sábado, 27 de dezembro de 2008

Para alegrar: tarte tatin de manga individuais



Cortando mangas hoje pela manhã eu cortei o meu polegar. Foi um corte fundo, dolorido e sanguinolento (não sei se esta palavra existe!?) mas não seria um corte na mão direita (eu sou canhota) que iria me impedir de terminar minhas tatinhas de manga. A coisa toda já estava começada e o forno aquecendo e eu precisava terminar. Precisei esperar um pouco, desliguei o forno e passadas umas duas horas lá fui eu atrás das mangas para recomeçar o processo. As tatinhas (tortas tatin pequenininhas) ficaram lindas e deliciosas pois as mangas estavam maduras e doces. O resultado depende bem da condição geral das mangas pois o caramelo que eu fiz é bem pouco doce.

A receita de tatin de manga virou coqueluche e está em todo canto. A primeira vez que eu comi foi a partir de uma receita da Carla Pernambuco. A receita que eu usei foi adaptada da receita publicada pela Bea do blog La Tartine Gourmande. Gosto das receitas dela, e já mencionei outras aqui, pois são eficientes, para poucas quantidades, bem pouco doces e muito leves, do jeito que eu gosto. Uma outra receita simples de tatin de mangas é da The Mango Association uma associação dos produtores e importadores de manga do Reino Unido.



O blog da Béa traz uma receita de massa folheada bem simples e fácil de fazer. Eu sou boa para fazer massas, massas folheadas inclusive, e sempre que fiz massas folheadas elas ficaram ótimas. No entanto, hoje eu usei uma massa pronta. Eu não gosto de usar massa folheada pronta porque eu acho elas muito ruins em geral. Aqui na Noruega eu acho elas ainda piores do no Brasil pois são super industriais, produzidas pelas marcas Findus (diga-se Nestlé) ou Sara Lee. Não existe um fornecedor caseiro de massa folheada como encontramos aos montes no Brasil. Mas hoje, por comodidade, por não conseguir esperar e por achar que as mangas iam estragar (desculpa) resolvi pedir ao Per para trazer um rolo de massa folheada da rua para eu fazer as tatinhas.

Mas, honestamente, não valeu a pena usar massa pronta, não mesmo. As mangas estavam ótimas, as tatinhas ficaram uma graça, o Per amou e eu comi feliz, mas a massa tinha gosto, sei lá, de plástico. Se você é como eu vai preferir o sabor da massa caseira feita com bastante manteiga e com suas próprias mãos. Apesar de levar tempo a massa folheada não é difícil de fazer e o resultado é tão superior, mas tão superior, que não justifica simplificar. O preguiçoso paga mais caro, não é mesmo. Mas se você preferir use massa pronta e relaxe.



Tarteletes Tatin de Manga (receita adaptada de diversas fontes)

3 mangas haden não muito maduras, brasileiras, colhidas na região de Juazeiro(BA) e Petrolina(PE) no Médio São Francisco
60 gramas de manteiga com sal
80 gramas de açúcar cristal
250 gramas de massa folheada
Raspas de limão (opcional)
Côco ralado (opcional)

Aqueça o forno a 200C. Enquanto isto derreta numa panela a manteiga e adicione o açúcar. Quando o açúcar tiver dissolvido adicione as mangas mexa para cobrir as frutas com a calda e deixe caramelar em fogo médio-alto por pelo menos 5 minutos. O tempo de caramelizar vai depender da quantidade de mangas que você está caramelizando. Eu usei 3 mangas grandes e tinha bastante líquido na panela para caramelizar e levei uns menos 10 minutos.

Depois que a fruta estiver pronta, levemente dourada, arrume uma camada generosa de fruta e cubra todo o fundo de uma pote individual de torta (sem fundo solto) ou potinhos de cerâmica ou de porcela, tipo ramekin. Transfira com cuidado as mangas caramelizadas para elas não se despedaçarem. Salpique um pouco de coco ralado sobre as frutas se preferir. Corte pedaços de massa folheada do tamanho exato, ou um pouco maior, da boca do pote e cubra toda a fruta com a massa. Pressione a massa para ela firmar e faça uns furos com a ponta de um garfo para deixar o vapor sair e a torta respirar. Leve os potes ao forno e asse por 10 minutos, então reduza o calor para 180C e asse por mais 15 minutos.

Sirva quente ou morno com sorvete de creme. Se preferir salpique raspas de limão.
Rende 4 tarteletes grandes.

Uma relação complexa: vítima e vilão (tirem as crianças da sala, imagens fortes!)


(O vilão: faca de cozinha de 23cm em aço molibdênio)


Não acredito em vilões, nem em vítimas; mas que eles são criados por nós, isso são. Tudo vira uma questão complexa de perspectiva. Mas uma coisa é certa, só existe vilão porque existe uma vítima e só existe vítima pois existe um vilão. Hoje eu fiz papel de vítima e doeu. Ainda dói. Meu vilão era de aço, tinha apenas 23cm e não nasceu para vilão, mas hoje foi, deixei ele acabar comigo. A maior decepção foi ter que voltar a usar minha velha faca com quem não me sinto segura e mas por hora muito mais a vontade. Covardia? Talvez. Ou pura decepção. Eu não esperava tamanho golpe. O duro é que ela, minha velha faca, já não presta para mais nada. Aquela tatin que eu planejava vai ser adiada até a dor passar um pouco.


(A vítima, tentando conter rios de sangue....)


Per defende que um corte no polegar da mão direita é um ato cheio de significados metafísicos. Um corte como este representa, de acordo com algum livro que ele leu recentemente, uma forma inconsciente de se auto-punir. Ele diz que cortes em geral representariam o desrespeito a regras pessoais, individuais. Um corte no polegar supõe o desrespeito aos meus valores intelectuais. Ele lê estas coisas num tipo de livros que eu não leio e não me interesso. Enfim, discordo totalmente. Não acredito em auto-flagelo inconsciente. Acho que os flagelos são conscientes mesmo, daí a idéia da vítima precisar achar um carrasco, um vilão. Mas eu tô exagerando, tá. Fazendo pouco.


(E depois de muito sangue derramado... Amigos para sempre? Até quando??)


Obs. Estava precisando de facas novas. Ganhei de presente no dia do Natal duas facas (23 e 29cm) e um amolador de facas de porcelana, mas não como presente de natal, foi um presente do Per apenas. Estávamos ambos loucos por facas.

Obs 2. Me cortei com a faca menorzinha, de 23cm, um xuxuzinho, cortando mangas para fazer um tatin. Tirei uma lasca do dedo o que me faz pensar que preciso de óculos. Foi um erro de visão e não da mão, acho eu. Preciso ir ao oculista.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Uma boa vida para todas vocês....



Feliz natal para todos porque é muito bom poder estar viva e festejar a vida. Porque o natal é nascer, é estar vivo, é estar ligado na importância de se viver bem, de uma boa vida. Por isso, boa vida para todos vocês.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (final): casadinhos de doce de leite



Esta semana foi uma loucura e eu não acredito que já acabou. Tudo foi super corrido que eu as vezes acho que está faltando alguma coisa. Mas não está, com esta receita de casadinho eu completo sete e encerro o meu projeto. Entre mortos e feridos salvaram–se quase todos exceto uma fornada de quindins que zicou. Aí eu preciso investigar para saber por que meus quindins grudaram no fundo e não saíram da forma de jeito nenhum. Foram todos devidamente comidos, claro, de colher. Mas por que grudaram?

O biscoito de hoje é um biscoitinho recheado que deveria ter sido recheado com goiabada ou uma geléia mas que eu, claro, alterei e usei doce de leite. Não estava numa de goiabada hoje e o povo daqui de casa gosta mais de doce de leite. Ficou uma delícia. A massa não estava muito doce e o não ficou enjoativo, afinal de contas biscoito recheado de doce de leite já deixa de cara a impressão de ser muito doce. Mas o doce de leite que eu usei é bem pouco doce também por isso ficou um sabor mais equilibrado.



Ainda não me acertei com a luz noturna e o tratamento de imagem, espero melhorar em 2009. Os biscoitos parecem um pouco verdinhos na foto, mas é só a foto, pessoalmente eles estão bem mais dourados e deliciosos.

Casadinhos de Doce de Leite (ou Goiabada) foi adaptado desta receita aqui mas eu usei doce de leite para casar ao invés do creme de chocolate (ganache) usado pelo Anquier. Salpiquei açúcar de confeiteiro de baunilha por cima e não pistache. Ficou super bom mas eu não sou muito fã de biscoitos, como já anunciei antes, e comi uns dois apenas com café.

Minha homenagem termina aqui e eu estou feliz por ter feito este esforço. Foi uma coisa que agradou outras pessoas muito mais do que a mim, já que eu não como muitos biscoitos e tudo o que assamos foi passado adiante na forma de presentes. Estou feliz pois compreendi o esforço e o prazer de servir as pessoas do jeito que elas gostam de ser servidas, não fazendo as coisas do meu jeito apenas. Espero que minha pequena homenagem tenha servido para iluminar um pouco os povos do norte. Desejo a todos vocês um feliz Natal. Estarei por aqui, do outro lado deste computador trabalhando e sempre que puder virei dar uns passeios pelo blog. Super beijo para todos (todas!).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (6): biscoito de côco com pedaços de chocolate



O dia de hoje foi uma loucura, correndo atrás de uma árvore de Natal, de presentes, na verdade de um presente específico para uma menina muito específica. Mas o lance da árvore de Natal nesta Noruega é muito louco. Se a pessoa não pode ir à floresta cortar uma árvore pessoalmente precisa comprar de alguém que cortou. E as ruas e postos de gasolina ficam cheios de árvores recém cortadas por uns 'loucos' que vão à floresta com este tempo cortar árvores. Claro que as lojas de plantas também vendem árvores recém cortadas, algumas vindas de longe, como da Dinamarca. Para verificar se o seu marido é um norueguês autêntico, você precisa conferir se ele aceita comprar uma árvore que veio de longe. Um norueguês autêntico nunca vai comprar uma árvore dinamarquesa por exemplo, uma 'edel gran'. Um marido norueguês ou vai à floresta cortar uma 'Gran' (Picea abies) pessoalmente para trazer para casa ou vai comprar uma autêntica vendida nas ruas para colocar na sua sala por 10 dias. Isto eu aprendi rápido. Uma gran norueguesa autêntica deve ser comprada, em geral no dia 22 de dezembro, e isto é uma questão de honra para o norueguês que mora aqui em casa. Para saber o que é uma 'gran' leia aqui.


Mas não pense que os noruegueses saem por aí cortando árvores e desmatando florestas. Existem plantações inteiras de pequenos produtores de árvores de natal, produzidas para serem cortadas em determinado espaço de tempo voltadas para o consumo de árvores de natal. A pessoa pode ir lá cortar pessoalmente e paga por árvore, como um "pesque e pague" brasileiro. Alguns produtores cortam e vendem para um revendedor e ainda existem as áreas públicas onde as árvores estão no meio de montes de outras, onde é mais difícil o acesso e o corte e por aí vai. Mas ainda existe a onda do use uma árvore plantada ou até mesmo de plástico para preservar sua floresta. Enfim, mil coisas.



A família dos pinheiros é vasta e complicada de entender e para mim todos parecem iguais, mas quem sou eu para discordar do Per quando o assunto é árvore de Natal. Ainda mais eu que não trago comigo nenhum expertise em árvores de Natal, muito pelo contrário. Eu não colocaria uma árvore de plástico na minha sala, de jeito nenhum, questão de estilo, mas inocentemente pensei em usar um outro tipo de árvore natural. Sei lá, uma tuia, como a que eu tinha em São Paulo plantada em vaso e ficava linda decorada. Mas Per gosta de ir atrás de uma gran. É mais forte do que ele. O que eu chamo em inglês de 'sense of place'. Chegamos em casa com nossa linda Gran que já está lindamente decorada mesmo depois de muitas espetadas. Não deu para fazer fotos, a luz por aqui anda péssima. Em dias de solstício de inverno os dias estão curtíssimos e quando a gente levantou da cama hoje o dia já está querendo acabar.

Não quero dar desculpas esfarrapadas, mas a falta de luz aqui impede boas fotos e vai acabar me forçando a comprar luz artificial para fotografar a noite. Nada mal. Os biscoitos de hoje sofreram com a falta de luz e por isso vou tentar fotografar uma parte da fornada amanhã, eles merecem já que ficaram uma delícia. O segredo é o açúcar mascavo que dá o maior tchan nas receitas. Para quem não sabe o que é tchan, mil perdões, mas não vai dar para explicar aqui!



Biscoitos de côco com pedaços de chocolate

200 gramas de açúcar mascavo
150 gramas de farinha de trigo
150 gramas de manteiga temperatura ambiente
50 gramas de coco ralado
50 gramas de chocolate amargo (mínino 57% cacau) picado em pedaços pequenos
1 colher de sopa de açúcar de confeiteiro de baunilha
1 ovo
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio




Aqueça o forno a 180C. Misture a manteiga com os açucares (mascavo e baunilha) até incorporar totalmente. Adicione o ovo e misture bem para incorporar. Passe a farinha e o bicarbonato pela peneira e adicione à mistura de manteiga. Misture bem até incorporar totalmente. Adicione o côco ralado e mexa até incorporar. Por fim adicione o chocolate picado. Coloque colheradas de massa num tabuleiro forrado com papel manteiga, bem separados um do outro pois os biscoitos vão se esparramar bastante sobre a forma. Colheradas pequenas vão se esparramar e formar biscoitos mais finos. Colheres mais cheias vão formar biscoitos mais gordinhos, por isso molde do jeito que você preferir. Asse por 10 minutos e retire do forno mesmo que o biscoito aparente estar meio mole ao toque. Deixe esfriar na forma antes de remover.

Rende 30 biscoitos

domingo, 21 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (5): financiers brancos e pretos



Este projeto semanal está sendo super cansativo, mas é super divertido também. O bom é que hoje, quando eu sentei para assar os financiers (sem frutas, brancos e pretos, a pedido das crianças) já não tinha em casa nenhum biscoito de ontem, anteontem, nem de antes de anteontem. Tá, eu guardei meia dúzia de pães de mel para mim. De resto, foi-se tudo pois nós estamos aproveitando e dando de presente para a família e os amigos que aparecem por aqui. Ontem fomos à casa dos pais do Per e levamos duas caixas de biscoitos. Uma para os pais dele e outra para uma das irmãs dele que não mora em Trondheim e estava aqui apenas este final de semana. Veja uma das caixas com os amanteigados com o cartão que Estela colocou...



Uma semana celebrando Natal, assando biscoitos e sem nenhum financiers incluído nesta festa não seria uma semana nesta casa afinal de contas. Aqui em casa as crianças amam financiers e sempre pedem. Eu também amo e fiz do jeito que elas pediram. Mas nunca faço de duas cores ao mesmo tempo e sem frutas, mas hoje fiz uma fornada grande e ainda deixei um pouco de massa para assar amanhã. A massa de financier conserva muito bem de um dia para o outro e pode ser feita de um dia para o outro sem problemas. Como os bolinhos fazem parte da tradição norueguesa, aqui vão os nossos bolinhos.



Financiers Brancos

250 gramas de manteiga sem sal
1 3/4 xícara de farinha de amêndoas
1 1/2 xícara de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar de confeiteiro
10 claras de ovos
1 colher de chá de essência de baunilha (usei as raspas de meia fava)
Pitada de sal

Como:

Derreter a manteiga e deixar a manteiga cozinhando em fogo baixo até ficar bem dourada, mas cuidado para não queimar. Fique ao lado, de olho na manteiga. Reserve. Peneire as farinhas, o açúcar e o sal. Bata as claras com um fouet até formar picos moles. Adicione as farinhas as claras aos poucos e vá mexendo (com a mão, não com a batedeira) para incorporar. Por fim adicione a manteiga e a essência de baunilha e vá mexendo com cuidado até incorporar todo a manteiga a massa. Encha 2/3 das forminhas com esta massa para fazer os financiers brancos. Asse por 15 minutos em forno pré-aquecido a 180C. Use forminhas especiais para financiers ou forminhas de muffin ou tarteletes. Unte sempre com bastante manteiga.



Se for usar fava de baunilha adicione as raspas à manteiga e cozinhe a baunilha na manteiga. A manteiga cozinhando com a baunilha exala um perfume fantástico que se espalha pela cozinha e seduz qualquer um ao seu redor, lembre disso! Este perfume vai para os financiers quando você adicionar a manteiga à massa. Enquanto eu escrevo em sinto o perfume que exalam destes bolinhos parados aqui ao meu lado. Chocolate com baunilha é um perfume poderoso e irresitível.

Salpique um pouco de açúcar de confeiteiro sobre os bolinhos com uma peneirinha antes de servir os financiers.



Financiers Pretos:
Uma receita de financiers brancos
Mais 1/2 xícara de cacau em pó

Adicione o cacau em pó à massa de financiers brancos e mexa com cuidado até incorporar todo o cacau. Encha 2/3 das forminhas untadas com bastante manteiga e asse a 180C por 15 minutos. Se desejar adicione chocolate meio amargo bem picado à massa e os financiers ficarão brancos com pedaços de chocolate.

Obs. A massa de financiers pretos fica mais grossa do que a de financiers brancos e assa alguns minutos mais rápido.

Obs 2. Salpique um pouco de açúcar de confeiteiro com baunilha sobre os bolinhos para decorar.



Rende de 36 a 40 financiers em formas de tartelette.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (4): pão de mel coberto de chocolate



Ontem eu falei que faria uma receita bem brasileira. É brasileira no sentido de que nós, brasileiros, amamos nosso pão de mel, que nada mais é que o pain d'epices francês que é idêntico ao honningkake norueguês(honningkage em dinamarquês) e os nomes mudam por onde o pão de mel passa. Eu usei uma receita dinamarquesa pois estou aqui com um livro de receitas de biscoitos dinamarqueses (depois eu volto para falar deste livro).

Fiz em formato de estrelas e cobertos com chocolate meio amargo (57% cacau) e ficou tudo de bom. Além de facílimo de fazer a massa é um sonho de verão para se trabalhar, abre que é uma beleza e permite os mais audaciosos formatos e usos. Acho que eu me empolguei e abri um pouco demais, ou seja, ficou um pouco fina, mas ainda macia. Se deixar ao vento deve endurecer demais por isso depois de coberto com o chocolate deve ser conservado em recipiente fechado.

Uma beleza eu achei. Modesta eu, não? Como eu não resisti fiz um, apenas um, ao meu agrado, no formato tradicional adotado no Brasil e ficou quase, mas quase a altura do pão de mel Pan. Alguém mais prefere o redondo?



Pão de mel coberto com chocolate

150 gramas de mel
150 gramas de açúcar mascavo
125 gramas de manteiga
2 ovos
500 gramas de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato
1 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de cravo (opcional)
1/2 colher de chá de noz moscada (opcional)
1/2 colher de chá de gengibre (opcional)
Raspas de um limão (FUNDAMENTAL)


Para a cobertura
100 gramas de chocolate meio amargo (no mínimo 57% cacau)

Leve ao fogo médio o açúcar mascavo, a manteiga e o mel até derreter todo o açúcar. Deixe esfriar. Bata os ovos e adicione à mistura de mel quando esta estiver fria. Adicione as raspas de limão e misture bem para incorporar tudo. Misture a farinha de trigo, o bicarbonato e as especiarias e vá adicionando à mistura de mel aos poucos. Depois de adicionar toda a farinha misture com as mãos para formar uma massa homogênea, dando uma leve sovadinha. Se a massa ainda estiver um pouco grudenta adicione um pouco mais de farinha de trigo, aos pouquinhos. Enrole num papel ou filme plástico e leve para a geladeira por uma hora. Aqueça o forno a 190C. Abra a massa sobre uma superfície limpa e levemente esfarinhada. Corte estrelas ou outro formato da sua preferência com espessura de 1 cm. Transfira as estrelas para uma forma forrada com papel manteiga e asse por 10 minutos. Deixe esfriar e decore com chocolate derretido e resfriado (temperado). Conserve em recipiente fechado para manter a maciez do pão de mel. Rende 24 estrelas.




(Chão de estrelas)


(Jogo da velha)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (3): biscoitos amanteigados de amendoas



Hoje foi quase impossível publicar esta postagem. A massa de amendoas que deveria ter aberto que é uma beleza e permitido cortar corações e estrelas simplesmente não abriu de jeito algum. A massa quebrou que foi uma beleza. Umas duas horas de geladeira e o famoso rolo e os biscoitos estrelados viraram rodelas tradicionais. Mas tanto esforço valeu a pena pois estes amanteigados ficaram muito gostosos. Como a massa mistura amendoas e farinha de trigo ficou levemente crocante e ao mesmo tempo amanteigada, daquela que defaz na boca. Pouco doce e muito perfumada. Uma delícia.



O terceiro biscoito da semana, numa sexta feira de festa na escola das crianças e saída de férias em Trondheim mais umas mil coisas para fazer em casa foi uma loucura, mas acabou tudo bem. Ter conseguido publicar a receita de hoje significa que estou bem perto de conseguir publicar as sete postagens diárias, com biscoitos diferentes, em homenagem ao povo Sami. Foi quase impossível, mas rolou e o biscoito ficou super gostoso o que justificou o esforço ainda mais. E aqui vou eu. Amanhã tem mais e será uma receita bem brasileira.

Amanteigados de amendoas

150 gramas farinha de amendoas
120 gramas de farinha de trigo
125 gramas de manteiga temperatura ambiente
75 gramas de açúcar
1 colher de chá de açúcar de baunilha



Para a glace da cobertura
50 gramas de açúcar de confeiteiro
1 colher de sopa de água quente
avelãs torradas e picadas (pode usar pistachios)

Peneirar a farinha de amendoas, de trigo e açúcares e misturar. Adicionar a manteiga picada em cubos e misturar com a ponta dos dedos até forma uma massa homogênea. Formar um cilindro de massa, enrolar em papel manteiga e levar para a geladeira por no mínimo uma hora. Cortar rodelas de 1 centímetro de espessura e assar em forma forrada com papel manteiga por 12 minutos ou até que as bordas dos biscoitos fiquem levemente douradas. Fazer a glace misturando a água ao açúcar e colovar sobre os biscoitos depois de frios. Salpicar avelãs picadas ou pistachios moídos por cima. Rende 3 dúzias e dura 3 dias se mantidos em recipiente fechado.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (2): hóstias de marzipã




A idéia de fazer diversos biscoitos está sendo bem divertida, ainda que muita correria e gerando muita comilança. Este biscoito é uma loucura minha já que eu nunca tinha experimentado assar o marzipã puro, sem adição de mais farinha. Como o marzipã é puro açúcar e farinha de amendoas a massa derrete e forma uma espécie de caramelinho, ultra fino, crocante e levemente puxa. Eu adorei o resultado ainda que eu estivesse esperando um biscoito menos crocante. A idéia do nome veio do Per que estava olhando eu retirar os biscoitos da forma e perguntou se eu havia assado aqueles para a missa! Eu adorei a sugestão e resolvi batiza-los de 'hóstias' de marzipã.



Hóstias de Marzipã

Marzipã (receita aqui)
1 ovo
Açúcar a gosto
Canela em pó a gosto

Misture um pouco de açúcar com canela e reserve. Enrole o marzipã sobre uma superfície limpa e salpicada com açúcar de confeiteiro formando um cilindro com de aproximadamente 3 centímetros de diâmetro. Corte rodelas de aprozimadamente um centimetro de espessura. Coloque as rodelas bem separadas umas das outras numa forma forrada com papel manteiga. Pincele o ovo batido sobre as rodelas e salpique o açúcar com canela. Leve ao forno pré-aquecido a 180C por 5 minutos ou 8 minutos até que as rodelas tenham derretido e ficado douradas. As hóstias devem esfriar na forma antes de serem removidas. Os biscoitos podem parecer estar um pouco moles mas vão endurecer depois de frios. Eles ficam crocantes e meio puxa com sabor suave de amendoas, açúcar e canela. Ótimo para servir com chá ou café.





quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Com os olhos voltados para o norte (1): ninhos amanteigados de chocolate



Como declarei algumas postagens atrás, vou prestar uma homenagem aos povos antigos do da Noruega e seguir uma tradição bem norueguesa. Vou assar sete tipos diferentes de biscoitos ou bolos de hoje até o dia do Natal e vou publicar diariamente o resultado aqui. Esta será minha homenagem especial aos povos antigos noruegueses, em especial ao povo Sami que eu tanto admiro.

Serão sete biscoitos ou bolos, um por dia, de hoje até o dia 23 de dezembro. Alguns dos biscoitos serão publicados com receitas outros serão direcionados para as receitas de alguém em outro blog ou site. O biscoitinho de hoje é um amanteigado de chocolate bem dinamarquês. Quem nunca ganhou ou deu de presente para alguém uma lata de 'Danish butter cookies'? Aquelas latas, em geral vermelhas, são um clássico de final de ano em qualquer canto do planeta eu imagino. Aqui os amanteigados dinamarqueses são encontrados em qualquer esquina e as receitas disponíveis em todo lugar. Eu estava atrás de uma receita que eu pudesse reproduzir em português, sem sofrimento. Na realidade eu acabei usando uma receita de amanteigado de chocolate muito parecida com uma da Martha Stewart por isso eu reproduzirei a receita do site da Martha em português aqui com um link para a versão original em inglês. Uma coisa legal do site da Martha é que esta receita tem o vídeo e dá para ver o passo-a-passo da receita. Fiz algumas alterações na receita da Martha. A principal é que eu usei uma ganache de blød nougat, o nougat dinamarquês, um tipo de pasta gianduia para rechear os biscoitos ao invés da ganhache de baunilha. Além disso eu usei apenas uma colher de chá de sal normal ao invés de duas colheres de sal grosso e um pouco menos de chocolate e de açúcar do que a receita dela indica.




Ninhos de Chocolate


(você pode assitir ao vídeo com a receita dessees biscoitos no site da Martha Stewart. Apenas em inglês aqui)

2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de cacau em pó (100% cacau)
1 xícara de açúcar
1 colher de chá de sal
2 colheres de chá de extrato natural de baunilha
200 gramas de manteiga em temperatura ambiente
2 gemas
2 colheres de sopa de creme de leite
1/2 xícara de açúcar cristal para enrolar os biscoitos


Bater a manteiga com o açúcar até formar uma mistura bem cremosa e aerada. Adicionar as gemas, a baunilha e o creme de leite e continuar batendo até incorporar. Misturar a farinha, o cacau e o sal e peneirar. Adicionar a mistura de farinha peneirada à mistura de manteiga, aos poucos, misturando uma colher de pau ou com as mãos, se preferir use o processador ou continue na batedeira. A mistura vai ficar bem grossa e com as mãos pode derreter um pouco. Melhor com a colher. Quando a massa estiver bem incorporada faça bolinhas com uma colher de chá de massa, como se fosse fazer um brigadeiro. Passe as bolinhas no açúcar cristal e transfira para uma forma com papel manteiga. Antes de assar os biscoitos faça um buraco no biscoito com o dedo polegar. Não faça fundo demais para evitar quebrar os biscoitos (Veja a foto e assista ao vídeo). Asse os biscoitos a 180 graus por 10 minutos e então inverta a posição da forma dos biscoitos no forno e asse por mais 8 ou 10 minutos. Se os biscoitos tiverem crescido demais refaça os buraquinhos de novo com o dedo ou com uma colher antes de levar os biscoitos de volta ao forno para assar até que estejam durinhos ao toque.
Rende de 5 a 6 dúzias de biscoitos, dependendo do tamanho da bolinha. Mantenha os biscoitos em pote fechado por no máximo cinco dias.





Quando estiverem assados retire os biscoitos da forno e encha os ninhozinhos com o recheio antes de esfriarem totalmente.


Ganache de Nougat
:
50 gramas de blød nougat ou nougat dinamarquês (massa de avelãs e açúcar)
50 gramas de chocolate meio-amargo (mínimo 57% cacau)

Derreta o nougat/gianduia (ou nutella) e o chocolate em banho maria e vá misturando até incorporar bem os dois. Coloque meia colher de chá desta ganache nos ninhozinhos dos biscoitos. Deixe esfriar e sirva imediatamente.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

No lance das amendoas



Para que eu possa assar os sete, s-e-t-e, tipos de biscoitos e bolinhos diferentes na semana do natal, contribuir com a tradição norueguesa e prestar uma homenagem aos povos escandinavos antigos, eu precisei abrir uma linha de produção de farinha de amendoas. E estamos apenas começando já que nove entre dez sobremesas da culinária norueguesa são feitas de amendoas moídas, farinha de amendoas ou marzipan. Eu, claro, não gosto de comprar a farinha pronta. Já comprei muito, mas não compro mais. Aqui as farinhas de amendoas vêm da Itália. Um dos motivos pelos quais eu não gosto de comprar pronta é porque eu acho que não são tão frescas, não são tão puras e são bem mais caras, claro. Nesta época do ano as amendoas chegam bem 'frescas' (entenda o significado deste 'frescas' no contexto!) e estão a venda em todo canto com preços inacreditavelmente baixos. O custo da farinha de amendoas fresca é pago em trabalho. Com trabalho infantil inclusive. Não, não é uma maldade quando a criança adora pelar amendoas.



Estela não aguentou pelar todo o meio quilo de amendoas, eu tive que terminar o trabalho, mas ela ajudou bastante. O problema é que depois que as amendoas foram fervidas as cascas precisam ser removidas bem rápido para não dar tempo de secarem e grudarem novamente. Depois de peladas eu levo as amendoas ao forno para darem uma boa secada. Uns 10-12 minutos a 160C. Precisa ter cuidado para não escurecer as amendoas, só secar. O perfume que saí do forno lembra bolo de amendoas. Esta é a primeira fornada de farinha. Não dá para fazer quilos de uma vez só. Faço aos poucos pois rende uma farinha de melhor qualidade e sempre fresca.



A tarde estava linda e a lua cheia saiu cedo. Que noite de lua cheia maravilhosa que está fazendo por aqui agora. Nesta hora a lua ilumina a neve e fica tudo tão claro, uma coisa linda. E para beber, depois de tanto trabalho pelando amendoas, um suquinho de goiabas sul africano maravilhoso. Este suco Dewlands eu já comprava em São Paulo no Emporio Santa Luzia nos sabores lichia e peras. Aqui eu compro goiaba, maracujá e manga, sabores que mais me fazem falta e lichia de vez em quando. É um suco importado da África do Sul e mais caro do que os sucos europeus mas é tão bom, mas tão bom que eu não deixo de comprar nunca.



Não é um suco da fruta puro, mas um suco de frutas concentrado misturado com uma base de suco de maças ou de uvas verdes e o resultado é um suco mais suave. Além de ser sem conservantes, é sem açúcar e sem adição de falsos açúcares nem de adoçantes artificiais. Fica é uma delícia. E para uma carioca louca por sucos como eu nada como um suquinho de goiabas, ou de maracujá, para alegrar as tardes de inverno. Estela é louca pelo de maracujá e eu pelo suco de goiaba. E aí dá tudo certo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Divagando sobre o gelo, o frio e os povos do Norte


(Mulher Sami, da Finlândia por volta de 1905)

A vida deste lado norte do planeta está um inferno, de acordo com esta que vos escreve. Os dias estão curtos, curtíssimos e as temperaturas baixas, muito baixas. Este semana a temperatura durante o dia esteve entre -10C e -15C e durante a noite vai a pelo menos -20C ou mais. Para mim é um tormento viver assim. Uma coisa com a qual ainda não me acostumei.

Aqui perto, 200km ao sul, numa cidadezinha chamada Røros onde Knut, o meu enteado, vive (O Per tem um filho de 22 anos do primeiro casamento) estava fazendo de -21C na semana passada mas esta semana está fazendo -31C todos os dias. O Knut, que está estudando para ser chef, atualmente está cumprindo dois anos obrigatórios como trainee de chef, e trabalha na cozinha do restaurante de um hotel nesta cidadezinha histórica. A cidade é pequena e ele anda para o trabalho todos os dias, umas quatro ou cinco quadras mais ou menos. Será que alguém pode imaginar o que são temperaturas de -10C ou -30C? Quer dizer quatro, cinco ou dez vezes mais frio do que dentro do seu freezer/congelador. É um frio dolorido, cortante, insuportável, assassino. Não dá para ficar lá fora de bobeira, não dá para ter nenhuma parte do corpo descoberta, tem que usar roupas de baixo de lã, usar gorro, luvas, cachecol, não pode ter um sapato molhado, nem uma luva molhada, nada. A pele resseca terrivelmente, principalmente o rosto, as mãos e os lábios que ficam quebradiços e doloridos. A paisagem é branca, tudo fica branco e gelado. Lembra muito o castelo de gelo da bruxa má de Nárnia? Alguém lembra? Nárnia ainda é a melhor ilustração para o clima ao redor do meu 'chateau' durante o inverno.


(Homem Sami pescador na costa norte da Noruega, da região de Finmark)

Enquanto o clima é de inferno eu tenho um artigo muito importante para acabar. Estou trabalhando neste artigo desde agosto, sofrendo para escrever e meu prazo final é semana que vem. Estou enlouquecida, ansiosa para acabar, mas ao mesmo tempo sem muita paciência para o trabalho. Ao invés de me concentrar para acabar eu fico navegando pelos blogs, lendo receitas, lendo artigos, comendo ou dormindo. Sim, dormindo. Como eu ando trabalhando de casa estes dias quando eu fico muito cansada eu páro tudo e durmo. Marido no trabalho, crianças na escola e a mãe na cama! É que enquanto eles dormem sou eu quem trabalha já que escrevo melhor a noite e fico trabalhando até as 3:00 ou 4:00 da manhã e nunca consigo dormir antes das 5:00.


(Sami é um dos povos indígenas da Noruega, Suécia, Finlândia e Russia. Na foto uma família Sami norueguesa com a tenda e as roupas tradicionais, Noruega em 1900)

Com o clima 'sensacional' que faz lá fora não dá vontade de fazer mais nada, apenas dormir. Eu tenho absoluta certeza de que os seres humanos primitivos que viviam nesta parte do planeta durante o verão ou migravam durante o inverno, ou hibernavam, pois não há comida suficiente para alimentar a gente daqui e não há calor suficiente para ajudar esta gente a sobreviver. Os povos indígenas daqui são os Sami e eu sempre penso nos Sami, na vida que eles levavam nessa região séculos atrás. O território dos Sami se espalhe pela região central até a norte da Noruega, pela parte do norte da Suécia, da Finlândia e por uma grande área na costa noroeste da Rússia. Antigamente os Sami viviam em tendas e alguns ainda vivem em tendas até hoje. Eles se vestiam (vestem) só com lã e com peles e durante o inverno e só comiam carnes e gordura. Mas o fato é que o povo Sami se sedentarizou e hoje vive em casas com aquecimento central e energia elétrica.

Estudos antropológicos e genéticos demonstraram que os Sami são descendentes dos primeiros homo sapiens da Europa e tem a mesma ascendência que Catalães e dos Bascos do sul da Europa. A conexão entre Sami, Bascos e Catalães vai de encontro com minha humilde tese de que não é possível manter vida nesta região da Europa durante o inverno. No inverno os Sami partiam e retornavam na primavera. No sul eles adotaram a lã já que não havia carneiros por aqui, apenas alces e veados. Aqui você pode ler um pouco mais sobre os Sami mas apenas em inglês.


(A mamãe Sami com o bebê Sami, vestido para enfrentar o inverno-show, com temperaturas por volta de -40C na região Sami)


Mas eu não nasci para ursa, nem mesmo para Ursa Maior, nasci para ser Ararinha Azul, e aí a coisa fica muito complicada. Mas é com o frio, o gelo, a neve e a escuridão que dá para eu entender finalmente a lógica do Natal. Daqui eu vejo o Natal de uma outra forma, um outro ângulo. Percebo que o Natal, assim como o Carnaval, é uma grande celebração pagã adotada pelos povos cristãos. Daí tanta contradição entre datas e celebrações nas diversas igrejas cristãs do planeta. Não que eu me importe. Não me importo nem com as contradições, nem com o paganismo. Muito pelo contrário, adoro identificar a permanência das tradições pagãs em geral, meu paganismo existencial se acelera nesta hora. O fato é que o Natal, as luzes do Natal, os personagens do Natal (elfos, gnomos, ajudantes do Papai Noel e o Papai Noel em si) e as comidas de Natal são todas parte de uma antiga celebração pela vida durante o inverno Europeu. Aqui, no norte da Europa, com o inverno mais intenso, percebe-se claramente a celebração do Natal como uma festa da vida, pela sobrevivência dos povos do gelo. E o Natal começa bem cedo aqui e eu acho que é uma das coisas que ajuda esta gente a sobreviver. O Natal aqui é cercado de lendas, de histórias e de comidas especiais e é uma data que enlouquece o povo daqui de uma forma pouquíssimo cristã (isto talvez em outra postagem). Outro lance é que o Natal aqui ainda tem pouquíssimo apelo comercial, especialmente se comparado com o Brasil. Aqui o lance é comer e beber muito, muito mesmo, para viver, para sobreviver, acender velas e luzes para iluminar as almas, abrir os caminhos, chamar de volta os deuses antigos.

Este ano eu vou tentar aderir a uma tradição norueguesa:a dos biscoitos. Eu, que sou a pessoa menos tradicional do planeta, que detesto tradição, que gosto de encerrar tradições, estou pensando em aderir? Sim, a única tradição que eu gosto é a da esculhambação, da farra e da bagunça, do Carnaval. Mas vou aderir. Aqui há uma tradição das famílias de assar sete tipos diferentes de biscoitos ou bolos. Biscoitos e bolos são uma grande fissura norueguesa durante o Natal e eu vou tentar. Durante a próxima semana farei um esforço e vou tentar seguir a tradição. Será minha homenagem especial aos povos pagãos do norte.

Me aguardem.

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