
No sábado celebramos os 85 anos do meu sogro. O aniversário dele foi em abril e uma grande festa tinha sido planejada para a semana do aniversário com todos os netos e filhas espalhados pelo país. Mas eles ficaram doentes, os dois, meu sogro e minha sogra estavam bem caidinhos e a festa foi adiada para sábado. Foi uma versão mais simplificada que incluiu almoço num restaurante aqui do bairro que nós gostamos muito e depois teve café com bolos aqui em casa depois do almoço.

Recebemos em casa 20 pessoas, sendo quatro crianças. Minha cunhada trouxe um bolo grande delicioso de amendoas com chocolate e creme de baunilha (sem fotos) que eu adorei. Eu servi financiers de framboesa, bolinhos de mirtilos e uma falsa panna cotta de baunilha servida em potinhos bem pequenos, de 100ml, com groselhas ou calda de morangos silvestres (do jardim). Das vinte paninhas sobraram três que foram fotografadas ontem. Elas não são panna cottas verdadeira já que eu não uso mais creme de leite. Uso leite e iogurte (veja a receita abaixo).

Abusei das frutas do jardim. Uma festa em julho dá para abusar e economizar muito já que a produção doméstica e orgânica sai bem baratinha. Além disso dos meus docinhos o Per fez waffles, uma paixão norueguesa, que foram servidos com uma seleção de geléias feitas em casa: morangos do jardim, framboesas do jardim, mirtilos da floresta aqui ao lado, pêssego espanhóis e chocolate com banana do Equador. O povo não acreditou na mesa preparada em uma manhã. Na verdade foi tudo muito rápido e simples. A massa do financiers foi feita no dia anterior e passou a noite na geladeira. Depois do café da manhã assei os financiers. Enquanto eles assavam preparei a massa dos bolinhos de mirtilos. Antes do meio dia estavam assados. Foi só cozinhar o leite para fazer as paninhas, decisão de última hora, e deixar gelar. Estavam no ponto na hora que foram servidas.

A mesa do almoço estava reservada para as 16:00 e as 18:00 o povo todo já estava aqui em casa. Chegaram de estômagos cheios e enquanto bebiam café eu botei os doces na mesa. Maior tranaquilidade quando tudo já está pronto. Até os waffles estavam prontos, aguardando no forno. Foi aquecer, colocar as geléias em tacinhas de vidro e sevir. Comemos, comemos e comemos. Todos super felizes. Chovia muito lá fora mas o dia estava com uma luz linda.

Foi um dia maravilhoso, sem estresse ou preocupação. Eu relaxei totalmente e falei norueguês como nunca. Sempre falo norueguês com os meus sogros pois eles não falam inglês, mas minhas cunhadas sempre falaram inglês comigo. No entanto, como fazia um certo tempo que eu não via duas delas (são três cunhadas ao todo) que moram em Oslo, elas não deixaram por menos, só falaram norueguês. E haja cérebro para tanto norueguês. É uma língua muito difícil pois existe uma versão meio oficial que a gente aprende na escola, uma segunda versão usada no Oeste da Noruega apenas e centenas de dialetos que são versões da língua falada, todos com sonoridades diferentes. Cada dialeto norueguês tem uma música diferente, uns comem palavras, outros misturam, as pronuncias são diferentes e entender o que eles falam pode ser muito difícil. Mas como eu falo o norueguês de Oslo, o norueguês dito oficial (bokmål) eu entendo bem asminhas cunhadas pelo menos.

Queria preparar uma tarde assim para a minha família. Receber meus irmãos, minhas cunhadas queridas, meus sobrinhos e meus pais para uma seleção de delícias. A dor de não poder estar com eles não me deixa nem um minuto. Eu aproveito sempre que posso a família do Per, eu adoro família e não perco uma chance de celebrar a nossa.

Sobre os bolinhos, a verdade deve ser dita. Os bolinhos de mirtilos ficaram muito mais bonitos e mais gostosos do que o normal. É que o resultado dos bolinhos feitos com mirtilos frescos é bem melhor do que feito com mirtilos congelados. O bolo de baunilha mantém-se branco e as frutas permanecem intactas. A mesma coisa com as framboesas dos financiers. As framboesas também ficam intactas e o bolo fica mais interessante, sem buraco no meio. Eu costumo congelar um grande parte das frutas que colhemos durante o verão e as frutas congeladas explodem, misturam-se a massa e formam um redemoinho de cores. Fica bonito, como o tal mármore azul, mas eu prefiro o resultado que obtive ontem.

As falsas paninhas, falsas pois não levam creme, foram servidas em potinhos pequenininhos que tinha comprado na liquidação de um loja indiana mas nunca tinha usado. Eu comprei duas dúzias no ano passado (a preço de bananas) pensando em fazer versões mirins de creminhos mas até então ainda não tinha experimentado os potinhos.

Com a calda feita de moraguinhos silvestres, dulcíssimos...

As falsas paninhas ficaram assim no final...

Falsa panna cotta de leite e iogurte
500 ml de iogurte natural integral
500 ml de leite desnatado + 4 colheres de sopa para amolecer a gelatina
raspas de uma fava de baunilha (ou 10 ml/duas colheres de chá de extrato)
6 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor (ou 4 folhas)
Como:
Coloque o leite com o açúcar e a baunilha (se for usar extrato adicione-o ao iogurte no final) numa panela de fundo grosso e em cozinhe em fogo médio, mexendo, até ferver. Num pratinho amoleça a gelatina nas 4 colheres de leite frio. Quando o leite ferver adicione a gelatina ao leite e misture bem para dissolver a gelatina totalmente. Leve novamente so fogo até dar uma segunda fervida. Transfira o leite com a gelatina para um pote de vidro e deixe esfriar até atingir a temperatura do corpo. Se usar extrato de baunilha adicione o extrato ao iogurte e misture para incorporar. Adicione a gelatina ao iogurte e mexa bem para incorporar totalmente e não deixar nenhuma parte empolada. Se preferir coe a misture. Divida em 10 potinhos de vidro pequenininhos com capacidade para cerca de 100ml. Sirva com calda ou frutas frescas.
Rende 10 potinhos.

Bolinho de mirtilos
A receita do bolinho é sempre a mesma, mas desta vez ela ficou melhor do que nunca. O resultado com frutas não congeladas é bem melhor. Para ver a receita dobolo de mirtilos.

Estamos com as malas prontas para uma semana no nosso quintal favorito, a Suécia. Como moramos no interior da Noruega, no fundo do Trondheim fiorde, estamos cerca 40 km de fronteira e o povo aqui de Trondelag costuma se jogar Suécia a dentro. Ao invés da costa da Noruega vamos para o golfo da Suécia que em geral tem um clima mais quente e menos chuvoso do que a costa Atlântica da Noruega. Além disso a Suécia é uma reta para dirigir. Paisagem bem mais simplinha, enquanto na Noruega as estradas são um redemoinho de montanhas, fiordes, balsas, pontes e outros acidentes geográficos. A Noruega é linda de se ver, mas difícil de se cruzar. Por isso esta semana deixaremos os banhos de fiorde de lado e vamos para o mar, em Sundsvall, na costa da sueca. Em breve eu volto.
Para acabar: Já recebi os endereços que faltavam e as amburanas estão a caminho.





































