
No final de semana eu comprei uma caixa de camapus no supermercado e passei os últimos dias admirando e cheirando as frutinhas sem saber o que iria fazer com elas. As frutas estavam super perfumadas, mas tão perfumadas que me deixaram um tanto confusa. Camapus são muito lindas e em geral acabam usadas na decoração de bolos e tortas. Aqui em casa costumamos comer camapus na salada de frutas ou simplesmente puras, com um creminho por cima. No entanto hoje eu queria fazer alguma coisa diferente com as frutas mas não sabia bem o que já que uma caixa pequena não rende muito e não dava para fazer muita coisa. Primeiro eu tinha pensado em fazer uma geléia já que camapus rendem uma geléia ótima mas o problema é que para fazer geléia é necessário uma quantidade um pouquinho maior de frutas.

Resolvi experimentar fazer uma clafouti com as frutinhas. Já faz um tempo que eu vejo clafouti de camapu pela internet, em diversas línguas, e resolvi experimentar. E foi uma ótima decisão pois as frutas estavam super doces e perfumadas e a clafouti ficou especialmente boa, com um perfume maravilhoso. Agora um detalhe bem superficial: eu acho que posso chamar uma clafouti de camapu de clafouti já que, bem, camapus são uma espécie de cereja. Uma cereja tropical sem aquela semente grande mas com centenas de micro-sementinhas, uma cereja da terra.

Camapu é o nome mais conhecido desta que é uma fruta nativa do Brasil e que pode ser encontrada em vários cantos do país. O arbusto dá desde a região da Amazônia até a costa do nordeste cruzando todo o Sertão semi-árido e o Cerrado. No sertão as camapus também são conhecidas como saco-de-bode. São frutos de um arbusto rasteiro que se espalha que é uma beleza pelos terrenos secos e arenosos do sertão nordestino. Por ser resistente ao semi-árido é uma fruta que é consumida por grande parte da população que come a fruta direto do pé. No norte e nordeste do Brasil é muito comum fazer geléia e doce de camapu mas também é largamente utilizada como remédio em função das múltiplos usos medicionais da planta e dos frutos. Os índios é que sabiam e ensinaram a população e a comunidade científica sobre os usos medicinais da planta.
O nome mais conhecido desta fruta em inglês cape gooseberry mas o nome mais usado internacionalmente é physalis que é o nome científico. O problema com o nome physalis é que existem dezenas de tipos de diferentes já espalhadas ao redor do mundo. A camapu é no entanto nativa do Brasil, mas existem diversas espécies similares a camapu.

De acordo com algumas fontes científicas todas as principais espécies de camapus da América do Sul, mesmo as que cresceram nos solos arenosos dos pés dos Andes e em outros cantos, são nativas do Brasil e que se espalharam pelo continente. Da América do Sul foi 'levada' pelos ingleses para a Inglaterra no final do século 18 e de lá para a região do Cape, na África do Sul onde recebeu o nome de Cape Gooseberry e depois para a Austrália. Também é conhecida como ground cherry, uma espécie de cereja da terra. Adorei este nome. Eu adoro camapu.
Os principais gêneros de camapu originários do Brasil são Physalis Angulata e Physalis Peruviana mas os nomes científicos são altamente disputados no universo naturalista. Importante frisar que a caracteristíca mais marcante da bilogia e das ciências naturais é a pirataria de espécies e o evento do duplo, triplo ou até mesmo quadruplo batismo de uma mesma planta por cientistas de países mais ricos. Neste processo de roubo e repatenteamento de espécies por cientistas estrangeiros para comercialização em geral perde-se os nomes dados por índios ou populações nativas em detrimento dos nomes científicos.

Clafouti de camapu, ou saco-de-bode
Obs. Não compre as caixinhas com camapus colombianas a preço de ouro. Vá para o mato catar as suas você mesma! Se não tem plante as suas. Camapu é um tipo de 'mato', planta que nasce em todo canto.
300 gramas de camapu (se preferir chame-as de saco-de-bode) lavadas e secas
1 xícara de leite
1/2 xícara de creme de leite
1/2 xícara de açúcar + para salpicar na forma
raspas de meia fava de baunilha ou uma colher de chá de extrato natural de baunilha
2 ovos
2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de amido de milho (maizena)

Como:
Unte seis potes individuais ou uma forma refratária média com manteiga e salpique açúcar. Distribua as frutas lavadas e secas nos potes preparados e reserve.
Num pote grande misture o leite com o creme de leite, as raspas de baunilha e o açúcar e bata com um fouet (batedor de mão) até incorporar bem. Adicione os ovos e bata bem até incorporar totalmente os ovos. Por fim adicione a farinha e a maizena peneiradas. Misture até incorporar.
Distribua o creme nos potes com as frutas. Asse a 180C por 20 a 30 minutos ou até que o creme esteja levemente dourado e um palito enfiado no centro saia seco.
Rende uma forma média ou seis potes individuais.

Depois de frias você pode desenformar as clafoutizinhas e servir com calda ou frutas. Eu servi com uma calda de baunilha e ovos e morangos picados. Ficou uma delícia.
































































