domingo, 31 de janeiro de 2010

Um amor, um lugar: Oslo (1)



Estamos em Oslo desde sexta-feira pela manhã quando tinhamos agendado uma hora na Embaixada do Brasil para retirar nossos passaportes novos. Chegamos numa manhã de muita neve, tanto em Trondheim como em Oslo. E frio, muito frio, muitos graus abaixo de zero, mas dias claros, lindos e sem vento. O vento, como se sabe, piora o frio imensamente.

Fizemos muitos passeios com as crianças, algumas comprinhas rápidas e muita comilança. Eu amo Oslo, esta cidade é o nosso lugar romântico, idealizado e está totalmente ligada ao nosso casamento. Quando eu conheci o Per, ele morava em Oslo e quando casamos moramos em Oslo por um tempo, numa casa linda em Ormøya, uma ilhota dentro do Oslo fiorde mas que fica apenas 4 minutos do centro de ônibus. A decisão de mudar para Trondheim foi muito difícil mas hoje, depois de vários anos, estamos totalmente adaptados a nossa pequena cidade. Para falar a verdade a loucura de Oslo já me deixa até meio nervosa. Imagine o que a loucura de São Paulo e Rio há de fazer comigo!



Amanhã voltaremos para Trondheim e vamos finalizar os prepararivos para a viagem ao Rio. Mas hoje, depois de circularmos em nossos museus favoritos fomos à ópera, na nova casa de espetáculos inaugurada em Oslo há mais ou menos um ano, acho. Foi a primeira vez que eu entrei no lugar, um prédio interessante que me agradou mais por dentro do que por fora. No programa As bodas de Figaro. Parecia que toda a sociedade "senior" norueguesa estava presente. Na entrada e no intervalo eu fiz fotos do prédio, era a única deslumbrada fotografando e todo mundo me olhava.



Andamos muito hoje apesar da neve e do frio. Os museus que visitamos hoje ficam um praticamente ao lado do outro, dentro de um parque onde também fica o Jardim Botânico de Oslo. Entre um prédio e outro é preciso dar uma bela caminhada pelo parque. Nunca tinha ido até lá no invernão, apenas no verão e primavera. Neste parque há um jardim de rosas imenso, lindo e guardo muitas fotos feitas por lá em verões passados. Passamos por uma mesa de picnic completamente coberta de neve e de gelo, naquela mesma mesa já fizemos vários picnic, o que dá uma certa tristeza ao ver aquela brancura toda cobrindo o lindo jardim.

As colagens mostram um pouco do parque que abriga uma espécie de complexo de museus que forma o grande Museu de História Natural formado pelos Museu Geológico, o Museu Botânico e o Museu de Paleontologia, além do Jardim Botânico. Ainda no parque, mais no final dos jardins, cobertos por uma grossa camada de neve, fica o Museu Munch dedicado a obra de Edvard Munch, o maior pintor norueguês de todos os tempos e um dos meus pintores favoritos. Infelizmente não é possível faze fotos dentro do museu...



As fotos das colagens entre outras coisas exibem Tormod e Estela orgulhosos debaixo do fóssil de um T-Rex, e Per, meu querido Per, admirando as focas e caminhando pelo parque sendo perseguido pelas crianças. Foram elas que insistiram para visitar os museus mais uma vez. Eles amam, conhecem tudo de cor e sentem-se em casa. O mais interessante é que esse parque fica praticamente no centro do Oslo, incrível, não? Parece tão isolado mas fica a duas estações de metrô da estação central de trem e de metrô, super fácil de se chegar.

Oslo é uma cidade cara, umas das mais caras do mundo, mas é muito linda e vale a pena o investimento de passar uns dias por aqui, principalmente no verão. Mas há muito para se fazer no inverno também. A vida aqui não vive só de fiordes, parques, praias e ilhas. Há museus incríveis, muitos, e um parque de esculturas que na minha opinião é o parque mais lindo do mundo. Um presente do escultor Gustav Vigeland para a cidade de Oslo. Desta vez, por causa do frio, não fizemos até esse parque e não fiz uma viagem digna de Oslo, que exibisse toda a beleza dessa cidade. Mas eu voltarei com uma continuação, quem sabe no próximo verão eu não publico aqui uma segunda parte.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Refazendo a chocotorta argentina, presente espanhol e tortinhas folheadas...



Com a minha despensa ainda cheia de potes doce de leite feito em casa e depois de ver essa receita de chocotorta no site do chocolate espanhol Aula Chocovic lembrei-me com ternura da chocotorta, um doce típico argentino, caseiro, e resolvi fazer uma versão razoavelmente diferente. Esta torta também é popular em outros países de língua espanhola e eu acho muito interessante o trajeto que certas receitas fazem com a ajuda da língua. Enfim, eu sempre gostei de chocotorta que provei pela primeira vez num restaurante de beira de praia em Búzios de propriedade de um argentino, claro, há uns mil anos. E lembro-me com satisfação das versões que minha mãe e minha ex-sogra ( sim, tenho sogra e ex-sogra e adoro as duas!) faziam da chocotorta ambas usando uma receita que nos anos 90 aparecia na embalagem do chocolate em pó, ou do creme de leite, não me lembro.



A chocotorta tem diversas versões, todas muito simples e o sucesso deve-se ao fato de ser uma torta que não precisa ir ao forno. Basta reunir ingredientes, misturar e levar para gelar. Pode se feita com creme de leite ou com queijo cremoso, mas sempre com doce de leite e biscoitos de chocolate. Eventualmente usa-se tanto creme de leite como queijo cremoso misturados ao doce de leite batidos e arranjados num pote em camadas, exatamente como um pavê. Eu resolvi fazer uma massa de biscoito com cacau em pó e além de misturar o doce ao queijo eu adicionei, ovos e baunilha e levei ao forno por 20 minutos para assentar. Ficou tudo de bom. Uma versão a altura das receitas tradicionais.



Presente espanhol

As fotos acima exibem as delícias que eu recebi da Silvia, minha Amiga Invisível Gastronômica. O presente chegou na semana passada e, ao que tudo indica, a Silvia teve problemas com o correio e o meu presente chegou a ser devolvido para ela. Demorou mas chegou, isto é o que importa... Silvia me mandou chocolates, em barra orgânico e em pó para beber. Dois pacotes de chá que eu ainda não consegui adivinhar o sabor exato pois são misturas com aromas bem complexos mas adoráveis, tomates cereja secos também orgânico e um chorizo regional picante que parece maravilhoso. O bom de ter em casa ingredientes como este é que me permitem programar um jantar mais picante, bem ao gosto de alguns amigos especiais, e sei que vou encanta-los com o chorizo. Além disso Silvia perfumou a caixa com um pacote de pot pourri que eu já abri e coloquei num pote, dá par aver na foto da direita. Muchas gracias Silvia.



Minha chocotorta

Massa

200 gramas de biscoitos de chocolate ou baunilha caseiros (usei uns biscoitos de amêndoas e adicionei cacau)
2 colheres de sopa de cacau em pó puro
4 a 5 colheres de sopa de maneteiga derretida, vai depender do grau de gordura do biscoito
Açúcar (opcional, dependendo do grau de açúcar do biscoito usado adicione um pouco de açúcar)

Recheio

400 gramas de doce de leite
250 gramas de queijo cremoso com baixo teor de gordura em temperatura ambiente
2 ovos
1 colher de chá de extrato natural de baunilha

Como:

Unte uma forma de torta e forre com papel manteiga e reserve. Triture os biscoitos bem finos e num pote misture os biscoitos triturados com a manteiga derretida, o cacau em pó eo açúcar, se você estiver usando, até formar uma farofa. Pressione a farofa de massa na forma preparada até formar uma massa homogênea. Asse a massa por 10 minutos em forno pré-aquecido a 180C. Retire do forno e deixe esfriar levemente.

Bata o doce de leite com o queijo cremoso, a baunilha e adicione os ovos, um de cada vez, batendo para incorporar bem. Transfira a mistura para a forma com a massa pré-assada e asse por 20 a 25 minutos a 180C. Deixe esfriar totalmente e coloque na geladeira. Sirva gelada!!!!



De entrada para o jantar de ontem eu fiz umas tortinhas folheadas de tomate e bacon. Como eu tinha um naco de massa folheada no freezer e eu queria usa-la antes de viajar (vamos para Oslo amanhã) resolvi usar um pedaço com cerca de 250 gramas para fazer estas tortinhas. Se precisar de uma receita de massa folheada fácil use a minha. Estas tortinhas são uma delícia e o tamanho final delas depende do gosto do freguês. Fiz 12 tortinhas que cortei com as bordas de uma forma de tartelete.




Tortinhas folheadas com tomate e bacon

200 gramas de massa folheada caseira
200 gramas de queijo ralado (cerca de 150 de queijo gruyere + 50 gramas de parmesão)
1 tomate cortado em seis fatias finas cortadas ao meio, em meia lua.
2 ou 3 fatias de bacon grelhadas, e bem sequinhas, picadas
2 colheres de sopa de mostarda tipo Dijon

Como:

Aqueça o forno a 200C. Abra a massa folheada (use massa caseira pois faz toda a diferença) em uma supefície levemente esfarinhada e deixe a massa com cerca de 1/2 cm de espessura. Corte a massa com a ajuda de um molde. Eu usei a borda de uma forma de tartelette mas você pode usar um cortador de biscoitos ou outro prato qualquer. Espalhe um pouco de mostarda no centro da massa, deixando uma borda de pelo menos 1 cm limpa. Coloque o queijo gruyére sobre a mostarda no centro da massa, salpique os pedaços de bacon, coloque a meia lua de tomate e por fim salpique um pouco do queijo parmesão. Asse por 10 minutos a 200C e depois reduza para 180C e asse por mais 10 minutos ou até que as bordas da massa fiquem levemente douradas. Dependendo do tamanho das suas tortinhas você vai precisar de mais tempo para assar. Sirva quente com molho de iogurte e pepinos.

Rende 12 unidades



Molho de iogurte


250 ml de iogurte natural desnatado
1 ou 2 colheres de sopa de azeite extra virgem
sal e pimenta do reino
1 dente de alho ralado fino
1 pepino japonês
salsinha a gosto

Como:

Misture todos os ingredientes, exceto o pepino. Na hora de servir corte o pepino em cubos bem pequenos, se preferir rale pelo ralo grosso, e adicione a mistura, mas corte e adicione o pepino apenas na hora de servir.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pudim de coco, bolo cremoso de limão e a poesia...



Pessoas queridas, quanto tempo. Não sei como eu consegui ficar tantos dias sem escrever, simplesmente aconteceu. São tantas coisas por aqui. E porque a vida está uma loucura o blog ficou tantos dias parado. Para além do frio assassino, que esta semana está dando uma trégua (agora está entre -5C e -10C), eu ando ocupadíssima e olha que eu simplesmente detesto sair de casa no inverno. Mas o ano começou a toda, cheio de prazos finais e eu estou tentando colocar em dia meus planos e meus mais profundos desejos. Entre outras coisas encaminhei mais um pedido de financiamento para meu trabalho de campo de doutorado. Continuo tentando vender o meu peixinho para o Research Council of Norway e ver se consigo passar uns seis meses no Brasil, no nordeste trabalhando com os agricultores orgânicos do semi-árido.




Se a pesquisa for aprovada e as pedras rolarem a meu favor, desta vez circularei entre os Estados Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. Mas ainda não consegui o apoio que gostaria e a resposta pode demorar. Por muito tempo eu pensei que o financiamento de pesquisa a nível de doutorado seria mais fácil, mas não corresponde a realidade. Os projetos são bem limitados e as instituições estão atrás de pessoas para aderir aos projetos já estabelecidos e não em introduzir temas, ou problemáticas novas. Enquanto isso eu canto, porque o instante existe e a minha vida está completa... e a poesia de Cecília Meireles não me saí da cabeça estes dias e tem me dado o maior prazer ler sua poesia.




Sempre vi poesia como uma espécie de espelho, capazes de refletir todos os estados de espírito, todas as facetas da vida humana, sempre em seus melhores ângulos. Pelo fato de meus pais amarem poesia eu cresci numa casa cheia de livros de poesia, onde obras de Manoel Bandeira, João Cabral, Drummond, Ferreira Goulart e Vinicius, só para citar alguns dos favoritos dos meus pais, ocupavam lugar de destaque nas estantes. Em minha vida estive cercada por amigos e amores apreciadores de poesia e achei meus favoritos também. Naturalmente, é bem mais fácil viver com almas parecidas, não? Dia desses eu achei por acaso uma pequena antologia da Cecília Meireles, velha, usada, que estava esquecida no meio das minhas coisas e isto me fez tão bem, foi como me auto-oferecer uma surpresa. Faltam-me livros em português por aqui, sempre que posso compro, peço, ganho... Quem gosta de poesia certamente me entende, a gente se pega com o livro, a mente voa e o corpo relaxa, invadido por uma sensação única de felicidade correspondida...



Motivo

(Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste :
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.






Bolo cremoso de laranja e limão

Mais uma versão desta receita aqui



2 ovos separados
100 gramas de açúcar
200 ml de leite (usei desnatado)
30 ml de suco de limão verde
30 ml de suco de laranja
30 gramas de farinha (duas colheres de sopa bem cheias)
1/2 colher de sopa de raspas de limão verde
pitada de sal

Como:

Num pote bata as gemas com o açúcar, adicione as raspas, os sucos, o leite e a farinha. Adicione as claras em neve com a pitada de sal e mexa suavemente com uma espátula ou colher de pau para incorporar sem perder volume. Divida a massa em cinco potinhos individuais untados com bastante manteiga e esfarinhados. Use potinhos refratários para pudim, cremes ou suflê e coloque-os num tabuleiro grande, coloque água fervendo na forma sem cobrir mais do que metade da lateral dos potinhos e asse por 30 minutos a 180C em forno pré-aquecido ou até que fiquem levemente dourados.

O resultado é um bolo cremoso que fica no meio do caminho entre um bolo e um pudim e que pode ser desenformado quando estiver totalmente frio.



Apesar de estar cozinhando feito louca, eu andei deixando as sobremesas de lado durante as últimas semanas. Estou totalmente focada nos pratos salgados e talvez o frio esteja influenciando um pouco as coisas. Mas ando sem muita vontade de doce, estou comendo pouco. Ando sem fome e ansiosa, mas durante a semana que passou eu repeti o pudinzinho de coco para aliviar meu estômago cansado. Adoro a mistura de coco com manga e coco com maracujá. Por isso eu fiz duas caldas para acompanhar. A de maracujá ficou um sonho, totalmente recomendo.

Já o bolinho cremoso de limão eu não comi, provei a colherada da foto e passei a bola para o Per. As crianças amam bolo de limão e este bolo é um sucesso absoluto. Nós comemos morno na forminha de porcelana, mas depois de frio pode ser desenformado sem problemas.




Pudim de coco com caldas de manga e maracujá

mais uma versão desta receita aqui

400 ml de leite de coco integral
400 ml de leite desnatado
125 ml (meio copo de 250ml) de açúcar
4 folhas de gelatina

Como:

Numa panela de fundo grosso coloque o leite de coco, o leite e o açúcar cozinhe em fogo médio até ferver. Enquanto o leite cozinha amoleça as folha de gelatina em água fria. Quando a mistura de leite de coco ferver retire a panela do fogo, escorra as folhas de gelatina amolecida até escorrer bastante água e adicione a gelatina amolecida à mistura de leites e mexa bem para dissolver a gelatina totalmente. Volte a gelatina ao fogo se precisar de mais calor para dissolver. Distribua a mistura em tacinhas ou xicaras de café ou potes de vidro. Deixe esfriar e leve para gelar por pelo 3 horas antes de servir. Sirva com calda de maracujá ou manga...

Rende 6 a 8 porções.



Alguns poemas favoritos de Cecília Meireles: Motivo , Aceitação e Retrato

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O resto é doce de leite. Do inverno, desespero e as saídas que se acha...



O silêncio está dominando cruelmente por aqui. Pouco, muito pouco para dizer, nada que justifique uma postagem, nada que emocione. O que eu vou escrever todo mundo sabe e já viu por aqui e pela aí. Este é o pior inverno de todos os tempos, o pior inverno que eu já vi na minha vida e na Noruega e olha que já tivemos invernos péssimos antes... O que pode se dizer é nunca se consumiu tanta energia como na última semana na Noruega. O governo recomenda não lavar roupas ou não lavar pratos nas lava-louças para economizar energia. Há dúvidas se haverá problemas no fornecimento. Enquanto isso haja madeira para queimar, haja criatividade para achar graça na vida enquanto a temperatura oscila entre -20C e -30C. Haja disposição para tanto sofrimento. Pois inverno é puro sofrimento, 100% sofrimento e desolamento.




As imagens dos dias lá fora são uma mistura de beleza e horror. Beleza sim pois há beleza para além da brancura gelada, dos vapores que pairam sobre o mar. E horror pois o frio dói. Não há como sobreviver muito mais do que duas horas se você for pego de surpresa, sem proteção num frio desses. Já pensou nisso? E pessoas estão sendo resgatadas e abrigadas por estranhos em estradas quando seus automóveis quebram e são muitos acidentes que acabam em mortes desnecessárias. Muito gastos, altos custos, muita poluição. Eu por aqui penso na validade de habitar estes cantos gelados do planeta... totalmente questionável. Se o planeta aquecer horrores, o que já começou a fazer, talvez se justifique. Mas se da Espanha para baixo e para os lados tudo vai estar inabitável, haverá alguma graça em permanecer aqui?



As perspectivas para o futuro são péssimas... Nesta hora, eu, uma otimista por natureza, penso no verão. Gosto de lembrar daqueles curtos três, as vezes quatro, meses de temperaturas amenas e de razoável fertilidade nas terras nórdicas. Gosto de olhar as fotos do verão e lembrar da vista da nossa pequena baía dentro do Trondheim fiorde, sim, essa é a nossa baía. E a vista da nossa pequena praia a partir da janela lateral durante o verão...



Contemplar a casa do meu vizinho, reformada desde o verão quando era amarela. Namorar o nosso arbusto gigantesco que cresce livre e sem podas durante o verão. Como eu amo as pequenas flores que dele nascem.... eu aprecio com alegria e amor cada uma destas pequenas flores brancas. O arbusto é enorme, bagunçadíssimo mas floresce como louco, como se cada verão fosse o último. Com o frio que chegou com janeiro, com 2010, nunca se sabe o que vai acontecer, se há de haver novos verões... Saravá, saí para lá uruca! O que o frio intenso não faz com a mente de uma pessoa saudável...



Com a temperatura marcando -24C eu decidi ficar em casa hoje. Nada de escola, nada de vestir para sair de casa, nada de sofrimento. Ontem, com temperatura entre -21C e -22C já foi sofrimento demais. Hoje vamos ficar por aqui, quero cozinhar, tomar sopa, muita gordura, muito creme, muito leite quente. Queimar muita madeira, ocupar as crianças e achar algum sentido na vida invernal para além da TV. Se eu assisto TV em dias como estes aí é que o bicho do desespero me pega mesmo...



A TV tem o poder de me irritar e destruir toda a minha confiança e respeito pela espécie humana. Não há realmente nada que me inspire naquela telinha e por isso eu durmo e me enrolo. Estou super preguiçosa e devagar, mas que saída? Mas muitos são os planos, muita coisa para fazer neste novo ano. E também faço planos de viagem, para fevereiro, quando me afastarei daqui e vou dar uma umidecidinha rápida e circular pelas minhas cidades favoritas neste planetinha. Se você ficou na dúvida: eu quero dizer Rio de Janeiro e São Paulo. Tão próximas e tão distantes de mim.



Estas flores me lembram tantas coisas boas, tantos dias lindos e felizes. Eu amo o verão e não posso mais esperar para viajar. Por hora nós continuamos nos apoiando na força das tangerinas que estão uma beleza. Marroquinas e suculentas as tangerinas são nosso maior consolo. Faço suco de tangerina todos os dias e as frutas chegam em casa em caixas de 10kg.



Além de muita tangerina, sucos e gelatinas de tangerina, muito pouco tem sido feito por aqui desde o aniversário da Estela. Sobre a festa da minha pequena eu nada publiquei, mil perdões, mas é que a festa deixou a desejar no quesito fotografia. E desde então ando deixando as sobremesas meio de lado. Ando meio enjoada e eu sou a principal incentivadora de sobremesas, além de produtora, claro. No entanto, durante estes dias frios e caídos, eu fiz minha versão definitiva de doce de leite. Andei experimentando algumas versões de doce de leite para atingir a receita perfeita para o meu gosto. E acho que finalmente consegui produzir e repetir o meu doce de leite perfeito.



Desde que comecei a fazer o doce de leite talhadinho da minha avó que eu tento encontrar uma receita perfeita para mim. É que meu doce de leite nunca saía igual duas vezes. Sempre ficava diferente e nem sempre ficava bom. As vezes ficava ralo demais e aí precisava cozinhar mais e o doce acabava muito escuro. Eu não gosto de doce de leite escuro demais. E algumas vezes achei que o doce ficou pouco doce, precisando de mais açúcar e passei a experimentar usando mais açúcar e açúcares diferentes.



Depois de experimentar, experimentar e experimentar um pouco mais, durante meses, consegui repetir esta semana o doce de leite dos meus sonhos. Talhadinho mas não aguado, talhado e grosso, denso, doce mas não doce demais, nem doce de menos e com a cor perfeita. Nem escuro demais, nem branco demais. Perfeito.

"Doces de leite enlatados, comprados prontos, vocês não me pegam nunca mais", falou ela arrogante!!!



A busca pelo doce de leite perfeito requer duas coisas: paixão e respeito pela arte de fazer o doce de leite perfeito, pois cozinhar leite com açúcar durante horas e horas é uma tarefa que requer dedicação. Além de amor é preciso acreditar que não é possível comprar um doce a altura do seu, o que realmente faz valer a pena o tempo investido junto ao fogão. Mas, além disso, é preciso acreditar que nem todos os leites e nem todos os açúcares são iguais e que dependendo do leite e do açúcar que se use o resultado vai sair diferente. E tem coisa pior do que não conseguir produzir uma receita duas vezes da mesma forma? Aquela receita que sempre saí diferente?



Se você pode usar açúcar de cana e não tem que se preocupar com a origem do seu açúcar, meus parabéns. Você é feliz e não sabe. Ainda que refinado, o açúcar de cana é ser superior. Já eu, bem, tenho que gastar sapato e dinheiro para achar e poder comprar açúcar de cana branco que além de ser sobre-taxado por aqui simplesmente não se acha. Eu resisto e não me entrego, nem mesmo diante da tristeza de um quilo de açúcar de beterraba. Por isso, onde quer que você esteja, se você ama doce de leite use sempre açúcar de cana puro. Assim que conseguir um belo pedaço de rapadura vou fazer doce de leite com rapadura. O doce fica tudo com o sabor da cana ao fundo, já provei no Ceará mas nunca fiz doce de leite com rapadura.



Meu doce de leite perfeito

3 litros de leite semi-desnatado com 1,5% de gordura
4 copos de 250ml de açúcar branco (refinado) de cana
Uma pitada pequena de bicarbonado de sódio

Como:

1. Misturar açúcar ao leite numa panela grande de fundo grosso, ferro fundido, de aço ou cobre. Em linhas gerais significa que não servem aquelas panelas de ágata que queimam com facilidade, nem panelas de alumínio fininho ou tefalzinhas. Quando ferver o leite vai levantar por isso use uma panela bem maior do que a quantidade de leite.

2. Ferver leite e açúcar em fogo alto mexendo sempre. Quando ferver reduza o fogo bem baixo, adicione o bicarbonato e mexa para incorporar. O leite deve subir bem nesta hora, se preciso retire do fogo e mexa até baixa. Deixe a mistura fervida cozinhar em fogo baixo por cerca de 3 horas e mexa apenas a cada hora ou a cada meia hora.

3. O leite começa a talhar e caramelizar por baixo e mexer o leite o tempo todo usando uma temperatura mais alta ajuda bastante a agilizar o processo, mas é bem trabalhoso. Por isso deixe o leite cozinhar sozinho em fogo baixo mexendo de vez em quando. Para adquirir cor e consitência do meu doce de leite perfeito é preciso deixar o leite ferver por pelo menos 4 horas mexendo sempre que lembrar. Dependendo da quantidade de leite e da qualidade da panela, do leite e do açúcar o doce pode levar mais ou menos tempo para talhar, escurecer e atingir a consistência ideal.

4. Para ficar cremoso sem talhar exclua o bicarbonato e mexa o leite o tempo todo para evitar que talhe. O bicarbonato ajuda na formação das bolinhas mas mesmo sem bicarbonato o leite vai querer talhar sozinho e para evitar que as bolinhas apareçam, se você preferir, mexa bastante e mantenha o fogo bem baixo, o mais baixo possível.

5. As bolinhas surgem mais intensamente no final quando o líquido já bem escurecido e reduzido e começa a borbulhar o tempo todo mesmo sob fogo mínimo. Mexa bem nesta hora para formar um doce bem homogêneo.