sábado, 31 de julho de 2010

Morangos como consolo



Eu amo morangos e não me canso de come-los. E neste verão triste e frio os morangos são o grande consolo para o povo que vive exilado aqui neste norte. É que depois do inverno mais desgraçado dos últimos tempos baixou por aqui o verão mais infeliz que uma garota dos trópicos como eu já viu. Nada amadurece, as groselhas estão num estado de dar dó, as framboesas ainda verdes e pequenas, as ameixas e as maças mínimas e os mirtilos ainda precisam amadurecer bastante. Os morangos, apesar de estarem quatro semanas atrasados, em média, já começaram a ser colhidos e por isso são nosso consolo.

O pote branco foi colhido no mesmo dia em que chegamos de viagem. A Estela, colhedora oficial da casa, saiu cedo para colher e comer morangos no jardim. O mais interessante é que até os corvos deram uma tregua e pouco foram as perdas até agora. Temos colhido um pote por dia o que é excelente. Mas a maioria dos nossos morangos continuam verdes...



Antes de sairmos de férias compramos este caixote com 12 caixas de morangos colhidos no sul da Noruega, chegaram até aqui com um preço ótimo e levamos a caixa. Congelei a maior parte e fiz cinco potes de geléia de morango. Nada como abusar frutas congeladas durante o inverno, não? Os morangos noruegueses são bem doces, extremamente perfumados e estes das fotos são da espécie korona, bastante comum aqui nesta região.



Em nosso jardim também colhemos os primeiros morangos silvestres, que os noruegueses chamam de Markjordbær cujo nome latino é Fragaria vesca e são nativos do norte da Europa. O morango silvestre, ou selvagem, tem um sabor bem distinto, diferente do morango comercial que é uma mistura de espécies nativas da América do Sul e do Norte. O Markjordbær é em geral comido fresco, com creme e não é muito utilizado em geléias e compotas já que o sabor da fruta sofre uma ligeira alteração depois que elas são cozidas. Eu e algumas amigas estrangeiras gostamos do sabor das caldas feitas com os morangos silvestres mas os noruegueses são mais reticentes... Acho curioso.



Os morangos do nosso jardim em sua diversidade de formas e tamanhos. Lindos e saborosos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma viagem


(O farol, marca registrada de Hirtshals, cidadezinha de espírito cearense no norte da Jutlândia, Dinamarca)


Nossa viagem de férias foi ótima, um tanto exaustiva, mas ótima. Foi uma viagem adulta, Per e eu pudemos ficar sozinhos por alguns dias, circular por cantinhos pequenos de diversos países e tentar aproveitar a difícil separação das crianças. Preciso assumir que não é fácil viver sem as crianças. Sofremos um pouquinho a ausência da prole mas soubemos aproveitar. Ficamos nas "perifas" das cidades, já não gosto mais de grandes cidades, além disso acho que a gente conhece mais um país ao conhecer os cantos mais profundos dele.



(Estelinha se diverte diante da linda praia, mas fria, no mar do norte, em Hirtshals, Dinamarca)

Delícias i.e. os pontos altos da viagem:


* Viajar de carro e de navio é tudo de bom. O "chegar" por terra oferece aos viajantes uma perspectiva totalmente diferente dos lugares, a chegada vai acontecendo aos poucos, vai-se entrando nos lugares lentamente, fazendo o reconhecimento, identificando, uma aproximação suave e eu amo isso...

* Bob, o nosso amigo GPS que nos ajudou imensamente a fazer desta uma grande viagem de carro, sem ele a viagem não teria sido possível.

* Dentre os seis países por onde passamos alguns estavam sendo revisitados, Per e eu escolhemos a Suíça como o nosso favorito, especialmente a cidade de Neuchâtel. Guiamos milhares de quilômetros para chegar até a Suiça onde havíamos depositado nossos planos mais ambiciosos e, felizmente, nossos esforços foram totalmente justificados. Saímos de lá querendo ficar, saímos porque precisávamos ir embora, mas deixamos Neuchâtel e Berna com planos para uma nova viagem de carro até lá com as crianças.

* O camping numa praia de água morna a beira do lago Neuchâtel em Colombier, na região de Neuchâtel conhecida como região do lagos (do três lagos) foi o "cantinho" eleito campeão desta viagem.



(Praia que fica diante do camping onde ficamos em Hirtshals, Dinamarca)


* O segundo lugar mais legal da viagem foi Hirthals que o Per já conhecia, mas de outra maneira. É cidadezinha-mini no extremo norte da Dinamarca, uma região desse país que eu até então não conhecia: a Jutlândia. Entre Amsterdam e Hirtshals (de onde pegamos um navio para Larvik, sul de Oslo) cruzamos de carro toda a lindíssima região da Jutlândia, Jylland em norueguês ou Jutland em inglês. Ficamos tentados a adiar a viagem e ficar mais uns dias e mas o nosso menininho estava chegando de viagem e nos esperava em Oslo...

* O camping de frente para uma das muitas e belíssimas praias na costa da Dinamarca no Mar do Norte em Hirtshals. Aquela região toda é cercada por praias longas e lindas de areia branca e marcadas por dunas e muito vento (toda região de duna de areia tem consequentemente muito vento). Enfim, esta região é uma espécie de "Ceará dinamarquês". Ceará dinamarquês? Eu vejo o Ceará em todos os cantos, increditável, mas é isto mesmo.



(Per foi o único que se aventurou a molhar os pés nas águas frias do Mar do Norte, eu e Estelinha ficamos orgulhosas dele!)

* Fomos totalmente surpreendidos e seduzidos pelas belezas e delícias de umas vilinhas mínimas no interior da Bélgica, região entre Aachen (Alemanha) e Liége (Bélgica) e toda a região da fronteira da Bélgica com a Alemanha é uma delícia. Um achado maravilhoso do nosso amigo Bob, o GPS.

* A comida na Suíça foi surpreendentemente superior em todos os sentidos. Comemos melhor na Suíca do que em todos os outro países por onde passamos. Por exemplo, em Berna comemos numa cantina italiana de aparência simples mas que nos serviu uma comida fantástica, de tirar o fôlego, pena que naquele momento não pudemos beber nada pois íamos pegar a estrada...



(Berna, cidade deliciosa para visitar, boa de ver, de andar e de comer. Foi a cidade revelação da nossa viagem)

* A cidade de Berna merecerá mais atenção na nossa próxima viagem à Suíca, que há de acontecer. A cidade é linda, cheia de gente interessante e locais ótimos para comer. Foi mais uma revelação da viagem, uma surpresa que não esperávamos. Berna é tudo o que Trondheim poderia ser, mas ainda é menor do que Trondheim. Inacreditável. Amei Berna!

* Dinamarca e Suíça foram as melhores estradas para dirigir. Eram "confortáveis", seguras, bem sinalizadas, bem conservadas e gratuitas com ótimos serviços e informações. As estradas suícas, como as alemães, oferecem grande variedade de opções para alimentação, ponto importante para quem viaja de carro, mas os restaurantes e lanchonetes suiços eram de boa qualidade enquanto os alemães, bem, eram postos de gasolina apenas.


(O relógio de Berna, num contraluz fortíssimo e difícil de registrar)


* Damascos vendidos em barraquinhas de camelôs em toda a Suíça, desde a "perifa" de Basel, na fronteira com a França até Berna a Suíça era só damasco.

* Picolé de maracujá produzido pela Unilever da Alemanha com a marca do coração (a mesma marca que a Unilever estampa nos sorvetes da Kibon desde que comprou essa sorveteria) devorado como iguaria num posto de gasolina na "perifa" de Hannover onde nos recuperamos das horas de tortura sob o sol. O que pode ser melhor do que um picolé de maracujá num posto de gasolina fuleiro para espantar o calor?



(Praia do camping em Colombier, Suíca, no fundo a vila de Neuchâtel)


Micos i.e. pontos baixos:



* A muvuca de Amsterdam. Nós detestamos a experiência de acampar em Amsterdam. Queríamos experimentar o lugar mas acabou sendo o pior camping que eu já coloquei meus pés e olha que eu já passei por muitos campings bagaceira nesta vida. Apesar de ficar dentro de um parque lindo o espírito do lugar era péssimo, gente esquisita, gritando, sujo, sem iluminação adequada, sem solo adequado, nada incluído no preço, donos nem aí, parecia um inferno mas felizmente fomos resgatados dali por um casal de amigos mineiros quando íamos para outro camping mais fora da cidade.

* Um incêndio na floresta no interior da Alemanha nos deixou presos num engarrafamento por mais de tres horas na estrada na periferia de Hannover e sob um inacreditável sol de 40C. Acreditem: fez 40C na Alemanha e fui passar filtro solar para aguentar o trânsito! Conseguimos fazer um retorno depois de horas e voltar para Hamburgo, de onde tinhamos saído, para de lá pegar outra estrada em direção a Bremen e Dusseldorf.




(Vinhedos e fonte em Eguisheim, região do Alto Reno na Alsácia onde ficam as ruínas dos Trois Chateaux, os três castelinhos medievais no alto do morro)


* As auto-estradas alemãs confundidas com pistas de corrida onde praticamente não há fiscalização (muito pouca), não há limite de velocidade real e há mais caminhões do que em qualquer canto do planeta. Um inferno aquilo ali. Na volta nós preferimos pagar os pedágios caríssimos das estradas franceses a cruzar a Alemanha de novo. Quando precisamos entrar na Alemanha pedimos para o Bob nos guiar por vias secundárias...

* Pedágios escorchantes nas estradas francesas e norueguesas, um absurdo, para não chamar de roubo.

* Depois dos 40C graus de Hannover no nosso primeiro dia na Alemanha só pegamos dias frios, nublados e chuvosos em praticamente todos os lugares por onde passamos. Excetuando-se dois dias de sol na Suíca, de calor ameno, o verão ficou mesmo no sonho.

* Frio e chuva em toda a região da Alsácia, Lorena e Champagne na França onde passamos a maior parte da nossa viagem e em toda a Holanda. Saímos da Noruega com chuva e temperatura de 13C, circulamos pela Europa central com tempeatura média de 15C e muita chuva e quando voltamos para a Noruega a temperatura em Oslo marcava 13C e chovia muito. Triste, mas verdadeiro.



(Dia de "verão" em Estrasburgo, região do Baixo Reno na Alsácia, França)


Muito curioso:


* Surpreendente a proliferação de milharais em toda parte da Europa central. Inacreditável e me leva a pensar no propósito de produzir tanto milho que deve ser todo transgênico. Nem no interior do Brasil tem tanto milharal. Em toda a Alemanha, na França, na Holanda, na Bélgica e até no sul da Dinamarca as plantação de milho se destacam na paisagem. Havia muito mais milho do que trigo e centeio por exemplo. Na França os vinhedos e as ameixeiras da Alsácia estão literalmente espremidas entre as montanhas e os milharais. Também havia milho na Suíça, em menor número, mas havia.

* Apenas na Suíça vimos batatais lindos, imensos e uma grande variedade de fazendas de frutas e legumes orgânicos que eram vendidos em barraquinhas de feira na beira da estrada, exatamente como nas estradas brasileiras, uma graça.

* Na França não foi possível encontrar muita fruta ao redor dos campos e na Alsácia não vimos nenhuma barraquinha vendendo as tais ameixas amarelas "mirabelle". Alguns moranguinhos de mercado nas cidades e olhe lá. Mas nos supermercados eu vi muita produção orgânica e tudo custando o mesmo preço que os produtos da agricultura convencional, muito interessante.

* Os suíços na região da fronteira com a França que não falam nem francês, nem inglês, só alemão. Já em Berna, onde a língua é o alemão pude me comunicar em francês sem problemas. Que passa?



(Vila de Gruyéres na região do mesmo nome na Suíça, além do queijo que leva o nome da região eu também comprei este doce de leite suíco para experimentar, mas ainda não abri, depois passo o meu veredito)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Voltando de férias....



Mundo internet, que saudades! Mil perdões pelo silêncio, pela falta de postagens e pelos emails sem resposta mas saímos de férias, aguardadas e planejadas férias...



Ainda não voltamos totalmente de viagem e me perdoem se não consegui publicar nada antes de partir (planejava uma postagem antes da viagem sobre as delícias que preparei para levar na nossa merendeira) mas não houve tempo... Estamos na estrada e no momento em Amsterdam. A viagem foi longa, de carro e acampando, do jeito que eu gosto. Guiamos por milhares de quilometros ao redor deste velho continente e me deliciei com as velharias.



No momento estamos em Amsterdam. Uma parada necessária, para recolher as crianças mas que acabou se alongando por motivos de força maior. Enquanto esperamos, estamos no apartamento delicioso de um inacreditavelmente generoso casal de amigos mineiros. Aqui finalmente pudemos acessar a internet depois de mais de 10 dias sem acesso apesar de termos carregando o computador para lá e para cá o tempo todo. Enfim, mil coisas.



Apesar das viagens dos meus sonhos passarem a longa distância das cidades grandes eu estou curtindo estar em Amsterdam, adorando estar na casa de amigos e na maior ansiedade para rever as crianças. Mas o nosso lance não é zanzar por ruas lotadas. Per e eu não aturamos o frenesi dos turistas. Gostamos de passar desapercebidos, de circular pelos pequenos vilarejos, totalmente alheios ao movimento do turismo das compras e das calçadas. Gostamos de ficar parados, sentados num campo, de fazer piquenique de adulto, parados sem fazer nada, sentados ouvindo o silêncio.



Vou voltar com algumas postagens sobre a viagem, com minhas impressões sobre alguns dos lugares por onde passamos que me fizeram lembrar dos cantinhos do Brasil. Ah como eu amo circular de carro pelos cantinhos do interior do meu país, ver as igrejinhas, as quermesses, as feiras e as festas de santos. Tudo para mim é o Brasil, mesmo quando eu estou no circulando com meu amado Per pelo interior da Europa.




Passamos por vários países e apesar das horas no volante o prazer foi intenso. Agora não vejo a hora de voltar para casa e curtir o final do verão por ali. O verão na Noruega estava fraco mas a coisa não estava diferente e pegamos a mesma temperatura por onde passamos. No momento chove e faz frio (13C) em Amsterdam e a coisa não foi diferente quando passsamos pela França, Alemanha, Suiça, Bélgica e ao que tudo indica não será nem na Dinamarca, nem na Suécia, por onde ainda passaremos, que vamos encontrar sinais de verão.




Volto em breve com uma relação das coisas mais legais da viagem toda, viagem que ainda não acabou. Mais fotos e algumas delicinhas...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Doce de leite desnatado



Depois que as crianças foram viajar eu me vi com quase um litro e meio de leite desnatado (não UHT) recém-vencido na geladeira. Jogar fora? Jamais! Dei uma bela fervida e vi que o leite, apesar de vencido, estava em perfeitas condições. Transferi um litro de leite para fazer uma outra panela, adicionei uma xícara de açúcar e deixei ferver novamente em fogo médio. Quando ferveu pela segunda vez, já com o açúcar, um adicionei uma boa pitada de bicarbonato. O leite deu aquela espumada imediata e começou a subir, por causa do bicarbonato e nessa hora eu retiro o fogo um pouquinho e mexo com a colher de pau para baixar. Reduzi o fogo um pouco mais e deixei o leite cozinhando em fogo médio-baixo, quase baixo, por uma hora e meia a duas horas mexendo por um ou dois minutos a cada 20 ou 30 minutos.






O doce de leite desnatado talhou perfeitamente (por causa do bicarbonato), adquiriu o tom dourada que eu adoro, não grudou nada no fundo da panela, não transbordou e ficou uma delícia, mais leve que os normais, dá para comer o dia inteiro sem enjoar... Em geral eu prefiro fazer doce de leite com um mistura de leite semi-desnatado e leite integral mas com o leite zero ficou perfeito. Já experimentei antes mas o resultado não ficou tão bom como hoje. O fato é que os diferentes tipos de leite geram resultados muito diferentes e o grau de acidez do leite responde de formas diferentes ao bicarbonato de sódio e, neste caso, meu leite já vencido teve um papel fundamental no resultado.




Doce de leite desnatado

1 litro de leite desnatado
1 copo/xícara de 250 ml de açúcar
uma pitada de bicarbonado de sódio

Como:


Coloque um litro de leite sobre fogo médio numa panela de fundo grosso com capacidade para pelo duas vezes a quantidade de leite a ser fervido. Deixe o leite mexendo sempre, com uma colher de pau, para não grudar no fundo. Depois que o leite ferver adicione uma xícara de açúcar e, mexendo sempre, deixe que o leite ferva mais uma vez. Quando ferver pela segunda vez adicione uma pitada de bicarbonado de sódio. O leite vai espumar e subir por isso é importante usar sempre uma panela maior do que o necessário. Quando o leite espumar retire a panela do fogo um pouquinho e mexa com a colher de pau para baixar. Reduza o fogo um pouco mais, para médio-baixo, quase baixo, e deixe o leite cozinhar por uma hora e meia a duas horas mexendo por um ou dois minutos a cada 20 ou 30 minutos ou até que ele adquira uma cor dourada e comece a talhar no fundo. Cada vez que você mexer o leite mais ele vai talhando...

Rende 450ml de doce de leite.