domingo, 30 de novembro de 2008

Pastéis de amendoim: flagrante delícia...



Desde que vi estes pastéis no blog Flagrante Delícia, da talentosa Leonor de Sousa Bastos, que eu não conseguia dormir direito. A imagem destes pastéis ficou marcada na minha memória-afetiva-gustativa-palatativa desde então. É uma receita que mexe com sabores marcantes da minha vida, sabores que habitam as profundezas do meu ser desde a minha concepção.

Para explicar tamanha fissura preciso confessar que doces de gemas e doces portugueses de gemas são meus doces favoritos. Doces como quindim, ovos moles de Aveiro, fios de ovos, baba de moça, toucinho do céu, barriga de freira, ouriço e todos os outros. Eu amo, amo e amo tudo que leva muita gema, crua ou cozida. Sim, gemas são minha mais extremada paixão. Enquanto doces de gemas são minha grande paixão, os doces de clara ou 'suspirados' são minha segunda paixão e por assim sigo a vida, quebrando ovos.



Tudo vai fazer sentido quando eu contar que o doce favorito da minha mãe é o toucinho do céu, um doce português feito de gemas, açúcar e amendoas. Nenhum sabor se planta no seu eu interior mais profundo por acaso!

Estes pastéis de Leonor reúnem gemas, açúcar levemente caramelizado e amendoins torrados e moído tudo envolvido por uma massa finíssima e uma crocante camada de açúcar. Ficou uma delícia e eu comi o primeiro quente, quase queimando a língua, para conferir o sabor. Sei que vai ficar bem melhor quando esfriar mas por hora é exatamente o que eu esperava.




A receita está no blog da Leonor e o link para o Flagrante Delícia está aqui para a página em português. A receita é exata, não rende nem mais, nem menos e o sabor é maravilhoso. As raspas de limão, usei o limão siciliano, dão um perfume importante que não compete com o amendoim. O limão complementa com um toque cítrico fantástico. A massa é fácil de fazer e de trabalhar, especialmente gelada por isto leve à geladeira por uma horinha pelo menos.

Experimente!

Aperitivo escandinavo: blini (branco) com arenque agridoce e ovas de peixe-lapa



Arenque é um dos peixes mais populares na Noruega. É um peixe de todo dia, barato e abundante. E arenque agridoce, que é o picles de arenque, é uma das formas mais populares de se comer arenque na Noruega. Arenque agridoce é, em geral, o peixe que se come por aqui no café da manhã. Sim, noruegueses comem peixe no café da manhã regularmente e normalmente arenque ou uma forma cremosa e bem salgada de 'caviar'. Preciso confessar que comer peixe no desjejum não é uma coisa que me agrade. Meu querido Per deixou de comer peixe no café da manhã para me agradar e para evitar choques na nossa família multicultural, mas sempre foi um regular degustador de peixes no café da manhã. Mas é muito difícil para mim, mais forte do que eu, simplesmente não consigo comer peixe e tomar um iogurte com mel, ou comer uma torrada com geléia ao lado de alguém comendo peixe com o café da manhã...

Mas nem tudo aqui em casa é choque cultural. Fora do café da manhã eu amo arenque, principalmente agridoce e acebolado. Todo mundo sabe que uma das melhores coisas da Noruega são os peixes e o arenque é um dos peixes mais gostosos que se come por aqui. Se não comemos no café da manhã, comemos regularmente a noite. É um aperitivo que sirvo sempre em casa, entre adultos. Sim, entre adultos, pois nenhum do dois pequenos come arenque. Não aguentam nem sentir o cheiro que já ficam reclamando. Criança e peixes, uma relação conflitante que eu gostaria de pesquisar e desvendar.



Para servir o arenque fiz blini branco (branco pois fiz com farinha de trigo, sem trigo sarraceno de Fagopyrum esculentum). Para servir com um molhinho feito de creme azedo com alho e ervas. E para finalizar coloquei uma colherzinha de ovas de peixe-lapa (Cyclopterus lumpus, o lumpfish) uma ova muito popular por aqui também. O peixe-lapa, apesar de pouco conhecido no Brasil, é um peixe de águas profundas pescado na costa da Islândia e muito, mas muito apreciado no café da manhã em toda Escandinávia.



Blinis eu gosto de fazer pois é fácil, leve e muito saboroso e combina com o estilo norueguês de comer arenque que é normalmente servido no pão branco ou pão folha. Os Escandinavos (noruegueses, suecos, dinamarqueses e islandeses) comem sempre pães pretos, ultra-pretos, pretíssimos, mas comem arenque agridoce com pão branco, em geral torrado e uma colherzinha de creme azedo. Por isso passei a fazer blinis brancos ( sem trigo sarraceno) para acompanhar o arenque. O creme azedo eu dou uma encrementada com um dente de alho ralado, ervas, sal, pimenta do reino e uma colher de azeite de oliva extra virgem.

É bem fácil e rápido já que o arenque eu compro já preparado, no jeito de servir. Por aqui rola muito das pessoas pescarem seus próprios salmões, trutas e arenques e levarem os peixes aos locais onde o peixe pode ser tanto defumado, salgado e seco ou transformado em 'picles' i.e. agridoce. Mas nós não pescamos nosso arenque não, o picles de arenque que vende pronto no mercado é muito, mas muito, mas muito bom! Vende em todos os lugares de diversos tipos e fabricantes. O arenque pode ser encontrado de várias formas além de agridoce: em molho de mostarda, em molho de tomate, molho de pimenta, no óleo, fermentado, salgado, defumado e, claro, fresco. É um peixe delicioso e meu aperitivo escandinavo favorito.



Blini branco com arenque agridoce e ovas de peixe-lapa

Para os blinis brancos:
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de sal
2 ovos em temperatura ambiente
1 xícara de leite morno

Peneirar a farinha, fermento e sal. Bater os ovos como se fosse fazer um omelete e misturar a farinha e por fim adicionar o leite, devagar e mexendo sempre para formar uma massa homogênea. Passar manteiga numa frigideira anti-aderente e retirar o excesso com papel toalha e colocar colheradas de massa na frigideira quente. Deixar dourar dos dois lados e repetir a operação. Sempre passando manteiga em toda a frigideira e retirando com um papel toalha.

Molho Azedo

1 xícara de creme azedo, coalhada seca ou iogurte natural integral
1 dente de alho ralado
1 colher de sopa de oliva extra virgem
sal e pimenta do reino a gosto
salsinha picada a gosto
cebolinha picada a gosto

Misture bem o alho e o azeite ao creme azedo até incorporar tudo ao creme. Adicione as ervas, sal e pimenta e mistura mais um pouco. Sirva o molho azedo sobre os blinis com um pedaço de arenque agridoce ou outro peixe seco ou defumado. Por fim coloque uma colherzinha de café de ova de peixe de sua preferência sobre o peixe.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Moreno de Basel: Basler Brunsli



Como já mencionei antes, eu não sou louca por biscoitos (bolachas). Como biscoitos muito de vez em quando, geralmente biscoitos que foram feitos em casa e por alguém especial. Comprar um pacote de biscoito pronto é uma coisa que eu não faço nunca, ou melhor, muito raramente. Nunca é extremo. Minhas crianças também não são loucas por biscoito. Já que eu não compro, elas nunca lembram que existem, não pedem nem para comer, nem para comprar. Mas sei que se eu comprasse, se enchesse minha casa com pacotes de biscoitos, elas iriam comer e adorar. Tudo é uma questão de hábito e de se estimular o hábito de comer determinadas coisas. Aqui, no caso, o de não comer biscoitos.

Mesmo se eu amasse comer biscoitos defenderia a importância de deixar biscoitos industrializados fora da vida dos pequenos. Não porque eu não gosto de comer biscoitos, mas porque biscoitos são fonte concentrada de açúcar, sal, gorduras hidrogenadas (gorduras trans) e mais uma enxurrada de E-números (i.e. conservantes, corantes e aromas artificiais). Eu atualmente defendo que os biscoitos sejam banidos da casa dos meus irmãos, por exemplo, que sempre gostaram de comer biscoitos recheados (que eu nunca gostei) e acham super normal comprar montes de pacotes de biscoitos e deixar que as crianças comam biscoito quando bem quiserem. Eu discordo totalmente desta política. A minha mãe, que comprava alguns biscoitos prontos quando éramos crianças, mas não muitos, hoje é totalmente contra a idéia de comprar biscoitos prontos pois é uma avó informada e consciente do mal que faz criar o hábito de comer biscoitos prontos nas crianças.

Todos os meus cinco sobrinhos são bem magrinhos, dois até magros demais, comem pouco em geral, mas o boicote ao biscoito não deve ser resultado de um combate a obesidade, mas um esforço em nome da saúde geral das crianças. A luz vermelha deve acender não apenas quando seu filho, ou sobrinho, exibe sinais de obesidade, mas quando se consome muitos produtos industrializados diariamente, por exemplo. Estes tipos de produtos são líderes em quantidade de E-números que podem causar uma série de doenças. Desde alergias, irritações de pele, enjôos, sensibilidade estomacal até diversas formas de canceres. Enfim, estamos na luta na nossa família. Eu e minha mãe defendemos que se você vai dar um biscoito para uma criança que pelo menos faça o biscoito você mesma. Garanta que é feito com produtos de qualidade, com baixa quantidade de gordura, açúcar, sal e sem qualquer tipo de aromas, corantes e conservantes. Se não pode fazer biscoitos não os ofereça! Melhor cortar o hábito ou quem sabe oferecer uma barra de chocolate com pelo menos 57% de cacau, um pão com geléia ou uma compota com queijo.



Em nome da minha luta familiar e por ser fim de ano, época em que muitas culturas do mundo assam biscoitos para dar de presente, resolvi testar a receita de um biscoito que eu amo, os basler brunsli. Lembre que eu amar um biscoito é coisa rara. Mas este biscoito eu amo. O que eu chamo Moreno de Basel é um biscoito suíco típico da confeitaria (pastelaria, em Portugal) da cidade de Basel, na Suíça. É um biscoito de amendoas e chocolate com especiarias que lembra muito o meu biscoito favorito de todos os tempos, o amaretti, biscoito de amendoas italiano. Basler brunsli é um biscoito que se faz na época do Natal na Suiça e que deve ser conhecido pelos descendentes de suiços, austríacos, suecos, alemães e noruegueses no Brasil.

A textura e os aromas do meu Moreno de Basel_ os Basler Brunsli _ fazem dele um biscoito único, de se comer gemendo, ou chorando (a expressão diz 'comer de joelhos' ou 'comer rezando', mas como eu não rezo e não me ajoelho para nada eu altero o ditado!) Este é um biscoito maravilhoso, um sonho de chocolate, especiarias e amendoas. Um biscoito que eu planejava fazer tanto para eu comer, como para ver o resultado que eu teria. Eu queria ver como ficava para decidir se devo, ou não, oferecer Morenos de Basel de presente para os amigos. Ando na onda de oferecer biscoitos feitos pelas minhas próprias minhas mãos.


Morenos de Basel
são tradionalmente cortados em forma de estrelas e corações. Exatamente como eu planejava fazer. Mas como sou uma mãe meio sem autoridade por aqui, percebi hoje que minhas forminhas de cortar biscoitos haviam desaparecido como um passe de mágica da minha gaveta. Procura daqui, procura dali e nada. A pequena na escola e meus cortadores de biscoitos totalmente desaparecidos ou soterrados sob a never que cobre o jardim. Se você gosta de fazer uns biscoitinhos, mesmo que muito de vez em quando, cuide de suas forminhas para que umas certas meninas não passem a mão nelas e você só perceba quando já está com a massa pronta, o forno quente e só faltava cortar os corações-zinhos de massa.





Fiz metade da massa apenas, até que minhas formas apareçam, cortando em rodelas para ver a consistência, textura, sabor e como que é trabalhar com esta massa. O resultado ficou uma delícia. A massa é meio complicada de trabalhar, muito mole, e deve ser aberta sobre açúcar cristal e assada muito rapidamente para não queimar. Vou dar minhas dicas aqui para quem quiser se arriscar a fazer o segundo biscoito mais gostoso do mundo, de acordo com esta que vos escreve, correr menos riscos.

Aqui na Noruega se come muito biscoito no final de ano, eles fazem uns biscoitos fantásticos diferentes de tudo o que se vê no Brasil. Coisas deliciosos que são bem tradicionais e também fazem os Basler Brunsli. As receitas que eu tinha em casa eram páginas retiradas de uma revista sueca e outra de uma revista norueguesa. As duas receitas eram diferentes entre si já que uma pedia kirsch e a outra pedia amaretto ou extrato de amendoas. Na internet peguei uma receita da Robyn, do blog Lick your own bowl que também usa brandy veja aqui e a Joycelyn do blog Kuidaore menciona aqui que faz Basler Brunsli com kirsch. No entanto, a maioria das receitas disponíveis na rede não pedem nem aroma, nem bebida, apenas especiarias. Eu usei amaretto, o licor de amendoas. Mas pode usar Amarula ou essência não artificial de amendoas que resolve bem.



Moreno de Basel, nome carinhoso para o biscoito Basler Brunsli

1 1/2 xícara de farinha de amendoas
1 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro
1 xícara de açúcar cristal (para abrir a massa e cortar os biscoitos)
3 colheres de sopa de chocolate em pó ou cacau em pó
100 gramas de chocolate amargo 70% de cacau
Duas claras grandes
1 colher de chá de licor de amendoas tipo amaretto Disaronno ou 1/2 colher de chá de aroma natural de amendoas (por favor, não use aroma imitação de amendoas)*
1/2 colher de chá de canela em pó (se preferir use um pouco mais, mas não exagere)
Uma pitada de cravo pó (se preferir use um pouco mais, mas não exagere)
Uma pitada de noz moscada (se preferir use um pouco mais, mas não exagere)
Uma pitada de sal

(* pode substituir também por uma colher de chá ou de sopa de kirsch)




Como:

Bata as claras com a pitada de sal até ficarem em neve. Num processador bata as amendoas sem pele até formar uma farinha bem fina. Retire a farinha de amendoas batida e confira a quantidade de farinha medindo ou pesando. Então bata novamente no processador apenas 1 1/2 xícara de farinha de amendoas, o chocolate em pó e o chocolate amargo cortado em pedaços. Bata até formar uma farinha. Não bata muito para não ficar muito gorduroso, mas até esfarinhar apenas. Adicione o açúcar de confeiteiro e as especiarias e pulse umas duas vezes para incorporar tudo. Adicione a mistura seca de amendoas às claras em neve e mexa com uma colher de pau para incorporar. Adicione a farinha de amendoas e chocolate às claras aos poucos, em duas ou tres partes. Por fim adicione o licor (essência ou kirsch) e misture até incorporar.

A massa pronta fica meio mole. Por isso, coloque a massa num pedaço de filme plástico, faça uma bola e leve à geladeira para gelar por pelo menos 1 hora. Na hora de cortar os biscoito prepare uma superfície limpa e cubra com açúcar cristal. Abra a massa, em partes pequenas, sobre uma camada de açúcar cristal e estique com a ajuda de um rolo esfarinhado com um pouco de açúcar de confeiteiro. Corte as figuras com cortadores de biscoito, ou rodelas se desejar. Pequenas figuras são mais fáceis de assar e ficam mais bonitas pois o biscoito vai dar uma bela crescida. Use o menor tamanho de cortador de biscoitos que encontrar. Os formatos mais tradicionais são coração e estrela. Se a massa ainda estiver mole e ficar difícil retirar o biscoito na hora de trasferir para a assadeira use uma espátula para ajudar no processo ou vá adicionando mais açúcar.

Pode ser assado sobre papel manteiga, papel alumínio untado ou em forma untada e esfarinhada. Como a receita não contém glutén evite usar farinha. Para cortar rodelas enrole a massa com a ajuda do filme até formar um rolo. Deixe gelar e corte as rodelinhas. Passe no açúcar cristal antes de assar. Deixe uns 2 ou 3 centímetros entre os biscoitos pelo menos pois eles vão crescer.

Assar em forno pré-aquecido a 180C/350F por 12 minutos exatos. Como o biscoito leva açúcar cristal pode queimar fácil embaixo pois o açúcar começa a caramelar. Por isso não deixe passar do tempo nem um segundo sequer. Vai sair do forno e parecer estar um pouco mole, mas deixe esfriar que os biscoitos vão endurecer por fora e ficar macios por dentro. Se assar demais ficarão muito duros depois de frios.

Este biscoito tem a textura similar a do biscoito amaretti frescos. Ficam levemente crocantes por fora e macios por dentro, meio 'puxa'. Deixar esfriar e guardar num pote fechado em local fresco e seco. Rende de 30 a 40 biscoitos. Consumir em 3 ou 4 dias!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Temporada de aniversários: por trás dos panos de pratos sujos...




Entre o dia 2 de dezembro e 2 janeiro além das festas de Natal e Ano Novo celebramos aqui nesta casa dois aniversários de crianças. Este ano o menino vai completar 10 anos e a menina vai completar 9 anos. A primeira festa será aqui em casa no dia 6 de dezembro e já está sendo devidamente preparada e congelada, sim, parte da festa precisa ser congelada para dar uma certa paz de espírito à mãe que vos escreve. Mas nem tudo é paz e comida congelada. Muita coisa vai ser assada no dia, mas preciso deixar as coisas nos conformes para facilitar. E enquanto procuro espaço no freezer para as massas de tortas que eu preparei e retiro outras congeladas há mais tempo como a massa folheada de ontem com a qual eu fiz a galette de tomates e outras coisinhas mais. Ontem a noite fiz uns pasteizinhos de presunto e queijo em formato de peixinhos para surpreender as crianças hoje. Eu tinha feito a galette e sobrou um pedação de massa e resolvi testar os peixinhos da Moira.



Estes peixinhos foram feitos pela Moira do blog Tertulia de Sabores aqui para um evento só de aperitivos chamado 'finger food' e promovido pelo blog Mirepoix. Se você gostou dos meus peixinhos pode votar na Moira pois a idéia é dela. Para votar no Finger Foods clique aqui.




Alguém ainda lembra desses? Do forno para o freezer em duas horas!

E ainda fiz financierzinhos que as crianças adoram. Sim, o cardápio infanto-juvenil é bastante diversificado. Além de todo o trabalho eles têm todo o direito de escolher o que preferem. Sim, os dois amam financiers com framboesas... E aqui a receita anotada pela pela própria Estela. Eu fui ditando e ela foi anotando e como falamos inglês aqui em casa ela anotou em inglês, do jeito dela. Se precisar de uma receita...




Aproveitei para fazer um 'test drive' de umas formas de procelanas. Boas, muito boas, e podem ser lavadas na máquina de lavar pratos o que não é nada recomendável com as forminhas de zinco.



As formas de porcelana custam o mesmo preço que as de metal, são um pouco maiores, mas são mais fáceis de lidar já que não enferrujam. Mas quebram, por isso também demandam cuidado e atenção.



E haja forno para tantos bolinhos, pasteizinhos e peixinhos. E estou apenas começando a estação de aniversários...





Sabe que eu acho que por serem dois aniversários e duas festas de crianças, antes e durante as festas de final de ano, eu acabo me concentrando nos aniversários e dando pouquíssima importância para as festas de Natal e Ano Novo. Seriam quatro festas em um espaço de 30 dias afinal de contas, haja disposição. Como eu sou uma carnavalesca de corpo e alma nada mais natural do viver cercada por crianças feitas durante o Carnaval.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Galette folheada de tomates



Aqui em casa somos movidos a tomates. Eu compro quilos e mais quilos de tomates toda semana e comemos todos os dias muitos tomates com tudo e em tudo. Estela come como se fosse maça. Eu não consigo comer um sanduíde de queijo se não tiver uma rodelinha de tomate. Carnes sem tomate, nem pensar. Mas é nos dias vegetarianos que o tomate é a estrela. É nestes dias que faço diversas coisas só com tomates, como sopa de tomates, torta de tomates, quiche de tomates e galette de tomates. A torta de tomate é, em geral feita com massa folheada, a quiche de tomate com massa podre (pate brisée) e a galette também com esta mesma massa podre, mas ambas levam uma massa podre salgadinha, tipo massa de empada e levemente diferente da massa adocicada de tortas doces (pate sucree).

Hoje eu fiz uma galette de tomates com massa folheada, misturando estilos, para simplificar um pouco a minha vida já que eu tinha uma massa folheada congelada e não tinha nenhuma sobrinha de massa podre. Estava na vontade de comer e resolvi fazer uma galette folheada mesmo para matar minha fome depois de um dia tenso.

A galette me lembra demais uma amiga francesa, Nanou, uma artista de circo incrível que durante vários anos viveu e trabalhou em São Paulo com o povo do Pia Fraus, Parlapatões, Linhas Aéreas, La Mínima e outros grupos de circo da capital paulista. A Nanou foi a primeira pessoa que eu vi fazer a galette de tomate sobre uma camada de mostarda dijon, um fio de azeite, queijo parmesão e forno. Minha galette é totalmente inspirada na que eu aprendi com a Nanou mas hoje eu faço um pouquinho diferente. Passo a mostarda na massa claro, mas faço uma caminha de espinafre fresco e então coloco os tomates. Depois eu coloco queijo ralado, e só então o parmesão e uns ramos de salsinha antes de fechar os contornos da galetter e levar ao forno.

Por que galette? Por causa do formato semi-aberto da massa que lembra as famosas galettes de frutas.


Abaixo um pouquinho do processo da galette de tomate:













Receita:

Massa folheada pronta ou feita em casa
4 a 5 tomates
2 xícaras de espinafre bebê
1 xícara de queijo ralado (muzzarela, gruyére, jarlsberg ou outro)
3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
2 colheres de sopa de mostarda dijon
1 gema de ovo
Ramos decsalsinha
sal e pimenta do reino a gosto

Como:


Abra a massa folheada sobre uma área esfarinhada até ficar do tamanho de uma forma de torta ou de um refratário raso. Forre a forma/refratário com a massa deixando sobras nos quatro lados. Espalhe a mostarda sobre a massa e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Arrume o espinafre formando uma caminha e coloque os tomates fatiados sobre o espinafre. Coloque então o queijo ralado, o queijo parmesão e a salsinha. Dobre as bordas da massa sobre o recheio formando uma moldura e pincele gema sobre a moldura. Leve ao forno 180C até que a massa folheada esteja cozida e a massa e ficar dourada. Uns 25-30 minutos. Servir bem quente.

sábado, 22 de novembro de 2008

Nações amigas, beijinhos de limão e pavê de doce de leite



(beijinhos de limão já açucarados)

Hoje vamos ao jantar de ação de graças de uma amiga dos Estados Unidos, claro, de Connecticut. Ela prepara este jantar há anos, sempre no sábado anterior a quinta-feira de ação de graças. Ela, Anna, gosta de frisar que neste dia nós já podemos saber de antemão o que fazer e onde ir.


Como mencionei em outra postagem, tenho diversos amigos dos EUA aqui na Noruega. O número de expatriados norte americanos é bem maior do que de brasileiros é um efeito do que a historiografia chama de 'refluxo', ou seja, muitos noruegueses migraram para os EUA e hoje milhares destes descendentes voltaram a viver na terra de seus antepassados. Acontece com todos os povos e em todos os continentes. No Brasil o efeito do refluxo mais forte acho que é aquele de filhos e netos de imigrantes japoneses que formam no Japão uma comunidade bem grande e muito característica. Mas não vou falar de refluxo aqui, mas do fato de ter vários amigos dos EUA em Trondheim e do quanto eu gosto de celebrar com eles.

Anna nunca pede que nós, convidados, levemos nada para o jantar de ação de graças. Ela faz tudo sozinha, prepara tudo belamente e deliciosamente com antecedência e muita organização. Mas eu sou do tipo que não gosta de ir para a casa de ninguém de mãos abanando. Então produzi um presentinho feito em casa e uma sobremesa reforço.


(beijinhos de limão saídos do forno)

Amanteigados de Limão (Lime Meltaways) da Martha Stewart

O presente para a Anna é uma caixinha de biscoitos amanteigados de limão que eu mesma assei! Uiii! Eu os chamo de 'beijinhos de limão'. Eu não sou uma biscoito-freak, digo: não sou louca por bolachas para a turma de Sampa. Como pouquíssimos biscoitos e quando como gosto mesmo é do velho Amaretti ou de amanteigados de baunilha ou limão. Hoje no entanto eu assei biscoitos, uma coisa que por muito tempo foi rara na minha cozinha mas que tem se tornado mais regular nos últimos tempos. Para a Anna eu assei estes biscoitos que eu amo e que já fiz várias vezes e é infalível: são simples amanteigados de limão. É uma receita da Martha Stewart, para aprender a receita e fazer basta ir ao site da Martha aqui




Pavê de Doce de Leite

Estou levando comigo também um refratário médio com pavê de doce de leite (olha a influência da Glaucia aqui de novo, ela falou de pavê e eu respondo com um na mesma hora! ) Uma receita facílima e delicinha que eu fiz pois queria matar um meio pote de doce de leite caseiro que estava aberto desde que eu fiz o rocambole no final do mês passado e eu achei que se não usasse hoje ia estragar.



Receita:

400 ml de doce de leite pastoso
1 pacote de biscoito champagne/lady finger/savoiardi
400 ml de leite
3 colheres de sopa de licor Bailey
300 ml de creme de leite fresco batido em chantilly
4 gemas
6 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
1 colher de sobremesa de extrato de baunilha


Como:

Numa tigela misture o leite com o licor. Banhe os biscoitos na mistura do leite e transfira um por um, com cuidado para o fundo de uma travessa refratária ou um outro pote retangular ou quadrado de sua preferência. Arrume uma camada de biscoitos suficiente para cobrir toda a base do prato.





Cubra a camada de biscoitos com uma camada generosa de doce de leite. Espalhe o doce sobre os biscoitos com bastante cuidado para não ir arrancando pedaços de biscoitos. Bata as gemas com o açúcar até triplicar de volume, adicione a baunilha e bata um pouco mais. Adicione o creme de chantilly à mistura de gema e açúcar e com uma espátula ou colher de pau vá mexendo lentamente até incoporar tudo e formar uma creme homogêneo. Cubra a camada de doce de leite com o creme de gemas e leve para gelar.

Antes de servir você pode salpicar um pouco de nozes picadas, castanha do pará, amendoim, amendoas, avelãs ou qualquer outro tipo de noz picadinha sobre o creme.

Guarde as claras no frezer para usar em outra oportunidade! Leva gemas cruas de galinhas caipiras (free range/frittgående).


Hora de ir, moçada! Bom sábado para todas!

Fui comer perú com os amigos!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A vida como ela é em "Narnia"




A vida aqui neste canto do planeta tem a aparência de contos de fadas. Primeiro as casinhas de madeira coloridas, os fiordes e então a neve. Tudo parece ter saído de um livro de histórias para crianças. Eu me sinto totalmente recém saída do guarda-roupas, para dentro de Narnia antes do príncipe Caspian. Com os dias brancos, a cidade coberta de neve, o frio descomunal lá fora não se pensa em nada a não ser comer e beber. Para viver vamos ter que esperar a primavera voltar, pelo menos estando por aqui. Se rolar uma viagem este inverno aí então dá para viver um pouquinho.




Dentro do guarda-roupas

Enquanto o mundo lá fora me parece inacessível e estranho as crianças amam e não pensam em outra coisa que não esquis, trenós e 'snowboards'. Preparam as roupas sozinhos e vestem as blusinhas e as ceroulinhas de lã sem eu precisar pedir. Quando eles estão interessados a coisa muda totalmente de figura. Não querem passar frio nem ficar molhados pois querem é diversão. Eu gosto de olhar eles brincando com a neve mas ainda acho tudo muito estranho. Neve não me atrai nem um pouco, não quero contato físico, mas estou aprendendo a enfrentar neve e gelo sem sofrer, de cabeça erguida mas sem me divertir. Preciso estar sempre decentemente vestida, claro, para não passar frio.


Mas neve não é areia de praia, ainda que pareça. Por isso é preciso estar vestida de acordo para enfrentar o clima desta época do ano sem dor e evitar doença. E basta de doentes nesta casa. E por falar em doença eu preciso confessar o remédio secreto que eu usei para me recuperar. Não tenho a menor dúvida que este remédio funcionou, que foi ele que me curou. Vou explicar:




Na tarde quarta feira eu estava péssima da gripe e com vontade de comer arroz com feijão e banana frita. Eu tinha um belo pote de feijão preto congelado há tempos e então tirei-o do freezer e joquei o pedregulho de gelo preto dentro de um caldeirão com água e descongelei o menino no fogo. Demorou um pouco e estava tudo descongelado e fervendo. Nunca descongelo feijão assim, mas foi o jeito mais rápido para poder comer o feijão em poucas horas. Como o feijão estava bem grosso quando foi congelado eu só tive que ir adicionando mais água. Eu já tinha descongelado um pote de carne de panela e naquela noite comi arroz, feijão preto, banana e carne de panela com cenouras e mais uma saladinha de espinafre, tomate, laranja e azeitonas verdes que a Estela fez para mim. Sim, ela faz saladas para mim e sabe que quando tem feijão a salada deve ter laranja fatiada! Mas ela já vai fazer 9 anos.


No dia seguinte eu acordei outra, estava novinha em folha. Como num passe de mágica eu estava pronta para a rua! Acredito que o organismo reconhece certos sabores, que certos ingredientes e receitas tenham um efeito terapêutico e funcionam como um remédio. Certas comidas, principalmente aquelas caseiras, as da infância, comidas que participaram da formação do seu corpo, tem poder revigorante impressionante. Claro que existe uma parte física e uma parte psicológica. Existe a sugestão, o desejo e o efeito. Mas o fato é que a comida está totalmente ligada ao afeto, aos desejos, a saudade, as nossas doenças e a nossa história de vida. Assim como estudamos nossa história de vida para descobrir o remédio de fundo da homeopatia, por exemplo, podemos extrair da nossa história pessoal um alimento tão reconfortante como um remédio.

Eu não acredito em misticismos em geral, sou cientista, mas acredito que estudando nossa história pessoal, nossa vida, podemos achar curas simples para diversas agonias do nosso corpo. Desde um vírus de gripe ou uma irritação na pele. O nosso corpo tem memória física assim como mental.




O jantar aqui em casa ontem foi um banquete para mim. Ao meu gosto, com escondinho de carne de porco com toucinho defumado com espinafre, requeijão e muito purê de mandioca. Uma salada gigante de tomates pois nesta casa se vive a base de tomates e ainda arroz e feijão! Eu sou a única brasileira desta casa que está sofrendo para sobreviver aqui e os outros três viventes, noruegueses, não economizam esforços para me fazer feliz. Comem arroz com feijão e farofa de banana todos os dias se for necessário, só para me agradar.

Adoro comer com pão nas refeições, um covertzinho de entrada é fundamental, e a grande estrela de ontem que todos aqui amaram foi o pão de batata doce que eu mesma fiz e olha que eu não faço pão. O pão foi inspirado por receita publicada pela Cláudia Lima do blog Magia na Cozinha. E posso falar que este pão me enfeitiçou totalmente. Comemos um pão inteiro na hora e hoje acabamos o segundo. Todo mundo gostou eas crianças ficaram intrigadas com o tom amarelado do pão.

Não vou publicar a receita não. Quem quiser poder consultar o original no blog da Cláudia aqui onde a receita aparece em inglês e português.

O pão da Cláudia Lima é mais doce mas eu modifiquei a quantidade de açúcar para ficar levemente salgado substituindo as 5 colheres de sopa de açúcar da receita por uma colher de sopa de sal e apenas uma colher de sopa de açúcar. E usei quatro xícaras de farinha pois eu acho que as minhas batatas doce eram maiores do que as dela. E renderam dois pães como este aí da foto.



Mais imagens de nossa "Narnia" hoje:








quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dia Branco, consciência negra




Eu hoje acordei quase que totalmente recuperada da gripe. Acordei me sentindo bem e cheia de entusiasmo. Levei minha filha à escola, limpei a camada de neve que cobria o carro e nem me importei com a tempestade de neve que continuava a cair! Eu tinha acordado bem e o dia de hoje é um dia que me faz alegre, me faz sentir bem. Hoje é o meu dia de luta favorito neste mundo e não é um dia branco, como o que eu vivi hoje, que ia conseguir me derrubar. Ao longo do dia eu cozinhei feito uma louca, tirei neve do carro feito uma louca, andei em temperaturas abaixo de zero e não me abalei com nada, não fiquei sofrendo. Fui às compras, comprei só o que eu queria e não o que precisava comprar e depois eu conto o que temos para o jantar de hoje.





Hoje, dia 20 de novembro, é um dia muito importante e na minha opinião é a data mais importante celebrada no Brasil das últimas décadas. Hoje é o Dia Nacional da Consciência Negra. Feriado no Rio de Janeiro e não sei mais em quantos Estados do Brasil ( sabe que eu acho que já virou feriado nacional pois ontem era feriado em São Paulo também). Enfim melhor que seja finalmente feriado nacional. É que o dia da Consciência Negra é o dia em que se celebra a morte de Zumbi, o último e mais importante líder do Quilombo dos Palmares, morto durante a guerra contra as forças de Portugal que destruíram esse quilombo no ano de 1695.



O Quilombo dos Palmares é o símbolo maior da luta dos negros brasileiros contra a escravidão no Brasil e Zumbi é o principal líder da resistência negra contra o opressor português no Brasil. Mas Palmares foi muito mais do que apenas um movimento de resistência negra e inspiração para o dia da Consciência Negra. A historiografia brasileira finalmente reconhece que o Quilombo dos Palmares foi o grande movimento pela independência do Brasil e para a construção de uma nova sociedade no Brasil. De acordo com Francisco Carlos Teixeira da Silva a luta de Zumbi, Ganga Zumba e outros líderes de Palmares, era pela independência do Brasil de Portugal e pela construção de uma sociedade de homens livres, onde negros, brancos e índios pudessem viver e trabalhar livremente.




A guerra que seguiu a resistência do Quilombo dos Palmares, apesar de um acordo firmado entre Ganga Zumba e os senhores de engenho, foi um acontecimento marcante do final do século XVII, nunca havia ocorrido nada igual no Brasil até então. A historiografia tradicional durante mais de dois século ignorou o papel de Palmares como movimento independencista e definia este quilombo como sociedade de escravos fugidos, uma definição que demonstrava o deprezo das classes dominantes pelo projeto dos quilombolas. A história oficial do Brasil independente durante muito tempo reproduziu este desprezo mas a historiografia brasileira mudou muito nos últimos 40 anos. Hoje lutas com a de Zumbi em Palmares, que mostram a resistência do povo brasileiro contra a opressão, ocupam as páginas principais de todos os livros de história do Brasil.





O Prof. Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, foi um dos primeiros a mostrar que Palmares era diferente de todos os outros movimentos de oposição a Portugal no Brasil Colonial e Imperial. Nenhum, mas nenhum dos demais movimentos, nem mesmo a Inconfidência Mineira, defendia um projeto de rompimento das relações com Portugal (independência) para o estabelecimento de uma sociedade igualitária onde todos os homens seriam livres. Devemos ter em mente que os Inconfidentes, e outros homens que se tornaram mártires da nossa independência, foram mortos, exilados, torturados e mutilados pelas forças de Portugal no Brasil, porque eram opositores do sistema colonial, eram burgueses que buscavam autonomia, fugir do controle rígido da coroa portuguesa, comerciantes e mercadores em geral que visavam o lucro, eram majoritariamente homens brancos e todos eles senhores de escravos. Bastava possuir um único escravo que fosse, defendo eu, para que os ideais de uma sociedade livre e igualitária ficassem turvos na mente de um independencista.




Como a lógica escravista era inerente a mente e a sociedade colonial não havia idéia de liberdade ou de igualdade no Brasil que não fosse originária da cabeça de um escravo ou de um índio. Por isso é que eu gosto de celebrar o dia de hoje, data que considero tão especial, porque ela representa a história do povo brasileiro oprimido, sua luta pela liberdade. O feriado mais importante celebrado no Brasil.

No Rio de Janeiro a tradição nos anos 80 era começar a celebração na noite do dia 19 para o dia 20 que é quando Zumbi morreu. A tradição era organizar uma kizomba (palavra do kimbundo que significa festa ou bagunça!) e celebrar a noite toda. O termo kizomba já era usado nas rodas de samba de Vila Isabel por influência da família do José Ferreira (quem não souber quem ele é que me pergunte!) antes do Carnaval de 1988, quando a Vila foi para a avenida com o enredo Kizomba, Festa da Raça (o samba da Vila Isabel de 1988 começava assim: 'Valeu Zumbi, o grito forte dos Palmares, correu terras céus e mares ifluenciando a abolição...' )




Importante lembrar que Palmares não era lar apenas de negros, mas de índios, mulatos, caboclos, mamelucos e brancos, brancos pobres oprimidos pela injusta e cruel sociedade colonial. E de ciganos, prostitutas e qualquer um que se sentisse perseguido pela sociedade da época. Apesar de grande Palmares era apenas um dos milhares de quilombos que existiram e existem ainda hoje no Brasil.

A importância da celebração do dia de Zumbi deve-se ao fato de em 2008 ainda brigarmos para fazer com que os senhores de terra contemporâneos e as grandes corporações do agronegócio respeitem a Constituição do Brasil que garante o direito à terra e aos recursos naturais de quilombolas, indígenas e outras populações tradicionais. É no dia de hoje que devemos celebrar a luta pelos direito dos trabalhadores brasileiros de não serem mais tratados como se fossem escravos.

O dia de hoje deve ser celebrado por vários motivos: para que todos lembrem que Palmares é o símbolo máximo da luta por um Brasil livre, igualitário e desenvolvido. Como dia da Consciência Negra, sim, o que este dia já é. Como dia da morte do maior herói de todos os brasileiros, que morreu no dia 20 de novembro de 1695, lutando pela liberdade do Brasil e de todos os brasileiros, negros, índios, brancos e mestiços de todos os tipos. Lembrar que Zumbi é o herói da luta que travamos hoje contra o latifúndio, a concentração de terras, a monocultura, pela reforma agrária, pela demarcação das terra indígenas, contra a exploração do trabalhador agrícola e contra o trabalho escravo moderno. E que o dia Nacional de Consciência Negra se transforme no dia de luta do povo brasileiro por um país mais justo.



Que venha a neve, o gelo, os dias brancos. Eu não me importo, minha consciência é negra.

Viva Zumbi, Via Palmares, Via o Brasil.

(texto escrito originalmente para o blog Mundo Desconstruído)







(enquanto isto a temperatura lá fora era...)