sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Flognarde de Peras para Per




Ontem foi o aniversário do Per e fiz um jantar com comidinhas que ele gosta. Entre entre outras coisas uma torta de chocolate com peras servida quente em potinhos individuais. Uma versão diferente de clafoutis.


Ele ama peras, eu também, e comemos com felicidade. Ele ficou super feliz com o jantar e não tinha de nada de especial. Receitas simples como arroz de cenouras, purê de abóbora (já que tenho tantos quilos ainda em casa!), salada verde e carne ensopada. Para variar não consigo fazer foto dos pratos salgados. É tudo tão rápido que é difícil. Além disso a luz a noite na minha casa gera fotos péssimas. Gosto de fotos com luz natural, não tem muito jeito.




Flognarde (*) de Chocolate e Peras
, inspirada em receita de clafoutis de La Tartine Gourmande

2 ou 3 peras grandes maduras
4 colheres de sopa de açúcar
2 ovos
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de chá de chocolate em pó
50 gramas de chocolate 57% cacao ou mais
meia xícara de leite
meia xicara de creme azedo (coalhada) ou creme de leite comum
4 colheres de sopa de polvilho doce ou amido de milho
1 colher de chá de extrato de baunilha

(*) Apesar da receita de Bea do La Tartine se chamar clafoutis esta sobremesa é um na verdade um flognarde. Clafoutis são feitas apenas de cerejas.

Como:

Unte quatro refratários individuais com manteiga e salpique uma colher de açúcar misturada a uma colher de chá de chocolate em pó.

Derreta a manteiga e o chocolate em banho-maria e reserve. Misture leite e creme e reserve. Bata os ovos com o acúcar restante e adicione a baunilha. Adicione a mistura de leite a mistura de ovos. Adicione a maisena e misture bem. Por fim adicione o chocolate e a manteiga a esta mistura.

Corte as peras em pedaços pequenos ou médios e distribua a fruta cortada nos potes em camadas. Distribua a massa sobre as peras e asse a 180C por mais ou menos 30 minutos.

Rende quatro porções. Pode ser servido quente ou frio com um pouco de açúcar de baunilha por cima.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Rosas Congeladas




O título desta postagem parece sugerir rosas congeladas para comer, mas não é essa a minha intenção. O meu assunto aqui não são pétalas de rosas açucaradas e congeladas, mas as rosas do meu jardim que desde segunda-feira estão sofrendo com a queda da temperatura aqui desde o final de semana e estão congeladas.

Se até a semana passada os termômetros estavam marcando entre 8C e 10C ao longo do dia, caindo para 3C ou 4C durante as noite, a coisa agora virou e ficou séria. Desde segunda-feira a temperatura vem caindo durante o dia e o termômetro tem registrado entre -2C e -4C durante os dias, enquanto durante a noite elas descem a -10C. Mas estamos na Noruega e o inverno ainda não começou! A coisa vai ficar ainda bem pior.




Apesar do frio ter aumentado algumas das minhas roseiras ainda estavam florindo. Uma delas está dando rosas desde agosto sem parar e enquanto a temperatura estiver acima de zero as rosinhas aguentam. Eu não corto galhos desta roseira nunca pois eles rendem tantas flores que eu fico com pena de interromper o ciclo das flores. Corto as flores quando elas já estão para congelar e vão morrer e parar de florir. Na terça pela manhã eu percebi que dei bobeira e parte das rosas haviam congelado depois da noite fria de segunda-feira. Mas abriu um dia lindo, com muito sol e elas meio que descongelaram lindas.



Depois disso percebi que havia chegado a hora de cortar os galhos que ainda estavam cheios de botões e levar aquelas belezas para dentro de casa. Elas estão resistindo até que bem. Elas sofreram um pouco com o frio mas como estas rosas são de uma espécie que é própria para zona de 'clima 5' ela sofre mais é com o aquecimento dentro de casa.





Um único vaso conta com mais de 15 botões. Um sonho. Rosas e uma das caixas de chocolate que ganhamos no sábado. O chocolate norueguês é de boa qualidade em geral, mas esta caixa está acima da média. Os chocolates da foto são da caixa Sfinx produzido pela Nidar, uma fábrica de chocolates daqui de Trondheim mesmo.

Chocolates para aguentar o frio que já está sério aqui!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Doce de Abóbora de outubro



Doce de abóbora é um daqueles doces que infelizmente não tenho chance de fazer ao longo do ano por aqui, apenas nos últimos dias de outubro e para ir comendo enquanto não acaba. Achar abóbora por estas bandas é um problema. Além de caríssimas, tudo aqui é muito caro, elas são muito pequenininhas e bem sem graça. No entanto, antes do Halloween, que é uma data que os noruegueses também celebram, as abóboras abundam e então as grandes 'pumpkins' aparecem. As abóboras de Halloween são da Dinamarca e plantadas para serem vendidas apenas esta época do ano.



E o que antes era caro fica barato pois eles só vão usar a abóbora para fazer buracos e colocar velas dentro. Noruegueses não comem abóbora em geral, apenas brincam com elas no Halloween. As abóboras que vendem nas lojas daqui ao longo do ano são para imigrantes, e claro vendidas em lojinhas também de imigrantes. Um quilo de abóbora custa, ao longo do ano, de R$ 15,00 a 20,00. Mas pode custar mais, não é incomum. Eu acho muito.





Em tempo de Halloween as abóboras são vendidas a unidade e hoje eu comprei uma abóbora inteira, madura, fácil de cortar com pelo menos 8 quilos por R$ 10,00. Uma pechincha. E tenho planos para usar ela todinha. Comecei com o doce, vou fazer um risotto de abóbora com queijo, mousse de abóbora e sopa de abóbora. Acho que aí já tá suficiente. Todos os anos, desde que mudei para cá, faço uma seleção de pratos com abóbora no fim de outubro, é a chance que eu tenho para matar a saudade de tantos pratos. Como estou sem carne seca, nada de carne seca com abóbora este ano. Quem sabe ano que vem.



O doce ficou bom, mais leve já que usei apenas canela em pau, uma fava de baunilha e pouco açúcar. Para acompanhar meu doce usei fatias do queijo Gräddost, um queijo sueco que é o mais parecido que há com o queijo de minas, mas é mais salgado é não é tão leve como o de minas, mas a aparência é muito semelhante a do minas curado. A abóbora não é igual a brasileira de jeito nenhum. Ainda que a casca seja bem cor de abóbora, por dentro elas são mais amarelas e o doce fica amarelado. Outro detalhe é que a abóbora não se desfaz e o doce não fica aquele creme que a gente está acostumada. A abóbora mantém a forma e parece vitrificada. Fica uma coisa linda. Meus ex-sogros adoram doce de abóbora assim, tipo compota, mas lembro que em São Paulo ele sofriam para achar uma abóbora não se desfizesse toda depois de cozida.



Como os dias estão muito curtos as fotos do meu prato de doce ficaram péssimas. Eu gosto de usar luz natural e por isso amanhã vou fazer outras fotos.



Doce de Abóbora com canela e baunilha



Receita:

3 xícaras de abóbora cortadas em cubos
2 xícaras de açúcar
3 a 4 xícaras de água
2 pedaços de canela
1 fava de baunilha


Ferver a água com o açúcar, canela e baunilha até o açúcar derreter e começar a formar uma calda. Coloque as abóboras nesta caldinha e cozinhe-as até ficarem vitrificadas e bem macias, mas sem desfazer. Retire as abóboras com uma escumadeira e transfira para um pote de vidro. Então cozinhe a calda em fogo alto um pouco mais até reduzir pela metade e a calda ficar levemente carameliada. Penere a calda e sirva com o doce acompanhado de queijo.








Servida com fatias de queijo Gräddost sueco

domingo, 26 de outubro de 2008

Sábado de festa: Flognarde de Banana, Mousse de Chocolate e Petit Gateau de Doce de Leite




Ontem teve festa aqui em casa. Os melhores amigos brasileiros que uma ex-patriada pode ter estavam presentes. E mais os amigos americanos, franceses, indonesianos e noruegueses, claro.

Os casais mestiços predominaram, ou seja, brasileiros, americanos, indonesianos e franceses casados com noruegueses ou norueguesas. Algumas excessões, claro. Um clima pró-Obama dominou o ambiente quando minha querida amiga Sarah declarou que já tinha enviado seu voto para Barack Obama pelo correio. Americanos ex-patriados, como Sarah, votam enviando a cédula pelo correio daqui da Noruega. No caso dela para o Colorado, seu estado natal.

A casa ficou cheia. Como era o último dia do horário de verão iniciado em abril as crinças, nove no total, ganharam uma hora a mais para ficar acordadas ontem. A festa estava prometida desde agosto, para celebrar entre outras coisas o fim do tratamento com radiação que eu tomei coragem e enfrentei no começo do mês, a 'nota 10' que a minha tese contra a transposição do rio São Francisco recebeu, o aniversário do marido na próxima quarta e o último dia do horário de verão. Os dias já não estão mais claros como estavam, pelo contrário, as 17:00 já está escuro, mas a partir de amanhã as 16:00 vai estar escuro e ao longo de novembro e dezembro a escuridão vai tomar conta da maior parte do dia. A compensação chega durante a primavera e verão quando aqui, em Trondheim, vivemos algumas semanas praticamente sem noite. Aqui não temos exatamente o sol da meia-noite, mas o sol das onze e meia da noite!!



O menu da festa foi idéia minha. O jantar servido as quatro horas da tarde foi composto por algumas entradinhas (sem fotos), três pratos de forno (também sem fotos!) e três sobremesas cujas sobras foram clicadas hoje de manhã. A chance de fazer as fotos hoje apareceu depois que as crianças foram caminhar com o Per Olav e eu consegui ficar em casa para descansar um pouco do trabalho de ontem.

Os pratos do jantar foram escondidinho de carne com toucinho defumado com requeijão e purê de mandioca (eu não tinha carne seca, nem de sol) e um escondidinho de frutos do mar com queijo jarlsberg e purê de batatas ambos acompanhados com arroz (basmati e selvagem cozidos juntos). O terceiro prato foi pasta integral gratinada com molho de carne e cenouras para as crianças. Estava tudo uma delícia, mas eu comi muito pouco.

As sobremesas traziam os três ingredientes que eu mais amo: banana, chocolate e doce de leite. Flognarde de bananas, mousse de chocolate e petit gateau de doce de leite. A minha seleção de sobremesas não disfarça a influência francesa na minha vida. Não disfarço, nem nego, amo a culinária francesa acima de todas as outras(mas minha adoração pela culinária japonesa não fica muito atrás).

Não deu para fazer foto dos pratos salgados, sairam do forno para a mesa e, na verdade, tratavam-se muito mais de escondidões do que de escondidinhos já que foram assados em assadeiras enormes e fundas. Ficou lindo e gostoso. Os brasileiros amaram e os estrangeiros também.


Já as sobremesas, bem, foram escolhidas para me agradar.


Flognarde de banana

Sempre tenho muitas bananas amadurecendo em casa mas como as crianças só comem quando elas ainda estão meio verdes, tem sempre bananas sobrando aqui. Eu só gosto depois que elas já estão maduras, todas pintadinhas e doces. Não trago banana verde. Mas a gente daqui não sabe apreciar um banana madura. Excentricidades culturais.

Com duas dúzias de bananas maduras dando sopa resolvi fazer Flognarde de banana. A idéia original era fazer uma 'cuca de banana', típica do sul do Brasil mas na sexta feira a noite me deu vontade comer Flognarde e fiz com banana pela primeira vez. Flognarde talvez seja a mais simples e popular sobremesa francesa. Normalmente com cereja ou morangos, e normalmente servida quente, mas muito boa também fria. Eu fiz na véspera e servi fria, com um molho de baunilha.

Assei num tabuleiro retangular grande e cortei os quadradinhos antes de servir. Abaixo, as sobras hoje de manhã.



As bananinhas ficaram meio douradas, não muito bonitas. Mas ficou muito, mas muito gostoso. Usei creme azedo e raspas de meia fava de baunilha que estavam aobrando desde o dia em que fiz aquele creme cozido com creme de ameixas.




Flognarde de Banana

(adaptado de uma receita de clafoutis da Nina Horta publicada na Folha de S.Paulo)

10 bananas d'água maduras cortadas em rodelas diagonais ovais
4 ovos
Uma xícara de creme azedo (usei desnatado) ou de creme de leite fresco
Uma xícara de leite (usei desnatado)
3/4 xícara de açúcar de confeiteiro peneirado e mais para salpicar nas bananas
Meia xícara de farinha de trigo peneirada
Meia xícara de amido de milho (maizena) peneirada
Raspas de meia baunilha ou inteira, depende do tamanho da fava

Untar o tabuleiro com bastante manteiga. Cortar as bananas e arrumar duas camadas delas no tabuleiro e salpicar açúcar sobre elas para não escurecer. Misturar os ovos com o açúcar e bater com o fouet até ficar meio aerado. Adicione as raspas da baunilha ao leite e misture até dissolver todas as sementes no leite. Misture o leite ao creme azedo e depois adicione a mistura do leite a mistura de ovos. Misture bem para incorporar. Penere açúcar, farinha e amido e vá adicionando a mistura e mexendo sempre até ficar uma massa fluída mas homogênea.

Colocar a massa sobre as bananas e assar por 30 ou 40 minutos a 190C até que a clafoutis assente. O meio vai ficar um pouquinho molenga. Deixe esfriar e leve a geladeira. Sirva gelado, com custard (creme inglês) ou creme de baunilha

Creme de baunilha:

Uma xícara creme de leite comum
Uma xícara de leite de sua preferência
3 colheres de sopa de açúcar de baunilha (já pronto)
1 gema

Aqueça o creme de leite, o leite e o açúcar e deixe ferver. Tire do fogo e adicione a gema ao creme quente e mexa bastante até dissolver a gema e incorporar totalmente ao creme. Leve novamente ao fogo e aqueça um pouco mais sem deixar ferver. Cubra e deixe esfriar antes de levar a geladeira.





Mousse de chocolate

Uma das receitas de maior sucesso da minha mãe é essa mousse de chocolate. É uma receita que se não me engano ela tirou de um livro da Maria Thereza Weiss que foi a maior influência culinária da minha mãe fora da família. Não tenho a menor dúvida que a maior influência culinária na vida da minha mãe foi a sogra, a mãe do meu pai.

De volta a mousse da mamãe, esta é uma receita bem 'hard core', do tipo metal pesado! Por que? Porque leva uma grande quantidade de ovos crus, além de muita manteiga, muito açúcar e chocolate. O resultado é uma coisa do céu. Que eu comi, e ainda como, como louca! Estou aqui para viver e não para sobreviver, eu digo!

Mousse de Chocolate da mamãe:


12 ovos frescos de galinhas caipiras (free range/frittgående)
12 colheres de sopa de açúcar
250 gramas de manteiga sem sal
300 gramas de chocolate com no mínimo 57% de cacau mas o ideal é 70% cacau
Pitada de sal



Como:

Picar o chocolate em pedaços pequenos e derreter chocolate em banho maria com a manteiga, mexendo sempre para incorporar e não deixar queima e reservar.

Separar claras e gemas bem separadas, retirando a clara fina que fina ao redor das gemas. Deixar claras e gemas sem vestígios de clara fina ou daqueles fios brancos da clara. Bater as 12 claras em neve com a pitada de sal até ficarem bastante duras, formando picos duros e reservar.

Bater as 12 gemas com as 12 colheres de sopa de açúcar até ficar um creme grosso e bastante esbranquiçado. As gemas, bem batidas, perdem totalmente o cheiro de ovo. Adicione o chocolate derretido com a manteiga as gemas e bata com até incorporar totalmente o chocolate, o que leva uns 3 minutos.

Por fim adicione as claras em neve a mistura de chocolate mas mexa com as mãos, suavemente e sem bater, para incorporar as claras. Vai parecer difícil incorporar as claras e atingir um creme homogêneo pois leva tempo. De jeito nenhum use batedeira para misturar o creme de chocolate as claras pois vai perder toda a leveza da mousse. Depois de uns 5 a 7 minutos rodando e rodando a colher de pau a mousse deverá estar incorporada sem sinais brancos de claras. Divide o creme em tacinhas e leve a geladeira. Rendeu 18 taças grandes. Usei taças de vidro e cristal e todas diferentes uma da outra. Ficou lindo na mesa.

Em 3 ou 4 horas vais estar durinha o suficinte para servir. Para ficar uma mousse mais amarga e mais dura adicione mais chocolate, umas 400 gramas. Esta receita fica menos amarga deixando um sabor que agrada as crianças. As minhas crianças e seus amigos ainda não apreciam o sabor do chocolate amargo e normalmente fazem bico e não comem se estiver amargo demais.

Servir gelado com o creme de baunilha.




Petit Gateau de Doce de Leite do Restaurante Carlota

Este bolinho é minha sobremesa favorita de todos os tempos e está intimamente ligada ao fato do restaurante Carlota ser o meu restaurante favorito tanto no Rio e Janeiro como em São Paulo. Comecei a frequentar o Carlota por acaso com o Marcelo Rubens Paiva, meu colega na Folha. Na primeira vez que fui o restaurante tinha pouco tempo de vida e acho que foi em 1995. A Carla estava gravidíssima e comandava a cozinha e circulava pelas mesas lotadas. Muitas vezes voltei e muitas foram as tardes e noites especiais que eu passei naquela casinha linda de Higienópolis. Estive no Carlota junto com amigos maravilhosos, algumas das melhores companhias do mundo. Como Sergio D'Avila, Jackson Araújo, Bernardo de Aguiar, meu marido Per Olav, minha querida tia Regina Machado e por aí vai.

Meu primeiro almoço no Carlota foi num sábado, com o Marcelo, e pedi (rachamos) o suflê de goiabada com calda de catupiry que estava tudoooo! Em 1995 ainda não tinha o petit gateau de doce de leite no cardápio. Um belo dia, uns tempos depois, apareceu este petit gateau que iria mudar a minha vida. Por que? Porque se eu nunca fui muito interessada no tradicional petit gateau de chocolate, que empesteou os restaurantes do Rio e de São Paulo durante alguns anos, me apaixonei pelo de doce de leite.



Doce de leite e goiabada são meus doces favoritos da infância, os doces que eu mais amei e mais comi. E dona Carla Pernambuco apareceu na minha vida para brincar com meus sabores favoritos e faze-los crescer. Tanto o suflê de goiabada, como o petit gateau de goiabada e de doce de leite, são criações simples que fazem do restaurante Carlota ser a cozinha multi-cultural que ele hoje é. A Carlota reúne o melhor de todos os mundos e num restaurante adorável.




A primeira vez que fiz petit gateau na minha vida foi há uns dois anos atrás com a receita retirado do site do Carlota. A receita do petit gateau de doce de leite este no ar durante alguns anos mas recentemente, desde que o novo site entrou no ar, ela saiu. Depois que ganhei o livro As Doceiras, do meu pai, passei a fazer os gateauzinhos com goiabada, figada (doce de figo) e cocada cremosa (doce de côco). As receita do petit gateau da minha festa levou foi feito com 'Hapå' um doce de leite mais duro e mais escuro para passar no pão produzido pela Nestlé na Noruega e na Suécia. O Hapå é o que há de mais parecido com doce de leite na Noruega, excluindo os leites condensados cozidos. Os gateauzinhos de ontem ficaram muito gostosos, menos doces e mais escuros. Servi com sorvete de baunilha e polvilhados de açúcar. Eu gostei da cor dos bolinhos com Hapå. E os amigos estrangeiros pouco ou nada familizarizados com doce de leite a sobremesa foi uma revelação. Aqueci 30 segundos no micro-ondas em potência baixa e o recheio se comportou como devia. Foi um arraso!




Mas o Carlota não é só sobremesas. Na realidade as entradas são o que eu mais amo. O mix de rolinhos e os petiscos de boteco são tuuuuudo de bom. O rolinho de pato a pequim feito com a pele do pato crocante são demais. Especial para mim são os croquetinhos de camarões com mandioca na folha de bananeira. Mas tudo lá é bom.

Vai nessa:

Carlota Rio de Janeiro
Rua Dias Ferreira, 64 Leblon

Carlota São Paulo
Rua Sergipe, 753 Higienópolis

As Doceiras
Carla Pernambuco e Carolina Brandão
São Paulo, Companhia Editora Nacional, 2007.

domingo, 19 de outubro de 2008

Pastéis de forno de presunto com massa de 'cottage chese'




Quando vi o evento da Rita Palita no blog Trem Bom pensei imediatamente em fazer pastéis de forno com massa feita de cottage cheese e recheio de presunto.

Esta é uma receita que foi mudando ao longo dos anos mas está na minha família há pelo menos 80 anos. É um pastel que a minha avó comia na infância dela em Campanha de Minas e que a minha bisavó fazia para ela. Eu cresci comendo este pastel na casa da minha avó, depois minha mãe passou a fazer e hoje eu faço para as minhas crianças.



A graça deste pastel está na simplicidade da massa. Feita de queijo e farinha. Mas no tempo da minha avó, na fazenda da família dela em Minas Gerais, a massa era feita de natas e farinha. As natas que falo não são as natas portuguesas vendidas em caixa, eram natas de leite retiradas diariamente e guardadas no congelador da geladeira. Na fazenda da minha bisavó não tinha geladeira, mas ela retirava montanhas de nata do leite que a fazenda produzia.

Quando eu era criança a minha avó e a minha mãe ainda retiravam nata do leite fervido, guardavam num copo e no congelador. Quando tivesse nata suficiente fazia-se a massa para o pastel. Quando eu saí de casa e voltava para visitar meus pais, minha mãe fazia os pastéizinhos. Eu me impressionei e perguntei, nossa mãe, você ainda coleciona natas? Ela falou: Nata nada, estes pastéis são de ricota. E me mostrou como ficavam bons com ricota. E milhares foram os pastéis que eu fiz com massa de ricota e farinha.



Depois que eu mudei para a Noruega, quatro anos atrás, ficou difícil achar ricota e cada ricota que eu achava era cada uma mais cara do que a outra. As ricotas ainda são desconhecidas aqui, todas são importadas da Itália e são bem carinhas. Enquanto a ricota é desconhecida o cottage cheese é um local, produzido aqui e, se duvidar, deve ter sido uma influencia dos noruegueses no Reino Unido, já que os vikings ocuparam a região, e a Irlanda, durante centenas de anos e entre outras coisas contribuiram para o inglês ser falado do jeito que é, mas isto fica para outra postagem.

Desde o ano passado passei a fazer a massa dos pastéis de forno com cottage cheese pois além de barato é mais fácil de manipular já que a ricota italiana é muito aguada e demanda mais trabalho para fazer a massa.



O recheio é livre. O de presunto deve ser feito com um creminho de manteiga, cebola, ervas, sal e pimenta. Mas também pode fazer de queijo, frango, camarão ou vegetais. Em especial espinafre. Fiz este com presunto picado com sal e salsinha seca (minha salsinha fresca tinha acabado) pois as crianças gostam sem creme. Sem o creme fica um pouco mais sequinho, mas fica muito bom também. Este pastel é a prova de crianças difíceis para comer e além de gostoso é saudável, leve e super fácil de fazer.









Pastéis de forno de presunto com massa de cottage cheese


Massa:

1 pote de 300g de queijo cottage
Aproximadamente 200 gramas de farinha de trigo branca
Sal a gosto
Um bocado de queijo parmesão ralado

Numa superficíe esfarinhada, ou numa tigela grande, coloque o queijo cottage e adicione o sal e a farinha, vá adicionando a farinha aos poucos e usando as mãos ou uma colhe de pau vá misturando até formar uma massa macia que descole das mãos. Importante amassar bem para desfazer as bolinhas do queijo. Quando a massa estiver bem macia divida em duas partes e forme duas bolas. Abra a massa até obter uma superfície com mais ou menos meio centimetro de espessura. Corte os pastéis usando a borda de um copo e atenção pois a largura do copo usado vai interferir no tamanho de cada pastel e na quantidade final de pastéis. A borda de um copo de requeijão comum rende cerca de 50 pastéis.







Recheio
250 a 300 gramas de presunto magro bem picado
Sal a gosto
2 colheres de sopa de manteiga derretida
Salsinha a gosto


Pique o presunto usando uma faca ou o processador de alimentos. Se usar o processador bata todos os ingredientes juntos. Se picar com a mão use um garfo para misturar o restante dos ingredientes ao presunto.











Corte os círculos, recheie com uma colher de chá de recheio e feche pressionando com os dedos. Se a massa não quiser colar pois está muito enfarinhada coloque água em um pires e vá pincelando água na borda da massa de um dos lados do pastel. A massa cola facinho com um tantinho de água. Por fim pincelar gema de ovo e um pouquinho de queijo parmesão ralado. Assar a 200C por 15 a 20 minutos.



Esta fornada rendeu 28 pastéis e usei apenas metade da massa. A outra metade meta num saco plástico e congele. Fica mais fácil de manipular depois de ter sido congelada. Ao todo esta receita faz entre 50 e 60 pastéis, dependendo do tamanho da boca do copo que você use. Os pastéis também podem ser congelados.

sábado, 18 de outubro de 2008

Era uma vez um bolinho francês: financiers de limão



Um bolinho francês e a minha saudade

Este é um blog melancólico, saudoso, mas não triste (assim espero). Cada assunto tratado aqui está ligado a saudade que sinto de alguém, de coisas e de lugares, saudades que me matam por dentro, por isso pode soar meio melancólico. Ando super saudosa. Saudosa do Rio (claro), de Copacabana, da minha família, dos meus amigos e em especial do meu amigo Jorge Valim Medeiros de quem inesperadamente perdi o paradeiro e de quem já falei em outra postagem.

Todas as vezes que sinto saudades do Rio e dos amigos sinto falta de alguma comida que esteve nos envolvendo então. Pensando de amigos e comidas me lembra a imensa saudade que sinto da Traiteurs de France, uma padaria francesa ao lado do cinema Ricamar em Copacabana. Esta padaria era maravilhosa e eu era vizinha pois morava no prédio ao lado. Ao lembrar da padaria, onde ia com frequência, me lembrei dos financiers de limão e deu uma vontade danada de comer financiers que há muito tempo eu não fazia.



Financiers são uns bolinhos de aparência simples mas que são um delírio. Os financiers eram um dos meus bolos favoritos na Traiteurs de France, mas talvez o maior clássico de lá seja até hoje a torta mousse de maracujá. Durante os anos 80 eu acho que não havia aniversário no Rio de Janeiro sem a torta mousse de maracujá. A Traiteurs de France fica na Avenida Copacabana, 386 juntinho do antigo cinema Ricamar, do Copacabana Palace e da antiga Livraria Francesa e influenciou muito as sobremesas da cidade. Em pouco tempo a torta mousse de maracujá estava em todos os cantos da cidade. Eu fico triste por não lembrar os nomes dos chefs franceses que eram donos da padaria, mas fui checar: os chefs são Philippe Brie e Patrick Blancard. Um fazia os pães e o outro os doces. Se estiver no Rio e a fim de provar um macarons ou qualquer outra iguaria francesa passe lá. Hoje é uma mistura de restaurante com casa de chá mas ainda tem o balcão de vidro com os doces na entrada.

Assim, como eu uso muitas gemas de ovos e sempre tenho claras sobrando na geladeira resolvi fazer financiers.



Em geral faço suspiros com as claras que sobram pois é o que as crianças mais gostam. Como boa carioca eu também faço muito omelete de claras com queijo, presunto ou perú defumado. Uma coisa totalmente saudável e deliciosa. Hoje em dia o Per Olav também adora omelete de claras, que é um sabor que também deixa uma imensa saudade nele.


Esta receita de financiers eu tirei de algum jornal há muito tempo atrás, não lembro se foi do Jornal do Brasil, d'O Globo, Folha de S.Paulo ou talvez Claudia Cozinha, a revista. Fiz esta receitas muitas vezes em São Paulo e copiei para o meu caderninho de receitas sem referências a fonte. No Morumbi, meu último endereço em São Paulo, eu fazia estes bolinhos sempre pois achava uma farinha de amêndoas já pronta maravilhosa no Pão de Açúcar do Portal do Morumbi. Como é meu hábito, modifiquei a receita diversas vezes e esta aqui já está bem diferente da receita 'original'. Como hoje eu só tinha uma sobrinha de amêndoas tive que reduzir a receita e usei apenas quatro delas.




Financiers, fonte desconhecida.
Inspirado nos financiers de limão da Traiteurs de France no Rio de Janeiro.


6 claras
1 xícara de farinha de amêndoas, pode moer você mesma em casa se não encontrar nas lojas, mas no Pão de Açúcar tem.
1 xícara de farinha de trigo branca
2 xícaras de açúcar de confeiteiro
150 gramas (deve render de 125 a 135 gramas) de manteiga sem sal dourada (derretida e cozida até ficar no ponto de 'beurre noisette' com cor e gostinho de nozes)
Raspas de um limão
Uma colherzinha de café de extrato de baunilha

Como:

Primeiro derreta a manteiga e deixe a manteiga cozinhar até adquirir uma cor dourada, tipo caramelo, apenas levemente marrom. Cuidado para não queimar a manteiga pois aí já era. Deixe a manteiga num canto mais quente da cozinha para ela não esfriar (No Rio qualquer canto é quente).

Bata as claras com a mão com um batedor de ovos ou um garfo mesmo até formar os famosos picos moles. Misture as farinhas e o açúcar e adicione-as as claras batidas. Então adicione a manteiga a esta mistura, sempre mexendo com o batedor tipo fouet. Por fim adicione as raspas de limão e a baunilha.

Divida a massa em forminhas untadas com bastante manteiga. Pode usar forminhas de tarteletes, de empadas, de quindim, de muffins ou as forminhas próprias de financiers que são umas forminhas retangulares bem baxinhas. Mas as formas de financiers tradicionais são dificílimas de se achar, pelo menos fora da França. Deve render uns 15 a 18 bolinhos do tamanho de uma empada de boteco.

Assar por 15 minutos a 200C ou até formar uma crostinha dourada na bordinha dos bolinhos.

A maciez deste bolo é impressionante e a cor escurecida da massa é por causa da manteiga que dá cor e um sabor bem marcante. Mas o perfume do limão dá um frescor maravilhoso. Também pode-se usar raspas de laranjas.