Sobre a autora



O Sabor Saudade é feito por Cláudia, uma carioca expatriada na Noruega.

Sou historiadora e geógrafa de formação e jornalista de carreira. Durante 12 anos trabalhei para os jornais Folha de S.Paulo e Valor Econômico em São Paulo. Durante sete anos eu fui editora de fotografias da Folha Imagem e do UOL.

Atualmente desenvolvo pesquisa de doutorado sobre os benefícios da agricultura orgânica para o desenvolvimento regional, para combater a pobreza rural, erradicar a fome e como alternativa para reduzir as emissões de gases do efeito estufa pela agricultura brasileira. Tenho artigos sobre agricultura orgânica, comércio internacional, gerenciamento de recursos hídricos e combato enfurecidamente os subsídios agrícolas que distorcem o comércio internacional de commodities. Defendo a reforma das regras do comércio internacional e sou uma ativista na luta pela reforma agrária, contra o trabalho escravo e contra a expansão do latifúndio monoculturista hoje camuflado sob a bandeira do agronegócio.

Como pesquisadora ativista busco demonstrar os benefícios sociais da produção de alimentos orgânicos e apoio o desenvolvimento e a expansão dos programas de apoio e incentivo à agricultura familiar e orgânica e o fortalecimento das pequenas propriedades de agricultura familiar responsáveis pela produção da maior parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.



Sou formada em História pela PUC do Rio e fui aluna da pós-graduação em história econômica da USP. Tenho MBA em Derivativos e Informações Financeiras pela FIA-SP e em minha dissertação de MBA dediquei-me a tarefa "inglória" de identificar benefícios no uso de contratos futuros pelos pequenos produtores de café arábica de São Paulo. Em 2008 defendi tese de mestrado em geografia na Norwegian University of Science and Technology (NTNU) em Trondheim. Minha tese é sobre gerenciamento de recursos hídricos no nordeste, tendo como estudo de caso a Transposição do Rio São Francisco e durante o trabalho de campo da minha pesquisa viajei pelo sertão nordestino para conhecer a situação hídrica dos locais que receberão as águas a serem transpostas do São Francisco.

Sou contrária ao Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional não apenas porque o projeto põe em risco a sobrevivência do rio São Francisco que é um rio extremamente regulado, cujas águas servem a usos múltiplos e está altamente degradado. Mas também porque a integração do São Francisco reproduz um modelo ultrapassado de gerenciamento de recursos hídricos, um modelo que requer investimentos altíssimos por parte dos governos e que não vai atender as necessidades das pequenas comunidades rurais da região do semi-árido. Esse modelo de desenvolvimento, baseado em gigantescas obras de infraestrutura, se vier a funcionar, vai produzir água a um custo altíssimo que vai servir apenas para abastecimento urbano e industrial na região das grandes cidades nordestinas, entre elas Fortaleza.

Acredito que os Estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte não precisam da pequena quantidade de água que será retirada do rio São Francisco. Esses Estados já tem água suficiente armazenada, principalmente o Ceará, e essa água armazenada precisa ser justamente distribuída de forma justa e chegar até a população que mais necessita de água. A transposição ameaça concentrar ainda mais os recursos hídricos do nordeste, fato que vai elevar significativamente o custo da água na região.

A região nordeste, como um todo, precisa adotar um melhor sistema de gerenciamento de seus recursos hídricos, priorizar a construção de adutoras, combater o desperdício e a privatização da água, situação que só faz agravar a desigualdade que marca a região. A água é hoje a principal causa dos conflitos e da violência que marcam a sociedade rural brasileira e a nordestina em especial.





Meus blogs refletem um pouco o que eu penso e minha forma de ver o mundo. Minha preocupação com alimentos e comércio justo reflete-se diretamente na comida que eu compro e sirvo para a minha família. Além de alimentos orgânicos e de qualidade eu gosto de tudo o que é feito em casa e feito à mão. Minha cozinha não exibe equipamentos elétricos de última geração e eu prefiro usar as mãos em tudo o que eu faço. Meu sonho de consumo é um pilão de fazer farinha, daqueles grandes com mais de um metro de altura que eu vi pelo sertão.

Meu blog Sabor Saudade é atualmente o mais atualizado, trata-se de um blog super nostálgico, quase melancólico, que reflete meu interesse pelos sabores do Brasil e da minha infância. Estou sempre tentando recriar os sabores da minha infância e vivo uma busca sem fim por fazeres, ingredientes e receitas tradicionais do Brasil. Nutro um interesse todo especial pela cozinha regional brasileira, em especial a culinária das regiões norte e nordeste.

Sou uma entuasiasta da boa comida que para mim não tem nada a ver com sofisticação. Não nutro ambições culinárias de espécie alguma, sou apenas mais uma mãe preocupada e uma pesquisadora ativista que cultiva desejos alimentares intensos e que tem uma fome imensa de Brasil.

No meu mundo nada pode ser mais devastador e triste do que a fome e a desigualdade e é sempre pensando em fome que eu penso em comida. Se você desejar entrar em contato comigo, meu email é:

claudia.bjorgum@gmail.com


Nas fotos vendedores ambulantes na Cidade do Rio de Janeiro na década de 1910.