sábado, 30 de junho de 2012

Trufas de tâmaras, cacau e castanhas de cajú



Quer uma receita de trufa sem açúcar, sem ovos, sem creme de leite e sem glúten? Esta é perfeita. As tâmaras entram no lugar do açúcar e junto com as castanhas de cajú, cacau em pó ou uma barra de chocolate e a manteiga de amendoim criam uma trufa de delicioso sabor e consistência perfeita. É a mesma receita da barra de tâmaras, amêndoas e cacau que eu publiquei aqui enrolada em forma de trufas. Processou, enrolou e pronto. Sem sujeira e sem demora. Meia hora de geladeira e a trufinhas já estão no jeito para serem servidas. Usei tudo orgânico, mas use o que desejar. Se não tiver tâmaras use banana passa, damascos, manga ou qualquer outra fruta seca que contenha bastante açúcar.


As trufas das fotos eu coloquei em duas caixinhas, passei uma fita (sem foto do embrulho final) e dei de presente para meus sogros e uma amiga. As sobras eu e Per comemos sozinhos. Ficam uma delícia, com gostinho de cajuzinho, menos doce e menos açúcarado. Se você não gosta de trufas passadas no cacau, experimente passa-las no coco ralado ou numa farofinha de castanha de cajú ou de amendoim.

Doces com tâmaras ao invés de açúcar são ótimos pois as tâmaras são super saudáveis, fontes de minerais, vitaminas A, B1, B2, B3, B5 e C. Tâmaras contém mais potássio do que bananas e nenhuma gordura. Como outras frutas, tâmaras contém muitas fibras, que ajudam a digestão e estimulam os intestinos preguiçosos. Tâmaras não contém colesterol pois não tem gordura. São uma ótima fonte de energia pois contém açúcares naturais como frutose, sucrose e glucose.





Trufas de tâmaras, castanha de cajú e cacau



180 gramas de tâmaras sem caroço
100 gramas de chocolate amargo 75% orgânico (sem leite e sem glúten)
100 gramas de castanhas de cajú
4 colheres de sopa de manteiga de amendoim pura (100% amendoim)
4 colheres de sopa de cacau em pó puro (sem adição de acúcar)

Como:

Num processador triture as castanhas de cajú e o chocolate quebrado em pedaços até formar uma farofa grossa. Adicone as tâmaras aos poucos, pelo tubo do processador, e processe bem até formar uma massa razoavelmente fina, adicione a manteiga de amendoim e bata até formar uma grande bola de massa homogênea. Forre uma forma quadrada ou retangular pequena com papel manteiga e usando uma colher, retire pedaços de massa e enrole com as mãos para formar bolinhas. Cubra com filme plástico e leve para gelar por pelo menos 30 minutos. Retire e passe pelo pó de cacau. Coloque em forminhas e sirva em temperatura ambiente. Elas ficam ótimas para presente. As trufinhas das fotos eu dei de presente para uma amiga e meus sogros.

Resistem super bem na geladeira por uma semana.

Rendeu 36 trufinhas







sexta-feira, 22 de junho de 2012

Misoshiro com Macarrão de Semente de Fagopyrum




Tá combinado que minha decisão de não usar "trigo sarraceno" pode causar sérios problemas na hora de dar títulos as postagens. Se eu estivesse interessada em lançar títulos amigáveis com as ferramentas de busca, aí o problema fica ainda pior. Como eu ignoro solemente as dicas de SEO do Google, preciso simplesmente assumir os títulos confusos com alguma dignidade. O título de hoje é meio cansativo, mas a sopa é uma delícia. É o que eu chamo de fast-food. Rápido como? Lá vai:





Chegou em casa cansada? Coloque água para ferver e cozinhe cerca de 200 gramas de macarrão de fagopyrum (trigo sarraceno) que você comprou há um tempão durante um passeio pela feirinha da Liberdade (se você mora em SP, claro!) e está esquecido no armário da cozinha.

Numa outra panela coloque para ferver cerca de 3 litros de água (sopa pouca é bobagem!), adicione cerca de 50 gramas de raspas de bonito seco e uma fatia fina de alga seca Kombu, umas 3 ou 4 colheres de sopa de mirim, vinagre doce japonês (ingredientes que você também comprou na Liberdade, mas que você acha fácil em lojas de produtos japoneses). Adicione umas tantas colheres de molho de soja Tamari, sem glúten. Quando ferver adicione umas 4 colheres de sopa de pasta de misô branca doce (praticamente sem sal) e, usando um fouet, mexa para ajudar a pasta a dissolver totalmente.

Enquanto o líquido ferver corte 300g de tofu em quadrados de 2x2cm, coloque numa tigela e reserve. Pique uns dois ou três talos cebolinhas bem fininhas, coloque num potinho e reserve.

Quando a sopa ferver, retire o pedaço de kombu e fatie bem fininho, do jeito que der pois alga vai estar molenga e reserve. Passe a sopa pela peneira e descarte as raspas de peixe. Coloque o kombu picadinho de volta na sopa e deixe a sopa cozinhar sobre fogo bem baixo. Quando o macarrão cozinhar, escorra a água e lave a massa em água fria para escorrer toda a gosma de macarrão. Coloque o macarrão numa tigela. Na hora de servir coloque num prato de sopa a quantidade de macarrão e cubinhos de tofu que deseja e sirva a sopa quente por cima da massa e do tofu. E po fim salpique a cebolinha picada.





Misoshiro com macarrão de trigo sarraceno (sementes de fagopyrum)


3 litros de água (+ para o macarrão)
200 g de espaguete de trigo sarraceno (sem glúten)
100g de pasta de misô branca doce orgânica
50 gramas de raspas de bonito seco
Meia folha de Kombu seco (alga japonesa)
3 colheres de sopa de mirim
3 a 4 colheres de sopa de molho de soja tamari orgânico(sem glúten)
300g de tofu orgânico
3 a 4 talos de cebolinha







domingo, 17 de junho de 2012

Vitamina de Abacate com Leite de Amêndoas



Adoro abacate e já escrevi isto aqui tantas vezes. É uma das minhas frutas favoritas, desde a mais tenra infância até os dias hoje. Abacate com um fiozinho de mel é tudo que eu preciso para ser feliz nos dias de hoje. Mas eu sempre adorei vitamina de abacate. E não são apenas bons abacates o que tanto me faz falta aqui neste norte (dentre outras tantas coisas), mas a felicidade de poder sair na rua, parar numa padaria, uma lanchonete, uma casa de sucos ou um botequim, qualquer, e pedir uma vitamina de abacate. Sendo que no Rio a maioria das casas de suco também oferecem a vitamina com mel, é só pedir. Isso é uma coisa que me faz falta...



E diante de tantas "dietas ideais para a vida saudável", dietas de restrições disso e daquilo, azias e mal estar sem fim, abacate com mel é meu porto seguro... E não há fruta mais saudável. E os benefícios do abacate são incontáveis: nenhuma outra fruta tem mais proteínas do que o abacate, fonte de gorduras poli e monosaturadas, gorduras que ajudam a balancear o colesterol, reduz os níveis do colesterol ruim, ajuda a prevenir ataques do coração e derrames. É uma fonte de ácido fólico que também ajuda a combater derrames e ataques do coração. Também ajuda a prevenir diversos tipos de cancer. E ainda tem mais potássio do que a banana, por exemplo.



Ontem, de posse de dois pequenos abacatinhos peruanos, fiz esta vitamina para alegrar o meu estômago e a minha alma. A novidade é o leite de amêndoas. Este leite eu comprei pronto, vendo lá na loja. Leite de amêndoas espanholas orgânico. Muito gostoso, delicado sabor de amêndoas e eu tenho usado para montes de coisas. Vitaminas diversas, bolos e até panquecas. Já falei que adoraria parar de tomar leite? Pois tento reduzir a quantidade de leite com leite de amêndoas. Ficou tão bom, mas tão bom... Você pode experimentar fazer o leite com outras castanhas que deixa a vitamina ainda mais nutritiva. Vitamina de abacate com castanha do pará, por exemplo, seria uma bomba de proteína...


Vitamina de Abacate com Leite de Amêndoas


Cerca de 400g de polpa de abacate maduro (2 abacatinhos peruanos/meio abacatão brasileiro)
200 a 300 ml de leite de amêndoas
Mel a gosto
"Pitada" de suco de limão (opcional)

Como:

Coloque tudo no copo de um liquidificador ou processador e bata até formar uma vitamina grossa e homogênea. Se desejar adicione pedras de gelo e bata com junto com os demais ingredientes. Sirva imediatamente

Rende dois a três copos grandes.





sexta-feira, 15 de junho de 2012

Granola de Sementes de Fagopyrum: Em busca de um novo nome para o tal trigo sarraceno...




No meu esforço para retirar o glúten da minha vida, passei a consumir muitos produtos de fagopyrum. Sementes, flocos, farinha e derivados diversos. E por isso eu me envolvi no projeto de rebatizar em português essa planta, da espécie Fagopyrum esculentum, conhecida entre nós como "trigo sarraceno". Quem me conhece sabe que não aceito sem reclamar nomes que não gosto, principalmente um nome esquisito como este, que não faz sentido e que é usado por absoluta falta de alternativa. "Trigo saraceno"? Como assim? Já seria um nome ruim se a planta em questão fosse uma espécie de trigo, considerando que não se trata de uma espécie de trigo é um nome pior ainda.

E "trigo saraceno" é o nome dado, na língua portuguesa, à farinha e outros produtos produzidos a partir da sementes que brotam das flores da espécie Fagopyrum esculentum, conhecida como "buckwheat" em inglês, "buckhvete" em norueguês, "blé noir" (grão negro) ou "sarrasin" (sarreceno) em francês. Por que minha revolta? Porque o "trigo sarraceno" não é uma espécie de trigo sem glúten como muita gente pensa. O que hoje chamamos de "trigo sarraceno" é a semente de uma flor/planta que não tem nada a ver com a família dos trigos (triticum), e nem cereal é!.

Por não ser um grão, o Fagopyrum esculentum não tem glúten e tornou-se uma maravilhosa alternativa em dietas sem glúten pelo fato de com ele se produzir uma farinha muito versátil. O fagopyrum é um dos pseudo-cereais, sementes usadas como substitutos de cereais, mas que não são cereais. Outros pseudos-cereais são: quinoa, amaranto e a chia...



(Flor e semente do fagopyrum - Fotos Wikipedia)

Para dar uma idéia do absurdo que é chamar as sementes de Fagopyrum esculentum de "trigo saraceno" pensei alguns exemplos. Seria como a chamar "coca cola" de "leite preto", ou chamar "leite" de "água branca".

Faria sentido chamar "leite" de "água branca" apenas por ser líquida como a água? Não é água, mas é líquido e de beber como o ela. O trigo sarraceno não é trigo, mas com ele é possível produzir farinhas iguais as farinhas feitas de trigo e, por isso, foi chamado de "trigo", mas "trigo sarraceno", sacou? O motivo das sementes de fagopyrum serem chamadas de trigo eu já expliquei, mas de ser chamado "trigo sarraceno" eu explico lá embaixo, no final da postagem!


Mas quais os benefícios de comer fagopyrum i.e. trigo sarraceno?


O fagopyrum ("trigo sarraceno") contém oito tipos de aminoácidos que são fundamentais para um corpo saudável. Além disso é fonte de fibras e de vitamina B, magnésio, cobre, cálcio, manganês, fósforo e flavonóides que atuam como antioxidantes. Assim como outras sementes, o fagopyrum é rico em óleos ômega 3. Especialistas afirmam que o fagopyrum ("trigo sarraceno") ajuda a baixar os níveis de açúcar no sangue e é excelente para quem tem diabetes. Além disso pode contribuir para a baixar a pressão arterial e reduzir o colesterol ruim no sangue. E não contém glúten .

Eu ando namorando uma dieta sem glúten há um tempão... me esforço para deixar de comer glúten pois me sinto muito melhor sem ele. Eu não vou morrer se comer glúten, pois não sou celiaca, mas o glúten tem o poder de infernizar minha vida, fazendo da minha digestão um tormento. Tenho muita dificuldade para digerir trigo desde que tive doença de graves e me causa muita, mas muita azia. Nos dias de hoje nada é mais indigesto para mim do que pães e derivados. Ainda que eu coma algum tipo de pão diariamente. Mas ando crio alternativas sempre que posso e reduzi significativamente minha ingestão de glúten, principalmente de trigo. Quando uso outras farinhas uso emner/farro ou espelta.


Então? Alguma sugestão de nome?





Granola de Fagopyrum (100% orgânica)

500gr de sementes de fagopyrum (trigo sarraceno) cruas e orgânicas
150gr de castanha de cajú ao natural (sem torrar e sem sal)
100 a 150g de coco ralado seco sem açúcar orgânico
100gr de semente de gergelim orgânico
2 a 3 colheres de sopa de óleo extra virgem de coco orgânico
3 a 4 colheres de sopa de mel orgânico (use a gosto)
1 colher de chá de canela em pó orgânica (use a gosto)
1/2 colher de chá de baunilha em pó
100gr de uva passa orgânica

Como:

Na noite anterior deixe as sementes de molho por 8 horas em bastante água para germinarem "levemente". Deixe de molho por pelo menos 6 horas. No dia seguinte descarte a água e lave bem as sementes. A água vai ficar meio gosmenta, é normal, por isso coloque as sementes numa peneira grande ou lavador de arroz e lave bem para tirar toda a gosma que fica nas sementes e deixe a água escorrer por alguns minutos. Eu recomendo deixar as castanhas de cajú e as sementes de gergelim de molho em água durante a noite também. O fato de deixar sementes e nozes de molho em água ajuda a remover os componentes presentes na pela desses alimentos que dificultam a absorção das enzimas pelo organismo e dificultam a absorção. Além disso, o processo de germinação ativa o alimento. Coisa que aprendi com a dieta crua... mas que ajuda a digestão mesmo de quem vai tostar as sementes. Escorra a água das sementes todas e coloque num tabuleiro grande. Pique as castanhas de caju com uma faca. Depois de demolhadas as castanhas ficam bem macias e fáceis de picar, não precisa processar nem nada. Nas fotos eu esqueci de adicionar o gergelim, mas adicionei depois (sem fotos).




Coloque as sementes no tabuleiro grande e adicione as castanhas de cajú picadas com a faca...



Adicione as colheradas de óleo de coco, não muitas...



Umas colheradas de mel... usei este mel dinamarquês que é quase uma manteiga...



Adicione a canela e a baunilha em pó... Parecem idênticas, não? Mas a baunilha é pretinha.



Adicione o coco ralado seco, adicione a quantidade que desejar! Eu adiciono uma montanha pois adoro bastante coco ralado na granola...




E depois é só usar as mãos para misturar tudo muito bem misturado... Se o teu óleo de cocoacabou de sair da geladeia, como o meu, alguns pedaços vão ficar mais aparentes, mas depois derrete. Gosto de guardar o óleo na geladeira, acho que dura mais.





Coloque a granola no forno por 60 a 90 minutos em forno pré-aquecido a 140C. Deixe que seque até tostar levemente. Mexa com uma colher de pau a cada 20 minutos. Lembre: você quer secar a granola e deixar ela apenas levemente tostada. Quando estiver no ponto retire o tabuleiro do forno, adicione as passas sobre a granola ainda quente e misture bem. Eu gosto de adicionar ainda quente pois o açúcar das passas vai derreter e grudar na mistura. Desligue o forno e coloque o tabuleiro de volta no forno desligado e deixe que esfrie dentro do forno. Depois que estiver totalmente fria coloque em vidros herméticos. Rende 800 gramas e conserva bem por até 2 semanas em vidro fechado e protegido de ar.

A granola de "trigo sarraceno" é bem crocante e pode ser consumida como qualquer outro tipo de granola: com leite, iogurte, com açaí batido, como farofa de sorvetes e com todo tipo de frutas.




Um pouco sobre a maravilhosa semente do fagopyrum:

Como mencionei acima, o fagopyrum não é um cereal. Cereais são espécies de gramineas (gramineæ), como trigo, centeio, aveia etc...

O fagopyrum é uma variedade de plantas da espécies das polygonaceae, uma família com mais de 1200 espécies ao redor do mundo mas que se destaca pelas espécies nativas das regiões temperadas do hemisfério norte. As polygonaceae são utilizadas largamente na produção de flores ornamentais e alguns genus, como o fagopyrum, são voltados para a produção de alimentos. As principais espécies de fagopyrumsão: o fagopyrum esculentum domesticado na China mas que é conhecido como fagopyrum japonês e o fagopyrum tataricum domesticado no Tibet. A espécie Fagopyrum esculentum foi domesticada no sudoeste da Ásia há mais de 6000 anos e era consumido em toda a região da China, Nepal, Tibet, Paquistão, Myanmar e Japão. Há centenas de outras espécies de fagopyrum, principalmente selvagens nativas da América do Norte.

O Fagopyrum esculentum migrou do Sudoeste da Ásia para a Ásia Menor, oriente médio e Europa Oriental. Apesar de suas centenas de fagopyrum selvagens, "o trigo sarraceno" chegou às Américas pelas mãos de imigrantes russos, poloneses, húngaros, bulgaros, ucranianos e afins que introduziram o consumo da farinha da semente do fagopyrum e algumas receitas. Uma das receitas mais tradicionais é aquela do blini, as mini panquecas russas consumidas em todo mundo e a kasha, um mingau de fagopyrum tostados.

O Fagopyrum esculentum se adapta bem a solos montanhosos e pobres e era fonte de nutrientes para as populações da região dos Himalaias. O tal trigo sarraceno, diferentemente dos trigos, sobrevive bem com pouca água em regiões mais secas, em solos ácidos (solos desprovidos de nutrientes são mais ácidos).

Origem do nome: (pesquisa pessoal, não se acha isso na Wikipedia)

O nome "trigo Sarraceno" relaciona o "tal trigo" aos povos conhecidos como Sarracenos. Sarracenos ou Mouros eram alguns dos nomes usados pelo mundo cristão, durante a idade média, para se referir aos árabes em geral, os povos não-cristãos da época. O uso do termo "muçulmano" ainda não havia surgido na idade média. O artigo da Wikipedia em português sobre este tema é curto, mas esclarecedores. Ao que tudo indica, pelo fato da casca da semente do fagopyrum ser escura, ele tenha sido batizado como tal em referência a cor da pele dos sarracenos. Na França ele é chamado apenas de Sarrasin (Sarraceno). Mas como você podem ver nas fotos, depois de descascado, a cor do fagopyrum é bege esverdeado...


Eu acredido que apesar do fagopyrum ter chegado à Europa Oriental via Asia menor e Oriente Médio centenas de anos antes das invasões muçulmanas, é possível que parte da Europa Ocidental (França, Espanha e Portugal principalmente) tenha sido apresentada às sementes apenas com as invasões sarracenas. Ainda que a semente de fagopyrum não seja típica da dieta dos países do oriente médio é possível que, durante o período de guerras de invasões, os soldados sarracenos carregassem as sementes consigo por serem fáceis de consumir. Elas levam apenas cinco minutos para cozinhar em água e com elas pode-se fazer um minguau altamente nutritivo para alimentar qualquer soldado em tempo de batalha.


sábado, 2 de junho de 2012

Financiers de Castanha de Cajú com Morangos e o sorteio



Antes de dar a receita deste que é um dos meus bolinhos favoritos eu gostaria de lembrar que há um sorteio rolando na página do Facebook do Sabor Saudade...

Se você é fã do Sabor Saudade e decidir se tornar fã da página da minha loja no Facebook, você pode concorrer. Basta curtir a Doce Vika e você pode ganhar uma caixa com pérolas de chocolate amargo Valrhona em caixa de metal com reprodução de pintura do artista Jean Michel Basquiat.

Para concorrer, curta a Doce Vika e deixe um comentário na página do Sabor Saudade no facebook, na postagem que anuncia o sorteio. Basta escrever que tornou-se fã da Doce Vika e você estará concorrendo. O sorteio será no dia 15 de junho e vou enviar o prêmio para qualquer lugar do planeta, sabia?


Um dos meus bolinhos favoritos. E mais uma receita para aproveitar claras que sobraram de doces de gemas... Pode ser feito com qualquer tipo de noz e castanha. Eu já fiz com praticamente todos os tipos de castanhas e fica sempre delicioso. Também pode ser feito sem castanhas, usando farinha de coco ralado e/ou farinhas de sementes como girassol, abóbora, gergelim e linhaça.

O nome deste bolo é inspirado em barras de ouro e a forma mais tradicional costuma reproduzir as barrinhas de ouro, retângulos finos que produzem bolos bem finos e douradinhos nas beiradas. Mas o bolo fica lindo em forminhas de empada, muffin, tartelettes e quindim. Outro detalhe que combina muito bem com a massa densa do financier é a adição de uma frutinha no centro do bolo. Frutinhas congeladas são perfeitas. Use a fruta que estiver a mão no momento: fatias de maça, pêssegos, nectarinas, bananas, morangos inteiros, framboesas, jabuticaba, cerejas, açaí.. o que for possível.





Financiers de Castanha de Cajú com Morangos

publicado antes aqui

5 claras de ovos
2,5 dl (= 1 copo com capacidade para 250ml) de castanha de cajú sem sal
4 dl (um pouco menos que 2 copos de 250ml) de açúcar de confeiteiro
2,5 dl ( 1 copo de 250 ml) de farinha de trigo
150 gramas de manteiga
1 colher de chá de baunilha em pó ou raspas de meia fava de baunilha
Morangos ou outra fruta a gosto
pitada de sal

Como:

Numa panela de fundo grosso derreta a manteiga e deixe a manteiga cozinhando em fogo baixo até ficar bem dourada, cerca de 5 minutos, mas muito cuidado para não deixar a manteiga queimar. Fique ao lado, de olho na manteiga e quando estiver dourada retire do fogo, coe e deixe esfriar em temperatura ambiente.

Enquanto a manteiga esfria aqueça o forno e unte 24 a 30 forminhas de tarteletes ou forminhas de empada pequena com bastante manteiga e reserve. Coloque as castanhas, o açúcar e a farinha de trigo na bacia de um processador e processe por 1 minuto, até formar uma farinha fina, homogênea. Transfira para uma tigela grande. Não é necessário peneirar, além disso você não precisa se preocupar com eventuais pedaços de castanha pois neste caso, se houver, eles vão melhorar a textura do bolo.

Em outro pote bata as claras com a pitada de sal usando um fouet. Você não quer um suspiro, nem claras em neve, você quer bater até espumar e deixar as claras brancas e densas. Adicione então a mistura de claras a mistura de farinhas, aos poucos, e vá mexendo com a colher de pau, ou espátula, para incorporar. Adicione a baunilha e continue mexendo para incorporar. Por fim adicione a manteiga e mexa com todo cuidado, para não espirrar, até incorporar toda a manteiga à massa. Suavemente até que toda a manteiga seja absorvida pela mistura, demora mas vai.

Divida a massa nas forminhas preparadas, não encha demais as forminhas, apenas 1/2 a 3/4 da capacidade pois vai crescer. Coloque um morango pequeno no centro de cada bolinho. Asse as forminhas em forno pré-aquecido a 180C por 15 a 18 minutos ou até que enfiando um palito o mesmo saia seco. As bordinhas dos bolinhos deverão estar levemente douradas. Cuidado para não assar demais e deixar os bolinhos muito duros e secos!



Alguns comentários adicionais:

1. Na hora de dourar a mateiga você precisa ter atenção pois a manteiga vai espumar e vai ficar difícil ver a cor. Use uma colher para afastar a espuma para ter certeza que a manteiga está dourada e não marrom. Se deixar ficar marronzinha, marrom clarinho, tudo bem. Mas se escurecer vai ficar amarga. Muito cuidado. A manteiga vai evaporar água e se separar dos sólidos do leite. Os sólidos vão ficar no fundo da panela quando você peneirar. Não raspe a panela, descarte os sólidos.

2. Você pode usar as castanhas que preferir nos seus finaciers. Eu já fiz financier com quase todas elas: amêndoas, castanhas do pará, castanha de cajú, pistache, avelãs e nozes e todos ficaram excelentes. Talvez, o melhor seja este de castanha de cajú. Se possível use castanha de cajú ao natural, não torrada e sem sal.

3. Uma coisa que eu faço sempre é deixar as castanhas que uso de molho em água fria por pelo menos 4 horas. Depois eu escorro a água. Passei a fazer isso há coisa de dois anos. Algumas castanhas, aquelas de casca escura como amêndoas, avelãs, pecãs e castanha do pará podem ser bem indigestas se consumidas ao natural, cruas. O ideal é deixar as castanhas de molho em água, o que ajuda a remover os inibidores das enzimas que ficam nas cascas. Deixando de molho você libera as enzimas, fundamental para ajudar a digerir as castanhas. Ao deixar as castanhas de molho, elas começam a germinar, perdem a proteção e já não terão mais a mesma longevidade que tinham antes. É preciso secar bem as castanhas e/ou consumir rapidamente.

4. A castanha de cajú não tem casca marrom e não precisaria ficar de molho, mas é interessante deixar de molho pois isso ajuda a bastante na digestão das castanhas em geral. Ao deixar de molho por longas horas as castanhas começam a germinar e esse processo ajuda na liberação dos nutrientes. O molho também ajuda a remover eventuais resíduos de agrotóxicos, ou de químicos usados para preservar as castanhas. Amêndoas sem casca, por exemplo, recebem diversos tratamentos para resistirem a exposição a luz e ao ar em mercados. Isso acontece com todas as nozes e castanhas que são vendidas a granel já descascadas. Por isso eu recomendo você a deixar suas castanhas/nozes/amêndoas de molho em água fria antes de usar. Na hora de usar descarte a água do molho e lave as castanhas em água corrente novamente.