domingo, 29 de março de 2009

Ilhas nada soníferas, mas flutuantes




Eu e os ovos. Sempre a mesma coisa, ovos e açúcar. Desta vez em forma de ilhas feitas de merengue assado em banho maria e depois servido flutuando em creme de gemas, leite e açúcar. Uma sobremesa que lembra a casa da minha avó e que eu não comia desde a última vez que jantei no Antiquarius e bota tempo nisso. Mas aí eu fui achar essa receita aqui com as ilhas mais lindas que eu já vi e então eu tive que fazer.

Coisa mais terrível a gula, o poder do olho gordo, da vontade de comer. Segui as medidas da receita mas fiz duas alterações de sabor. Primeira: não usei camomila no creme de gemas, apenas raspas de baunilha e, segunda: não usei baunilha no merengue, mas raspas de limão. De resto as proporções e medidas são as fornecidas na receita.

Eu achei o resultado final muito doce, doce demais mesmo, cortante e fiquei feliz por ter usado limão ao invés de baunilha no meregue. No final me senti enjoada, foi pura gula, pirei total. Nem o Per conseguiu comer mais do que uma ilha e a sorte é que fiz para receber um casal de amigos que passou aqui para um café. Se não fossem eles duas formigas não teria dado jeito, teria sobrado muito pois as crianças não gostam.



Receita original em inglês das Ilhas Flutuantes

Para as ilhas

4 (150 gramas) claras
300 gramas de açúcar
raspas de 1/2 limão
pitada de sal
Manteiga para untar

Para o creme

6 gemas
500 ml de leite
100 gramas de açúcar
raspas de meia fava de baunilha



Como:

Aqueça o forno a 140C.

Coloque as claras com o sal e o açúcar num pote de vidro ou metálico sobre uma panela com água fervente e com um batedor de mão bata as claras até dissolver o açúcar e as claras ficarem bem brancas e brilhantes. Retire do fogo e bata as claras com a batedeira (ou com a mão) até formar um merengue com picos duros. Adicione as raspas de limão e bata novamente.

Unte com manteiga 6 potinhos individuais refratários ou se preferir use forminhas individuais. Eu usei potes de dois formatos diferentes e acho que fica bem interessante. Então divida o merengue nas formas/potinhos untados. Transfira os potinhos para uma forma funda e encha a forma com água bem quente. A água deve cobrir metade das forminhas. Leve ao forno coberto com papel alumínio e asse por 25 a 30 minutos, dependendo o tamanho da forma.



Creme:

Leve ao fogo médio o leite com 50 gramas de açúcar e as raspas de baunilha mexendo bem para não agarrar no fundo. Mexa até ferver. Retire do fogo de deixe descansar por uns 5 minutos. Enquanto isto bata as gemas com as 50 gramas de açúcar restantes até ficarem fofas e dobrarem de volume. Leve o leite novamente ao fogo até levantar fervura mais uma vez. Junte o leite as gemas aos poucos mexendo bem com o batedor de mão para evitar que as gemas talhem. Misture bem e volte a mistura para a panela, mexendo sempre, até ferver. Abaixe o fogo e mexa até que a mistura atinja a temperatura de 84C (enfie um termômetro de carnes mesmo se você não tiver outro) ou cobrir as costas de uma colher de pau.

Retire do fogo e deixe esfriar. Desenforme os merengues (ilhas) ainda quentes e deixe-as gelar um pouco antes de servir. Sirva geladas com o creme de gemas também gelado.

Rende 6 porções



Observação: O creme de gemas ficou muito forte para o meu gosto. Eu acho que 6 gemas eram gemas demais para 500 ml de leite apenas. Mesmo com bastante raspas de baunilha o sabor de gema ficou um pouco forte demais para o meu gosto, e olha que eu gosto de gemas. Além disso ficou tudo meio doce demais.

Como sobrou muito o creme de gemas foi assado em ramekinzinhos e vai virar creme brulée. Era creme demais e não iríamos comer tudo mesmo já que era açúcar demais para repetir tanto. O creme brulée dá para congelar e dura uns dias.


(creme de gemas cozido por 40 minutos a 160C em banho maria)

sábado, 28 de março de 2009

Sunomono com ebi e kani kama



Sunomono é uma salada japonesa que eu acredito não ser desconhecida para ninguém no Brasil e meio que já virou prato típico brasileiro. Come-se sunomono em todo canto, até em churrascarias. Eu sempre amei sunomono e minha versão preferida sempre foi aquela feita com pepino apenas.

Sunomono é uma espécie de 'vinagrete' japonês já que 'su' é o termo em japonês para vinagre e sunomono significa algo como 'vinagrado'.

Quando eu mudei para a Noruega eu comecei a fazer direto com pepino, macarão japonês harussame e kani kama para levar de merenda para a universidade.

Hoje eu fiz diferente, adicionei camarões (ebi, em japonês) que sobraram de um risoto que comemos ontem a noite. Para o almoço de hoje comemos peixe com arroz e salada e por isso eu não quis adicionar o macarrão harussame à salada já que eu acho que o sunomono fica ótimo como acompanhamento para arroz também.



Sunomono com ebi e kanikama

1 pepino ninja (japonês) fatiado bem fino
20 camarões médios
8 bastões de kani kama
1 colher de sopa de gergelim torrado

Serve 4 pessoas


Depois de fatiados os pepinos devem ser colocados numa peneira, temperados com sal e devem ser deixados para desidratar por pelo menos 15 minutos. Depois lave os pepinos para retirar o sal e reserve.


Meio pacote (oito bastões) de kani kama descongelados


O kani kama deve ser desfiado com cuidado para não quebrar


Cozinhe 20 camarões médios mergulhando-os com uma escumadeira em água salgada fervendo.

Prepare o molho Amazu:

4 colheres de sopa de vinagre de arroz
2 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de água
1 colher de chá de sal

Coloque os ingredientes numa panelinha e leve ao fogo médio até que o sal e o açúcar tenham derretido totalmente, sem deixar ferver. Retire do fogo e deixe esfriar.



Numa saladeira, ou pote de vidro, coloque os pepinos lavados, o kani kama, os camarões e sobre eles derrame o molho já frio. Misture com cuidado e leve para gelar por meia hora.



Antes de servir salpique o gergelim torrado sobre a salada. Sirva fria como acompanhamento ou como entrada.



Sunomono pode ser feita com três tipos diferentes de molhos de vinagre.

Amazu é o molho doce de vinagre e açúcar que eu uso. A regra é usar duas partes de vinagre para uma parte de açúcar sendo que o sal pode ser adicionado a gosto. Levar os ingredientes ao fogo para derreter o açúcar, deixar esfriar antes de servir.

Nibaizu é o molho que leva vinagre de arroz e molho de soja (shoyo) que é feito misturando uma medida de vinagre de arroz e uma medida de shoyo. Levar os ingredientes ao fogo mas deixar esfriar antes de servir. Como o shoyo é bem salgado em geral não precisa salgar, mas prove e veja se está do seu gosto.

Sanbaizu é o molho de vinagre de arroz, molho de soja e açúcar. O acúcar pode ser substituído por mirin um tipo de sake de baixo teor alcóolico e alto teor de açúcar usado como tempero. Misture uma parte de vinagre de arroz para uma parte de shoyo e meia parte de açúcar ou mirin. Adicione sal se desejar. Misturar os ingredientes e levar ao fogo para incorporar.

Importante: A ida ao fogo derrete os açúcares dando uma consistência levemente encorpada e caramelizada ao molho agridoce. Mas não deve-se deixar ferver para não deixar caramelizar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Desejo saciado: mousse de chocolate branco



Domingo eu tentei a preparar uma mousse de chocolate branco que seria a sobremesa do nosso almoço de 'bodas'. Como falei, a mousse deu errado. Joguei o resultado da mousse direto no lixo e não pensei mais no assunto, fui fazer outra coisa e não quis mais saber de sobremesa naquele dia. Hoje cedo, depois de passar perto de duas horas assistindo a um DVD com uma aula do sociólogo francês Pierre Bourdieu, no original e sem legendas, eu estava cansada e decidi largar o que eu estava fazendo e resolver o meu problema com a outra metade daquela barra de chocolate branco. Apesar de ser totalmente vendida às teorias de Bourdieu, referência teórica fundamental em todos os meus projetos, eu estava quase dormindo diante da tela.



Eu estava com mais de um quilo de chocolate branco em casa, presentes de uma amiga querida e do Per que sabem que eu gosto de chocolate branco e que sempre reclamo da dificuldade de encontrar chocolate branco de boa qualidade em Trondheim. Costumo comentar com os amigos sobre os diversos problemas que tive usando o chocolate Freia, marca norueguesa mais famosa e, recentemente, andei ganhando chocolates suíços, franceses e belgas, sempre branco, de todo mundo. Não que o chocolate amargo da Freia (com 70% e 86% de cacau) seja uma maravilha, porque não é. Apesar da alta quantidade de sólidos de cacau o sabor do chocolate Freia não me agrada.

Costuma-se achar que a quantidade de cacau é tudo na hora de se comprar um chocolate, mas não é. O fato de um chocolate conter alto percentual de cacau não o faz melhor do que outro já que este não é o único ponto importante num chocolate. Por exemplo, um chocolate branco pode ter 30% de sólidos de cacau (como o da Lindt), assim como um chocolate ao leite pode ter 40% de sólidos de cacau (como o Valhrona Jivara) e um chocolate meio-amargo ter 30% de sólidos (como o Nestlé).



Dois chocolates com a mesma quantidade de cacau podem ter sabores totalmente diferentes sendo um muito mais amargo do que o outro, independente das quantidades de açúcar. Tão importante quanto a quantidade de cacau num chocolate é a região de origem do cacau, o solo da região interfere na acidez do cacau, o processo de secagem na fazenda, a fermentação, a torrefação e, claro, a característica da mistura (blend) do cacau, os grão misturados e os aromas adicionados. Alguns chocolates com baixa quantidade de cacau conseguem ser intragáveis de tão amargos e ácidos. Exatamente como os grãos de café, a origem do cacau é importante assim como o tipo de grão e a mistura de procedências.

Atualmente eu compro chocolate francês Valrhona (de todas as cores) numa loja de chocolates aqui em Trondheim quando eu quero cozinhar com chocolate. Mas para comer em barras eu gosto mais dos chocolates suiços e italianos do que dos belgas ou noruegueses por exemplo.




Mousse de Chocolate Branco


200 gramas de chocolate branco + para decorar
6 ovos separados e em temperatura ambiente
4 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de extrato natural de baunilha

Como:

Derreta o chocolate em banho-maria colocando num pote de vidro ou metal sobre uma panela sem deixar o fundo do pote tocar a água para evitar esquentar demais e queimar o chocolate. Este cuidado é mais importante com o chocolate branco já que este chocolate pode talhar. Mexa o chocolate para que ele derreta mais rapido sem necessitar esquentar tanto. Quando estiver derretido retire o pote do calor e deixe esfriar.

Bata as claras em neve com duas colheres de açúcar até formar com picos duros e reserve. Bata as gemas com a banilha e duas colheres de açúcar até que as gemas dobrem de volume e fiquem bem brancas. Adicione o chocolate derretido as gemas e misture com uma espátula, suavemente até incorporar totalmente. Adicione então as claras em neve aos poucos, em duas ou tres partes, e misture suavemente para retirar o mínimo possível do ar. Divida em potes ou vidros e leve para gelar.

Decore com raspas de chocolate branco ou chocolate negro e saplique açúcar de confeiteiro.

Rende 10 a 12 unidades


quarta-feira, 25 de março de 2009

Pudim de tapioca com baunilha em fava e calda de ameixa: imagine a melhor sobremesa do mundo...



Imagine a melhor sobremesa do mundo. Que cores ela teria? A minha seria branca e vermelha... Assim como a sobremesa da foto.



Imagine um cuzcuz de tapioca cozido com leite, leite de côco, um cheirinho de açúcar e raspas de uma fava de baunilha do Taiti.




Imagine agora as melhores ameixas sulafricanas e frescas que você já comeu na sua vida, aquela ameixa bem doce, de sabor suave, sem nenhuma parte azeda, nem mesmo ao redor da semente...




Pegue as ameixas mais doces que você já provou e faça a melhor calda de frutas do mundo com elas. Fez?



Deixe a calda esfriar um pouco...




Agora adicione a calda ao cuzcuz de tapioca com baunilha.



Acha que o doce ainda pede um pouco mais de cor e de sabor?




Adicione então alguns pistaches picados. Não fica um conjunto lindo? Agora coma. E me diga se não é a melhor sobremesa do mundo? Hoje esta é a melhor sobremesa do mundo. Nada se compara ao meu cuzcuz de tapioca com baunilha e calda de ameixas frescas.





Cuzcuz de tapioca com baunilha e calda de ameixas frescas



800 ml de leite desnatado
200 ml de leite de côco
1/2 xícara de pérolas de tapioca (sagu)
3 colheres de sopa de açúcar cristal
Raspas de uma fava de baunilha


Como:

Coloque as pérolas de tapioca (sagu), o leite, o leite de côco, o açúcar e as raspas de baunilha numa panela e leve ao fogo médio mexendo sempre até ferver. As bolinhas de tapioca devem cozinhar e ficarem bem macias e transparentes. Quando ferver abaixe o fogo e deixe cozinhar por mais 15 minutos, mexendo sempre, até que a mistura engrosse. Cuidado para não grudar no fundo da panela.

Divida o cuzcuz em potinhos ou vidros. Rende de 6 a 8 potinhos, dependendo o tamanho do pote que se use. Deixe esfriar e leve para gelar. Sirva gelado com calda de frutas.

Se quiser adicione também a fava de baunilha à mistura mas assim que o leite ferver, antes de começar a engrossar, retire a fava. Lave e seque a fava e coloque-a dentro de um pote de açúcar e deixe-a ali por alguns meses, sem mexer. O açúcar vai adquirir o perfume da baunilha.

Calda de Ameixas

3 ameixas rosas frescas picadinhas
3 colheres de sobremesa de açúcar cristal
6 colheres de sobremesa de água

Leve as frutas com a água e o açúcar ao fogo baixo numa panelinha e mexa bem. Deixe ferver e retire do fogo. Deixe esfriar e sirva junto com o cuzcuz.

Rende calda para 6 potinhos de cuzcuz.



Use potes diferentes e sirva com caldas diferentes. Além da calda de ameixas eu fiz calda de maracujá o que agradou a gregos e troianos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Considerações sobre o branco e bolas de neve



Adoro branco, tudo branco. Paredes pintadas de branco, móveis brancos, piso branco, louça branca, lençóis brancos, toalhas de banho e de mesa brancas, cortinas brancas e roupas brancas em geral. Claro, não gosto de sapatos brancos, mas amava um par de havaianas brancas que eu tive, sem bandeirinha, sem nada, branco total. Cariocas mais tradicionais, acho que cariocas em geral, amam roupas brancas. Uma coisa clássica regional, para além da figura do malandro num terno de linho branco. Eu, como boa carioca, amo roupas brancas. Não há ano novo que chegue e não me encontre de roupas brancas, muito natural considerando a profunda influencia macumbeira, ops umbandista, na minha formação pessoal.



Como não podia deixar de ser, eu adoro chocolate branco. Gosto de todos os tipos de chocolates e o branco não fica de fora, ainda que chocolate branco não seja chocolate de fato já que são feitos com manteiga de cacau ( além dos demais componentes habituais, i.e. leite em pó, açúcar, leticina de soja, baunilha etc...). Ontem era nosso dia de bodas, acordei e fui direto picar e derreter 200 das 400 gramas de chocolate branco suiço separadas para uma mousse de chocolate branco. Queria muito comer uma mousse de chocolate branco, com caldinha de maracujá, mas ela zicou e zicou bonita, talhou por completo, minha mousse de chocolate branco virou manteiga. Eu sempre tomo o maior cuidado para não esquentar demais, mexo com cuidado mas ou o chocolate era muito ruim, mas era suiço! Agora preciso pegar as 200 gramas restantes para investigar!



No dia das nossas bodas a mousse (uma receita de todo dia, sem mistério) zicar deve ser sinal de alguma coisa, não é mesmo? Mas não para mim que não ando atrás e não me interesso por sinais. E, sinceramente, não vejo sinal em nada. Se era sinal era de neve, muita neve. Sim, 'só para contrariar', para me contrariar, nevou o domingo inteiro e hoje, segundona, ainda nevava até alguns minutos atrás.


Eu espero em breve parar de falar de neve, ignora-la totalmente, mas é que aqui nestas playas ela é dominante por tempo demais e fica difícil ignorar o ambiente branco ao meu redor. E o pior é que a presença da neve está influenciando significativamente meu mundo branco pessoal e eu já considero pintar as paredes do meu quarto de dormir de uma cor mais intensa (tipo lilás ou vinho, ui, o Per que me segure) e assim alterar a lógica branca predominante. Já coloquei umas cortinas de veludo grossas vinho e ficaram lindas com o edredon de veludo vinho. Só acreditam vendo? Vou tentar fotografrar qqdd (i.e. qualquer dia desses).

A neve está por aqui desde de novembro e a coisa não desaparece totalmente antes do final de abril. Para combinar com a neve fresca dos últimos dias, um biscoitinho branco, tipo alpino, lindo. Puro açúcar, amendoas e baunilha. Fazia um tempo que as amendoas não apareciam por aqui não é mesmo... Este biscoito tem vários nomes ao redor do mundo, o mais conhecido é Swedish Tea Cakes ou Russian Tea Cakes. A receita que eu descobri aqui os chamam de bolas de neve e eles são as próprias bolas de neve, não?



Bolas de Neve de Amendoas


1/2 xícara (100 gramas) de manteiga com sal em temperatura ambiente
1 xícara (180 gramas) de farinha de trigo
1/4 xícara (40 gramas) de açúcar confeiteiro
1/2 xícara (50 gramas) de farinha de amêndoas
1 colher de chá de extrato natural de baunilha
1/2 colher de canela em pó


Coloque todos os ingredientes num processador e processe até formar uma massa macia e homogênea. Se preferir bata a mão ou com uma batedeira. Faça uma bola com a massa, passe filme e leve à geladeira por 30 minutos. Aqueça o forno a 180C. Com uma colher de chá retire pedaços da massa e faça bolinhas não muito pequenas, tipo brigadeiros. Coloque num tabuleiro forrado com papel manteiga e asse por 15 minutos sem deixar escurecer. Asse até os biscoitos ficarem resistentes ao toque e apenas levemente dourados em baixo. Como conferir? Retire do forno, pegue um biscoito com a mão, com cuidado para não se queimar, e veja se dá para pegar sem amassar e se o fundo está apenas douradinho.

Retire do forno e passe no açúcar de confeiteiro ainda morno, com cuidado para não melar e reserve. Depois de frio passe os biscoitos novamente sobre o açúcar e sirva.
Com a segunda camada de açúcar a cobertura vai ficar mais homogênea formando a bola branca que dá o nome ao biscoito.

Rende 28 a 30 biscoitos

sábado, 21 de março de 2009

Brioches, frutas africanas e vidros chineses



Eu sou louca por pães franceses. Tanto o pãozinho de 50 gramas de padaria como brioches. Pãozinho francês eu não faço pois acho mais fácil compra-los já que são sempre bons quando frescos, não há risco de erro. Mas brioches, nem tanto. Brioches, para comer um bom, eu preciso fazer em casa já que aqui, em Trondheim, não há bons brioches. Havia um lugar que vendia um ótimo brioche, que vinha congelado de Oslo e era assado aqui, mas o lugar fechou. A confeitaria francesa daqui não faz brioches, percebi que deve-se ao fato do povo norueguês gostar de comer uma coisa que eles chamam de 'hvit bolle', um pão branco redondo com forte tons de cardamomo, normalmente maior do que o brioche, e que pode ser feito com passas, com creme, com chocolate, com canela, com geléia e por sua versatilidade ocupa a posição social do brioche na sociedade norueguesa. Nenhum problema, mas eu não gosto de 'bolle'. Não sei se é por causa do excessivo sabor de cardamomo ou porque a maioria dos 'bolle' que vende por aqui são de má qualidade. Claro que há bolle frescos, de padaria, mas eu acho que não são bons. Talvez, se eu os fizesse em casa, mas nunca tentei.



Já brioches, bem, brioches eu amo e faço de vez em quando. O Per também os faz, já que ele tem uma mão bem melhor do que a minha para pães. Hoje eu fiz os brioches, briochinhos individuais, de cabecinha, assados na forminha de brioche. Usei uma eceita diferente, uma receita de brioche de pobre, com menos manteiga. Assim, ficaram bons, mas não ficaram maravilhosos, na minha opinião faltou manteiga. Eu queria experimentar uma receita nova e o resultado dela agradou mas não arrasou. Não sei se vou fazer novamente, prefiro mil vezes mais a receita do
Olivier Anquier
que é a receita de brioche que eu tenho usado direto e que funciona super bem.

O lance com a receita do Olivier é que a massa precisa passar 12 horas na geladeira e depois o pão ainda fica mais uma hora crescendo na forma antes de assar. Mas brioches em geral levam tempo mesmo. É um pãozinho demorado. Esta receitinha levou mais de quatro horas para poder ir ao forno. Mas quatro horas é um tempo bem melhor do que 13 horas de espera, não? Mas as apressadas comem 'cru', vale a pena investir sua paciência na receita do Olivier Anquier .




Brioche Meio Rápido


2 xícaras de farinha de trigo (xícara de 240ml)
1 colher de sopa de fermento de pão seco ( este fermento vem em saquinhos e o peso pode variar, tem de 5, 6, 10 ou 12 gramas, depende do produtor e do país)
1/2 colher de chá de sal
2 a 4 colheres de sopa de açúcar (a quantidade varia de acordo com o gosto, eu gosto de brioche menos doce e uso apenas 2 colheres)
100 ml de leite morno
2 ovos + 1 gema para pincelar
100 gramas de manteiga

Como:

Misture farinha, fermento, açúcar e sal sobre uma supefície seca. Faça um buraco no meio da farinha e com uma mão vá adicionando o leite morno e com a outra misturando leite com a farinha. Pode usar um garfo, mas eu uso os dedos.

Adicione a manteiga e vá misturando para incorporar toda a manteiga a massa. Por fim adicione os ovos, um de cada vez. Vá mexendo bem a massa, de baixo para cima, para incorporar. Se a massa vai estar meio molenga e grudenta, mexa até ela desgrudar da mão. Não adicione mais farinha pois aí vai ressecar. Trabalhe, trabalhe e trabalhe a massa com as mãos até ela ficar homeogênea e soltar das mãos. Quando estiver no ponto coloque num pote limpo grande, cubra e deixe crescer por pelo menos duas horas, se puder deixe crescer por 3 horas. A massa deve crescer e dobrar de tamanho.

Depois da massa ter crescido você precisa trabalhar a massa novamente, por uns 10 minutos. Não sei se sovar seria o termo ideal, vá mexendo, dobrando, dobrando de novo, virando, amassando, até ela ficar super macia. Abra a massa e a divida em 12 bolas ou 12 quadrados do mesmo tamanho.

Coloque um quadradinho/bolinha em cada uma das forminhas untandas com manteiga. Se não tiver forminha de brioche use forma de empada, pastéis (Portugal), bolinhos ou de muffins. Deixe crescer por mais uma hora antes de assar. Se quiser formar uma 'cabecinha' no brioche sugiro ver o vídeo do Anquier com o nome de Briocheterapia onde ele ensina a moldar o briochinho. É bem fácil de fazer vendo, mas difícil de descrever em palavras.

Depois que os pães tiverem crescido (vão crescer bem) aqueça o forno a 200C. Pincele gema sobre os pãezinhos e leve para assar. Asse por 10 minutos a 200C e depois abaixe a temperatura do forno para 180C e asse por mais 10 minutos.



A massa rende 12 briochinhos ou um pão de forma grande. Para fazer o pão grande use uma forma de pão normal, faça um corte no meio do massa na direção mais longa da massa (serve para sair o ar), pincele com gema e asse por 30 a 40 minutos repetindo o processo de duas temperaturas. Primeiro 10 minutos a 200C e o tempo restante a 180C.




Essa semana eu comprei estes potes 'azul piscina' numa liquidação na Ikea. A Ikea é uma loja sueca que distribui ao redor do globo produtos chineses baratos, de qualidade duvidosa, com um design escandinavo lindo. Nada de muito sensacional saí da Ikea, nada que vá durar ou do qual você vá se orgulhar em cinco ou dez anos. A Ikea é apenas uma solução de consumo barato para as classe médias do planeta. Eu comprei montes de coisas na Ikea, mas a idéia principal de quem compra na Ikea é sempre de economia, não de beleza ou de qualidade. Ainda que todas as coisas da Ikea sejam de design, assinados, são designs comprados muito baratinho (o meu Per, que é designer, me conta em detalhes como a coisa funciona) produzidas em milhões e vendidas a centavos. Simplesmente não duram. Tome por exemplo uma espátula de cozinha, o chamado 'pão duro', a espátula da Ikea dura em geral uma semana. Quebra, parte, entorta, deforma e mancha. Eu fiz um teste com elas.

Mas olhe, não pense que eu não sou uma pobre compradora da Ikea. Todos os móveis da minha cozinha são da Ikea, diz que tem garantia de 25 anos, mas o fato que me levou a eles foi custarem menos da metade do que custava a cozinha italiana feita sobre medida que vendia na loja de cozinhas tradicional onde o produto além de mais bonito era de melhor qualidade. Enfim, fazer o que, sou pesquisadora, professora e jornalista. A cozinha italiana fica para outro, eu comprei a cozinha pre-moldada de design sueco.

Estes potinhos de vidro que eu amei são bem vagabundinhos (riscam, perdem o esmalte e não duram) mas são lindos. Ficam incríveis sobre um prato branco. Tomamos sopa neles ontem a noite e ficaram lindos com uma sopa de cenoura. Custaram apenas NOK 5,00 (R$ 1,50) cada e não vão durar muito, mas vão embelezar minha mesa por um tempo.



Não ficaram lindos com as ameixas sulafricanas? As ameixas rosas da África do Sul estão que é um mel. Estelita devorou quase todas ontem, mas eu não resisti e tive que mostrar as belezinhas sulafricanas que sobraram nos meu potes cor de piscina.



E o maracujás roxos e lindos do Zimbabwe? Assim que o Obama declarou que ia manter as sanções econômicas contra o Zimbabwe eu fui atrás de algo do Zimbabwe para comprar e achei os maracujás mais incríveis. Toda semana eu compro maracujás do Zimbabwe já que eu não estou neste mundo para sancionar país africano algum. Ora, pois... E assim, quase todos os dias eu bebo meu mate gelado batido com maracujá 'zimbabuiano' feliz por contrariar a vontade assassina de George Bush e agora também de seu herdeiro sancionador Barack Obama.

Importante frisar que dentre as coisas mais crueis que se faz neste mundo, e de comprovada ineficiência diga-se de passagem, estão as sanções econômicas contra nações soberanas, de qualquer tipo. Pune-se apenas o povo simples. Eu, como defensora dos povos independentes de todas as orientações políticas, não subscrevo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Bolo de mel coberto com chocolate



A semana começou cheia de sol e até um certo 'calor', assim, um calorzinho. Segunda feira entrou arrepiando com temperaturas entre 2C e 4C, a neve e o gelo derretendo a olhos vistos, a maior ilusão. Ilusão perdida, afinal, estamos na Noruega e quando você pensa que talvez a primavera esteja chegando 'o lugar' te manda um lembrete. Não senhora, aqui ainda não é começo de primavera. E foi assim. A terça-feira amanheceu nevando, cidade totalmente branca e fria. Temperaturas abaixo de zero para lembrar que aqui a primavera não começa antes do fim de abril.

Uma situação de emergência, tive que parar para abastecer o carro eu mesma, euzinha, na neve, no vento e no frio. Maior vacilada minha já que esqueci de lembrar ao Per para abastecer o carro. Sim, eu guio o veículo mas ele é quem abastece já que por essas playas não há frentista e cabe ao ser humano dono do carro abastece-lo de combustível com as próprias mãozinhas. Olha, falem mal de mim se quiserem, eu não me importo, mas entre as coisas que eu mais sinto falta do Brasil estão os simpáticos frentistas de postos de gasolina. Gente fina, amiga, cheia de amor para dar e energia para ajudar em troca de uns trocados. Saibam que até no Japão, minha amiga Noriko de Tóquio me informa, tem frentistas em quase todos os postos, serviço tradicional. Em Tóquio parece que a moda agora são frentistas mulheres jovens e lindas, exatamente como foi como no Rio e São Paulo uma época. Cada coisa.



Enfim, nada de mão amiga, pago com o cartão numa máquina fria, preciso tirar as luvas para colocar a senha, faz um frio escabroso por causa do vento e eu, bobinha, ali parada sem gorro. Explico. Eu tinha feita um coque lindo no meu cabelo naquela manhã, meu cabelo estava lavado, macio e cheiroso. Não estava numa de colocar gorro, nem chapéu. Não me lembrei que ia ter parada no posto na hora do espelho. Parar para abastecer o carro, pegar aquele vento naquele lugar descampado, sem gorro, foi pedir para ficar doente. Uma dor de ouvido terrível me pegou na mesma noite. Hoje estou melhor. Me deu uma super vontade de comer pão de mel. Fiz um bolo de mel com especiarias que tem cheiro e sabor de pão de mel mas que fica bem mais macio. A cobertura de chocolate é um 'plus'! Uma delícia. E dá-lhe especiarias, afinal, aqui o inverno ainda está rolando solto...




Bolo de Mel com Chocolate


3 ovos
1/2 xícara de açúcar branco
1/2 xícara de açúcar mascavo
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
Uma boa pitada de sal
1/2 colher de chá de canela em pó (opcional)
1/2 colherzinha de café de noz moscada (opcional)
1/2 colherziha de café de cravo moído (opcional)
100ml de mel
100ml de manteiga sem sal derretida ou, se preferir, use óleo de girassol, milho ou canola
100 ml de leite

Aqueça o forno a 180C.

Unte com manteiga uma forma retangular pequena, cubra com papel manteiga, unte o papel e reserve. Se preferir fazer bolinhos individuais forre 12 forminhas de empada ou de muffins com forminhas de papel e reserve.

Num pote misture farinha, fermento, canela, noz moscada, cravo e sal e reserve. Num outro pote bata com um batedor de mão (fouet) os ovos com os açúcares (branco e mascavo) até ficar bem aerado e dobrar o volume. Adicione então o óleo, o leite e o mel e bata bem até incorporar todos os ingredientes. Por fim vá adicionando a mistura de farinha aos poucos, duas colheres de cada vez, mexendo sempre para ir incorporando.

Assar por 30 minutos a 180C ou até que enfiando um palito de fósforos este saia seco.

Deixe esfriar antes de cobrir com a cobertura de chocolate


Cobertura de Chocolate

150 gramas de chocolate amargo com pelo menos 52% de cacau
50 gramas de manteiga com sal

Derreta chocolate e manteiga em banho maria mexendo para ajudar a derreter e evitar que a mistura esquente demais e queime. Quando chocolate e manteiga tiverem derretido e formado uma mistura homogênea retire do fogo e deixe esfriar. Com uma espátula espalhe a mistura de chocolate sobre o bolo já frio e deixe endurecer um pouco antes de cortar.

Rende de 10 a 12 porções.


domingo, 15 de março de 2009

A hora do manjar de coco



Depois de uma semana escrevendo sobre mousses, pudins, panna cottas e flans chegou a hora de publicar uma receita do mais brasileirinho de todos os cremes: o manjar. Conhecido como manjar de côco, ou simplesmente manjar branco, um doce muito simples que remonta os tempos do Brasil colonial. É um doce facílimo de se fazer que tradicionalmente, diferente dos outros cremes e pudins, não leva calda de caramelo, mas de ameixas, e não demanda grandes habilidades na hora do preparo. Mas eu gosto de manjar com calda de caramelo e fiz uma calda bem fina, fácil de servir, para acompanhar.

Manjar é um doce suave, simples, doce de terreiro de umbanda e, acho eu, de candomblé também. Manjar costuma ser servido para as entidades crianças (Erês)as sextas feiras. Se me recordo bem alguns 'pretos-velhos'(depois que o acordo entrou em vigor já não sei se preto-velho tem ou não hífen!?) comem manjar nos dias de festa, tipo no dia do 'preto-velho'. Mas, para falar a verdade, eu não estou certa.



Pode ser impressão minha apenas, mas para mim manjar lembra festa de umbanda. Se não é exatamente comida de santo, nem de preto-velho , é comida de cambono e preparada por cambono. Quando eu era bem nova e acompanhava minha mãe ao centro de umbanda sempre tinha manjar e todas as amigas umbandistas da minha mãe serviam (sic), servem manjar.

Apesar de hoje eu ser uma pessoa que escolheu uma vida sem religião, eu cresci num universo composto pela tríade católica-espírita-umbandista. Quando eu era criança toda a nossa vizinhança, composta por senhoras aparentemente católicas, frequentava a umbanda, fazia despacho e servia manjar em dia de santo. Eu me lembro bem da mãe da minha melhor amiga de infância, primeira infância mesmo, que servia manjar direto, sempre com um prato para 'o santo'. A minha amiguinha era quem colocava o prato no altar. Detalhe, o prato 'do santo' não leva calda, tem que ser manjar puro.





Manjar de côco


1 litro de leite
200 ml de leite de côco
1/2 xícara, aproximadamente 100 gramas de côco ralado seco sem açúcar
6 colheres de sopa de amido de milho
6 colheres de sopa açúcar

Como

Separe uma xícara do leite e dissolva o amido de milho peneirado e reserve. Numa panela sobre fogo médio misture o restante do leite com o açúcar, o leite de coco e o coco ralado misturando o tempo todo para não grudar no fundo da panela. Quando a mistura estiver começando a querer ferver adicione a xícara de leite com amido de milho e continue mexendo até engrossar e levantar fervura. Quando ferver retire do fogo e distribua em copos ou potinhos molhados, ou em uma forma com furo no meio também molhada.





A forma molhada impede que o manjar, um doce com muito amido, grude na forma depois de duro. Deixe esfriar e leve para gelar. Desenforme depois de 2 ou 3 horas e sirva com calda de açúcar ou calda de ameixa. O doce desenforma facilmente, basta colocar a forma, ou potinho, virado sobre um prato que o manjar se solta.

Rende de 6 a 8 potinhos, dependendo do tamanho.





Calda de Ameixa

1 xícara de ameixas pretas secas picadas
1/2 xícara de água
Açúcar a gosto (eu usei 2 colheres de sopa)

Leve os ingredientes ao fogo médio numa panelinha e deixe ferver por uns 10 minutos até as ameixas se desfazerem e formarem uma calda mais homogênea.




Calda de caramelo fina

1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de água + para amolecer o caramelo

Leve o açúcar e 1/2 xícara de água ao fogo médio numa panela tampada e deixe ferver até formar um caramelo não muito escuro. Retire do fogo e adicione colheres de água fria e vá mexendo para o amolecer o caramelo.

Adicione a água aos poucos e com muito cuidado pois a vai espirrar. Se o caramelo com mais água não quiser amolecer e começar a empedrar leve o caramelo novamente ao fogo e deixe derreter novamente com o calor até incorporar a água acrescentada. Não deixe ferver para não endurecer novamente. Continue adicionando colheres de chá de água até atingir a consistência de calda fina. Eventualmente a calda vai endurecer novamente e precisa ter uma certa paciência para conseguir achar o ponto da calda de caramelo fininha e fácil de servir fria.