sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sem apetite...



Eu gostaria muito de usar esta plataforma maravilhosa para escrever e refletir sobre o que se passou comigo na última semana mas, infelizmente, não consigo escrever muito não. Uma tragédia é uma tragédia e não há palavras bonitas que possam aliviar a minha dor. Como explicar? É difícil demais escrever sem sofrer, mas não há futuro possível sem uma postagem sobre o assunto. Preciso escrever para aliviar a imensa dor.

É mais ou menos assim: durante 1 ano e 3 meses da minha vida, o meu primeiro ano de vida, eu pensava que era feliz. Mas minha vida só começou a fazer sentido no dia que ele chegou lá casa, no colo da minha mãe, pequeninho e comilão. Desde então meu irmão mais novo virou meu irmão mais velho, tomou a liderança, cabeças e corações. Muito mais do que irmão, melhor amigo, testemunha de tudo o que eu sou. Meu principal companheiro nessa vida, meu e de meio Rio de Janeiro. Amigo do mundo, o melhor amigo de todo mundo, uma pessoa para quem os melhores adjetivos serão sempre insuficientes. Essa pessoa única, o melhor dos cariocas, nos deixou na manhã da segunda-feira de Carnaval. Numa manhã de Carnaval como a da foto acima. Desde então meu mundo está de cabeça para baixo, minha família está de cabeça para baixo.

De certa forma sinto-me realizada por ter tido o privilégio de passar o primeiro e o último Carnaval do meu irmão Vinicius ao lado dele. Se esta chance não me tivesse sido concedida eu estaria ainda pior. Foi a minha despedida, minha chance de dizer adeus. O Carnaval é uma festa que significava muito para nós dois. Difícil agora é aceitar os futuros Carnavais sem a presença dele ao meu lado.



Gosto de falar de comida, adoro cozinhar e de comer, mas estou sem fome, sem apetite para nada. Não por enquanto. Eu sou puro luto. O nosso amado irmão caçula está dividindo comigo este momento de dor imensa, quando nos revezamos no esforço quase vão de consolar nossos pais.

Na foto nós, los tres hermanos, no Coliseu em Roma.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Uns marronzinhos de cacau (brownies) antes de zarpar em direção ao Rio...



Pessoas, quando esta mensagem for publicada eu estarei voando em direção a Paris, onde pegarei um vôo direto para o Rio de Janeiro...

Não poderíamos estar mais felizes, já era mais do que tempo de voltar para casa, ainda que por algumas poucas semanas. A próxima postagem, se possível, vai ser direto do Rio, durante a semana do Carnaval. Espero ter tempo e chance de escrever. Não poderia ir sem deixar uma fotinhas, ainda que pouco fotogênicas, desta maravilha que eu experimentei e totalmente aprovei, um brownie de cacau em pó que leva apenas cacau em pó puro.




Usei cacau Valrhona, 100% cacau, mas que é processado com alcaloídes o que deixa o pó muito mais escuro do que o tom natural do cacau. Nâo acho o cacau Valrhona sensacional, muito pelo contrário, acho que é um cacau infinitamente inferior aos cacaus naturais. Mas neste mundo tudo é uma questão de gosto. Com o uso de cacau processado o resultado é um bolo muito preto, mas delicioso. Eu pessoalmente prefiro o tom mais avermelhado do cacau natural, não processado e não adoçado. Sei que estou devendo uma postagem sobre cacaus e e estou pronta para pagar minha dívida em breve.

Quanto aos marronzinhos da foto, que de tão pretos eu os rebatizei de "neguinhos", é uma receita de brownie de cacau é de um livro famoso escrito por Alice Medrich, chamado Bittersweet, muito sugestivo o nome, não?


Neguinhos de cacau em pó


150 gramas de manteiga
1 copo de 250ml de cacau em pó puro não adoçado
1 e 1/2 copo de 250ml de açúcar branco
3 ovos médios (ou dois grandes)
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
1/2 copo de farinha de trigo

Como:

Pré-aqueça o forno a 180c.

Coloque a manteiga, o açúcar e o cacau num pote de vidro, ou metal, que possa ser colocado dentro de uma panela ou frigideira grande com água fervendo. Com uma colher de pau, ou espátula, mexa a mistura até que a manteiga totalmente derretida misture-se homogeneamente ao açúcar e ao cacau. Vai formar uma mistura bem grossa, meio talhada, mas não tem problema. Se a mistura estiver muito quente deixe esfriar um pouco até amornar. Adicione então os ovos, um por um, mexendo bem com a colher de pau para incorpora-los totalmente. Adicione a baunilha e, por fim, a farinha. Depois que a farinha estiver totalmente incorporada mexa a massa, fazendo movimentos circulares, por 40 vezes usando uma colher de pau. Coloque a massa numa forma quadrada ou retangular pequena, com cerca de 15cm X 20cm forrada com papel alumínio ou com papel manteiga untado.

Asse o bolo em forno pré-aquecido a 180C por 20 a 25 minutos. Não deixe o bolo secar demais para não perder a umidade. Quando um palito sair levemente sujo de massa o bolo está no ponto. Retire do forno e deixe esfriar totalmente antes de desenformar e servir.

Rende de 12 a 16 pedaços





Só penso no Rio e é muito bom voltar para casa.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Uma receita de tagliatelli e um amigo...



Eu nunca gostei de massa, nem mesmo quando era pequena. Minha mãe fazia macarrão mas eu só comia se fosse afogado em muito caldo de feijão. Nunca gostei muito mesmo. Quando viajava com amigos, em acampamentos ou na casa de praia, quando todos se jogavam num prato de miojo ou numa macarronada eu preferia um iogurte ou um pão com manteiga. Massa pronta nunca me interessou, nunca achei interessante. Mas com o passar do tempo duas coisas aconteceram. Primeiro eu conheci um moço italiano, um amigo querido, amigo mesmo. Um artista que trabalhou numa das reformas gráficas da Folha de S.Paulo e que nos anos 90 conquistou o coração de todos nós da redação.



Nosso amigo querido adorava receber os amigos em seu imenso e lindo apartamento na Praça da República, em pleno Centro de São Paulo. No dia do meu primeiro jantar em seu apartamento, ainda na redação, meu amigo me perguntou muito naturalmente: "você gosta de pasta?" E eu respondi: "Não, mas eu como mesmo assim". E meu amigo falou: "você não gosta dessa massa comprada pronta, mas da minha pasta você vai gostar". E eu gostei. Ele fez para um pequeno grupo de amigos, naquela noite, um tagliatelle fresco e serviu com um molho de anchovas e alho. Aquela foi a melhor massa que eu comi na minha vida e ela foi marcante. Por causa daquela noite e daquela massa eu passei a apreciar massa e passei a fazer massa em casa e nunca mais deixei de fazer massa com molho de anxovas e alho.



Meu amigo italiano comandou a reforma gráfica da Folha de S.Paulo, fez montes de outras coisas para imprensa brasileira, casou com uma brasileira linda e teve uma filha linda, linda, linda. Mas, de um dia para o outro, ele foi derrotado por um câncer terrível. Em pouco tempo ele foi levado de nossas vidas para sempre. Meu querido amigo italiano, apaixonado pelo Brasil, por São Paulo, pela vida, pelas pessoas, por comida boa, não teve chance de ver sua linda filha crescer. Ele nos deixou para sempre em 2006, mas sua obra está disponível para todos.





Por influencia dele eu percebi que massa caseira é uma criatura totalmente diferente de massa pronta e desde então eu passei a gostar de fazer e comer massa caseira. Continuo a desgostar de massa pronta. As crianças aqui em casa amam, mas eu não gosto. Até como eventualmente, mas não me agrada. Mas a minha massa, a massa que eu faço a mão, por influencia do meu amigo italiano, eu adoro e cada vez que faço dedico meu esforço e o resultado ao meu amigo. Eu sempre invento maneiras diferentes do servir e de cortar a massa. Mas o tagliatelle é o mais clássico. As crianças, como era de se esperar, gostam de massa com molho de carne e foi assim que eu servi ontem. Fiz uma espécie de ragú com carne e toucinho defumado. Deixei o molho cozinhar em fogo baixo por mais de uma hora e ficou uma maravilha.



Tagliatelle com ragú de carne e toucinho

Para o tagliatelle:

400 gramas de farinha de trigo
4 ovos
2 colheres de sopa de água (opcional, depende da umidade da tua cozinha)

Como

Num pote misture ovos e farinha até forma uma massa macia que degruta totalemnte das mãos e que é muito fácil de abrir. Sove a massa por uns 10 ou 15 minutos e deixe-a descansar por uns 20 minutos. Corte a massa sovada em três partes menores e abra um de cada vez. Abra a massa bem fina, o mais fina que conseguir. Quanto mais fina melhor. Enrole e corte fatias da massa mesmo que de tamanhos irregulares. (Veja as fotos abaixo). Se preferir deixe a massa secar um pouquinho num escosto de cadeira.

Na hora de cozinhar ferva água com sal numa panela grande sobre fogo alto. Quando a água ferver reduza o fogo e adicione a pasta. Quando começar a ferver deixe a massa cozinhar por 2 minutos em água fervendo. Escorra, adicione o molho e sirva imediatamente.





















Ragú com carne e toucinho defumado

(para 4 pessoas)

500 gramas de carne moída com pouca gordura
200 gramas de toucinho picadinho com a faca
1 cebola média picadinha
6 tomates pelados picados
1 cenoura grande ralada
4 dentes de alho ralados
1 copo de vinho branco
sal e pimenta do reino
páprica doce em pó
duas colheres de sopa de azeite de oliva
salsinha picada a gosto
um folha de louro (opcional)
água ou caldo de legumes suficiente para cobrir todos os ingredientes na panela

Como:

Numa panela grande aqueça o azeite. Adicione o toucinho picado e deixe dourar. Adicione a carne e deixe dourar e secar até grudar na panela. Adicione a cebola e o alho ralado e quando começarem a dourar adicione o vinho e deixe dar um boa evaporada. Adicione a cenoura, os tomates, a salsa picada, a água (ou caldo) o sal, a pimenta, a páprica, o louro e deixe ferver. Quando ferver abaixe o fogo bem baixo e deixe cozinhar por cerca 50 minutos ou uma hora até formar um caldo grosso.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pudim de baunilha com peras...



O pudim de leite é o tipo de pudim coringa, que serve de base para muitos outros pudins. Com um pouco de criatividade um pudim simples pode se transformar em outro pudim completamente diferente, sem grande esforço ou confusão. Se quiser que o pudim de leite vire pudim de baunilha basta adicionar as raspas de uma fava. Se quiser incrementar adicione uma calda de caramelo. Se quiser açúcar queimado por cima (brulée) basta salpicar um tanto de açúcar e queima-lo com um maçarico. Se quiser fazer um pudim de doce de leite basta substituir metade do leite por doce de leite. Se preferir um pudim mais denso, basta substituir uma parte do leite por creme de leite. Se quiser transforma-lo num pudim de chocolate adicione chocolate derretido, ou cacau em pó, à mistura. O céu é o limite para uma base simples de leite, açúcar e ovos.



Uma outra maneira simples de incrementar um pudim simples é adicionar frutas. Adicione alguns pedaços de frutas com peras, pêssego ou mamão e o pudim vira outro. Eu gosto de todos os jeitos mas o meu prefirido é o pudim feito com leite desnatado e raspas de baunilha. Faço sempre, sem enjoar nunca. Hoje, diante das peras, resolvi variar e adicionar umas rodelas de peras cortadas com a casca. Sem casca o visual do pudim fica bem mais simples. Prefiro com o visual das rodelas de frutas com a moldura das cascas. Minha versão leva pouco açúcar e com leite magro já que eu não gosto da sensação gordurosa do pudim feito com creme de leite. E ainda sobram as claras para uma segunda sobremesa...




Pudim de baunilha com peras


850ml de leite semi-desnatado
150 gramas de açúcar (ajuste ao seu gostos)
Raspas de uma fava de baunilha inteira
3 gemas
3 ovos
1 ou 2 peras lavadas e fatiadas

Como:

Reserve 6 formas refratárias individuais do tipo ramequins. Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água numa panelinha. Em outra panela, de fundo grosso, coloque o leite, adicione as raspas da fava de baunilha, a fava vazia e metade do açúcar. Deixe cozinhar em fogo médio, até fever, mas mexa o tempo todo para evitar que a mistura grude na panela ou que queime. Quando ferver desligue o fogo, retire a fava de baunilha. Num pote grande bata as gemas e os ovos com o restante do açúcar com um batedor de mão (fouet). Adicione lentamente a mistura leite fervida aos ovos batidos e msiture vigorosamente, sem parar, até incorporar totalmente a mistura de leite e temperar a mistura de ovos e, desse modo, evitar que talhem.

Deixe a mistura de leite lado e fatie as peras. Distribua as fatias entre as formas. Quando adicionar a misturas as frutas vão subir para a superfície. Adicione quantas fatias desejar. Divida a mistura nas formas individuais refratárias reservadas sobre as fatias de peras. Coloque as formas num tabuleiro grande e encha o tabuleiro com a água fervida, ainda quente, enchendo até metade da altura dos potinhos/formas. Leve ao forno pré-aquecido a 180C e asse por 30 minutos, ou até que assente. Retire do forno e deixe esfriar antes de levar à geladeira e deixe gelar por umas quatro horas antes de servir. O ideal é servir o pudim gelado.

Pode ser desenformado com facilidade se for adicionada uma calda de caramelo ao fundo das forminhas. Também pode ser servido com caldas diversas. Você também pode adicionar açúcar ao topo do pudim e caramelizar com um maçarico e vai virar um creme brulê. Eu não gosto de creme brulê feito com creme de leite e sempre prefiro aqueles feitos com leite e ovos apenas e acho que esta receita produz um creme brulê leve e fantástico por causa do sabor intenso da baunilha.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Com gosto de casa de mãe: bobó de camarão..



Estava arrumando o freezer e descongelando o que precisa ser consumido antes da minha viagem para abrir espaço para as comidinhas frescas que estão sendo preparadas para aqueles que ficarão por aqui, diga-se: Per. Meio quilo de camarão estavam ali pedindo para serem devorados. E já com a cabeça no Rio, lembrei-me do bobó de camarão da mamãe, comida com jeito e sabor de casa de mãe. Um dos meus pratos favoritos. Fiz uma adaptação e não usei nem leite de coco, nem dendê, pois não tinha nenhum dos dois em casa no momento. A mandioca e páprica em pó comandaram o show de sabores juntamente com os camarões e um tantinho de creme de leite. Ficou tão bom, mas tão bom que devoramos tudo e ainda limpamos o fundo da panela com pão.



As receitas de bobó de camarão que circulam pela aí não são muito diferentes umas das outras. Algumas delas podem pedir camarão seco, outras pimentão vermelho, mas a base é mesma: camarão, creme de mandioca, leite de coco e um tantinho de nada de dendê (óleo de palma vermelho). A quantidade e o tipo de pimenta e alho vai depender do gosto do freguês. Eu encho de alho e cebola, sempre, qualquer comida minha costuma ter sempre muito alho e muita cebola. Mas como usei o mixer de mão para triturar tudo e formar um creme homogêneo não ficaram muitos pedaços para contar histórias, se é que vocês me entendem...



Meu bobó de camarão: versão sem dendê e sem leite de coco

(para duas pessoas)

24 camarões grandes (cerca de 500 gramas)
4-5 tomates maduros pelados (use de lata se preferir)
1 cebola média picada
4 dentes de alho grandes (2 picados e 2 esmagados)
1 colher de sopa de páprica picante (use o quanto preferir)
sal e pimenta do reino a gosto
400 gramas de mandioca cozida (use menos se preferir)
salsinha picada
cebolinha picada
100 ml de creme de leite
2 a 3 colheres de sopa de azeite
água

Como:

Descasque a mandioca, corte-a em pedaços pequenos. Cozinhe a mandioca em bastante água até ficar bem macia. Retire a mandioca da água e reserve a água da mandioca na panela.

Se seu camarão estiver congelado descongele-os antes de usar. Descasque e limpe os camarões reserve os camarões descascados. Coloque as cascas e cabeças dos camarões na panela com a água da mandioca, adicione um ou dois dentes de alho esmagados. Cozinhe as cabeças, cascas e dentes de alho por uns 10 minutos com a água onde foi cozida a mandioca e usando a mesma panela. Coe o caldo de camarão e alho, descarte cascas e cabeças e reserve o caldo.

Numa outra panela grande, em fogo médio, coloque o azeite. Adicione a cebola picada e deixe cozinhar até ficar transparente, sem queimar. Aumente um pouco o fogo e adicione o alho picado e os camarões. Doure os camarões dos dois lados até ficarem levemente cozidos, de 2 a 3 minutos. Retire os camarões da panela, apenas os camarões e transfira-os para um prato e reserve.

Adicione então os tomates pelados picados com uma concha do caldo de camarão e deixe os tomates cozinharem até ficarem macios. Se precisar adicione mais caldo. Adicione os pedaços da mandioca cozida ao molho de tomates e um pouco mais de caldo. Deixe esta mistura cozinhar por cerca de 2 a 3 minutos. Adicione então a páprica, pimenta do reino, salsa e cebolinha picadas e um pouco mais de caldo se necessário. Retire a panela do fogo e usando um mixer de mão, ou o liquidificador, processe a mistura até formar um creme grosso. Se necessário adicione um pouco do caldo de camarão na hora de bater. Transfira o creme de mandioca e tomates de volta para a panela e deixe cozinhar um pouco mais. Adicione mais caldo se necessário. Quando ferver adicione os camarões reservados, adicione o sal e prove. Se necessário adicione mais pimenta, páprica e mais salsinha picada. Deixe ferver e adicione por fim o creme de leite.

Sirva quente com torradas de pão francês ou pão sueco.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fevereiro, o lado B de uma viagem de carro...



Outro dia eu escrevi que a viagem a Oslo foi maravilhosa, e foi. Mas uma viagem só acaba, quando acaba. E então voltamos de Oslo ontem, de carro, dirigimos felizes os cerca de 500km entre uma cidade e a outra. Eu adoro guiar, Per também. Falamos, comemos e ouvimos muita música. As crianças estavam impossíveis, riram e gritaram o tempo todo. Mas a temperatura fora do carro estava ainda mais impossível. Um frio assassino baixou neste centro-sul norueguês com a entrada do mês de fevereiro justificando o meu desejo incontrolável de fazer malas e desaparecer daqui durante os meses de fevereiro.

As fotos abaixo, do painel do carro, exibem a verdade nua e crua. As temperaturas mais baixas do ano demonstram porque fevereiro é o pior mês para viver aqui. O frio era tanto que nos impedia de desejar parar na estrada para um café quente ou uma passadinha no banheiro. Olha que são cerca de oito horas de viagem que invariavelmente demandam umas três ou quatro paradinhas. Mas com o clima ruim que baixou evitamos parar e a viagem andou mais rápido.



Com temperatura média entre -27C e -28C, chegou a -30C, até o carro fazia barulhos estranhos reclamando do frio. Os vidros congelavam por dentro e por fora e uma sensação de pavor era inevitável. Já conduzimos muito inverno a fora, faz parte, mas ficamos muito surpresos com o frio intenso de ontem e hoje. Ninguém seria capaz imaginar a quantidade de cobertores de lã que levamos no carro apesar do aquecedor no máximo, assentos também aquecidos e todos impecavelmente vestidos. Quando paramos, numa cidadezinha um pouco antes de Oppdal, a temperatura era impensavelmente baixa para a região: -27C. Deixamos o carro ligado enquanto comemos e tomamos café e chocolate... E me perguntem por que será que o clima está aquecendo?



Mas este ano eu vou fugir daqui. Estou com as malas prontas e no final de semana eu parto em direção ao Rio. Vou fazer como os pássaros e zarpar rumo ao sul e fazer deste mês de fevereiro o melhor mês do ano! Só volto para Trondheim em março! Ainda que simbolicamente existe uma diferença muito grande entre fevereiro e março.