sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mousse de Morango e Mirtilos




Na última postagem eu listei alguns adoçantes tidos como "menos perigosos" para o corpo, com os quais eu andei flertando e experimentando por um tempo: stevia pura líquida, eritritol e tagatose. Na mesma postagem também deixei claro que estava deixando esses adoçantes para trás já que, a medida que experimentava substitutos para o açúcar, eu era tomada por uma sensação péssima de estar substituindo um problema por outro. Inclusive o xarope de malte de arroz.

Ainda que o açúcar, principalmente a parte frutose dele, me faça muito mal quando consumido regularmente, eu não estava nem um pouco segura em relação ao projeto de usar substitutos para alimentar meu paladar doce. Muito menos convencida da idéia de fazer isso para o resto da vida. Por isso desisti dos substitutos. Afinal, se meu plano é deixar de consumir açúcar, o ideal é parar de tentar substitui-lo. Do contrário, seria como curar um vício com outro.

O sabor doce cria todos os tipos de dependências, a emocional sendo talvez a pior delas. A gente se apega aos doces de forma sentimental. Mesmo que você se acostume com o sabor sem açúcar do seu café, do seu chá, do seu mate etc... você vai acabar se vendo apegada ao hábito de servir brigadeiros, refrigerantes, ou quindins em festas. Vai ter saudade de comer uma rabanada no natal, ou uma cocada de baiana no centro da cidade. A gente se apega, se envolve, já que o doce faz parte da cultura que criamos ao nosso redor. Comida tem esse poder. Mas, se parar com o açúcar for importante para você, é fundamental identificar suas fraquezas e combater. Afinal somos mestres da nossa vontade, não é verdade?


A boa notícia é que sabor doce permanece marcado na pessoa por um tempo. Você pode se reeducar e começar a apreciar seu café sem açúcar em menos de dois meses. A pessoa estranha no começo, mas depois acostuma. Hoje em dia até o leite no meu café me parece doce demais e sinto a presença da lactose, em diferentes graduações, em diferente tipos de leite. É uma coisa impressionante, e olha que eu nunca adocei café na vida, nem chás, pois nunca gostei de bebidas doces. Quando comecei a tomar café já comecei sem adoçar. Meu problema com açúcar nunca foi em bebidas...

Mas o mais impressionante é observar a mudança no paladar das crianças. Aqui em casa elas estão se adaptando lindamente. E este está sendo um processo interessante, processo este que passou pela fase dos substitutos até conseguir deixar de adoçar uma sobremesa totalmente. Como o mousse desta postagem, que não leva nada doce além dos morangos e mirtilos. Este é uma espécie de mousse, mas pode ser chamado de creme. Não é panna cotta pois o creme não foi cozido, ainda que leve gelatina... Mas a textura é de mousse pois o creme de leite fresco foi bem batido, junto com o mascarpone e as frutas (que não são frutas, são bagos)... Ajuda bastante se as frutas estiverem na época. Não esqueça que a gelatina é uma fonte excelente de proteína.




Creme de morango e mirtilos

300 ml de creme de leite fresco
200g de mascarpone ou outro tipo de queijo cremoso sem sal
200g de morangos congelados
200g de mirtilos congelados
1 colher de chá de baunilha em pó
2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
80 a 100 ml de água fervendo

Como:

Numa tigela grande coloque os morangos e mirtilos ainda congelados, adicione o creme de leite fresco, o mascarpone e a baunilha. Usando um batedor (mixer) de mão elétrico, ou um processador, bata até obter uma mistura bem homogênea e reserve. Coloque a gelatina numa tigelinha de vidro pequena. Ferva água e adicione a água fervente á gelatina e mexa bem para dissolver totalmente a gelatina. Adicione a gelatina dissolvida em água fervendo á mistura de creme e frutas. Misture um pouco mais com o mixer. Tranfira a mistura para potinhos ou taças de vidro e leve para gelar por cerca de duas horas. Sirva pura ou com frutas.


Obs. Açúcar é delicioso e fácil de usar, dá textura e sabor a receitas doces e salgadas etc... mas faz mal pacas, vicia e está na base de uma série de problemas de saúde. Mas, isso não quer dizer que eu nunca coma, nem vá comer açúcar. Impossível dizer nunca, até porque eu não preciso ser radical. Mas a reeducação é preciosa e poderosa. Com a exclusão do açúcar por dois, ou três meses, o paladar da gente muda e o prazer diante do açúcar desaparece, o que vai reduzir muito o desejo de consumir doce. A gente passa a dizer não sem problema nenhum e, eventualmente, quando diz sim, diante de uma tentação extraordinária, isso também será sem problemas. Entende?
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