quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Campanha Permanente para Banir Agrotóxicos no Brasil



Consulta pública para banir agrotóxicos prejudiciais à saúde humana

January 23, 2012
Danilo Molina, Imprensa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta segunda - feira (23/1), duas consultas públicas recomendando o banimento dos agrotóxicos parationa metílicia e forato. As recomendações da Anvisa estão baseadas em estudos científicos que relacionam o uso desses agrotóxicos a problemas de saúde.

“Nossa medida pretende reduzir o risco da população exposta a esses produtos, tendo em vista que são extremamente tóxicos e estão sofrendo restrições de uso em diversos países”, afirma o diretor da Agência, Agenor Álvares.

A parationa metílica é um inseticida e acaricida que tem uso autorizado nas culturas do algodão, alho, arroz, batata, cebola, feijão, milho, soja e trigo. “Este agrotóxico possui características neurotóxicas, imunotóxicas, mutagênicas e provoca toxicidade para os sistemas endócrino e reprodutor e para o desenvolvimento de embriões e fetos, além de gerar desordens psiquiátricas”, explica Álvares.

Quanto ao forato, o diretor da Anvisa destaca que o produto pode provocar letalidade em doses baixas, por diferentes vias de exposição, e está associado com diabetesmellitus na gravidez, toxicidade reprodutiva e para o sistema respiratório, nefrotoxicidade e neurotoxicidade. Esse agrotóxico é um inseticida, acaricida e nematicida (empregado para combater alguns parasitas) utilizado no cultivo do algodão, amendoim, batata, café, feijão, milho, tomate e trigo.

Cenário internacional

No cenário internacional, os dois produtos são proibidos na Comunidade Europeia. A parationa metílica também não pode ser utilizada na China, Japão, Indonésia, Sri Lanka e Tanzânia. Nos Estados Unidos, esse agrotóxico está classificado como restrito, o que significa que as formulações à base de parationa metílica só podem ser compradas e usadas por aplicadores certificados. Ainda, nos Estados Unidos, a aplicação do produto é mecanizada, o que diminui a exposição dos trabalhadores ao produto.

O forato está em processo de descontinuidade de uso para a cultura da batata no Canadá e tem prioridade para ser reavaliado na Austrália. Nos Estados Unidos, o uso desse agrotóxico sofre diversas restrições, tais como: uso em sistemas fechados, proibição de aplicação aérea, restrição de culturas autorizadas e regiões e definição de uma única aplicação por safra.

Retirada voluntária

Uma das empresas, fabricante de produtos à base de parationa metílica no Brasil, já se manifestou formalmente à Anvisa de que irá retirar esse agrotóxico do mercado nacional, de forma voluntária, em 2012.

Contribuições

As contribuições às Consultas Públicas 8 e 9/2011 podem ser feitas pelo site da Anvisa ou pelo e-mail toxicologia@anvisa.gov.br. Outros canais de participação são o fax (61) 3462 - 5726 e cartas para o endereço Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Gerência-Geral de Toxicologia, SIA, Trecho 5, Área Especial 57, Lote 200, Brasília, DF, CEP 71.205.050.


Para maiores informações e para baixar os estudos científicos que recomendam a proibição dos pesticidas parationa metílica e do forato no Brasil visite o site da Anvisa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pastéis de Natas com Creme de Amburana e Baunilha: Na cozinha com Daisy 2



Massa folheada está entre as poucas coisas que minha mãe nunca tentou fazer em casa. Ela nunca se interessou por massa folheada pois nunca usou esta massa para nada lá em casa. Não crescemos com receitas que levassem massa folheada. Todas as tortas e empadas e pastéis feitos lá em casa levavam massa podre ou massa simples de empada e aquela outra de pastel... Massa folheada era comida de rua e minha paixão por massa folheada foi adquirida circulando pela aí e comendo nas muitas padarias, cafés e docerias da vida...



Minha mãe sempre me perguntava, surpresa: "Mas como é que você tem paciência e tempo para fazer massa folheada?" E eu respondia: "Eu faço porque adoro e acho até fácil e uso a receita mais fácil que encontrei na praça e que já testei dezenas de vezes e sempre funciona". Ela: "Ah, então tá, mas mesmo assim..." Minha mãe anda numa fase bem devagar, diz que já cozinhou tudo o que tinha que cozinhar e mais alguma coisa. E é verdade, mas curiosidade ela ainda não perdeu e lá fui eu demonstrar minha massa folheada.



A receita que eu uso é baseada na versão simplificada desenvolvida pelo padeiro francês Michel Roux no livro Pastry ... Olha, eu não coleciono livros de receitas, na verdade não coleciono nada além de bules de chá antigos, mas enfim, esse livro é uma contribuição e tanto para quem quer fazer massas de forma simplificada.

Estes pastéis são 100% orgânicos e para isso tive que usar manteiga com sal pois manteiga orgânica na Noruega só com sal... ossos do ofício. Se você deseja usar manteiga com sal na massa folheada basta substituir a manteiga e deixar de fora a quantidade de sal indicado nos ingredientes.



Pastel de Natas com Creme de Amburana e Baunilha


Receita de Pastel de Nata originalmente publicada aqui

Massa Folheada:


Cerca de 350g de massa folheada caseira clique aqui e veja como é rápido e fácil fazer esta massa

Recheio:


500ml de leite desnatado orgânico
4 gemas grandes de ovos orgânicos
40 gramas de amido de milho orgânico
70 gramas de açúcar de cana orgânico
1/4 de colher de chá de baunilha em pó (opcional)
5 a 10 sementes de amburana (use a gosto) (opcional)

Bata as gemas com o açúcar até esbranquiçar. Adicione o amido de milho peneirado e misture para incorporar totalmente. Enquanto isto leve o leite com a baunilha e as amburanas ao fogo médio e mexa sempre para não grudar no fundo. Quando ferver misture o leite a mistura de gemas, lentamente, mexendo sempre com um batedor para evitar que as gemas talhem. Quando o leite estiver totalmente incorporado as gemas transfira a mistura de volta a panela e leve mais uma vez ao fogo médio mexendo até engrossar. Quando tiver formado um creme grosso retire do fogo, transfira para um pote de vidro e deixe esfriar.

Como:

Primeiro prepare o creme deixe esfriar levemente enquanto você prepara a massa para forrar as forminhas.

Unte 12 formas de empada ou de muffin e reserve. Abra a massa folheada até formar um retângulo com cerca de 50X30cm e com cerca de meio centimetro de espessura. Divida a massa ao meio em duas partes iguais. Coloque uma parte em cima de outra e enrole as duas massas até formar uma torinha com 4 a 5cm de diâmetro. Corte fatias com cerca 1 cm de espessura da torinha de massa e abra cada uma delas até formar um círculo com cerca de 10 a 12 cm de diâmetro. Coloque o círculo dentro da forma, deixando uma borda de massa para fora da forma. Cuidado para não encher demais pois a massa vai encolher e o recheio vai inchar durante o cozimento e por isso é bom deixar uma margem para fora mesmo.

Asse os pastéis em forno pré-aquecido a 220C até as bordinhas da massa ficarem douradas o creme começar a formar manchinhas douradas, cerca de 20 a 25 minutos. Retire das formas ainda quente e deixe esfriar num prato ou arramado. Cuidado para não assar demais e talhar e/ou ressecar demais o creme de gemas. Os pastéis da foto ficaram com a consistência perfeita. A borda da massa no alto dos pastéis ficou um pouco grossa, mas a base e a lateral da massa ficaram finas e crocantes, do jeito que eu gosto e a quantidade de creme foi ideal.

Rende 12.



As fotos estão lavadérrimas, mil perdões, mas é que ando sofrendo com a luz, ou a falta dela, durante as fotos esta época do ano... mais uma vez, ossos do ofício...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Macarons de avelãs com doce de leite: Na cozinha com Daisy 1...



Saudades, muitas saudades de estar aqui...

Minha mãe está passando uns meses por aqui e ando demonstrando na cozinha coisas que minha mãe nunca experimentou fazer. Apesar de ter aprendido com ela quase tudo o que eu sei de cozinha, há uma série de receitas pelas quais ela nunca se interessou, e por isso nunca fez, receitas que eu faço com frequência e que ela até gostaria de aprender a entender e eventualmente fazer. E macarons era uma destas receitas. Apesar da minha mãe fazer maravilhosos suspiros há muitas décadas, de ter me ensinado a fazer suspiros e diversos outros tipos de doces de ovos, de já ter feito milhões de suspiros nesta vida, minha mãe nunca tinha feito macarons... Naturalmente.



E os macarons de hoje eu fiz para demonstrar para ela como é eles são fáceis de fazer. Ela diz que não tinha nem paciência para ler a receita longa e complicada que eu publico... como assim complicadas??? Mas enfim, como eu tinha um monte de avelãs em casa usei-as no projeto. Avelãs italianas orgânicas deliciosas. Apesar de preferir macarons sem recheio era necessário rechea-los para deixa-los com carinha de macarons. Como recheio usei um doce de leite que estou vendendo lá na loja, um doce de leite fantástico, sem aditivos, nem sabores adicionais naturais ou artificiais, feito apenas de leite e açúcar, do jeito que eu gosto.




Eu tive o prazer de conhecer o moço que fabrica este doce de leite numa feira de produtos em Oslo. Nicolas Vahé é um chef francês que vive e trabalha na Dinamarca e mantém uma linha de produtos que é simplesmente sensacional. Provei tudo o que ele faz na tal feira e estou super feliz por poder vender as coisas que ele produz. As geléias do Nicolas são uma coisa de louco, há uma geléia de manga com maracujá que é melhor do que todas as geléias que eu já provei na vida. Ele produzia até doce de abóbora com coco ele, serio, mas infelizmente este saiu de linha na último catálogo.



Semana que vem devo encontra-lo novamente pois voltarei à tal feira com um convite da empresa dele. Estou louca para provar as novas delícias que ele vai lançar na feira de primavera verão em Oslo na semana que vem... Mas voltando ao macaron, bem, a novidade é que não deixei as claras descansarem uns dias antes de usa-las. Na verdade elas ficaram na bancada da cozinha algumas horas apenas, suficiente para atingirem temperatura ambiente já que estavam geladas e o resultado foi fenomenal... Preciso experimentar o resultado com amêndoas antes de sair por aí afirmando que não é necessário deixar as claras desidratando antes de fazer macaron...





Macarons de Avelãs com Doce de Leite

Originalmente publicado aqui


140 a 150 gramas de claras de ovo (quatro claras grandes)
150 gramas de avelãs descascadas
250 gramas de açúcar de confeiteiro
60 a 70 gramas de açúcar branco
1/2 colher de café de baunilha em pó
doce de leite para rechear

Como:

Toste de descasque as avelãs ainda quentes. Deixe as avelãs esfriarem e então processe as avelãs com o açúcar de confeiteiro até formar uma farinha fina, depois passe a mistura pela peneira e então pese.

Batas as claras em neve, quando começarem a endurecer adicione o açúcar branco, uma colher de cada vez e bata até formar um suspiro brilhante.

Adicione a baunilha ao suspiro e depois vá adicionando partes da mistura de açúcar de confeiteiro e avelãs e mexa suavemente, mexendo a espátula de baixo para cima, até incorporar totalmente a farinha aos suspiro. Não mexa demais, apenas o suficiente para que obter uma mistura homogênea. O ponto correto dos macarons deverá achatar depois de colocada na forma, formando um círculo de massa bem baixinho, sem a pontinha arrepiada dos suspiros.

Usando um saco de confeiteiro, ou uma colherzinha, forme círculos de massa em tabuleiros forrados com papel manteiga (você vai precisar de uns três ou quatro tabuleiros) e deixe que os biscoitos recém formados sequem por cerca de 10 a 15 minutos, ou até que formem uma casquinha, antes de assar. Asse por 12 minutos a 160C.

Obs. Você vai precisar conhecer bem o seu forno para obter os melhores resultados pois o tempo de forno pode arruinar o resultado final.

Obs 2. Deixe esfriar antes de retirar os biscoitos do papel. Eu nunca tive problema para retirar os biscoitos do papel manteiga, mas aqui é um lugar muito seco, talvez em ambientes mais úmidos seja mais difícil retira-los ddo papel.

Obs 3. Quando faço este biscoito costumo deixar as claras fora de geladeira, desidratando por uns dias. Dessa vez deixei cerca de oito horas na bancada da cozinha ( esta foi a primeira vez que deixei as claras tão pouco tempo e deu super certo).

Rende cerca de 50 casadinhos, 100 biscoitinhos lindinhos como os das fotos...



Obs 4... A mama não curtiu o resultado, achou doce demais... mas é por isso que eu não gosto de macarons recheados, acho-os dulcíssimos... insuportavelmente doces, sem recheio são apenas biscoitinhos... doces mas suportáveis. Volto já com mais uma receita para a mama!

Obs 5. Depois de fazer centenas e mais centenas de macarons eu me sinto tentada a afirmar que castanha do pará e avelãs ajudam a produzir macarons mais bonitinhos e mais sustentáveis do que amêndoas... mas isto é o que a minha experiência tem me mostrado... não contém em si qualquer verdade científica...