segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Biscoito de polvilho azedo: porque amido de mandioca não é tudo igual



Como boa carioca que sou, reservo um lugar todo especial no meu coração para o biscoito de polvilho, resultado de registros profundos desse biscoito na minha memória gustativa. Entendo que as pessoas costumam tratar com ternura e pouco senso crítico as comidinhas que comiam quando eram criança, ainda que essas mesmas comidas eventualmente não resistam a uma análise um pouco mais elaborada quanto aos seus benefícios ou valores alimentícios.

O biscoito de polvilho resiste ao meu senso crítico e passa lindo no meu teste de qualidade adulto (ham-ham) por ser um biscoito assado, muito aerado e por isso leve, sem glútem e cuja receita pode ser adaptada para torna-lo securo para diversos tipos de dietas, por exemplo, o leite pode ser substituído e o biscoito pode ficar livre de lactose, já sendo livre de glútem, gorduras trans e ainda assim continuar super saboroso!



Biscoito de polvilho pode ser preparado de diversas maneiras, com a adição de ervas e especiarias diversas que garantem ainda mais sabor e prazer ao biscoitinho crocante. O céu é o limite. O que é fundamental para um bom biscoito de polvilho é a qualidade do polvilho. É o tipo de polvilho que garante que o biscoito de polvilho fique crocante e para isso você precisa usar sempre polvilho azedo. O polvilho certo faz toda a diferença no resultado final e eu aprendi isso por ter experimentado e comido muito biscoito de polvilho feito com o polvilho errado.

A Neide, do Come-se, fez há uns anos atrás uma postagem que considero fundamental entitulada Radiografia da Mandioca e que eu recomendo a todos que leiam. A Neide explica não só alguns dos principais processos usados para se fazer farinha de mandioca, mas gomas e os diferentes polvilhos de mandioca. São só alguns dos processos mesmo pois nesse Brazilzão há ainda mais farinhas de mandioca do que aquelas listados ali.



Sobre o polvilho doce a Neide explica o seguinte:

"Polvilho doce é a goma desidratada até virar um talco bem fino. Quando hidratado e aquecido, dá bastante liga, portanto, é bom também para fazer beijus e tapiocas. Com líquido e aquecido, forma um mingau cremoso e transparente, com bastante liga. Pode ser usado para fazer pãezinhos, bolos, brevidades"

Leia o texto original aqui

e sobre o polvilho azedo:

Polvilho azedo, como já disse acima, a água com o sumo da mandioca é deixada com a goma sedimentada para fermentar por cerca de 10 dias ou mais. O polvilho tirado daí estará bem ácido e confere sabor ácido agradável aos preparos, além de permitir maior expansão: pães de queijo e biscoitos de polvilho crocante, por exemplo. O mingau feito com ele é mais escuro, transparente, cremoso e macio (tem proporção maior de amilopectina, responsável pela maciez e transparência, em relação à amilose, cujo teor diminui com a acidez).

Leia o texto original aqui




Biscoito de polvilho azedo salgado

Estes biscoitos foram feitos graças a generosidade e a amizade de Alcina uma portuguesa muito especial que me enviou o polvilho pelo correio. Taí alguem que entende bem de brasilidades. Obrigada mesmo, querida Alcina.


250 gramas de polvilho azedo
100 ml de azeite extra virgem (use o óleo que preferir, eu uso azeite tanto no pão de queijo como no polvilho pois o sabor fresco fica delicioso)
125 ml de leite
125 ml de água fria
1 colher de sopa rasa de sal (foi muito)
1 ovo

Como:

Aqueça o forno a 220C e forre pelo menos duas formas bem grandes com papel manteiga. Eu uso duas formas grandes e vou administrando a massa entre elas aos poucos. Como coloco uma forma de cada vez no forno, a medida que uma forma entra no forno eu faço mais biscoitos na outra forma. Quando os biscoitos saem do forno numa forma eu coloco a outra para assar. E enquanto uma forma assa eu transfiro os biscoitos da forma forma que acabou de sair do forno, deixo esfriar levemente, troco o papel se necessário e faço mais biscoitos enquanto a outra forma está no forno assando.

Num pote grande ou na bacia da batedeira coloque o polvilho e o sal. Numa panelinha esquente o leite com o azeite, mas não deixe ferver. Adicione a mistura de leite e óleo ao polvilho e com uma colher de pau mexa bem para incorporar. Misture o ovo com a água e bata bem para incorporar totalmente. Vá adicionando a água aos poucos. A massa feita com polvilho azedo fica perfeita feita com as mãos usando apenas uma colher de pau. O polvilho azedo é levemente granulado e funciona diferente e é mais fácil do que a massa feita com polvilho doce.

Quando a massa estiver homogênea e macia coloque num saco de confeiteiro e forme biscoitos no formato que desejar nas formas forradas deixando um bom espaço, cerca de 2 cm entre eles, pois os biscoitos vão crescer.

Leve para assar por 15 minutos ou até que estejam levemente dourados. Atenção pois queimam rápido.

Rende uns 6 tabuleiros (biscoito pacas, mas acabam rápido!)


Obs. Como já mencionei em postagem anterior, a massa feita com polvilho doce, ou amido de mandioca simples, vira uma cola e é um tanto difícil bater com a batedeira e impedir que a massa subisse pela pá da batedeira fixa e, nesse caso, o melhor seja o liquidificador ou uma batedeira de mão. A massa no fim fica linda e muito fácil de usar no saco de confeiteiro mas demora mais para dar uma liga.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Torta de framboesas e amêndoas e um coração partido...



Um certo caos no Rio estes dias, meu Rio, minha cidade, minha casa. Minha cabeça não relaxa, uma ansiedade, uma vontade de ver aquilo tudo passar de uma vez. Tinha que começar uma hora, não havia jeito, mas é muito difícil deixar de ficar tensa com um batalha dentro de uma cidade, da minha cidade. Mas faz parte do processo de mudança e eu acredito nisso. Meu pai acredita nisso, meu irmão acredita e eu também. Como já escreveram por aí, não vai acabar com a desgraça do tráfico de drogas já que é uma praga planetária, mas vamos mudar a face das favelas e re-organizar a cidade maravilhosa.

Mas, enfim, ontem eu fiz uma torta para minhas amigas americanas, planejava publicar aqui em referência ao tal dia de ação de graças que os americanos gostam tanto, que minhas amigas americanas gostam tanto, mas não deu. Mas hoje deu e aqui está.



Essa é uma tortinha muito simples, bem no estilo britânico, daquelas onde o recheio de frutas e amêndoas fica embaixo e por cima é vai uma camadinha de massa rústica, quase um crumble. Há quem chame de essa de torta de Nantucket, uma referência a ilha de Nantucket na Nova Inglaterra. O componente americano da torta são os oxicocos, recheio tradicional da torta de Nantucket e conhecido em inglês como cranberries. Oxicocos são nativos da América do Norte e tem uma papel interessante na história da ocupação européia da Nova Inglaterra. Ao que parece os primeiros colonizadores que se instalaram na região estavam morrendo de fome até que os índios locais os apresentaram aos oxicocos, o que os teria salvo da fome. Daí os muitos usos simbólicos de oxicocos essa época do ano nos EUA.

Minha torta é inspirada na torta de Nantucket mas não leva oxicoco, claro, aqui a praia é outra. Eu fiz uma torta com framboesas orgânicas que colhemos no nosso jardim em agosto e que estavam congeladas. A torta ficou ótima, boa para ser servida morna. O sabor das framboesas é forte, mas tão forte que precisa de um pouco de creme, sorvete ou iogurte para contrabalançar. Servi com iogurte com baunilha e ficou perfeito. Eu assei numa forma de coração, meu coração, que anda levemente partido enquanto a maré no Rio não se acalma...




Torta de framboesas e amêndoas

inspirada nesta Torta de Nantucket


300 a 400 de framboesas descongeladas ou frescas (use a fruta que desejar, afinal, framboesa é uma fruta difícil)
2 dl de açúcar
2 dl de farinha de trigo
1,5 dl de amêndoas levemente processadas para formar uma farinha grossa
1 colher de sopa de licor de amêndoas ou uma colherzinha de chá de extrato
2 ovos
100 gramas de manteiga mole

Como:

Aqueça o forno a 180C. Unte uma forma refratária ou uma forma redonda de torta com manteiga. Coloque as framboesas já derretida e salpique com as amêndoas picadas e depois com 0,5 dl de açúcar. Numa tigela bata a manteiga com o açúcar, usando uma colher de pau, adicione então a manteiga e bata bem. Adicione o licor de amendoas (ou extrato) e continue batendo com a colher um pouco mais. Por fim adicione a farinha de trigo, aos poucos. Coloque a massa na forma preparadad, sobre o recheio de framboesas, amêndoas e açúcar e espalhe com uma espátula para que a massa cubra toda o recheio. Leve ao forno por 30 a 35 minutos ou até que a massa esteja dourada e o recheio borbulhando. Deixe esfriar bem antes de servir mas sirva a torta ainda morninha com creme chantilly, sorvete ou iogurte.

Serve 10 a 12.




Os passarinhos da foto são um item novo na cozinha, foram colocados na fruteira pela menina Estelinha que cansou-se deles decorando a cortina do quarto dela e resolver achar para eles um novo endereço. Eu totalmente aprovei os passarinhos na cesta de frutas...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pensando em Copenhagem



Estive em Copenhagem numa conferência bem legal onde apresentei o trecho de um artigo meu, parte da minha pesquisa, sobre alimentos orgânicos e agricultura familiar em Pernambuco. Foi divertido circular sozinha (sem marido, nem filhos) pela cidade onde até então eu só tinha estado acompanhada pela tropa toda. Divertido conhecer a Universidade de Copenhagem, observar as pessoas, o que comem, encontrar brasileiros interessantíssimos por lá, como sempre, que também estavam apresentando trabalhos e isso foi totalmente sensacional. Tive tempo para rever a cidade e dar umas boas bandas por Copenhagem durante os três dias que estive lá. Deu para circular descompromissadamente pela região central, perto da universidade e do hotel onde estava hospedada e estabelecer novas verdades relativamente absolutas para a minha vida.



Quando eu sai de Trondheim estávamos enfiados em mais de meio metro de neve com uma temperatura de -10C e por isso chegar em Copenhagem, onde fazia +7C, foi uma maravilha. Estava chovendo, ventava e os dias foram nublados, mas a temperatura estava agradável e eu estava muito bem agasalhada. Eu gosto de Copenhagem, é uma cidade bem interessante mas dentre as três capitais escandinavas fica em terceiro lugar, sendo então aquela de que eu "menos" gosto. Eu adoro Oslo, naturalmente, sinto que Oslo fala comigo em tom de intimidade, de igual para igual. Além disso, Oslo me parece uma cidade que convida as pessoas a sairem do óbvio, do consumo generalizado estandartizado e do superficial.

Oslo convida os visitantes a fazer entradas mais transversais na cidade e na cultura. Oslo é visivelmente mais difícil para aqueles que preferem a superficialidade das ruas e a estandartização dos espaços, ainda que em Oslo também não faltem calçadões e as opções de sempre como redes de hambúrgueres baratos. Mas eu fico feliz por não haver, por exemplo, Starbucks em Oslo. Espero que não abra um enquanto escrevo esta postagem, era só o que me faltava. Mas me dá um certo alívio ver que ainda predomina ali a jeito norueguês de beber café.



Aqueles que gostam de viajar o mundo sem mudar de hábitos poderão se sentir incomodados pois Oslo é, na minha opinião, a mais "fechada" das cidades da europa ocidental, o que me faz apreciar ainda mais a capital norueguesa. Gosto dessa atitude, meio que reflexo da atitude independente dos noruegueses. Eu também gosto de Estocolmo, uma cidade bonita pacas, mais imperialista e gigantista por um lado, mais cheia e com mais opções, inclusive as tais opções estandartizadas. Ali há tanto restaurantes, como cafés de rede para todos os gosto. Já falei aqui o quanto eu detesto redes? Acho comida de redes uma pobreza absoluta, mas há quem goste e quem faça resenha (sic). Mas como já dizia o poeta de Vila Isabel, "cada um come o que gosta". Em Estocolmo há um sem número de excelentes opções de cafés, bares e restaurantes únicos e fantásticos, coisa que só se encontra ali e os melhores preços da escandinávia e isso e importante já que essa região é cara.

Mas não era sobre Copenhagem? Apesar de lindinha eu acho Copenhagem um tanto apertadinha e pode ficar cheia demais dependendo da época do ano e desta vez estava cheia. Uma multidão para todos os lados. Difícil de andar no centro, já que quase tudo se concentra ali no meinho do centro, muito bares, muitas redes, mas boas opções únicas e exclusivas.



Desta vez me incomodou bastante o cheiro de cerveja velha no ar, um cheiro que sempre me lembrava, um tanto negativamente, Amsterdã e Londres. Enfim, circular pelos centros urbanos de orgulhosos produtores de cerveja tem dessas coisas. As confeitarias, como sempre, foram o mais interessante. As confeitarias são tão interessantes quanto as francesas e, na minha opinião, sem o estresse de Paris. Assim como me encantei com as confeitarias suíças, me encanto sempre com as confeitarias dinamarquesas, o que me leva a crer que as confeitarias francesas são mesmo, por demais, super valorizadas. As confeitarias de Copenhagem estavam cheias de pães de marzipã, tara destes povos nórdicos e minha também. É marzipã com tudo nesta época de natal.

Ainda que fique em Copenhagem aquele que alguns críticos consideram o melhor restaurante do mundo eu passei ao largo das inovações. Eu ciculei muito mas comi pouco, de tudo o que experimentei amei mesmo um pão de ruibarbo com marzipã e avelãs que era tão inesperadamente bom que serviu para despertar em mim a vontade de fazer essa mistura em casa também. Circulei muito, comi umas coisinhas diferentes, bebi coisinhas diferente e outras nem tanto: numa confeitaria onde tudo era orgânico (que me chamou pelo nome, claro) achei uma bebida a base de açaí fantástica e que me encantou de tal forma que me deu vontade de gritar. Pois é, açaí em Copenhagem pode provocar as mais loucas viagens...



Mas no fim, não fossem as pequenas surpresas e os cantinhos diferentes, eu diria que circular pelas grandes cidades está cada dia mais chato. Nunca fui de gostar de ficar gastando e comprando montes de coisas, na verdade o consumo inútil de viagem me dá até irritação. Mas eu acho que mesmo para quem gosta de circular, para comprar coisas, a coisa deve estar chata e ficando cada dia pior. Tudo o que vejo são as mesmas cadeias de lojas que se encontra em todas as grandes cidades do mundo, em Trondheim inclusive e não há nada diferente. Será que é isso mesmo? Será que todo mundo quer comer e se vestir do mesmo jeito? Ou será que eu é que sou uma mala sem alça? O mundo está tão adolescente...

domingo, 21 de novembro de 2010

Pudim de leite com cumaru no copo



Povo esta semana está boa, muito boa. Voltei de Copenhagem com esta postagem começada, comecei-a durante a última noite que passei naquela cidade, mas desde então não consegui uma oportunidade sequer para sentar diante do blogger e acabar. Loucura total, muitas coisas boas rolando ao mesmo tempo e muita expectativa e excitação. Parece que finalmente 2010 resolveu começar para mim. Este foi o pior ano da minha vida mas, ao que parece, agora a coisa começou a andar para a frente. Estou feliz por ter ao meu lado um homem como o Per, ele é o melhor companheiro de viagem (i.e. vida) que eu poderia ter. E fico feliz por estar cercada por tantas pessoas especiais.

Hoje (quando escrevi isto era sexta, 19 de novembro) é aniversário de uma dessas pessoas especiais, uma querida amiga francesa que vive em Oslo que me enche de atenção e carinho e que não imagina o papel fundamental que tem na minha vida. Benedicte, querida, você me ajudou muito a recuperar a sanidade, a esperança e a acreditar na capacidade humana de se renovar.



Algumas coisa boas para compensar tantas coisas ruins ou tristes que marcaram este ano desastrado. Mas fica claro que as coisas boas são infinitamente mais poderosas do que as ruins, pelo menos isso, não? E nessa hora fica ainda mais claro o poder que tem a amizade e a amizade virtual incluída. Para quem tem um amigo, eu diria, basta um, ou uma! Felizmente eu tenho mais do que uma e hoje gostaria de agradecer a generosidade de algumas amigas. A generosidade de vocês todas me ajudou muito. Por isso, obrigada Benedicte, obrigada Camila e obrigada Alcina, só para citar algumas que foram muito importantes nas pequenas coisas que fizeram este mês o melhor de 2010. Foram tantos presentes estes mês que temo me acostumar a viver num mundo de gentilezas...



E fiz este pudim no copo, adoro assar coisinhas em copos ou jarrinhas com tampa já que dá para fechar na hora de colocar para gelar sem problema. Pudim de leite com semente de cumaru fomam um par perfeito. Eu estou usando direto minhas semente de cumaru e quem tem cumaru definitivamente não precisa de baunilha. Desde que ganhei vários saquinhos já usei minhas cumarus em diversos usos: geléia de ameixa, doce de abóbora, doce de leite, bolo, muesli e para ler mais sobre cumaru clique aqui. Ainda não publiquei meu doce de abóbora com coco e cumaru, mas espero em breve mostrar a belezinha que ficou. Por hora fico no pudinzinho, facílimo de fazer e puro prazer.




Pudim de leite com cumaru


1 litro de leite
2 dl de açúcar
1 semente de cumaru
6 ovos

Calda

1 dl açúcar
1 dl água


Como:

Primeiro prepare a calda levando o açúcar com metade da água (0,5 dl) ao fogo médio. Deixe que o açúcar derreta e caramelize, sem mexer. Muita atenção pois quando o açúcar começa a amarelar a coisa é rápida. Por isso, quando o açúcar começar a adquirir a coloração ambar retire do fogo imediatamente e com muito cuidado, esticando o braço para longe do rosto, adicione o restante da água para afinar um tantinho a calda. Vai espirrar horrores e todo cuidado é pouco nesta hora. Crianças devem ficar bem longe de você! Se você gosta de calda grossa não adicione mais água, mas a água ajuda a baixar a temperatura e interromper o processo de caramelização e evita que o açúcar queime demais e fique uma calda muito escura. Se deseja afinar a calda adicione mais água fria no final. Se por acaso a calda embolar com a adição da água, leve a panela de volta ao fogo baixo até que o açúcar que empedrou derreta novamente e então use a calda. Cuidado com o calor para não engrossar ou queimar demais a calda. Divida a calda entre 6 a 8 copinhos de vidro ou jarrinhas com vidro comum e reserve. Uma colher de calda em calda um está de bom tamanho.

Pudim:

Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água para o banho-maria. Numa panela de fundo grosso coloque o leite e a semente de cumaru. Leve ao fogo médio e deixe que ferva lentamente. Numa tigela grande misture com um fouet o açúcar aos ovos, batendo bem para aerar. Quando o leite ferver coloque o leite fervendo sobre a mistura de ovos e açúcar, mexendo vigorosamente enquanto transfere o leite. Coloque o leite aos poucos sem parar de bater a mistura com o fouet para os ovos não talharem. É uma coisa que demanda a habilidade de usar os dois braços ao mesmo tempo, com um braço bate-se os ovos e com a outra segura-se com cuidado a panela de onde jorra o leite fervido. Parece complicado, mas não é, mas leite quente é leite quente. Com uma colher remova a semente de cumaru e retire a espuminha do leite que forma na superfície do pudim. Quando vamos deseformar não precisa remover espuma, mas quando vai ser servido no copo pode ficar mais bonito sem marcas de espuma. Divida a mistura nos copinhos ou potes com calda. Coloque os copinhos numa forma grande e cubra com água fervendo até atingir um pouco abaixo da metade da altura dos pote/copos. Asse por 25 a 30 minutos.

Retire do forno e deixe esfriar totalmente.

Leve para gelar e sirva gelado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Madalenas de avelãs com cumaru...



Os dias estão lindos, frios, muito frios, mas lindos. As fotos desta postagem eu fiz ontem a tarde, enquanto esperava as crianças saírem da escola. Está fazendo muito frio para novembro mas os dias estão ensolarados. Ao que tudo indica vai mesmo ser um inverno extremamente frio, como anunciaram os russos há algumas semanas. Há um aumento da pressão atmosférica, faz sol ao invés de chover, mas a temperatura caí mesmo. Fico pensando como vou precisar fazer para sair de casa se a coisa ficar assim até o final do ano...



Eu acho uma beleza o contraste suave entre o branco levemente azulado da neve e o delicado azul do céu nesta época do ano. As árvores em Trondheim ainda estavam com folhas mas a neve chegou abusada, ocupando tudo, se acumulando sem vergonha nenhuma e desfazendo de vez todas as ilusões de outono. É muito lindo, ainda que muito frio e incômodo. Os dias já estão curtinho e se querem saber, fazia ontem -7C as 14h00. Frio pacas... mas estou de mala pronta. Embarco em poucas horas para Copenhagen e espero que o frio por lá seja menos cruel do que o que estacionou por aqui, é esperar para ver....



Madalenas de avelãs com cumaru

2 dl de avelãs levemente torradas, descascadas e processadas até formar uma farinha fina
2 dl de farinha de trigo
2,5 dl de açúcar de confeiteiro
150 gramas de manteiga derretida
3 ovos médios inteiros (ou 6 claras de ovos)
Raspas de uma semente de cumaru

Como:

Derreta a manteiga e reserve. Coloque num processador ou liquidificar as avelãs peladas, o açúcar e a farinha de trigo e bata até formar uma mistura fina. Usando um fouet bata os ovos inteiros (use apenas claras se preferir) por dois ou três minutos, bata bem até esbranquiçar e dobrar de volume. Use máquinas se desejar, mas eu prefiro usar o fouet para bater bolinhos como estes. Adicione aos poucos mistura de avelãs, farinha e açúcar aos ovos batidos e continue mexendo para incorporar totalmente. Por fim adicione a manteiga derretida e as raspas de cumaru e mexa suavemente, usando uma espátula até incorporar totalmente a manteiga à mistura. Coloque a massa na geladeira por pelo menos meia hora antes de encher as forminhas. Eu não deixo gelar demais mas dizem que costuma influenciar no tamanho final da barriguinha dos bolinhos. Unte muito bem untadas 30 forminhas em forma de conchinhas ou qualquer tipo de forminha. Fica bem interessante em forminhas rasinhas. Na hora de encher coloque uma colher de sopa rasa de massa, mas não encha demais para não transbordar na hora de assar pois a massa cresce bem mesmo sem levar fermento. Aqueça o forno a 180C e asse os bolinhos por 12 a 15 minutos, mas cuidado para não assar demais pois os bolinhos poderão ficar secos e durinhos.

Rende cerca de 30 conchinhas.



Algumas pessoas que me escrevem perguntando o que é cumaru e eu percebo que deveria ter feito uma postagem mais detalhada sobre essa encantadora e perfumada semente brasileira, cujo sabor lembra uma mistura de canela com baunilha. Mas vou fazer uma postagem detalhada assim que voltar de viagem. Cumaru é conhecida como "fava tonka" na Europa e nos EUA e pode ser raspada ou fervida em leite ou creme.

Cumaru é fonte do composto químico orgânico cumarina, muito semelhante a vanilina que tem um aroma natural poderoso e que vai te encantar e vai fazer você deixar de gastar seu precioso dinheirinho em favas de baunilha. Cumaru você encontra a preços bem módicos em mercados populares de todo o Brasil. A cumaru tem aroma muito semelhante ao da amburana, mas mais intenso do que aquele da amburana. As sementes de cumaru que tenho aqui recebi de presente, pelo correio e foram compradas no mercado Ver-o-Peso de Belém do Pará.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Namoura de coco com manteiga de garrafa e calda de mel e limão...



Meu povo amado, as últimas semanas foram de muitas emoções, fortes emoções mesmo, momentos de alegria, de realização, de compartilhar com amigos e de muita ansiedade também. Eleições no Brasil, todo mundo sabe, fui votar e encontrei amigos especiais que me paparicaram no último. Mas antes da "viagem solo" para Oslo celebramos em casa o aniversário do meu amado, adorado e muito paparicado Per. Fiz de tudo, montes de delícias, na maior euforia mas com muita ansiedade por causa das eleições e da viagem para Oslo. Eu estava ansiosa pois via uma nuvem de conservadorismo e crueldade se formar no céu do meu país e que, por um momento bem rápido, me assustou terrivelmente. Mas passou. Felizmente era uma nuvem vazia, sem peso e já passou. O tempo se abriu novamente no céu da pátria e o futuro promete. Eu estou feliz com tudo o que o futuro nos promete.



E depois das eleições brasileiras, minha eleição, uma eleição para expatriados e eu estou concorrendo a uma vaga no Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior. Eu estava um tanto confusa sobre como agir, mas de repente me vi com a obrigação de tentar ter pelo menos os votos dos amigos. Eu sei que não é uma tarefa fácil, moro numa cidade pequena, com poucos brasileiros e eu não fico por aí circulando nunca e não seria agora que eu iria sair para fazer campanha. Mas, enfim, se você é brasileira(o), mora na Europa e acha que eu sou suficientemente sã para ser representante da comunidade brasileira na Europa: vote em mim. Para votar basta ir ao site do Itamaraty e votar para o Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior. Tudo o que você precisa para votar é de um endereço na Europa, um email válido e o número de um documento (passaporte ou cpf). Mas vamos ao que interessa: o blog da Moira faz aniversário e eu fiz um bolo para comemorar com ela.




Como é aniversário do Tertúlia de Sabores, um blog que adora viajar pelo mundo dos sabores eu escolhi uma receita característica do Oriente Médio, o bolo libanês Namoura. Esta é uma daquelas receitas que existe uma versão em cada país da região: além do Líbano, Síria, Israel, Egito, Turquia e Grécia e cada uma com um nome diferente. No Egito é Baboussa e em Israel é Tishpishti. Há diversas versões desse bolo de semolina que não leva ovos e é obrigatoriamente regado com uma calda de açúcar com água de flor de laranjeira ou de rosas.

Algumas versões do bolo podem pedir iogurte ao invés de leite e outras levam farinha de amêndoas ao invés de coco. Acho que a adição do coco é uma coisa de libaneses do Brasil, será? Enfim, este bolo é tradicionalmente cortado em quadrados e decorado com amêndoas inteiras, como em algumas fotos. Mas eu pessoalmente prefiro comer com uma chuvinha de pistaches picados. Decore como preferir. Como eu ganhei uma garrafa de manteiga de uma amiga que me trouxe de Caicó, no Rio Grande do Norte eu aproveitei para usar no bolo e acho que combinou bem. Usei a manteiga de garrafa pois vi que algumas receitas de Namoura pedem mesmo que se use manteiga clarificada ou gordura de leite pura (ghee).

O mais importante: espero que a Moira goste do bolo que eu escolhi para ela.

A partir de hoje as medidas nas minhas receitas aparecerão sempre em DL (decilitros) que é uma medida de volume mais interessante do que xícaras ou copos e é a principal forma de medidas nas receitas aqui na Noruega. Eu gosto das medidas de peso mas nem sempre disponho e nem sempre estou com disposição para converter volume em peso. ao invés de gramas, eu tenho usado assim sempre e acho mais fácil.



Namoura de coco com manteiga de garrafa e calda de limão e mel

5 dl (2 xícaras) de semolina fina
2,5 dl (1 xícara) coco ralado seco sem açúcar
2 dl (3/4 xícara) de açúcar
3 dl de leite
1,2 dl de manteiga de garrafa ou manteiga derretida
1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Calda

4 dl (1 1/2 xícara) de açúcar
4 dl água
4 a 5 colheres de sopa de mel
2 a 3 colheres de sopa de água de flor de laranjeira, mas como eu estava sem usei suco de limão verde

Como:

Aqueça o forno a 180C e unte com manteiga uma forma retangular ou um refratário médio e reserve. Numa tigela coloque a semolina, o coco ralado e o açúcar. Adicione o leite e mexa bem, adicione a manteiga derretida e bata até incorporar totalmente os ingredientes e formar uma mistura homogênea. Adicione o bicarbonato e mexa para incorporar. Coloque a massa na forma untada e leve para assar por 25 a 30 minutos ou até que fique douradinho. Retire do forno e deixe esfriar um pouquinho e corte os quadradinhos antes de banhar com a calda. Então derrame a calda morna sobre o bolo. O bolo vai absorver totalmente a calda. Se desejar coloque amêndoas torradas no bolo ou, se preferir, salpique pistaches picados.

Numa panela de fundo grosso coloque a água, o açúcar, o mel e deixe que ferver sobre fogo médio. Quando ferver reduza o calor para baixo e deixe que a calda reduza e engrosse levemente (cerca de 8 a 10 minutos). Quando a calda estiver com a consistência de calda, teste numa colher ou num pires a consistência da calda, retire do fogo e adicione o suco de limão. Mexa bem para incorporar e derrame a calda por cima do bolo ainda morno tendo o cuidado de banhar todos os quadradinhos. Deixe esfriar e sirva.

Rende cerca de 25 quadrados.