sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Já chegou quem faltava: biscoitos amaretti



Andei fazendo tantos biscoitos ultimamente, publiquei aqui alguns deles inclusive e, apesar disso, continuo a defender que não sou uma grande comedora de biscoitos. De verdade eu gosto mesmo de alguns biscoitos de amendoas e o meu biscoito favorito é o amaretti, o tradicional biscoito italiano feito com farinha de amendoas, açúcar, claras e licor de amendoas. Amarettis são deliciosos e bem fáceis de fazer mas eu nunca tinha publicado uma receita de amaretti no blog. Estava devendo uma, sem dúvida. Um dos motivos da demora é que, apesar do amor que sinto pelos amarettis, eu andava meio enjoada. Aqui em Trondheim tem um café e delicatessen italiana chamada Somma que produz um amaretti maravilhoso, sempre fresquinho, e eu andei comendo amarettis demais no café Somma.



Mas outro dia, zanzando pela aí, eu encontrei uma receita de amaretti muito interessante que eu precisava provar já que era diferente das receitas que eu conhecia. A receita, do blog Cream Puffs in Venice, leva chocolate em pó, ovos inteiros e muita essência de amendoas. A receita era bem grande, pedia 750 gramas de farinha de amendoas e eu reduzi bastante. Usei 250 gramas de amendoas apenas. Também não usei açúcar cristal na massa, mas açúcar de confeiteiro. Açúcar cristal só para enrolar. A quantidade de açúcar é pouca e, apesar de coberto de açúcar, o biscoito ficou bem pouco doce. Além disso usei licor Disaronno que tinha em casa ao invés de essência de amendoas. Não gosto de essências artificiais.



Amaretti

250 gramas de farinha de amendoas (amendoas moídas)
Meia xícara de açúcar de confeiteiro
3 colheres de chá chocolate em pó
2 ovos
1 colher de sopa de Disaronno ou outro licor de amendoas
Açúcar cristal para enrolar os biscoitos

Como:

Aqueça o forno a 180C e forre uma forma com papel manteiga ou com uma folha de silicone. Misture amendoas, açúcar e chocolate e reserve. Bata os ovos com o licor e adicione a mistura de amendoas e mexa bem até incorporar. Faça bolinhas com a ajuda de uma colher de chá, enrole com as mãos e passe no açúcar cristal. Arrume sobre a forma preparada e asse a 180C por 12 a 15 minutos, dependendo do tamanho do biscoito.

Rende 40 biscoitinhos



O acompanhamento perfeito de um biscoito amaretti, a recém aberta garrafa de licor Disaronno, para perfumar e esquentar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Enquanto eles dormiam: brigadeirão de microondas



Durante anos mantivemos uma relação muito delicada, eu e meu microondas (já usando a grafia do novo acordo da língua portuguesa). Como tudo começou eu não sei, o fato é que, em algum momento da minha vida, eu peguei medo de microondas e a coisa ficou. Na cozinha aqui de casa tem um microondas lindo, novinho, comprado no ano passado num momento de esperança mas que estava ali totalmente parado, sub-utilizado. Eu desconfio que essa relação delicada é resultado da minha eterna desconfiança dos benefícios da tecnologia e menos por culpa do microondas em si. Claro que minha mãe já havia me relatado algumas muitas explosões e bolos solados em microondas de matildes. Mas eu pessoalmente nunca havia experimentado nada de errado com os meus microondas. Mas apesar disso meu medo simplesmente sobreviveu.



Mas ontem, movida pela gula, pela impaciência e pela vontade de comer brigadeirão antes de dormir eu tomei coragem e encarei o microondas de frente. Olho no olho. Então saquei a receita de brigadeirão de microondas guardada no fundo da gaveta e executei. Usei como base uma receita da Nana, veja aqui, mas dei umas alteradas como é o meu estilo. Usei creme de leite fresco pois eu tinha um pote na geladeira e 3 ovos inteiros ao invés de usar apenas gemas como a maioria das receitas recomenda.

Misturei, bati, untei, transferi e levei ao microondas por 10 minutos numa forma refratária média. Ainda assei mais três potinhos individuais, dois deles por 3 minutos e um outro por 4 minutos. Eu achei que o brigadeirão grande ficou um pouco duro demais, pois eu prefiro mais macios, mas ficou super gostoso. É que os brigadeirões que eu já fiz no forno convencional costumavam ficar mais macios. Já era quase uma hora da manhã quando eu finalmente pude saborear um dos brigadeirões individuais. Comi e ainda estava meio quente, mas com a maior satisfação pois estava uma delícia.



Brigadeirão de Microondas

350 ml de leite condensado
350 ml de creme de leite fresco
1 colher de sopa bem cheia de manteiga + manteiga para untar
7 colheres de sopa de chocolate em pó
3 ovos médios

Como:

No pote da batedeira bata todos os ingredientes até incorporar bem, uns 30 segundos. Peneire para remover sólidos que possam ter ficado e reserve. Unte com manteiga uma forma refratária e transfira a massa para a forma preparada. Encha a forma pela metade apenas para não transbordar pois a massa vai crescer bastante durante o cozimento (mas depois vai baixar novamente). Assar por 8 a 10 minutos em potência alta, dependendo da potência do seu microondas e da altura da sua forma você vai precisar de um minutinho a mais ou menos. Rende entre 8 e 10 porções pois apesar de gostoso o 'bichinho' é enjoativo.



Obs: Se for assar no forno comum faze-lo em banho maria, por 30 minutos a 180C.
Se preferir use forma de silicone, mas eu não tenho formas de silicone.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Para adoçar a festa: toucinho do céu e outros favoritos



No dia seguinte da festa ainda haviam muitos doces e então eu fiz umas fotos das sobras para publicar aqui. Para ver melhor as fotos basta clicar sobre as mesmas.
As receitas dos doces da festa já foram publicadas aqui , aqui e aqui, exceto um, que vou publicar agora. Além do bolo de chocolate, da mousse de chocolate e das gelatinas de quatro cores em forma de trenzinho (que o Per fez), eu fiz doces que a Estela gosta muito para agradar adultos e que também agradaram as crianças: trufas, biscoito amanteigado 'ninho de chocolate', financiers de baunilha e toucinho do céu.

(Trufas de chocolate)

As trufas entraram na festa por acaso e foram feitas pois eu tinha feito muita ganache de chocolate para cobrir o bolo e rechear os biscoitos e sobrou muito. As sobras de ganache renderam um monte de trufas pequenas. Depois ainda tinha sobrado um pote de creme de leite fresco e eu fiz um pouco mais de ganache e enrolei mais umas trufas antes da festa. Servi em forminhas passadas em cacau em pó. As trufas da foto são as últimas.

(Financiers de baunilha)

Os financiers viraram um clássico aqui em casa já que as crianças amam este bolo. Fiz muitos, foram duas dúzias de claras. Fiz uns puros (como os da foto), uns com morangos, uns framboesas e uns com rodelas de bananas. Os de frutas acabaram todos e só sobraram os puros que são os favoritos da Estela. Os de banana estavam de longe os melhores e acabaram rapidinho. Vou precisar fazer um dia para fotografar.

(Biscoito amanteigado 'ninho de chocolate')

Os biscoitos amanteigados que eu chamo de 'ninho de chocolate' foi um sucesso de bilheterias no Natal aqui em casa. Todo mundo amou e Estela pediu para eu fazer no aniversário. Os biscoitos do aniversário ficaram ainda melhores pois eu finalmente encontrei o tempo de forno certo e o jeito de lidar com este biscoito. É um biscoito bem complicadinho de assar já que ele cresce e desfaz o ninho (cova) no centro que precisa ser reforçada no meio do processo. O problema é que precisa assar 10 minutos, retirar do forno e fazer os ninhos de novo e levar de volta para o forno por mais 15 minutos. Acho que na receita que eu publiquei no Natal eu fiz diferente e usei o foro mais quente mas o biscoito ficou um pouco mais durinho. Apenas 10+10 não é suficiente para assar o biscoito. É necessário assar por 10 minutos, retirar para refazer as covas, levar de volta ao forno e assar por mais 15 minutos, tudo a 180C.



Além do domínio absoluto do chocolate, com bolo de chocolate, mousse de chocolate, trufas de chocolate e biscoito amanteigado de chocolate, ovos e amendoas aparecem nas segunda e terceira posições respectivamente. Ovos e amendoas foram os elementos complementares nos doces da festa. Usei duas dúzias de claras e muitas amendoas para fazer os financiers que renderam ao todo aproximadamente 60 financiers. Com as 24 gemas e algumas centenas de gramas de amendoas eu fiz toucinho do céu. Este clássico doce português é um dos meus favoritos e fazia um certo tempo que eu não fazia.

Toucinho do Céu


12 gemas (eu usei 24 gemas e dobrei esta receita)
2 1/2 xícaras (300g) de amendoas moídas ou farinha de amendoas
100 gramas de manteiga temperatura ambiente
1 xícara de água
2 (220g) xícaras de açúcar
Uma colher de sopa de licor de amendoas Disaronno
Açúcar de confeiteiro para salpicar

Como fazer

Unte uma forma baixa, redonda ou retangular, cubra com papel manteiga e unte o papel. Peneire as gemas e reserve. Em fogo médio faça uma calda com o açúcar e a água e deixe a calda ferver, sem mexer, até formar uma calda muito brilhante e muito transparente. Retire do fogo e adicione as amendoas moídas e a manteiga e mexa bem para incorporar e não açucarar. Adicione então as gemas e o licor e mexa bem para incorporar. Leve a mistura de volta ao fogo médio e mexa sempre até ferver e a mistura começar a soltar do fundo da panela. Passe uma colher no fundo da panela e veja se forma um caminho por onde a colher passou. Transfira a mistura para a forma untada e asse a 180C por 30 a 40 minutos.

Rende 15 a 20 porçoes. Sirva com açúcar confeiteiro por cima.




Toucinho do céu e financiers são o par perfeito. Diferentes e muito parecidos ao mesmo tempo. Um é feito apenas de gemas e o outro apenas de claras. Ambos pedem farinha de amendoas, açúcar e manteiga e algum licor ou essência. Financiers pede uma 'calda' de manteiga (beurre noisette) e o toucinho do céu uma calda de açúcar. Nenhum dos dois é muito doce e ambos tem um sabor divino resultado da mistura de uma das partes do ovo com as amendoas e as essências. Financiers são mais aerados e mais perfumados, resultado das claras batidas e o toucinho do céu é bem mais denso e levemente crocante. Loucura como são bons.

Festa de Menina: Estela na neve...



Há exatos 10 dias fizemos a festa de aniversário da Estela e eu fiquei devendo umas fotinhas da festa da minha Tetézinha. Selecionei as primeiras fotos que vi, simplesmente não deu para ficar procurando muito. A festa começou ao redor do lago, ao ar livre e acabou na nossa sala de estar com 18 crianças das 21 crianças convidadas. Além dos amiguinhos duas irmãs adolescentes e três irmãzinhas menores, oito mães e seis pais participaram da festa em tempo integral. Tive muita ajuda no final!!! Para ver melhor as imagens clique sobre as mesmas.



A aniversariante se divertiu muito e fez tudo o que tinha programado já que, apesar da temperatura abaixo de zero, o tempo estava 'bom' (assim, não nevou, nem choveu no dia). Temperaturas negativas não impedem criança alguma por aqui de brincar com os amigos na neve e no gelo. A festa que começou as 13:00 não terminou antes das 20:00 quando os últimos dois casais foram embora levando as últimas cinco crianças. Foi bem legal pois os adultos que vieram eram amigos e todos nós nos divertimos muito.



A grande diversão foi escorregar de trenó já que tinha nevado muito durante a semana e o lago congelado estava coberto por uma camada grande de neve fresca. Os esquis não foram usados pois esquis não são tão divertidos para brincar em grupo. Nas fotos as crianças brincam com os trenós, tomam chocolate quente e comem umas tangerinas antes de voltarem para casa para comer.

















Abrindo presentes com os amigos na sala de TV e um relance torto do bolo de chocolate e alguns docinhos. Fotos feitas por minha amiga querida Sarah By. Mas eu fiz umas fotos dos doces que sobraram festa e volto depois para publicar.







(esta que vos escreve aparece no lado direito da foto, de cachecol cinza)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Moços emocinantes e creme cozido com iogurte e mel


Fazia um tempo que Per e eu não íamos ao cinema sozinhos. A vida com duas crianças aqui na Noruega, longe da família, não cria muitas oportunidades para sairmos sozinhos. Uma vez ou outra aparece uma chance de sairmos sozinhos. Quando rola é sempre meio por acaso e nós não temos nada planejado para fazer. Nestas ocasiões o que sempre fazemos é jantar fora e ir cinema. Mas já está de bom tamanho para um casal que nunca saí sozinho, não é mesmo? Fomos ao cinema num daqueles centros de exibição com 10 salas e em geral 10 opções diferentes de filmes.

Eu cheguei no local totalmente desorientada, sem ter a menor idéia do que eu queria ver nem do estava passando em Trondheim. Falei: vamos ver Vicky Cristina Barcelona ( só o que me veio a cabeça foi Woody Allen). Mas claro que Vicky Cristina Barcelona já tinha ido embora de Trondheim faz tempo, agora para mim só em DVD. E o que ver então? O Per queria ver, eu já sabia, Revolutionary Road, o filme com o Di Caprio e a Kate Winslet. Já que não tinha mais Woody Allen com Javier Bardem eu pensei em 'en julfortelling' ('a história de um natal') um filme francês com a Catherine Deneuve. Tinha uns quatro filmes franceses em cartaz e um outro francês que parecia interessante era 'klassen' (a classe).

Atores e atrizes são a atração de um filme, não? A Catherine Deneuve, por exemplo, me leva a ver qualquer filme. Gosto muito de ver filmes com um rosto familiar, com alguém com quem me identifico, que amo. Sim, eu amo alguns atores de cinema, em geral homens. E ontem a seleção de moços não era das mais interessantes (de acordo com esta que vos escreve). Até que eu percebi, vendo os telões com os trailers dos filmes em cartaz, que o filme que eu queria ver não estava passando ali naquele cinema, mas num outro da mesma rede não muito longe dali. Como Per é um cavalheiro, um homem super paciente e generoso, na hora foi buscar o carro (já devidamente estacionado) para irmos ao outro cinema ver o filme com o ator que eu adoro.
O ator em questão é o noruegues Bjørn Sundquist (na foto de cima com cigarro), um ator de teatro que me seduziu totalmente em vários filmes antigos e em uma série de televisão fantástica. O cara é uma espécie de medalhão do teatro nacional da Noruega. Bjørn Sundquist é premiadíssimo no teatro, faz muito cinema e as vezes televisão. Eu me apaixonei por ele principalmente depois da série de TV Berlinerpoplene e do filme O Telegrafista. Minha paixão por Bjørn Sundquist se encaixa totalmente no meu estilo preferido: homens comuns, com rostos comuns, vividos e sofridos. Combina totalmente sentido com minhas outras duas paixões: Bruno Ganz (na foto a esquerda de chapeu) e Marcello Mastroianni (na foto abaixo). Eles até que se parecem. Eu vejo grande semelhança nos narizes e os olhares.
Olhem com cuidado as fotos para perceber que os rostos destes moços meio que se parecem. Além disso eles são todos talentosíssimos e conseguem me emocionar profundamente com a arte deles. E fomos ao outro cinema e Per perguntou se era aquele filme mesmo que eu queria ver. E eu, sim, claro. Um filme noruegues no cinema é sempre um desafio já que filme noruegues na Noruega é sem legendas em qualquer língua e isso representa sempre um desafio para mim. Quando vemos em casa acionamos a famosa tecla sap e tem sempre legenda para eu ler o noruegues. Explico, leio bem em noruegues mas tenho uma grande dificuldade para entender quando eles falam. É uma língua com muitas sonoridades diferentes e com formas regionais diferenciadas. Enfim, uma língua muito difícil de entender quando eles falam entre eles.
Como falei, as opções de moços em exibição no cinema eram variadas, Leonardo e Kate, Hugh Jackman e Nicole (naquele filme assustador Australia que só de ver o trailer com aquela motanha de cenas clichês dá enjôo), Colin Farrell numa comédia, John Malkovitch com Angelina Jolie, Jim Carrey, Brad Pitt e Cate Blanchet no tal Benjamim Button, os jovens vampirinhos, o ratinho Desperaux, uns 3 ou 4 filmes franceses e o Phillip Hoffman Seymour (de padre) com a Meryl Streep, um outro norueguês Max Manus sobre o período em que a Noruega esteve ocupada pelos nazistas alemães e montes de outras bobeiras. Passei por todos eles sem piscar. Fomos ver Mr. Bjørn Sundquist e seu Jernanger. Este era o filme da semana que tinha estreiado no dia anterior e estava inclusive na capa da revista da programação de cinema. Um filme bem meu estilo. Uma mistura de 'Segunda-feiras ao sol' com 'Olhos Negros', sabe como é? É que a comédia-dramática norueguesa tem um tanto de melo-drama espanhol e um tantão do senso de humor negro russo. Precisa ler muito Ibsen para entender o senso de humor e de tragédia desta gente nórdica, mas Ibsen sem dúvida descreve seu povo muito bem.

Jernanger é o nome do barco do personagem de Bjørn Sundquist, Eivind, um homem norueguês do mar, um Sami do norte da Noruega. Eivind deixou para trás, no norte, seu povo e o amor da vida dele. Ele nunca superou a perda do amor e, depois de 30 anos, tem uma nova chance de ser feliz e estraga tudo. No meio de tudo ele encontra por acaso um moço novo, de 25 anos, que de certa forma está repetindo a história de Eivind, deixando para trás o amor da vida dele para sair pelo mundo de navio. Eles se ajudam e se salvam. No final, depois de algumas reviravoltas, risadas e choros as coisas mudam para o jovem mas estão definitivamente perdidas para Eivind. O filme é muito lindo. O personagem principal é um norueguês 'puro', extremamente apaixonante interpretado magistralmente por Bjørn Sundquist.

Jernanger é um filme super emocionante. Sem sombra de dúvida muito melhor do que todos os outros que estavam passando nas demais salas. No entanto, Bjørn Sundquist em Jernanger muito provavelmente nunca vai aportar no cinema mais próximo de você. Ficará restrito ao público de festivais e ao público escandinavo. Uma pena, pois mas a maioria de nós vai ver, ou vai ao menos ouvir falar, de todas as bobagens feitas pelo cinema comercial dos EUA. E ver o cinema dos EUA é para mim como deixar de comer um doce feito com a fruta fresca para comer outro feito com aroma artificial da mesma fruta. Não se compara com as histórias dos cinemas de verdade. Veja o trailer de Jernanger



Chegamos em casa cedo e para nossa alegria tinha creme cozido (panna cotta) já gelado pronto para comer. Bastou colocar um fiozinho de mel e decorar com as últimas cerejas da festa argentina.

Creme cozido com iogurte e mel

2 xícaras de iogurte natural (integral ou desnatado)
2 xícaras de creme de leite
1/2 xícara de mel
1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de água
4 colheres de chá de gelatina em pó (calcule uma colher para cada xícara de líquido)
Raspas de uma fava de baunilha (ou 1 colher de chá de essência)

Como:

Misturar o creme, o açúcar e as raspas de baunilha numa panelinha e levar ao fogo médio. Se for usar baunilha em essência misturar ao iogurte no final. Mexer o creme até ferver. Retire do fogo e deixe de lado. Num potinho amoleça a gelatina em pó na água. Adicione a gelatina amolecida à mistura de creme de leite e leve ao fogo novamente mexendo sempre até derreter a gelatina totalmente. Retire do fogo. Num pote misture o mel ao iogurte até incorporar totalmente. Misture o creme à mistura de iogurte e mel até incorporar totalmente. Divida os cremes em potinhos e leve para gelar. Servir acompanhado com mel ou calda de frutas.

(Panna cotta com calda de cerejas)

Adaptado de uma receita de Martinha que pode ser lida em inglês veja aqui

Fotos de divulgação do filme Jernanger têm reprodução livre. Foto de Bruno Ganz é uma foto de divulgação do filme Vitus. Foto de Marcello Mastroianni também é uma foto de divulgação do filme Olhos Negros.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sabor de verão argentino: clafouti de cereja



Eu finalmente estou de volta ao blog. Foram tantas coisas e tudo foi feito de acordo. Festas, comilanças e aquele meu importante projeto ficou pronto no prazo. Consegui achar inspiração para conceber o trabalho e terminar o texto no prazo. Eu fiquei muito, mas muito satisfeita com o resultado do trabalho. Foi difícil encontrar o caminho do texto, achar uma direção, mas depois que eu achei a coisa fluiu. Se tudo der certo em breve vocês serão informadas sobre tudo.

O dia de ontem foi de finalização. Passei o dia inteiro na universidade, com a cara enfiada no computador para reler tudo, corrigir cada palavrinha e imprimir. Uma super ansiedade já que, como mencionei, esse era o projeto mais importante do ano e 2009 apenas começou. No meio da tarde, depois que tudo estava terminado e o projeto entregue veio a sensação de realização, de alívio e o prazer da missão cumprida. Enquanto caminhava para o estacionamento ventava e fazia muito frio. O termômetro do painel do carro marcava -14C, mas eu não estava sofrendo muito não. Estava feliz, realizada. Os dias estão muito frios, mas janeiros são assim por aqui. Pior do que os dias de janeiro são os dias de fevereiro. Os piores dias do inverno norueguês são sempre em fevereiro e todos por aqui já sabem. Em fevereiro espera-se pelo pior.



Eu sobrevivo aos dias frios enfiando a cara no trabalho e não pensando muito no frio dos meses de janeiro e fevereiro. É que no fundo da minha mente, bem fundo, está registrado que janeiro e fevereiro são meses de verão, de muito calor e de tantos acontecimentos marcantes, como carnaval. Eu não quero alterar minha programação mental, quero continuar vendo janeiros e fevereiros como meses de verão. Comida de verão é fundamental para manter o clima. E umas das coisas de janeiro são as cerejas, frutas do alto verão. Cerejas não nascem no Brasil, pelo menos não nasciam até alguns anos atrás (mas em tempos de biotecnologia não dá para se garantir mais nada e talvez já existam pés de cereja florindo em algum canto do Rio Grande do Sul). Mas cerejas são umas daquelas frutas que nós sempre comíamos na minha casa durante o verão. Tanto no Rio como em São Paulo. As cerejas que comemos no Brasil durante o verão são importadas da Argentina e do Chile.



As cerejas do alto verão da Argentina e do Chile dão mais cor e sabor ao verão brasileiro que já é naturalmente cheio de cores e sabores. E ontem, sem pensar muito, entrei num supermercado perto da universidade e, para minha surpresa e alegria, para brindar minha missão cumprida, cerejas argentinas. Eu queria estar com a minha máquina fotográfica para registrar o cartaz da loja com o preço ( não tão absurdo) e a origem (sedutora) das frutinhas. Comi algumas na hora, na loja, para provar antes de decidir se valia a pena encher a bolsa. E as cerejinhas estavam suculentas e doces, o melhor da estação. Enchi um saco.


Comemos quase todas as frutinhas quando eu cheguei com o saco em casa. Estela ama cerejas e comeu feliz. Eu consegui salvar algumas para fazer estas fotos e uma receita especial para cerejas. Já dá para adivinhar que é clafoutis não é mesmo. Eu amo o creme de ovos cozido com frutas, que é exatamente o que a clafoutis é. Um creme de ovos. E valeu a pena pois ficaram tão lindas e gostosas. Para todos os que estão no Rio, São Paulo, Buenos Aires, Santiago (ou em Trondheim como a sortuda que vos fala) cercados por cerejas do alto verão do hemisfério sul, nada como esta simples receitinha francesa. Há pouco descobri que amo mais os franceses quando eles são simples.



Clafouti de Cereja (*)

3 ovos
1/2 xícara de açúcar + para salpicar na forma
1 1/2 xícara de leite (ou 1 xícara de leite + 1/2 xícara de creme de leite ou de creme azedo)
2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de amido de milho (maizena)
Raspas de meia fava de baunilha
200 a 300 gramas de cerejas com caroço (não remover os caroços)

Como:

Aqueça o forno a 180C. Unte uma forma refratária ou potinhs individuais com manteiga e salpique açúcar. Lave as cerejas, seque e coloque no refratário ou divida as frutas nos potinhos. Bata os ovos com o açúcar até ficarem aerados. Adicione as raspas de baunilha e misture. Adicione a farinha, aos poucos e mexa até incorporar. Por fim adicione o leite/creme e misture suavemente até ficar totalmente incorporado. A massa é bem líquida. Divida a massa entre os potinhos cubrindo a camada de frutas. Asse por 45 minutos. Deixe esfriar alguns minutos antes de servir. Pode ser servido quente ou frio. No dia seguinte, gelada, fica tudo de bom. Decore com um pouco de açúcar de confeiteiro ou alguns pistaches moídos antes de servir. Rende 6 porções.



(*) Clafoutis e Flognarde

Faz pouco eu aprendi que é uma redundância escrever 'clafoutis de cereja', sabiam? É que clafoutis são sempre de cereja. Quando se usa uma outra fruta para fazer está tortinha cremosa elas deixam de ser clafoutis e são chamadas de 'flognardes'. A primeira vez que eu li sobre flognardes foi no blog Flagrante Delícia da talentosa Leonor. Fiquei muito curiosa para saber mais sobre os flognardes e fui checar a história destas sobremesas e encontrei a origem de tudo. Clafoutis e flognarde são sobremesas caseiras da região de Limousin, na França. A origem do nome clafoutis está totalmente relacionado com a o uso das cerejas. Uma curta explicação em francês pode ser lida aqui



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Você é feita de que?



No canto frio onde eu vivo faltam algumas condições básicas para a sobrevivência humana 12 meses ao ano, tipo luz natural, luz do sol. Durante alguns meses do ano, verdade seja dita, a luz abunda e os dias são longos, muito longos. Mas durante a maior parte do ano os dias são bem curtos e o sol não aparece, ou aparece por uma ou duas horas. A luz do sol, principalmente os raios ultravioleta (UVB), é fonte fundamental de vitamina D que entre outras coisas é fundamental no processo de absorção de cálcio pelo organismo. Vitamina D é produzida pelo corpo humano quando este é exposto a luz do sol diariamente. Onde não há sol suficiente é necessário achar uma fonte suplementar. Em geral com cápsulas de vitamina D ou comendo muito peixe, tipo arenque, pois os peixes são as maiores fontes alimentares de vitamina D.

Entre a montanha de doenças que a falta de vitamina D pode causar está a depressão já que o sol e a luz ajudam a manter o entusiasmo e a moral alta. Consumir vitamina D ajuda o povo a não pirar, não ficar deprê, e todo mundo toma suplementos diários de vitamina D por aqui, além de Ômega 3 (óleo de fígado de bacalhau). Mas eu sou feita de outro material, meu esqueleto precisa de mais do que vitamina D e ômega 3. E para manter a minha moral e meu entuasiasmo tinindo eu tomo cápsulas diárias de extrato da cerejinha princesa da Amazônia e cápsulas de pó de guaraná, só com doses extras de cafeína para aguentar o tranco de tanto trabalho e responsabilidades num clima noturno como este. Na foto o meu coquetel amazônico diário.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Penso e cozinho ou cozinho e penso? Com receitas...


(Financier de avelãs e chocolate)

São muitas coisas para eu fazer estes dias. Me sinto como o coelho da Alice correndo para lá e para cá. É tarde, é tarde, é tarde, é tarde. As vezes acho que não vou dar conta de tudo, mas até lá eu tento. Vim até aqui para relaxar. Preciso espairecer. Mas quando paro para espairecer eu cozinho e, enquanto eu cozinho, eu penso. Parece um círculo vicioso. Sem cozinhar parece que eu não tenho idéias. Talvez seja o contrário, se eu não ficar pensando tanto, tendo tantas idéias complicadas, eu acho que não consigo ter vontade, nem fome suficiente, para cozinhar. Mas aqui em casa as coisas não rolam ao redor de mim. As outras pessoas quem moram aqui em casa têm poder de voto e atuação garantida no processo todo. Se é que vocês me entendem. A maior parte do tempo eu estou aqui para servir.


(Meu bolinhos básico de chocolate)

A semana está sendo boa e muito feijão sobrou da feijoada de sexta-feira (sábado seria o dia mais tradicional). Comemos feijão por quatro dias, feijão preto maravilhoso (presente de uma amiga querida que trouxe especialmente de Natal, Rio Grande do Norte) servido com muita carne de porco salgada em casa e toucinho defumado. Para mim feijão com carne ter que estar sempre acompanhado de muita laranja (as brasileiras já chegaram por aqui no melhor da safra) e muita farofa com toucinho e banana. E ainda tivemos muito bolo de chocolate.

As fotos da feijoada eu deixei passar desta vez, mas tenho planos de fazer uma postagem da minha próxima feijoada pois elas ficam lindas com todas aquelas carnes, legumes, frutas e cores. Pura beleza um prato de feijoada. Mas para mudar a imagem do blog eu trouxe umas fotos dos bolinhos de chocolate com avelãs servidos no café e dos bolinhos que seguiram juntamente com a Estela para à escola na manhã de segunda e que ficaram muito bons, excepcionais eu diria. Uma receita minha, que estou aperfeiçoando e que (adendo) decidi publicar agora aqui.



Meu bolo de chocolate básico

(receita baseado em receita de bolo de chocolate da minha mãe, bolo brigadeiro da minha ex-sogra e outros bolos de menor significância)


3 ovos grandes em temperatura ambiente (se os ovos estiverem pequenos demais use 4)
1 xícara de açúcar refinado
2 xícaras bem cheias de farinha de trigo
1/2 xícara de cacau em pó, chocolate em pó ou nescau ou nesquik (dependendo do público a quem se destina eu uso cacau ou chocolate)
1/2 xícara de óleo de girassol ou de manteiga derretida (dependendo do público eu uso um ou o outro)
1 xícara de creme de leite fresco em temperatura ambiente (pode usar leite, mas eu acho que o creme muda totalmente a textura)
1 xícara de água quente, antes de ferver
1 colher de sopa rasa de fermento em pó
1 colher de chá de essência de baunilha

Como fazer:

Bata os ovos com o açúcar até adquirir uma consistência cremosa. Adicione o óleo se estiver usando óleo e bata bem para incorporar o óleo à mistura. Adicione então a farinha (peneirada) uma xícara de cada vez, sempre batendo até incorporar totalmente à mistura. Entre uma xícara de farinha e outra adicione meia xícara de creme de leite e bata para incorporar. Depois de adicionar a farinha e o creme de leite bata um pouco mais. Adicione então o cacau ou chocolate e a baunilha e mexa para incorporar. Quando o chocolate tiver sido incorporado totalmente à massa vai estar um pouco grossa. Neste momento adicione o fermento em pó e a manteiga derretida se estiver usando manteiga. e mexa mais um pouco para incorporar totalmente a manteiga. Por fim adicione a água quente, aos poucos, mexendo suavemente com uma colher de pau para incorporar todo o líquido à massa.

O resultado é uma massa mais líquida, mais fácil de usar e que pode ser transferida para uma jarra de suco ou leiteira para ajudar na hora de encher as forminhas do bolo. Pode ser assado em qualquer tipo de forma ou forminhas, desde que untadas ou forrada com forminhas de papel. Encher 1/3 das forminhas apenas pois o bolo vai crescer. Assar por 15 minutos a 180C em forno pré-aquecido. Rende 24 a 30 bolinhos

Obs. Eu só bato este bolo com a mão usando colher de pau. Eu não uso batedeira para fazer bolo exceto quando o bolo leva muitas claras em neve. Mas gosto de bater claras com as mãos também. É uma coisa instintiva minha, naturalmente pego e faço com a colher de pau. Tenho uma coleção de batedores, colheres de pau e espátulas. Adoro fazer tudo com as mãos. Exatamente do jeito que eu via minhas avós fazendo.

Cobertura

100 gramas de chocolate amargo com pelo menos 57% de cacau (usei um com 70% pois era o que tinha)
100 ml de creme de leite fresco

Rale ou pique o chocolate em pedaços bem pequenos e transfira para uma forma ou tabuleiro de vidro. Ferva o creme de leite em fogo médio, mexendo com cuidado para não queimar e depois que o creme ferver adicione ao chocolate picado e mexa com cuidado para incorporar totalmente o chocolate ao creme. A mistura deve ser mexida com cuidado até ficar bem incorporada, sem pedaços de chocolate.

Deixe a ganache esfriar um pouco e então coloque-a na geladeira por pelo menos 20 minutos para endurecer um pouco. A ganache precisa endurecer um pouco para poder ser usada para decorar os bolinhos. Se a ganache não tiver num ponto cremoso deixe gelar por mais um tempo antes de passar sobre os bolinhos. A cobertura de ganache vai endurecer um pouco, principalmente se você estive num clima mais frio. No Rio fica mais difícil endurecer e neste caso os bolinhos devem ser mantidos em geladeira.



Financier de avelã e chocolate

1 xícara de farinha de avelãs moídas
1 xícara de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar de confeiteiro
3/4 xícara de chocolate ou cacau em pó
100 gramas de manteiga derretida dourada
6 claras batidas em neve

Derreta a manteiga em fogo baixo e deixe-a cozinhar em fogo baixo até que dê uma leve caramelizada, atingindo uma cor dourada, âmbar. A manteiga vai espumar bastante e, por isso, retire parte de espuma com uma colher enquanto a manteiga cozinha. No final peneire a manteiga e reserve.

Num pote grande peneire as farinhas, o chocolate e o açúcar e reserve. Em outro pote bata as claras em neve e adicione-as à mistura de açúcar e farinhas, aos poucos. Mexa com uma colher de pau até incorporar totalmente. Por fim adicione a manteiga derretida e misture suavemente, sem parar, com a colher de pau ou espátula até incorporar totalmente a manteiga a massa.

Transfira a massa para forminhas muito bem untadas e asse por 15 minutos a 180C em forno pré-aquecido. Encher as forminhas pela metade apenas. Rende 15 a 20 bolinhos em forma de muffin, tartelete ou de empada. Ficam lindos naquelas conchinhas de assar madalenas (madeleines). O sabor deste bolo é maravilhoso, tem perfume e sabor de gianduia.

Obs. Não deixar assar demais para não endurecer demais o bolinho já que este bolinho não leva fermento. O bolo deve ficar bem macio e por isso deve ficar no forno mais do que 15 minutos.

Obs 2. Você pode colocar frutas ou cerejas sobre o bolo. Em alguns eu coloquei morangos e framboesas congelados.