, este enchido terá sido criado por cristãos novos que, em segredo, continuavam a guardar costumes da sua renegada religião judaica, a fim de dar a entender a toda a sociedade que eram cristãos assumidos e bem integrados. Como o judaísmo proíbe o consumo da carne de porco, alguns dos supostamente recém convertidos teriam inventado um chouriço onde discretamente a carne de ave substituía a carne de porco, tradicional entre os cristãos. Desta forma, nas primeiras alheiras foram usadas várias carnes alternativas ao porco, tais como vitela, coelho, peru e galinha"
Desculpe o testamento, mas como disse não saber o que é...
Se quiser provar terá que vir cá a portugal hehe ou pedir para mim que eu envio praí.
bjinhos

Moira disse...

O pedacinho que sobrou pode ser para mim? Eu adoro isso, mas nunca fiz, como sempre no restaurante japones. Vou copiar a sua receita para fazer num destes dias.
Bjs
Moira

Magia na Cozinha disse...

Um programinha a dois para comer uma coisinha que ambos apreciam é muito gostoso.
Eu tb não como carnes cruas, mas achei muito elegante o aspecto do prato. O molho deve dar um toque realmente especial.
Bjs :)

Isabel disse...

Cláudia, sabe que nunca tive vontade de comer pratos feitos com carnes cruas? É puro preconceito, eu sei. Se calhar se provasse iria gostar. O teu ceviche tem tão bom aspecto que era capaz de provar!
Bjs

Glau disse...

mandavam ver no peixe, hein? Pergunta de curioso mesmo: e pra beber, o que vcs tomaram? :)

bjo Clau e bjo pro Per

Adriana Good disse...

Achei seu blog quando estava pesquisando no google sobre receitas de ceviche de salmão e achei muito legal a forma descontraida e leve de passar receitas. Estava a procura do ceviche de salmão em cubos parecido que tinha comido em um restaurante Japa, mas este tem um visual apetitoso e vou tentar fazer e oferecer para o marido no jantar. Este prato é leve e depois poderemos ter uma boa noite sono.
Valeu Claudia
bj
Adriana Good

Vinícius Martins disse...

Perdoe a intromissão.
O cebiche, como um prato de origem tracinalmente paruana (é o prato nacional do peru) tem de ser preparado com peixe de carne branca e sem gosdura (robalo, badejo, linguado, etc). Claro que com a universalização do prato, outras variantes surgiram, mas como um tradicionalista (que preserva ao máximo a origem do prato) fui obrigado a fazer esse comentário.
Sou tão tradicionalista que inclusive cultivo em minha casa o rocoto e o aji amarillo que são as pimentas que integram o prato e sem elas a diferença é enorme.
No mais o prato ficou muito bonito é uma variante muito interessante do cebiche peruano.
abraços

Claudia disse...

Vinicius, concordo com você... ceviche para ser chamada como tal precisa ser preparada de acordo, mas nem sempre temos os peixes os temperos indicados a mão...

A primeira vez que comi ceviche foi preparado por um amigo que tinha acabado de voltar do Peru... mas comi no Chile feito diversos peixes, temperos diferentes e com nomes diferentes também... todos ótimos...

Minha ceviche é mera tentativa de criar algo semelhante e uso o nome para reforçar o vínculo com o prato andino!

Abs,

Cláudia

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...