segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Frutas assadas com farofinha de muesli e uma saia justa...



Eu sei que posso ser incrivelmente chata de vez em quando. Por exemplo, sou super chata com as empresas que me procuram oferecendo para colocar propaganda neste blog. Não gosto da idéia de pendurar propagandas no blog. Encho a barra dos meus blogs com banners de causas e assuntos que me interessam muito e não gosto de misturar as coisas. Além disso eu não colocaria um anúncio qualquer no meu blog. E publicidade errada é uma coisa que afeta diretamente o meu interesse na hora de abrir um blog e eu não quero cometer o mesmo pecado.

Por exemplo, hoje fui conhecer um blog que eu não conhecia e, ao chegar, de cara fui recebida por um anúncio de "mulheres filipinas procurando homens europeus" ilustrado com um gif animado que mostrava fotos humilhantes de jovens moças orientais vestidas com baby dolls e cheio de duplo sentido. O anúncio induzia claramente a idéia de prostituição, isso num site brasileiro de comida. O anúncio estava estampado bem no alto da página, logo abaixo do nome do blog. Mais abaixo, no meio da primeira postagem, um anúncio do Mcdonald's e na barra lateral o anúncio de um casino online. Isso num blog de comida brasileiro?




Sem querer ser moralista, nem entrar no mérito do porco chauvinismo do anúncio dos baby dolls, o que pega para mim é o mau gosto de tudo. Esse é um mundo que eu não quero compartilhar. Eu não coloria o link para o blog em questão aqui, até porque vocês não iriam ver os mesmos anúncios que eu, mas outros com o mesmo nível de mau gosto. Os anúncios que eu mencionei são fornecidos pelo Google norueguês para aquelas que acessam blogs daqui. E isso acontece direto em todos os blogs que abrem suas postagens para anúncios do Google já que esses anúncios são nacionalizados, adaptados para a realidade e a língua do país de onde origina o visitante. De vez em quando os anúncios mostram liquidação nos shopping centers de Trondheim.

Outro dia eu questionei uma empresa que queria colocar anúncios brasileiros no meu site. Perguntei se eu poderia vetar algum anúncio deles e a resposta foi não. Eu ficaria a mercê dos anunciantes interessados em me usar como veículo. Aí, na minha opinião, é que mora o perigo. Eu não estou aqui para ficar a mercê da publicidade de ninguém. Não é esse o meu projeto aqui e conheço muitos blogs como o meu. Mas percebo que cresce o número de blogs novos, blogs que não tem nem nome do autor mas já tem anúncio, mostrando claramente a intenção caça níquel por trás do modelo.

Publicidade, sim, nada contra publicidade. Tem tanta gente boa fazendo blogs ótimos por aí e elas poderiam estar fazendo blogs ainda melhores do que já fazem se pudessem faturar um pouquinho com seus blogs. Nada errado em explorar o nicho e se beneficiar com anúncios, mas isso, na minha opinião, requer alguns cuidados e um plano de ação elaborado para não cair em cilada vestida de baby doll. Eu adoraria conhecer a opinião de vocês sobre este assunto.





E fica aqui umas fotos e a receita da nossa sobremesa de hoje. Com o freezer cheio de framboesas e morangos do verão nada como umas frutinhas assadas com farofinha crocante servida quentinha. Eu totalmente recomendo.


Frutas assadas com farofinha de muesli


2 colheres de sopa de manteiga gelada e picada em cubos
4 colheres de sopa de açúcar mascavo
4 colheres de sopa de farinha de trigo
2 ou 3 colheres de sopa de muesli ou aveia pura
Morangos, framboesas ou outras frutas de sua preferência
suco de limão

Como:

Aqueça o forno a 180C. Coloque as frutas num pote de vidro e esprema um pouco de suco de limão sobre elas e salpique um tanto de açúcar sobre as frutas. Divida as frutas em quatro ou cinco potes refratários individuais e reserve. Com as mãos misture a manteiga picada em cubos com a farinha até formar uma farofa fina. Adicione o açúcar mascavo e continue misturando com as pontas dos dedos para incorporar todo o açúcar. Por fim adicione o muesli ou a aveia e misture com uma colher ou as mãos para dar uma leve incorporada. Divida a farofa sobre as frutas e leve ao forno por 20 a 25 minutos ou até que as frutas começarem a borbulhar e a farofa estiver levemente dourada.

Sirva quente com sorvete ou uma boa colherada de iogurte natural.



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pastel de forno de atum...



Atum é daqueles alimentos pela bola sete, sob risco de extinção de algumas de suas principais espécies, regularmente contaminado por mercúrio e outros metais perigosos (principalmente quando servido cru) e largamente consumido em sua versão enlatada. E quem resiste ao atum em lata? É bom demais, não é? Eu não compro produtos em lata em paz, com o fantasma daquela porcaria de BPA pairando sobre nossas crianças eu não relaxo de jeito nenhum. Mas atum e sardinhas em lata eu ainda compro pois, as crianças não gostam e, bem, não dá para viver em paz sem sardinhas ou atum, dá?

Mas que as latas são um perigo, elas são e você precisa ter certeza que a empresa que enlata os alimentos que você consome em lata não utilizam BPA para forrar e isolar a superfície de metal das latas. Como pessoa que aprende a sobreviver depois de uma doença autoimune da tiróide, eu recomendo que as pessoas evitem latas sempre que puderem. Nenhuma facilidade substitui a certeza que você não está aumentando o risco da sua família. Sempre que puder use as embalagens de caixinha, principalmente para derivados de tomate e outros produtos com alto índice de acidez...





Mas por hora vamos de atum em lata, certificado pelos suecos como pesca ética. Lembra o tal conceito de consumo ético? Pois é. Mas apesar do sabor não ser igual aquele que eu estava acostumada é uma atum honesto. Além disso o atum em lata sueco tem uma latinha linda, pequeninha, fácil de abrir e totalmente individual. Dá para levar para todo canto, abrir e passar no pão o atum puro. Eu adoro atum, refogadinho exatamente como o recheio deste pastelzinho de forno. A massa pode ser feita com ricota, cottage e qualquer tipo de queijo de baixa gordura e além de super saborosa a massa fica bem crocante mesmo assada no forno.


Pastel de forno de atum


Massa:

1 pote de 300g de queijo ricotta
Aproximadamente 250 gramas de farinha de trigo
Sal a gosto
1 gema para pincelar

Numa superficíe esfarinhada, ou numa tigela grande, coloque o queijo cottage e adicione o sal e a farinha, vá adicionando a farinha aos poucos e usando as mãos ou uma colhe de pau vá misturando até formar uma massa macia que descole das mãos. Importante amassar bem para desfazer as bolinhas do queijo. Quando a massa estiver bem macia divida em duas partes e forme duas bolas. Abra a massa até obter uma superfície com mais ou menos meio centimetro de espessura. Corte os pastéis usando a borda de um copo e atenção pois a largura do copo usado vai interferir no tamanho de cada pastel e na quantidade final de pastéis. Corte círculos de massa, recheie com uma colher de chá de recheio, feche pressionando o polegar e, se desejar, passe um garfo para pressionar e deixar aquelas marquinhas na passa. Passe gema diluída em um tantinho de leite e asse em forno pré-aquecido a 180C até que fique bem douradinho. Sirva quente.


Obs. 1 A borda de um copo de requeijão comum rende cerca de 50 pastéis.
Obs 2. Este pastel congela super bem depois de assado. Basta deixar esfriar, embalar em pote hermeticamente fechado que os pasteizinhos resitem no freezer por até 90 dias.




Recheio:

120 gramas de atum enlatado em água e sal (a água deve ser totalmente drenada)
cebola picada (a gosto)
alho picadinho (a gosto)
tomate picadinho (a gosto)
salsinha picadinha (a gosto)
azeitonas verdes ou pretas picadinhas (a gosto)
sal (a gosto)
pimenta do reino (a gosto)
páprica doce em pó (a gosto)
1 colher de chá de extrato de tomate (opcional)


Numa panela refogue a cebola, o alho. Adicione o tomate e cozinhe até amaciar. Adicione o atum, a salsinha, a azeitona picada, sal, pimenta e páprica. Deixe que cozinhe em fogo médio-alto até reduzir toda a água do refogado para não formar uma recheio aguado que escorra pela massa e fique pingando.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Orgânicos como opressão? Pão de espelta e geléia de ameixa com cumaru



Com uma postagem que reforça meu desejo de utilizar produtos orgânicos sempre que posso, lembrei-me imediatamente de um artigo que li recentemente e que apresentava os resultados de uma pesquisa feita no Canadá sobre o comportamento dos chamados consumidores éticos. Consumo ético, de acordo com o tal artigo, é aquele que se baseia em produtos considerados ecólogicos, como produtos orgânicos por exemplo, produzidos de forma considerada benéfica tanto para o meio ambiente como para os consumidores. Mas o conceito de produto ético também inclui qualquer tipo de produto considerado comercialmente correto ou justo, em relação tanto aos sistemas de produção, como aos benefícios destes para o meio ambiente, a saúde dos trabalhadores e até mesmo a condição de vida dos animais envolvidos.



Os produtos orgânicos encabeçam a lista de produtos éticos, obviamente, mas não são apenas frutas e legumes que contam como éticos. Detergentes e desodorantes naturais e biodegradáveis, embalagens de papel reciclado, lâmpadas de baixo consumo de energia, embalagens recicláveis de todos os gêneros, baterias recarregáveis, laticínios de animais criados sem hormônios de crescimento e ovos de galinhas criadas livremente ciscando no campo (ao invés de amontoadas em gaiolas doentes) são outros exemplos.

Mas o que chama atenção são os resultados surpreendentes da pesquisa que gerou o artigo. A pesquisa apontou que os canadenses, diante da oferta crescente de produtos ecológicos e corretamente produzidos, consomem cada vez mais produtos dessa natureza. O artigo então mostra que o aparentemente positivo fato de consumirem cada vez mais produtos "verdes" no Canadá apresenta um efeito colateral grave. A contrapartida ao consumo ético seria o direito adquirido para ser anti-ético em algum outro momento da vida social. E os consumidores éticos pesquisados assumem que, depois da compra "ética", sentem-se no direito de serem indulgentes consigo próprios em relação a sua postura diante de outros aspectos sociais. A pressão para serem verdes levaria uma parte significativa dos consumidores a darem-se ao direito de serem desonestos ou desleais aqui ou ali, e tudo isso sem culpa.



O artigo Do Green Products Make Us Better People? de Nina Mazar e Chen-Bo Zhong (2009), da Universidade de Toronto, foi publicado pela Psychological Science e mostra a maneira quase absurda com que se dá o julgamento de valores no cérebro humano. O que mostra que depois de comprar ovos de galinhas caipiras, café orgânico ou leite sem hormônio o sujeito se sente no direito de xingar o motorista do carro ao lado, ultrapassar o limite de velocidade, estacionar em local proibido, cometer pequenos roubos ou ser anti-ético com um colega de trabalho ou um amigo. O consumo ético concederia à pessoa (na cabeça delas apenas) o direito de agir de forma socialmente indesejada em outros aspectos da vida. Isto tudo comprova que o consumo é muito mais do que uma escolha e está intimamente relacionado aos demais processos de socialização do indivíduo.

Eu consegui uma cópia desse artigo em PDF através do sistema de dados da NTNU, a universidade aqui de Trondheim, mas este é um sistema de acesso restrito e por esta razão não posso deixar um link aqui. Mas eu acredito que se alguém desejar ler o original em inglês talvez seja possível encontrar esse artigo, ou pelo menos uma versão curta com acesso livre na internet, através de busca pelo nome das autoras.



Pão orgânico de espelta

600 gramas de farinha de espelta integral orgânica
400 gramas de farinha de trigo comum orgânica
12 gramas de fermento ativo em pó seco
3 colheres de chá de sal marinho (cerca de 12 gramas)
700 ml de água em temperatura ambiente

Como:


Coloque a farinha, o sal e o fermento ( e uma colher de sopa de açúcar OPCIONAL) num pote grande e mexa com uma colher de pau para misturar tudo. Adicione a água e usando a colher misture até formar uma massa grudenta. Coloque a massa numa superfície limpa e trabalhe a massa sem bater, apenas dobrando e amassando, por cerca de 10 minutos, esticando a massa e dobrando a parte esticada por cima da massa ainda na mesa até obter uma massa macia que solta das mãos. Dobre as pontas da massa para dentro e coloque a massa num pote esfarinhado, cubra com um pote com um pano limpo e seco e deixe crescer por uma hora. Depois de uma hora retire a massa do pote e coloque numa superfície esfarinhada.

Divida a massa em duas partes iguais. Trabalhando uma parte de cada vez, abra um retângulo horizontal com cerca de 20 X 40 cm e dobre como se fosse dobrar uma carta, primeiro dobre a parte de cima até o meio e depois a parte de baixo até o meio e feche pressionando a borda. Coloque a borda para baixo e transfira para uma forma de pão untada e esfarinhada. Deixe que cresça por uma hora. Asse em forno pré-aquecido a 200C por 25 minutos ou até ficarem dourados.

Rende dois pães de forma com cerca de 850 gramas cada.




Esta geléia da foto parece ser mais uma geléia de ameixa comum, não? Mas não é. A adição da semente de cumaru transformou esta simples geléia e elevando-a a uma categoria superior, de especiaria ou de algo do gênero. As minhas geléias de ameixa jamais serão as mesmas depois desta, isso eu garanto. O aroma da semente de cumaru, que em geral lembra uma mistura de baunilha com canela, adquiriu, neste caso, uma conotação amadeirada muito parecida com o sabor da canela, mas uma canela mais complexa, mais penetrante, um sabor suave mas alongado, uma coisa de outro mundo, muito mais suave do que a geléia feita com a canela comum e muito mais complexo. É preciso experimentar para entender do que eu estou falando e se você está no Brasil compre já um saquinho de cumaru no mercado popular mais próximo de você e faça sua versão. Use pêssegos ou maças se não achar ameixas. Se você está na Europa talvez seja mais difícil encontrar cumaru que por aqui é conhecida como fava tonka.




Geléia orgânica de ameixas com cumaru


1,5 kg de ameixas orgânica lavadas e sem caroços
700 gramas de açúcar cristal orgânico
1 semente de cumaru
4 colheres de sopa de suco de limão verde

Como:

Numa panela de fundo grosso coloque as ameixas partidas e sem caroços, o açúcar, a semente de cumaru e o suco de limão e deixe que ferva em fogo alto. Quando a mistura começar a ferver reduza o fogo para médio-brando e deixe que cozinhe por cerca de 30 minutos e teste para ver ser a geléia está com a textura desejada. No meio do caminho use um espremedor de batatas para pressionar as ameixas para ajuda-las a se desfazer mais facilmente e formar uma mistura mais homogênea. A melhor maneira de testar é colocando uma colherinha de café da geléia fervendo num pratinho gelado. Coloque um pratinho na geladeira enquanto a geléia cozinha e na hora de testar retire da geladeira, coloque uma colheradinha de geléia fervendo no pratinho e confira a textura da geléia depois de um minuto. Se a geléia ficar tipo "quase" uma gelatina ela está no ponto. A geléia vai endurecer ainda mais depois de fria e por isso você não deve cozinhar mais do que o necessário para não desidratar os líquidos preciosos da mistura. Desligue o fogo e divida a geléia quente em vidros esterilizados (i.e. fervidos por 10 minutos e com as tampas lavadas com água fervendo) e ainda quentes. Feche os vidros sem pressionar demais e deixe esfriar totalmente. Quando esfriar as tampas vão "popar" e formar vácuo. Antes de transferir para os vidros retire a semente de cumaru da mistura e descarte.

Conservação:

Se você planeja consumir as geléias dentro de 30 a 60 dias não vai precisa ferver novamente os vidros cheios, mas mantenha os vidros na geladeira ou congele. As geléias estão protegidas contra bactérias por causa do açúcar que retira todo o oxigênio das bactérias e as destroi. Já o vácuo é necessário para evitar o aparecimento de mofo. Se você desejar conservar as geléias por mais tempo vai precisar ferver os vidros de geléia numa panela grande com água. Ferva por 10 minutos, retire da panela com cuidado e deixe esfriar totalmente. Abra os vidros apenas na hora de consumir.

Rende cerca de 1,8 litros de geléia.

domingo, 17 de outubro de 2010

Quindim de coco



A minha alimentação anda um certo caos, evitando e tentando evitar comer um monte de coisas mas isso, por enquanto, não inclui quindins. Na maior ansiedade por causa dos eventos que estão ocorrendo este mês, eu precisava me oferecer um agrado, um relaxamento e fui fazer quindins. Eu precisava comer quindim para matar um desejo que também faz muito mal ao corpo quando não saciado a tempo. Fazia tempo que eu não fazia quindins, desde que acertei faze-los, usando uma receita da Cláudia Lima.

Os quindinzinhos de hoje foram feitos com coco ralado seco e por isso eu reduzi um pouco a quantidade em relação a receita original pois eu acho que o seco fica um pouco mais pesado do que o fresco. Eu até comprei um coco fresco no mercado mas depois que o Per abriu vimos que ele estava azedo, com um cheiro horroroso. E aí tive que usar coco seco mesmo, mas use o fresco se puder pois fica bem melhor.




Quindim de coco

(Receita da Cláudia Lima)


6 gemas peneiradas
6 colheres de sopa de açúcar + para salpicar nas forminhas
5 colheres de sopa de coco ralado fresco (use seco se for preciso)
Manteiga para untar


Como:

Misture as gemas, o coco e o açúcar e divida a mistura em forminhas bem untadas com manteiga e salpicadas com açúcar. Coloque as forminhas em uma assadeira grande e coloque água até a metade das forminhas. Asse em forno pré-aquecido a 170C por 30 a 40 minutos ou até que a cobertura dos docinhos fique bem dourada e firmes ao toque. Quando estiver no ponto retire do forno e deixe esfriar levemente e desenforme. Se deixar esfriar vai ser difícil desenformar e precisará aquecer as forminhas um pouco.

Rende 8 quindinzinhos individuais nas forminhas pequenas.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bolo de fubá com laranja sem glúten



Cresci comendo um bolo de fubá bem cremoso e denso que levava pedaços de coco fresco e leite de coco e era feito sem adição de farinha de trigo, apenas com fubá e açúcar. O meu bolo de fubá com coco funciona super bem eu resolvi dar uma variada utilizando, ao invés de coco, laranjas, pedaços de laranjas inteiras. A idéia de usar laranjas inteiras cozidas é antiga, coisa tradicional da doceria dos judeus sefarditas e hoje popularizada pela chef Claudia Roden, uma judia egípicia radicada no Reino Unido e autora de maravilhosos livros sobre a Comida do Oriente Médio e a Comida Judaica.



No livro A Comida do Oriente Médio, publicado originalmente em 1967, Cláudia Roden apresenta a receita de um bolo feito utilizando laranja inteiras cozidas em água e que depois é assado com farinha de amêndoas. O destaque do bolo são as laranjas cozidas e a receita do bolo de laranja e amêndoas da Cláudia Roden hoje é figurinha fácil e em todo canto desta rede é possível achar referência a receita. Hoje também se encontra uma versão tangerina do bolo da Cláudia Roden, mas no caso eu prefiro com laranja.



Como a laranja não tem a mesma quantidade de gordura que o coco e como o fubá não tem a mesma quantidade de gorduras que a farinha de amêndoas eu precisei adicionar um tanto de manteiga à massa para ajudar a massa a dar liga e deixar o bolo mais cremoso. A massa do bolo fica meio líquida e por isso não funciona para adicionar iogurte. Bolos de fubás feitos com farinha de trigo ficam ótimos com iogurte mas, neste caso, a idéia era fazer um bolo de fubá só com farinha de milho mesmo, sem glúten. Outra recomendação importante é lavar bem as laranjas em água morna e escovar se possível e, claro, usar laranjas orgânicas de preferência. Eu aqui achei umas laranjas orgânicas sulafricanas que estavam um verdadeiro sonho de boas, do tipo laranja pera, menorzinha e elas foram perfeitas.



Bolo de fubá com laranja sem glúten

250 gramas de fubá
250 gramas de açúcar
6 ovos médios
duas laranjas médias orgânicas (lavadas em água morna)
1 colher de chá de fermento em pó
75 gramas de manteiga sem sal (se usar com sal não adicione sal extra)
pitada de sal


Como:

Coloque as duas laranjas lavadas inteiras numa panela, coloque água o suficiente para cobrir as frutas e coloque a panela para ferver em fogo alto. Quando o líquido ferver reduza o fogo para médio e deixe que as laranjas cozinhem até ficarem bem macias, por cerca de 1h30 a 2 horas. Desligue o fogo e deixe as laranjas esfriarem totalmente.

Corte as laranjas em quatro, retire as sementes se houver e coloque as laranjas no liquidificador ou processador. Com as laranjar adicione o açúcar, o fubá, os ovos e bata por cerca de 30 segundos ou bata até formar uma massa razoavelmente fina. Adicione então a manteiga e o fermento e bata um pouco mais para incorporar e formar uma mistura bem homogênea com pontinhos alaranjados. Transfira a massa para uma forma redonda furada no meio (use a forma que preferir) untada com manteiga e salpicada com fubá. Asse em forno pré-aquecido a 180C por 45 minutos ou até que um palito saia seco.

Sirva com caldas diversas e acompanhado de iogurte.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pudim de quinoa com cumaru



A semana que passou foi uma semana daquelas, super corrida, semana de férias de outono, compromissos diversos e muitos quilômetros rodados. Entre outras coisas passamos um final de semana prolongado em Oslo. Eu fui na esperança de resolver um assunto de interesse nacional em primeiro turno mas, infelizmente, vamos ter que voltar para resolver a coisa em segundo turno. Quando voltamos para a casa foi só o tempo de reabastecer as malas e pegar a estrada novamente, desta vez em direção ao norte para visitar a cunhada e o cunhado. O tempo não estava muito amigo, chovia e fazia sol tudo ao mesmo tempo agora, mas mesmo assim deu para andar de barco, pescar siris e comer muito siri e camarão.



O estilo norueguês de comer siris e camarões não me agrada muito não, sempre servidos frio e como acompanhamento obrigatório nada além de muita maionese. Também não me agrada o modo norueguês de comer bacalhau, ainda que algumas influências importantes, ventos espanhóis, comecem a se fazer sentir. Mas esses são assuntos para outras ocasiões. No fim consegui improvisar e fiz uma imensa salada com abacate, manga, milho, tomates e pepinos que casou maravilhosamente com os maravilhosos crustáceos noruegueses. Depois da longa semana fora de casa fiquei feliz ao encontrar as sobras de um pudim de quinoa na nossa quase vazia geladeira.



Eu fiz o pudim antes de viajar, não rendeu muito pois eu deixei reduzir bastante pois gosto de grãos macios, bem cozidos. Você pode usar o tipo de quinoa que você preferir, eu gosto de usar a quinoa vermelha para fazer saladas e por isso resolvi experimentar fazer este pudim com a mesma quinoa vermelha que uso em saladas. Se você preferir use a quinoa branca (amarelada)ou a preta. Para aromatizar o leite e dar mais sabor ao pudim eu adicionei raspas de cumaru. Com a casa cheia de sementes eu não estou disposta a deixar de usar essas perfumadas sementes em nada. Na hora de servir o pudim frio eu adicionei umas colheradas de geléia de frutos de rosa. Sirva com a calda ou acompanhamento que preferir. Eu acho que o pudim de quinoa quando servido quente fica ótimo com uma chuvinha de canela em pó apenas, exatamente com o arroz doce.




Pudim de quinoa vermelha com cumaru


125 ml de grãos de quinoa (usei vermelha)
1 litro de leite (usei desnatado)
250 ml de creme de leite
250 ml de açúcar
Raspas de uma semente de cumaru

Como:

Lave a quinoa em água corrente e depois deixe escorrer toda a água. Numa panela grande de fundo grosso coloque a quinoa, o leite, o creme de leite, o açúcar e as raspas de cumaru e, sobre fogo médio, deixe que a mistura cozinhe até ferver. Mexa para evitar que a misture grude no fundo. Quando ferver reduza um pouco o calor e deixe que a quinoa cozinhe até ficar macia e o leite engrossar e reduzir bastante, por 30 a 40 minutos. Se você achar que os grãos ainda estão durinhos deixe cozinhar mais e se preciso adicione mais leite. Eu gosto de grãos macios, mas tudo é uma questão de gosto, se você preferir grãos mais al dente é só reduzir a quantidade de leite.

Quando a mistura atingir a consistência ideal transfira para pratos fundos, taças ou copos. Pode ser servido quente, ou frio como uma alternativa ao arroz doce. Quando servido quente eu acho que fica uma delícia com canela em pó mas quando servido frio eu prefiro com caldas ou frutas frescas.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Muesli com frutas secas, castanhas e cumaru



Recebi pelo correio dia desses um presente maravilhoso enviado por uma pessoa maravilhosa que faz um trabalho maravilhoso no Brasil. O presente: cinco sacos de sementes de cumaru. A pessoa que me mandou o presente é uma designer de jóias do Rio de Janeiro que trabalha em parceria com o Sebrae dando oficinas de estilo e criação de jóias para ourives e joalheiros em todos os estados do Norte e Nordeste do Brasil. Essa designer desenvolve oficinas de criação com artistas locais para discutir a importância dos processos criativos e estimular a criação a partir da história pessoal e de referências locais. Estando em Belém do Pará ela foi até o Ver-o-peso para procurar cumaru para mim. Não é demais? Ela sabia que eu estava procurando cumaru e foi lá buscar.


(Cumaru, conhecida na Europa como fava tonka é semente oriunda de uma árvore de madeira nobre nativa da Amazônia é regularmente usada como remédio e na produção de perfumes e bebidas em todo norte e nordeste do Brasil)

Estava precisando fazer uma nova leva de muesli para a casa e decidi adicionar a perfumadíssima cumaru à mistura, ao invés de canela e baunilha habitual. Eu já expliquei uma vez a diferença entre muesli e granola, mas não custa nada repetir. Granola é tradicionalmente uma mistura de cereais torrados que em geral leva milho, trigo ou aveia torrada para ficar crocante. A granola surgiu nos EUA e é uma marca registrada americana e desde 1894 passa de mão em mão entre diversas companhias alimentícias. Já o muesli, ou müsli, surgiu na Suíça também no final do século 19 e foi uma criação do médico suiço Maximilian Bircher Benner e mistura grãos de aveia (e apenas aveia) com castanhas diversas e frutas secas diversas.




No começo do século 20 muesli ficaria conhecido em toda Europa como sinônimo de dieta saudável oriunda da clínica do tal médico suíço. Eu chamo minha mistura de muesli pois é feita apenas com aveia, nozes e frutas secas e esta era a essência da mistura do do Dr. Benner. Hoje os nomes usados variam de lugar para lugar e das empresas que comercializam e distribuem o produto. Acho que até hoje a Kellogg's é dona da marca granola, mas não estou certa pois não fui conferir. Já muesli chegou a ser comercializado com este nome no Brasil da minha infância e eu me lembro muito bem da caixa, mas acho que deixou de ser comercializado, será? Também não posso afirmar pois não fui conferir.



Aqui na Noruega usa-se o termo muesli para tudo e as misturas com esse nome levam em teoria exatamente o que recomenda-se num muesli (aveia, nozes e frutas). Eu não compro muesli pronto jamais pois pelo que leio nas embalagens as misturas prontas levam tanto sal, como açúcar e óleos em quantidades excessivas, algo totalmente desnecessário. Admito que as minhas primeiras experiências levaram um tanto de óleo de girassol, mas na minha cabeça eu não achava que fosse realmente necessário e passei a fazer minhas próprias experiências sem óleo e o resultado é surpreendentemente melhor, mais sequinho e mais crocante. Continuo adicionando mel, simplesmente porque não consigo deixar de colocar mel em tudo e comer muesli sem mel é impensável. Além de contribuir para a textura final do muesli o mel dá uma adoçadinha maravilhosa. Se você não é adepta do mel use melado, açúcar ou não use nada.


(Adicione as frutas secas que desejar: tâmaras, damascos, banana, maça, mamão, manga, ameixas pretas são algumas das frutas mais comuns além do coco e das uvas passas. Pique as frutas e asse com a aveia dependendo da consistência da fruta em uso).


Além do mel eu costumava adicionar baunilha e canela em pó mas com a adição das raspas de cumaru fica totalmente desnecessário adicionar qualquer coisa já que as sementes de cumaru são famosas exatamente por terem um aroma que lembra o da baunilha e da canela juntos. Mas se você não gosta de muesli com aromas, não adicione nada. Eu não resisto e adiciono sempre algum extrato ou ervinhas para perfumar. As raspas de cumaru ficaram perfeitas com a mistura de aveia, castanhas e frutas. O aroma da cumaru é muito parecido com aquele das amburana já que ambas (cumaru e amburana) são ricas em cumarina e seus aromas lembram muito perfumes antigos, de festa do interior. Eu adoro pois, por ser altamente familiar, proporciona uma sensação de conforto única.



Muesli com frutas secas, castanhas e cumaru


750 gramas de aveia orgânica
200 gramas de coco ralado seco sem açúcar
125 gramas de passas secas orgânicas (use a gosto)
75 gramas de mamão seco picadinho (use a frutas secas que desejar)
125 ml (1/2 copo) de castanha de cajú
125 ml (1/2 copo)de castanha do Pará (naturalmente orgânicas)
150 ml (um pouco mais de 1/2 copo) de amêndoas
150 a 200 ml de mel de acácia orgânico (use a gosto)
Raspas de uma semente de cumaru


Como:

Coloque as castanhas do Pará e de cajú e as amêndoas no processador ou liquidificador e processe até que elas fiquem trituradas mas não virem farinha e reserve. Pique os pedaços de mamão seco em pequenos quadradinhos e reserve. Num pote grande misture a aveia, as castanhas do Pará e de cajú, a amêndoas trituradas, o coco ralado, os pedaços de mamão seco picadinho e as raspas de cumaru. Regue a mistura de grãos com o mel e, usando as mãos, misture bem até que a mistura de grãos forme uma farofa homogênea. Transfira a mistura para uma forma (forrada ou não com papel manteiga) e asse em forno pré-aquecido a 180C. Asse até dourar, por cerca de 30 minutos mas a cada 10 minutos retire do forno e mexa a mistura com uma colher de pau para virar a mistura que vai dourar mais por baixo do que por cima. Quando a mistura estiver toda dourada por igual retire do forno e deixe esfriar antes adicione as passas. Antes de esfriar adicione as passas, use a quantidade de passas que achar suficiente. Transfira a mistura para jarras ou potes ou vidros.

Rende aproximadamente 1,5kg de muesli.


(Muesli servido com abacate e mel, o meu preferido)