quinta-feira, 26 de maio de 2011

Doce Vika: a autoentrevista



Para tirar dúvidas e esclarecer a todos que me perguntam sobre o projeto da loja eu produzi uma autoentrevista, razoavelmente bem humorada pois imagino que esta é uma ótima forma de esclarecer todo mundo ao mesmo tempo, agora.


Por que você resolveu abrir uma loja?


Bem, confesso que, abrir uma loja sempre foi uma fantasia minha, acho que é sonho de todo mundo, não? Desde menina que eu me divertia com a idéia de ter uma loja, adorava brincar de loja, essas coisas. No fim eu acho que depois de tanto desejar e falar de loja as coisas acabaram acontecendo. Mas a coisa toda foi bem devagar, a "Doce Vika" levou mais de três anos para sair do sonho para a realidade. É um projeto muito pessoal e um negócio e a união das duas coisas requer muito cuidado. As vezes, quando eu tinha dúvidas, o Per também ficava em dúvida e o castelo de cartas desabava por um tempo e depois voltava. A primeira vez que desisti foi depois que o meu irmão morreu e eu dei para trás totalmente. Mas logo depois, exatamente em função da perda do meu irmão, diante da constatação óbvia da brevidade da vida, dos riscos constantes a que estamos expostos, eu decidi que não abrir a loja seria uma grande covardia. Não me jogar no projeto iria me fazer mais mal do que dar errado e ir a falência. A vida é essa coisa tão fugaz mesmo e então decidimos que, "quer saber? vamos abrir do jeito que for", refizemos os planos e abrimos.




Assim? Na maior?

Exatamente, assim, na maior. É que de uma hora para outra uma lojinha, uma loja de rua pequenina, onde funcionava uma loja de flores bem fofa, ficou vazia, com placa de aluga-se. No tal local funcionou por mais de 50 anos uma loja de flores, loja que teve diversas donas, sempre mulheres e o mesmo nome: Vika. A última dona carregou o negócio dela e suas flores para uma loja nova e imensa num recém inaugurado shopping center, alguns quilômetros dali. E nós então pegamos a lojinha fofa, agora vazia e retomamos nossos planos de abrir nossa loja ali, naquele lugarzinho. Decidimos que tudo indicava que seria melhor começar uma loja fora de Trondheim. E ali, ao invés da loja de flores, funciona agora a nossa lojinha, um loja bem pessoal, com estilo de loja de bairro, de armazém... uma coisa mais ou menos assim.



Como foi que tudo começou?

Eu nunca pensei que iria abrir uma loja aqui, na Noruega. A loja dos meu sonhos tinha um perfil diferente e acontecia dentro de um outro cenário. Durante anos planejei e sonhei em abrir uma loja-torrefadora de cafés especiais, junto com amigo, em São Paulo. Quando fui trabalhar no Valor Econômico eu me interessei muito pela lógica (cruel) dos negócios nos mercados agrícolas. Eu tinha feito MBA em Derivativos, dissertação sobre a especulação com os grãos de café arábica e lá pelas tantas eu queria, porque queria, comprar os grãos dos apaixonados fazendeiros que eu conheci no processo e produzir os meus próprios cafés. Eu sabia identificar grão e produzir o tipo de café que eu gostava e queria beber. Mas eu não queria só produzir café ao meu gosto mas também, e de certa forma, contribuir para garantir que o bom café ficasse livre da especulação, livre das negociações do mercado e que pudesse ser consumido pelo público brasileiro e não ser exportado. Isso tudo antes de São Paulo assistir a abertura em série de lojas de cafés especiais que começou talvez com a abertura do café Suplicy no começo da década passada e que parece não parar mais. Mas aquele era um momento de crise para o café, os grãos perdiam valor... No fim desisti de tudo, desisti de São Paulo, voltamos para Rio e depois decidimos vir para a Noruega.





Por que na Noruega?

Quando eu penso "por que Noruega?" uma série de motivos não verdadeiros vem a mente na mesma hora. Poderia dizer que abri a loja pois a vida de imigrante na Noruega é difícil, porque uma imigrante altamente qualificada não consegue um emprego a altura da sua qualificação, porque sinto uma falta danada de muitos alimentos quando faço compras nos mercados noruegueses, porque sinto falta de alimentos brasileiros ou porque sinto uma falta enorme do Brasil. Afinal, tem coisa mais batida do que um imigrante abrir loja de alimentos? Mas, apesar das afirmações acima não serem falsas, elas não listam o motivo que me levou a abrir a loja: foi a minha vontade de interferir com o local onde vivo. Sou ativista e nada passa batido inadvertidamente diante de mim. E o fato é que os noruegueses e todos os que vivem neste país estão comendo muito mal e as novas gerações conseguem ir piorando gradativamente, e o que já estava ruim vai ficando ainda pior.





Como assim?


O povo está comendo muito mal por aqui, não porque a comida norueguesa tradicional seja ruim ou sem qualidade. De jeito nenhum, muito pelo contrário. É que repete-se aqui o mesmo padrão que já predomina ao redor do mundo, influenciado pela estilo de vida contemporâneo que empurra a grande maioria das pessoas para dentro de um rodamoinho de falta de tempo e necessidade de economizar dinheiro. A pressão sobre as famílias se agrava com a expansão da agricultura industrial e produção de alimentos industrializados e processados. E o povo do planeta está que come cada dia pior, quando melhora-se um pouquinho a condição de vida de um povo, levados pela publicidade enganosa e pela sedução poderosa dos produtos processados, o povo vai e usa a graninha a mais para comprar porcaria.

No Brasil a coisa está assustadora, a nova classe média anda se superando no consumo de comida processada de baixa qualidade. É a farra do iogurte super-adoçado e colorido artificialmente, refrigerante, biscoitos e pães e massas prontas. A comida processada barata tem sido apontada no mundo todo como vilã da saúde pública, sendo produto da expansão da agricultura industrial e dos diversos apoios (diga-se subsídios) ao agronegócio no mundo. No Brasil o agronegócio é diversas vezes vilão pois não só polui os recursos naturais e o planeta, mas ainda explora e eventualmente escraviza sua mão de obra que vive em condições degradantes, o que contribui para a piora significativa da vida no campo. Já a especulação cruel do mercado de commodities trata os alimentos como se fosse petróleo, colocando todas as farinhas no mesmo saco. Quero dizer que comida não é tudo igual. Comida tem história, tem origem, tem tradição e sistemas tradicionais de produção. Dependendo do sistema de produção a comida pode causar mais mal do que a falta de comida.


A pessoa precisa estar atenta e saber escolher na hora de comprar comida?

A escolha do alimento que você compra para servir para a tua família é a decisão mais importante que você pode tomar na tua vida hoje. A decisão da comida afeta tudo: a tua saúde, a saúde da tua família, o clima do planeta, a sobrevivência do meio ambiente do país onde você vive, a realidade dos recursos naturais do país onde você vive, a saúde de quem planta/produz a comida que você compra, o desenvolvimento da região e/ou do país que produz a comida que você consome, os impostos que o governo vai te cobrar, a qualidade e o custo da saúde pública, o preço do seguro de saúde que você paga, a taxa da água da tua casa, da energia da tua casa e tudo o mais está ligado ao custo e ao sistema de produção de alimentos. Aí no Brasil, aqui na Noruega e no planeta inteiro.




Você pode dar um exemplo?

Sim. É um ciclo que pode ser explicado a partir do momento em que alguém compra uma comida vagabunda, i.e. um alimento processado. Imagine que o alimento em questão foi produzido com, digamos, carne ou leite de animais engordados a base de hormônios cancerígenos e alimentados com alfafa transgênica, imagine que o alimento foi engrossado com lecitina de soja transgênica, adoçado com xarope de milho transgênico, que foi frita e/ou amaciada com óleo de milho ou canola (colza) transgênica, que foi "temperado" com quantidades excessivas de açúcar refinado produzido a partir de cana de açúcar produzida em fazendas que sub-empregam seres humanos e que o sabor foi alcançado graças a uma quantidade excessiva de sal misturado. Esse alimento processado pode ser uma pizza calabresa congelada, hambúrgueres prontos, lasanha congelada, nuggets de frango, pacotes de biscoito, iogurte de chocolate ou um litro de leite de soja. Ao consumir o tal produto a pessoa está colaborando com o estabelecimento de uma realidade muito ruim, um mundo onde algumas pessoas que você ama vão desenvolver alergias horrorosas, canceres terríveis jamais vistos antes, diabetes, infecções, doenças autoimunes, doenças do coração, circulatórias e obesidade. Você e os seus vão ver mais pessoas que vocês amam ficarem doentes, eventualmente morrer e vocês vão sofrer. Crianças vão perder pais, mães, avós, avôs etc.. porque você decidiu achar que não vale a pena investir na comida que você compra.

E como muitas pessoas ficarão doentes os custos da saúde pública irão aumentar significamente, os planos privados vão ficar ainda mais caros, os benefícios trabalhistas mais difíceis de conquistar, o emprego fixo também pois não só você e sua família ficarão mais doentes, mas porque o camponês que produz o alimento com agrotóxico também vai ficar doente e vai haver mais exploração do agricultor e do trabalhador rural pois, como já se vê hoje, vai-se fazer de tudo para evitar que os trabalhadores rurais recebam os benefícios que lhes é de direito, como aposentadoria precoce por conta da contaminação por agrotóxicos, pois está demonstrado que haverá aumento significativo do número de camponeses demandando aposentadoria precoce pois o aumento do uso de agrotóxicos é impressionante e consequentemente as contaminações vão aumentar... quer mais? O Brasil já se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos... dá vontade de sentar e chorar.



Por favor, continue...

Se você acha que apenas os camponeses são contaminados por agrotóxicos você está muito enganado. Sua comida já nasce contaminada. A chuva escorre o solo contaminado por agrotóxico e contamina tudo. Rios, lagos, lagoas, oceanos e aquíferos. As fontes de águas de diversos países a esta altura já estão altamente contaminadas por agrotóxicos. Assim como os peixes de rios e mar. Os níveis de mercúrio e metais pesados nos peixes que estão no alto da cadeia alimentícia marinha já estão acima dos limites aceitáveis em várias partes do mundo. Na verdade, eu costumo dizer que os frutos do mar já acabaram diante do grau de contaminação dos oceanos... quem comeu, comeu, quem não comeu não deveria comer mais. Principalmente peixes grandes como atum... E você pensa que é só o mar? O ar está ainda pior. O planeta está aquecendo significativamente com a emissão de gases do efeito estufa sendo que um dos gases mais perigosos é o óxido de nitroso (conhecido também como protoxido de nitrogênio) cuja sigla é N2O. O N2O é emitido em quantidade absurdas pela agricultura em função do uso excessivo de fertilizantes pela agricultura convencional. Veja o que a Wikipedia diz sobre esse gas "N2O is a greenhouse gas with tremendous global warming potential (GWP). When compared to carbon dioxide (CO2), N2O has 310 times the ability to trap heat in the atmosphere. É dramático.



O que você deseja com a tua loja então?


Eu desejo muito reverter um pouco o quadro de desinformação. Ajudar a informar uma parte da Noruega com os meu conhecimento e minha dedicação a causa dos alimentos orgânicos. Gostaria de contribuir para perverter a lógica dominante que funciona mais ou menos assim: o carro caro é o melhor, a roupa cara é mais bacana, o uísque 12 anos é o mais sensacional, mas as frutas, os legumas, o leite e a carne que você compra precisam ser baratos, produzidos na base do banho de agrotóxico, depois refinados, processados ou super-processado! Por favor NAO! Pense diferente. Lembre de mim na hora de querer comprar 3 ou 4 pacotes pelo preço de um. Pense qualidade e jamais quantidade e/ou volume. É isso que eu prego aqui na loja. E que o aumento do consumo de orgânicos vai levar a queda nos preços... aqui os preços dos orgânicos já começaram a cair significativamente.





'Pera aí, você fala demais, está me confundindo. Qual é a do teu negócio mesmo?


É uma loja de alimentos orgânicos e produtos de alta qualidade repleta de delícias especiais. É uma espécie de armazém de bairro, loja do interior, o que os ingleses chamavam de general store e os noruegueses conhecem como de handleri em versão século 21. Hoje cerca de 98% dos produtos nas prateleiras são orgânicos. Duas ou três coisinhas ficam de fora, mas são produtos tradicionais muito especiais ainda não certificados. Pode-se encontrar de tudo orgânico, tudinho mesmo, e meu projeto segue nesta direção. Mas hoje eu tenho alguns produtos não orgânicos maravilhosos, produtos muito especiais para mim e de altíssima qualidade. Não estamos totalmente fechados, o que pode ser orgânico e é bom será, o que é bom mas ainda não está totalmente certificado nós confiamos que um dia há de ser...





Qual o nome da loja?


Num primeiro momento o projeto da loja foi batizado de Vika Organic Gourmet que virou a razão social da empresa. Mas com o tempo surgiu o nome "Doce Vika" que é o nome da loja em si e da loja online que estará pronta em breve, assim espero. "Doce Vika" é uma referência ao filme A Doce Vida (La Dolce Vita), claro. "Vik" em norueguês quer dizer "baía" e "Vika" significa "A Baía", um nome que eu adoro... Carioca que sou adoro referências a baías de uma maneira geral...





Como as coisas funcionam na loja?

Nosso atendimento é do tipo lá em casa, muito informal. As pessoas entram curiosas, perguntam o que temos, pedem o que desejam e eu que estou sempre na loja ajudo, explico, mostro etc... Muita gente sabe o que quer e conhece o que temos e isso é bem legal. Um queria um óleo para fazer isso ou aquilo. Qual é o melhor? Como eu faço isso ou aquilo? Esse chá é isso ou aquilo. E eu ajudo. Uma matéria no jornal local divulgou meu passado, presente & futuro de pesquisadora, frisando que eu tenho mestrado em geografia na Universidade de Trondheim sobre agricultura orgânica e pronto, o povo todo fica menciona que me viu, fica confiante e com vontade de perguntar e acreditar. Vou colocar meu diploma na parede para dar ainda mais autoridade (risos!) ao meu norueguês capenga na hora de explicar. Como os supermercados e a indústria alimentícia são péssimos provedores de informação sobre produtos eu sou melhor do que eles nessa hora. Na verdade, é fato, se as pessoas não buscam as informações por conta própria e se não tem algum senso crítico em relação ao que a publicidade divulga elas vão em geral sair por aí comprando gato por lebre. E eu estou adorando ajudar, dar receitas e sugestões. O povo que pergunta, compra e depois volta feliz para elogiar e agradecer e isso é uma coisa muito legal de mercadinho pequeno.




E tudo em norueguês?

Sim, tudo em norueguês, sempre. Essa foi a única coisa que me deixou um tanto ansiosa e chateada já que eu confiava que meu ouvido estava preparado para ouvir toda sorte de dialetos do norueguêsm mas não está. Muitas vezes eu não entendo exatamente o que me perguntam, são tantos dialetos num mesmo condado que chega a ser inacreditável e aí eles precisam repetir para que eu possa entender. Dá um certo charme, me disseram, mas eu não sou do tipo que aceita errar... mas na hora de falar a gente se joga e fala, no que eu chamo "meu dialeto macunaímico" que mistura tudo o que aprendi da língua de Ibsen até hoje.



Você vai abandonar o blog, ele anda tão parado?

De jeito nenhum. Eu fico super triste diante da dificuldade de atualizar o blog com mais frequência, com o fato de não publicar com frequência e por isso não receber visitas, nem comentários, de pessoas queridas que não tem o que fazer no blog. Mas as visitas aumentaram , por incrível que pareça muita gente nova e interessante anda caindo no Sabor Saudade. Eu também fico tristíssima diante da dificuldade de visitar os blogs das amigas que eu gosto tanto. Mas enquanto a loja online não estiver pronta, com os produtos todos pendurados e fotografados, com entregas estruturadas eu vou ter que adiar algumas postagens e dar um tempo mais longo do que eu desejaria.

Você já começou o blog da loja?

Já e estou tentando alimentar com alguma regularidade... Mas não tem sido muito fácil. Mas já está no ar em norueguês e inglês apenas, infelizmente.


Você abandonou as pesquisas e os livros?


De jeito nenhum. Estou trabalhando mais do que nunca na minha tese de doutorado, escrevo um parágrafo novo quase todos os dias e aos poucos eu vou. A tese está sendo organizada na forma de artigos, são cinco artigos. O modelo de tese em forma de artigos se expande na universidade norueguesa e eu resolvi adotar. Minha tese trata de cinco temas que envolvem os projetos de conversão para agricultura orgânica das pequenas propriedade de agricultura familiar no sertão de Pernambuco. É um projeto apaixonante demais que eu não largo nem entrego para ninguém acabar... A coisa vai devagar, mas vai.



(Imagens exibem produtos e detalhes da nossa lojinha localizada numa baía dentro do fiorde de Trondheim, no condado de Sør Trøndelag, na região central da Noruega)

26 comentários:

Isabel disse...

Claudia,
adorei a ideia da autoentrevista, original e super informativa.
Que pena estar tão longe da sua lojinha, se estivesse mais perto ía virar cliente assídua, tenho a certeza. Fiquei fisgada nesses purezinhos de frutas, que maravilha!
Muita sorte para este projeto maravilhoso :)
Bjs

angela disse...

Você me deixou babando! Só discordo de sua opinião a respeito dos preços. Morando aqui no mato sei que não há necessidade do alface orgânico custar mais do que o carregado. Há um tanto de status embutido nisso, uma pena. Minha enteada tem um encanto pela Noruega, tem 16 anos, estará aí esse ano, não sei onde você está, mas vou passar o link do seu blog para ela.

paula MARIANA disse...

Só lhe posso desejar as maiores felicidades para o seu negócio e que deia bons frutos e se sinta realizada, parabéns pela auto-entrevista, adorei,

beijos!!

Mónica Pinto disse...

Olá Claudia,
Acabei de conhecer o Sabor saudade e gostei muito, muito mesmo. Eu adoro postagens longas por isso acho que vou voltar sempre. Parabéns pela loja, o projeto é lindo!

Beijinhos

Beth disse...

Adoro seu blog! Através dele eu viajo com as suas postagens...
Parabéns, sua loja está linda! Sucesso para você!

Beth

angela disse...

que o seu projeto, de vida, seja um sucesso, bjs

Margarete disse...

Claudia, parabéns pelo seu empreendedorismo. Aqui em casa, sempre que possível só entra orgânicos. Tem uma amiga que mora na Noruega. Local, latitude e longitude? Não sei dizer não. Mas vou falar com ela, dá que é aí do seu lado...bjs.

Dani disse...

Adorei a auto-entrevista. Mas, confesso, perdi a vontade de comer quase tudo, rs. Peixe é a minha comida predileta, tento comprar com relativa qualidade, não consigo não comer... É deprimente.
Como disse a Angela, há toda uma atitute preconceituosa quanto ao consumo de orgânicos - é "coisa de gente fresca". Aliás, há todo um esnobismo da parte de certas pessoas em relação a tudo que seja bom... Isso me dá um cansaço.
Descobri uma loja laternativa aqui no meu bairro, mas não é tão charmosa quanto à tua - mais da metade são vitaminas e medicamentos naturais, o que também é bom.
Eu só não compro tudo orgânico porque não há tudo sempre, e porque o meu orçamento está bem mal das pernas. Mas compro tudo que dá, principalmente frutas e legumes.
Adorei as fotos e o texto!

Beijos, que a propaganda do boca a boca torne a loja o sucesso da região!
Beijocas!

Cláudia M. disse...

Claudia!
Graças a Deus que eu vim ler este post num dia de muito tempo livre (rsrs), assim eu pude ler tudinho com a maior atenção! :)
Para já, desculpas pela ausência, mas depois de 6 meses de trabalho quase-escravo, passei do 80 para o 8, e ainda estou me recompondo do choque.
Agora vamos ao que interessa: estou mto feliz com o seu projecto, eu já tinha visto umas coisitas a esse respeito há algum tempo atrás, mas na altura não deu para ver em detalhe. Que beleza de lojinha, mais um motivo para visitar a Noruega! :))
Mas, como li aí no comentário da Dani, tb estou assustada: o que é que podemos comer, afinal?? Os orgânicos aqui ainda são bem caros, em comparação com os outros produtos, uma diferença muito grande, mesmo. E não pode comer atum? Jesus! Eu como atum 2 ou 3 vezes por semana, adoro! :(
É muito complicado comer saudável, pelo menos por estas bandas. Por isso eu queria tanto ter uma horta, um pomar, e por aí fora...
sem a carne eu até passava (embora goste de um franguinho, peru, etc), mas peixe, fruta, legumes, caramba, tá tudo contaminado! Ao ler o seu texto, pensei várias vezes em beber chá verde para desintoxicar! Ou será que tb não é puro? Valha-me Deus! :))
Achei mto interessante a referência aos produtos cancerígenos, tb estou plenamente convencida que os imensos casos de cancro que existem hoje em dia se devem bastante à alimentação, e isso é angustiante.

Olha, e produtos portugueses, vc não tem não? :)

Desejo tudo de bom para esse projecto e para todos os outros. Um abraço.

Isabel Gonçalves disse...

adoreiiii!!! Fico aqui sonhando com este lugar lindo, frioooo, mas muito aconchegante! A Lojinha deve ser toda graciosa..Parabéns,

Maria Isabel
bel2413@gmail.com
Curitiba-PR Brasil

Luciana disse...

Adorei sua auto entrevista e nem conheco sua loja mas só pelas fotos, pelo seu capricho em fazer tudo, pelo jeito que você escreve sobre ela e até o nome, acho que deve ser linda.
Muito sucesso.
Vou compartilhar o post no facebook.

Beijo

Lúcia Soares disse...

Oi, Cláudia. Li no FB a respeito da sua loja, através da Luciana (aí, acima).
Já leio vc há tempos, de vez em quando comentava.
Sucesso para sua loja. Deve ser lindinha demais.
Sei bem sobre o que você postou, pois minha filha está numa sinuca para criar os filhos, 2 acima do peso, por conta das "porcarias" que tinha em casa. Para ela é difícil conciliar tudo (mora longe de toda a família, com um filho de 4 anos e gêmeos de 2 anos). Então, diante de tantos apelos da mídia, acabou acostumando mal as crianças. Sorte que a escola do mais velho é rigorosa com o lanche, diariamente
sugerido e exigido o cumprimento das opções. Aqui também tudo natural é sempre mais caro, mas acho que vale a pena mudar.
Abraços!

Claudia disse...

Isabel,

Os purezinhos de fruta são um sucesso total de vendas... O pacote vem com dois potinhos de 100g de fruta pura, sem adição de nada, produzido na Itália para uma empresa inglesa que eu amo, a Clearspring que só produz coisas boas. É um lanchinho sensacional para o povo que não pode comer gluten, leite, açúcar, sal fermento e eles se jogam com prazer. Você iria amar.


Angela,

Com um mínimo apoio a agricultura orgânica vai, em breve, custar muito menos do que a convencional já que a agricultura orgânica não depende de sementes patenteadas e controladas nem vive a base de química pesada e caríssima. A maior parte das culturas orgânicas se protege contra pragas misturando culturas, diversificando a produção, quem precisa de muito veneno contra pragas são aquelas fazendas intensivas onde só se planta uma cultura só, onde o solo já está pobre e as pragas sem opção de alimento alguma... A solução e apoiar o ensino dos conhecimentos da agricultura antiga e tradicional. Passe nosso contato para sua enteada sim, vai que estamos perto.


Paula Mariana, obrigada!

Monica, Obrigada.E se você gosta de postagens longas então aparece sempre por aqui pois falar (escrever) muito é comigo mesmo!

Beth, obrigada e volte mais vezes.

Angela, obrigada.

Margarete, passa o contato para a sua amiga sim, vai que nós somos vizinhas. E vale a pena investir em orgânicos e batalhar pela expansão e o baixo custo deles. Organize uma comunidade com vizinhos e compre do produtor, eles em geral entregam se você formarem um grupo grande.


Dani,

Me dá um horror esse povo que adora porcaria e não dá nenhum valor a qualidade do alimento mas gastam fortunas em tenis e carros e bebidas... cada um, cada um. Por aqui as mulheres inundam a minha loja e os homens são mais céticos, mas já tive visitas de dois chefes de restaurantes da região. Um passou a comprar o azeite extr virgem da Tunísia para o povo temperar saladas nas mesas do restaurante. Os produtos da empresa inglesa Clearspring são fantásticos, de alta qualidade e de ótimo preço, está fazendo um super sucesso, você deve achar eles facilmente aí, não?

E olha, frutos do mar, só sardinha e peixinhos que passam pouco tempo no mar... os peixões é que são mais contaminados. Grávidas e crianças não devem comer atum em lata nunca... muito arriscado. Fora que a lata em BPA então me diga, que mundo é esse que criamos... Mas o negócio é não ser policial de ninguém, cada um escolhe a vida que quer levar.

Essas lojinhas alternativas tem muito aqui mas vendem mais remédios, vitaminas e chás para desintoxicar... a diferença com a minha loja é que eu não tenho nem vou ter vitaminas nem remédios mesmo, só comida da boa, por isso a idéia de ser orgânico e gourmet pois o foco é em comida de alta qualidade.


Beijos,


Claudia

Claudia disse...

Claudia, querida, nem me fale de ocupada. Na verdade eu estava sem tempo para nada e não podia visitar ninguém. Se não fosse a Chika, uma japonesinhas que me inspira muito, acho que eu ainda estava no marasmo... mas felizmente há quem nos toque e que nos faça andar.

E quanto aos peixes: coma sardinhas, peixinho pequeno que passa pouco tempo no mar e não tem tempo para se contaminar e segura a onda com a atum, 3 vezes por semana é muito pois o atum é peixe que está no topo da cadeia alimentar marinha e passa muitos anos no mar e registra altos índices de contaminação. Mas se você compra o Bonito do Norte faça uma pesquisinha com a saúde pública de Portugal e veja o que eles tem a dizer sobre os níveis de contaminação dos produtos vendidos no país. Os atuns que chegam aqui vem de região contaminada mesmo, do pacífico... E evite dar para a tua filhinha.

Olha, estava tentando contatos com várias empresas portuguesas e a coisa em Portugal é bem devagar, igual ao Brasil, uma dificuldade de obter resposta para um email enviado para as empresas portuguesas, mas posso te contar com alegria que em breve nossas prateleiras vão estar cheias dos azeites portugueses da Herdade do Esporão do Alentejo que eu amo. São oliveiras com mais de 100 anos que produz azeite de alta qualidade das modalidades galega, cordovil, moura d.o.p. e uma seleção especial. Eles nunca tiveram representantes na Noruega e estamos trazendo os azeites e vinagres portugueses pela primeira vez, estou super excitada e acho que vai ser fantástico. Você vai poder ver a loja pela internet depois.


Isabel, obrigada.


Luciana, obrigada pela força. Mas em breve estaremos na internet onde você vai poder ver tudo e ainda poderá comprar se desejar.


Lúcia, obrigada pela visita. E sabe que a publicidade de produtos para crianças deveria ser proibida e é uma luta no mundo inteiro diante da obesidade infantil. O negócio é não abandonar a luta pois a criança reproduz os hábitos da família na vida adulta... Eu brigava com meu irmão que morreu e brigo com o outro irmão que dá aquela porcaria de Ades para os filhos dele que são super magrinhos todos os dias... aquilo é um lixo e a publicidade engana dizendo que é saudável pois leva um tanto de soja. O que leva mesmo açúcar, muito açúcar, corante e conservante, deveria ser proibido dar aquilo para crianças. Ainda mais chama aquilo de leite. Mas é assim, cada, um cada um.

Beijos a todas.

Claudia

Alcina disse...

Olá Claudia
Eu já tinha lido metade do seu post e hoje vim acabar de ler, mas foi mau dia estou em dia não, tudo corre mal e ainda por cima venho aqui ler o que eu também já sei tudo faz mal á saude, até o ar que respiramos!!!! mas é dificil comer algo se pensarmos muito nisso não?! eu cá em casa tento comer variado, não comemos nada x vezes por semana, mas como de tudo e biológico só o que vem da quinta ou que os vizinhos e familia me dão, porque no supermercado é demasiado caro, lembro-me agora do preço do peixe, para voce ver o peixe de alto mar custa por ex 20 a 25 euros o kilo e se for de viveiro custa 5 é muita diferença!! e ainda por cima se voce diz que peixe grande e de alto mar é mais contaminado já nem sei!!!
A história dos transgénicos também ainda não percebi a sua fobia deles, porque não sei muito bem a que fazem mal, nunca ouvi nem li que façam mal á saude...
Olha se já estava hoje deprimida fiquei bem pior!!
Agora vou até á minha terrinha buscar umas cerejas que eu espero sejam biológicas ou pelo menos com poucos pesticidas :-)
bjs

Camila Hareide disse...

Minha ídola, não preciso dizer mais nada... Ainda não rolou a chance de dar um pulo aí, mas de agosto não passa! Parabéns pela loja, me dá muita alegria saber que a norugada daí tá toda empolgada! Aqui em Bodø descobri um pequeno negócio que entrega orgânicos em casa toda semana. Depois te conto se funciona mesmo!

E maior orgulho, Lars escolheu bananas fair trade no Spar ao invés de First Price, e eu nem precisei dizer nada. Tão bom quando nosso "ativismo" funciona e a gente náo se sente um disco riscado...

beijo

gasparzinha disse...

Força! Estou a torcer pelo sucesso da loja. Gostei de te ler. :))
Beijinhos

Paula Pacheco disse...

Parabens, e que bacana vender produtos organicos, realmente comemos muito mal, espero que com o passar do tempo os preços melhorem e ai sim possamos consumir mais deles,
bjs
Paula

Ana Paula Siqueira disse...

Olá, Claúdia!Descobri seu blog há poucos dias e sinceramente virei fã,absurdamente arrebatada!Me encantam as pessoas que tem o dom da escrita e você, minha cara, tem esse dom.Adoro também culinária, principalmente os doces, que sem querer menosprezar outros sabores,considero o seu fazer uma arte,já que na minha opinião, doces não agradam apenas ao paladar,mas também a visão.O famoso "comer com os olhos".Confeitaria é linda!E os seus ficam lindos!Bem, sem mais delongas quero te desejar toda a sorte do mundo nesse seu novo projeto profissional e principalmente de vida.Acho incrível sua luta por uma alimentação não apenas saúdavel, mas principalmente justa e solidária.Descobrir como a coisa toda funciona, me deixou perplexa e mais ainda abismada com a minha ignorância nesse tema e perceber como eu e todo mundo não tem conhecimento de tantas informações tão importantes para nossa sobrevivência simplesmente não ajuda.Parabéns pela sua batalha, pelo seu amor à verdadeira cozinha e pelo Brasil!Mais uma vez lhe desejo muito sucesso, porque você e sua família merecem.Bjs.

Anônimo disse...

oi. acabo de encontrar seu blog e foi quando procurava uma receita de biscoito!eu só queria ler sobre a receita, mas ai a leitura me pegou e não pude mais parar de ler o que escreveu. parabéns pelo trabalho. eu também tenho um sonho de ter um negócio, o que me falta é capital. devo dizer que sou uma das pessoas que querem comer melhor, porém muitas vezes não compro orgânicos por causa do preço e creio que acontece o mesmo com outras pessoas. na minha cidade, maceió (o fim do mundo) ainda é caro. desejo sorte com tudo.

luciana alves

Helena disse...

Olá Claudia
Que grande surpresa ler este post.
Desejo muito sucesso e felicidades no negocio. Adorava conhecer a sua loja :)
Um beijo e boa sorte!

Cláudia M. disse...

Claudia
Vou ter que me controlar mesmo com o tal atum :)
e sim, vou pesquisar a origem deste que é vendido aqui em Portugal. E olha, a minha filha tb já é fã do bicho, se calhar por influência minha... :(

Fiquei feliz com o azeite português, era precisamente nele que eu tinha pensado, até comentei com a m/ irmã sobre o nosso maravilhoso azeite que estava a faltar aí na sua lojinha.
Continuação de sucesso.
Bjs

Eu Mulher disse...

Amiga, sinto que você realmente está fazendo o que gosta e que combina com você. No começo do seu post você comenta que a loja é antiga então lembrei que você gosta de antiquários, né? Até nisso sua nova loja combina com você.
Tenho comprado muitos alimentos orgânicos, mas gostaria mesmo de encontrar mais variedades de folhas e frutas, o que não tem sido muito fácil aqui nos supermercados.
Sua lojinha já vendo quinoa? Não sei porque senti vontade de perguntar sobre isso, rsrrs.

Beijão e BOA SORTE com seu empreendimento!!

Moira disse...

Finalmente tive um tempinho para conseguir ler a tua auto-entrevista que gostei muito :)
Espero que a loja seja um sucesso, tem tanta coisa gostosa.
Beijinho e muitas felicidades

Cozinha delícia disse...

Eu uso o crema di caccao e nocciole da rigoni di asiago, é simplesmente maravilhoso.

Alice disse...

Quanta coisa bacana ... quem sabe um dia se visitar a Noruega tenha a oportunidade de conhecer sua pequena grande loja, Abraço.
Que legal compartilhar seus conhecimentos acadêmicos conosco. abraço

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