sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Notícias do Brasil



Caríssimos, como é bom estar em casa depois de um ano de ausência. Estou feliz, muito feliz e queria vir aqui para contar. Isso não quer dizer que voltar para casa não seja também um processo difícil, coisa que, invariavelmente, põe a prova nossa decisão de viver longe de casa. Neste momento escrevo de São Paulo onde passei os últimos dias ao lado pessoas muito queridas. Estou tão feliz por ter conseguido encontrar alguns dos meus amigos mais queridos, ainda que frustrada por não ter conseguido fazer uma mágica com tempo para conseguir encontrar muitos outros. É sempre uma correria muito grande, mas a vida é sempre muito boa comigo e sinto-me extremamente feliz por estar aqui.



Semana passada, fazendo compras muito comuns num hortifruti do Rio de Janeiro, fiz umas imagens das frutas que comprei e que me alimentam de prazer nesta estação tropical. Os abacates estão no seu melhor momento, poderosíssimos, enormes, saborosos e são a minha fruta-fetiche. Uma coisa de louco. Os maracujás amarelos azedos, as frutas de conde, os mamões, os caquis vermelhos e as mangas de todos os tipos.



Ando me enchendo de mangas espadas, estas pintadinhas verde e amarelas das fotos. Essas mangas são o meu tipo favorito de manga, cujo sabor não tem igual. E as mangas das fotos estão tão doces, mas tão doces que parecem adoçadas artificialmente. Eu comi que me acabei mas deixei dois lotes amadurecendo e quando voltar para casa quero para fazer uma geléia de manga espada. Desde que provei aquela geléia de manga com morango da Christine Ferber que desejo experimentar essa mistura usando mangas espadas... Se fosse possível achar bons morangos eu experimentaria faze-la já pois estou com as mangas perfeitas.



A viagem está perto de acabar e a volta será um pouco triste. Mas os projetos que nos aguardam na Noruega são por demais excitantes e servirão para amenizar a saudade que já começa tomar forma... Em breve eu volto com mais notícias do Brasil.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Casadinho de doce de leite em mini biscoitos champagne




Acho que era porque o pote de doce de leite com apenas um fundinho estava sentado na geladeira há tempo demais ou, talvez, pura vontade de comer um casadinho, sei lá. Deu vontade de experimentar o biscoito casadinho com a receita sem manteiga do biscoito de champagne. E lá fui eu fazer biscoito champagne, a mesma receita que usei nesta outra postagem aqui. No entanto, como eu queria fazer casadinhos desta vez eu fiz os biscoitos redondinhos ao invés dos tradicionais dedos de moça (lady fingers). Coloquei a massa no saco de confeiteiro e ao invés de formar dedinhos, eu formei uma círculos, mezzo suspiros, mezzo macarons.




A primeira fornada eu coloquei para assar direto, sem polvilhar açúcar de confeiteiro nos biscoitos antes de assar. O açúcar dá aquela aparência craquelada ao domo dos biscoitos. Meu projeto era rechear os biscoitos com doce de leite e os queria com domos lisinhos, perfeitos. Depois de assados e casado eu salpiquei açúcar nos biscoitos para que os domos não grudassem um no outro. Já a segunda fornada levou uma bela camada de açúcar de confeiteiro por cima e ficou com cara de biscoitinho champagne normal. Nessa receita eu cometi a bobagem de adicionar um extrato de amêndoas, ao invés do licor e o biscoito ficou saboroso na hora mas deixando um péssimo after-taste, sabe como. Extratos vagabundos são uma tristeza.. nunca mais!




Biscoito champagne


Receita anteriormente publicada nesta outra postagem aqui

3 ovos
80 gramas de açúcar
70 gramas de farinha
1/2 colher de chá de licor de amendoas (opcional)
Açúcar de confeiteiro para salpicar

Como:

Forre duas formas com papel manteiga e reserve. Pré-aqueça o forno a 180C. Num pote de vidro ou metal (não use plástico) bata as gemas com 50 gramas de açúcar até formar um creme fofo e esbranquiçado. Num outro pote (que também não seja de plástico) coloque as claras. Bata as claras e quando as claras começarem a formar ums espuma mais dura adicione 30 gramas de açúcar e bata até deixar as claras em neve. Adicione as gemas às claras em neve e mexa suavemente, com uma espátula ou colher de pau, para incorporar sem perder o volume. Adicione o licor e a farinha, peneirada, e mexa até incorporar totalmente a farinha à mistura. Mexa o mínimo possível e com a maior delicadeza possível para que a mistura não perca volume.
Transfira a massa para um saco de confeiteiro e com um bico simples forme os biscoitos na forma preparada. Deixe endurecer por alguns minutos e salpique açúcar de confeiteiro sobre os biscoitos.

Asse os biscoitos por 10 a 12 minutos.

Rende de 36 a 40 biscoitos, dependendo do tamanho do bico do saco de confeteiro.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Eu, eu mesma, minhas opiniões e minha gordura de porco



O último texto que publiquei foi bem chatongo. Eu meio que posando de policial de posturas, saí para lá, tô fora. Por favor, não pensem que eu estou aqui para isso! Eu sei que posso ter magoado algumas pessoas. Me desculpem, não era o meu desejo. Espero sinceramente que entendam que é apenas uma opinião.

Eu sou mesmo uma pessoa excessivamente crítica, costumo ruminar sobre coisas por longo tempo e eventualmente solto minha opinião de uma hora para outra e isso pode eventualmente causar susto. Lá pelas tantas apareço do eu, outro lado de alguma coisa, exercitando a minha opinião isolada.




Eu amo a blogosfera da língua portuguesa porque acho que somos muito originais, criativos e românticos. Acho que a nossa blogosfera é ainda mais crítica do que as demais, em outras línguas. Olha, eu não leio chinês, nem russo, para poder comparar com tudo o que se escreve pela aí, mas considerando o tamanho da nossa rede em função do tamanho das demais redes eu acho que estamos bem pacas a nível de estilo e personalidade. Somos feitos de muitas verdades (não há um modelo dominante que sirva de doutrina para todo mundo). Mas temos mais curiosidade, uma boa dose de humor, usamos menos chavão e muito menos cinismo.


Eu amo a blogosfera em português porque vejo nela não apenas mais originalidade, mas mais generosidade com o universo globalizado do qual fazemos parte. Mas o que eu mais gosto é quando percebo que falamos das nossas verdades, das verdades da nossa realidade. Mas nem tudo são flores e originalidade. Há quem se paute pelas prioridades alheias, pelo universo alheio e realidade distante, aqueles que reproduzem sem dó (ou senso crítico) o que os blogs estrangeiros publicam inclusive mimicam as atitudes desses em grupo. E é quando viramos uma repetição, ou um apêndice dos outros, que nos reduzimos, que perdemos o valor e é isso que me deixa chateada. Mas quem sou eu para falar? A polícia? Não, claro que não. Sou alguém que acompanha com admiração o imenso esforço diário que está por trás de um blog criativo e bem atualizado. Uma coisa eu tenho certeza: blog não é só belezura, é acima de tudo conteúdo, personalidade e originalidade, e isso a gente tem de montão e eu quero levantar a bola para essas pessoas e não ficar apenas dando opinião. Será que me fiz entender?





Gostaria de ver mais e mais personalidades blogueiras em português, mais autoridades se formando e se exibindo na nossa rede, gente vigorosa, gerando opinião, contestando e produzindo conteúdo exclusivo e sensacional. É em português o melhor blog de comida do mundo, o come-se. Na minha opinião o come-se é o mais sensacional blog pessoal, individual, de comida no mundo. Já escrevi isto para a Neide diversas vezes.

E por que ela faz o melhor blog de comida do mundo? Porque nenhum outro sabidão gringo, ou metido a sabido, conhece tanto de comida como a Neide. E se conhece tanto quanto ela, jamais será tão generoso, curioso ou capaz de demonstrar respeito e reverenciar outros "comeres", culturas e histórias por amor, como a Neide faz todos os dias. Ela é mais do que uma especialista, é uma apaixonada, formou-se comendo, na cozinha do afeto, na cozinha da história, na cozinha da Brasilândia. Ela não esconde interesses por trás dos textos, ela que não quer te vender nem te empurrrar uma agenda pessoal e está ali para ficar te doutrinando.




Pensei em selecionar as minhas postagens favoritas, mas são todas tão sensacionais que é difícil. Resolvi então deixar o link a Série sobre Paraibuna. E para as demais partes: parte 2,parte 3,parte 4, parte 5, parte 6 e parte 7. Talvez por eu ser apaixonada por rios e, pelo rio Paraíba do Sul em especial, as postagens sobre o Paraibuna são especiais para mim.

Eu acho que todos nós, brasileiros e portugueses e angolanos e moçambicanos e caboverdianos, temos esse talento da Neide e deveríamos sair por aí apaixonando e provocando, inspirando e criando, de dentro para fora. Porque somos todos deveras apaixonados e temos um mundo lindo para representar.



(refogadinho com gordura de porco)



Gordura de porco

Ilustram esta postagem imagens da gordura de porco caseira que preparei com a leva de porcos que consumimos durante as festas de natal, ano novo e aniversários. Nós assamos muito porco, várias partes diferentes, eu aproveitei para remover com todo cuidado e dedicação a gordura que se separa do líquido durante o cozimento. Esta gordura tem sabor forte de porco e foi temperada com muitas folhas de tomilho, muito alho amassado, usados para temperar a carne em si. Não dá para usar em confeitaria, nem para fazer sabão, mas minha gordura de porco ficou aromática e de sabor fantástico. Usei para preparar farofa, caldo para sopas e até mesmo para refogar feijão. O sabor é único.

É tão fácil aproveitar a gordura quando se assa, por exemplo, costela ou carne da barriga do porco (de onde se tira o toucinho) que é desperdício remover a gordura e jogar fora. Ainda mais agora que a gordura de porco está totalmente de volta como alimento saudável que é... Assim, a gordura de porco tem menos gordura saturada do que a manteiga e muito mais sabor dependendo do que você vai usar. Além disso, em tempos de gorduras trans, a gordura de porco é mesmo uma opção muito mais saudável. Além disso não é para o todo dia, é para de vez em quando, para pratos e dias especiais...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A culinária como common - a polêmica



Entrei numa discussão nos comentários de uma postagem no blog da Suzana, o delicioso blog Gourmets Amadores e com isso me lembrei que havia muito eu queria reproduzir aqui uma postagem do Carlos Dória sobre a questão de autoria de receitas.

Eu discordo dos argumentos defendidos pela Suzana por discordar totalmente da pessoa que ela cita como referência. Eu não defendo autoria de receita pois não acredito na autoria de receitas da forma como elas vem sendo discutidas. Apresentei para Suzana os argumentos do Carlos Dória, que é, na minha opinião, o principal estudioso do assunto no Brasil. Eu concordo com o Dória nesse assunto, mas nesta postagem ele não faz nada mais do que lembrar que receitas de culinária estão de fora da convenção de Berna Berne Convention for the Protection of Literary and Artistic Works e não podem ser enquadradas como direito autoral.

Acho que devemos ter cuidado para não ficar levantando bandeiras e interesses do outros a troco de nada. Em tempos de internet, quando viajamos o mundo em poucos cliques, valores viajam e se perdem de um país para o outro na velocidade da luz. Dentro da internet é comum que adotemos atitudes e interesses que pertencem a outras realidades, a outros países. Faz parte defender direitos, mas aceita é outra coisa. E é por isso que hoje a transferência do conhecimento está na base de todos os grandes contratos, a autoria, a criação de patentes e o reconhecimento de direitos é o negócio mais lucrativo do mundo. Mas eu não vou entregar nada de bandeja para ninguém, não tenho qualquer pudor e não me interessa ficar atribuindo a autoria de receita clássica para ninguém.

Tem coisa mais ridícula do que esse monte de blogs de americanos falando e dando crédito ao Boeuf Bourguignon e outras receitas clássicas francesas à Julia Child? Ou ficar rasgando seda para obras de chefs de televisão que são pura compilação de receitas clássicas? Eu sei que o poder de hollywood é forte, que os blogs gringos são lindinhos, mas os americanos são um povo sem noção alguma da existência do outro e de cultura. Não vamos embarcar nas lutas dos outros sem antes entender do que se tratam.

Mas por favor, leiam o artigo do Dória, abaixo, como grande pesquisador que é ela fala muito do assunto de forma muito mais clara e direta do que eu.




21/12/10

A culinária como common
por Carlos Dória
Clique aqui para ler o original no blog e-Boca Livre


Uma das coisas mais interessantes em culinária é a ilusão da autoria de uma receita.


A dimensão prática se sobrepõe obviamente à intelectual, dando margem a que se pense: “minha receita” quando se meteu a mão na massa.

Mas, seja qual for a sua receita ela será, muito provavelmente, uma variação dentro de uma espécie de receitas assemelhadas, de sorte que o pequeno desvio que você escolheu não constituirá propriamente uma nova espécie culinária. Um exemplo: você pode imaginar mil variações em torno do panetone, e ele continuará a ser o pão natalino. Só quando ele degenerar (perder a condição de reproduzir o gênero) será uma outra receita.

Os grandes chefs, como Auguste Escoffier, não se furtaram a mergulhar no leito da grande tradição. O seu Ma cuisine (1934), ao contrário do que diz o nome, é a cozinha burguesa de todos os lares. Nada tem de Escoffier, senão a seleção das receitas clássicas e o seu abonamento. Seria absolutamente ridículo se ele pretendesse, de alguma forma que fosse, assinar um coq au vin.

Assim, os grandes chefs jamais pensaram nesses termos modernos - como remake, releitura ou o que for - para justificar uma simples repetição ou decalque de pratos tão consagrados pelos consumidores. No máximo, modestamente, dirão: “coq au vin à ma façon”... É o que basta para não serem criticados como traidores da tradição.

A “autoria” individual, stritu sensu, só nasceu em 1886, com a convenção de Berna. Não é à toa que as receitas culinárias não entraram no rol das coisas que possam ter sua autoria individualizada a ponto de gerar direitos. E não é à toa que a China, conhecedora do amplo trabalho coletivo e anônimo que é a cultura, se recusou a assinar aquela convenção.

Clique aqui para ler o original no blog e-Boca Livre

Novos tons de laranja: creme de baunilha com gelatina de laranja vermelha



Um jantar em muitos tons de laranja, teve sashimi de salmão, cuzcuz de frango com cenoura (um clássico aqui em casa), caquis como primeira sobremesa e ainda suco de laranja vermelha. Para encerrar a noite, um pouco mais tarde, tivemos uma segunda sobremesa, a gelatina de laranja vermelha sobre panna cotta de baunilha... que eu prefitro chamar de creme de baunilha. Essa misturinha de creme com gelatina é comum aqui em casa, mas desta vez ficou o resultado final ficou bem mais vermelha do que a versão anterior



A cor destas laranjas é tão linda que eu não resisto quando elas começam a aparecer no mercado esta época do ano. Compro várias dúzias para azer suco e gelatina natural para as crianças. O sabor é bem parecido com aquele da laranja pera brasileira, exceto pela cor. Eu adoro a mistura de gelatina de fruta cítrica com panna cotta, acho um duplo acerto. Estas laranjas vermelhas chegam da Sicília e onde eu as compro elas são praticamente todas orgânicas... Impressionante como os italianos estão muito mais empenhados em desenvolver uma agricultura comercial orgânica do que os espanhóis. Os espanhóis produzem a maior parte das laranjas desta Europa, mas os espanhóis são os bastiões das sementes transgênicas, me dá um bode terrível. Uma coisa triste...



Caquis ultra doces esta época do ano, cor de laranja intensa. Uma delícia, suculentos e macios. Eu sempre sirvo frutas de sobremesa, chamo de primeira sobremesa. Dependendo do dia da semana e mas depois da fruta costuma rolar uma segunda sobremesa, um pudinzinho, um bolinho, uma gelatina natural com iogurte para alegrar e saciar as crianças. A sobremesa é sempre uma porção pequenina que ajuda a controlar a vontade de comer chocolate ou balas industrializadas, sabe como?




E um salmãozinho selvagem para não perder o hábito. O salmão selvagem é bem caro, caro mesmo, mas o salmão de fazenda nunca foi muito barato por aqui também, a não ser quando comprado inteiro. A Noruega durante muito tempo foi acusada de dumping pela UE, aqui em português. E a coisa ainda é mais ou menos assim, exportam por um preço muito mais barato do que aquele vendido no mercado interno. No entanto, depois que ficou provado que salmão de fazenda, alimentado exclusivamente com vegetais, não apresenta os mesmos níveis de Omega 3 que o salmão selvagem, que se alimenta exclusivamente de peixes. Seria bom que o povo daqui começasse a recusar o salmão de fazenda, o que eu chamo de salmão de farmácia, tamanha a quantidade de remédio que o bicho toma para sobreviver.



Creme de baunilha com gelatina de laranja


3 dl de creme de leite
3 dl leite
1 dl de açúcar
3 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
3 colheres de sopa de água
raspas de meia fava de baunilha

Gelatina

4 dl de suco de laranja ou tangerina
2 a 3 colheres de sopa de açúcar (use a gosto)
2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
2 a 3 colheres de sopa de água fria


Como:

Um dia antes prepare o creme. Ferva leite e creme com a baunilha e o açúcar. Amoleça a gelatina em água fria. Quando o creme ferver adicione a gelatina amolecida e retire a panela do fogo. Mexa vigorosamente até dissolver totalmente. Peneire a misture e distribua em potinhos ou copinhos de vidro alto. Cuidado para não encher totalmente e deixar espaço para encher com a gelatina. Deixe esfriar antes de levar para gelar. No dia seguinte, ou a noite, prepare a gelatina e distribua por cima dos cremes.

A gelatina é muito facíl de fazer. Depois de retirar o suco das laranjas, passe pela peneira e leve para ferver numa panelinha com açúcar. Use a quantidade de açúcar que desejar. Adicione a gelatina amolecida em 50ml de água e adicionar ao suco fervido. Calcule 1 colher de chá de gelatina para cada 200ml de líquido. Amoleça a gelatina em água fria por alguns minutos. Calcule uma colherada de sopa de água para cada colher de chá de gelatina. Quando o suco ferver adicione a gelatina amolecida, retire do fogo e mexa até dissolver totalmente.

Deixe a gelatina esfriar por uns 10 a 15 minutos antes de dividir nos potinhos sobre o creme de baunilha. Você pode escolher colocar a gelatina embaixo ou por cima do creme.

Rende de 6 a 8 potinhos



O mundo dos negócios está demandando uma montanha de atenção de mim, mas estamos na maior dedicação. É tanta burocracia, tanto detalhe que vocês não imaginam. É muita licença, muito registro, muito papel e mais uma montanha de contatos. Em breve mais notícias...




(Olha a cor dessa gelatina, ninguém diz que é pura laranja...)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Uma loja para chamar de sua...




Andei comentando informalmente pela aí que estamos abrindo uma loja aqui onde vivemos. A reação dos amigos aos meus vagos comentários foi maravilhosamente positiva e havia tempo que eu queria achar uma chance de escrever para contar um pouco sobre a loja. Não falei antes porque não estava certa se este seria o plenário ideal para o anúncio. Ingenuamente eu planejava que a esta altura meu blog em norueguês, que ainda não existe, estaria a todo vapor e daria conta do recado. Não só meu blog em norueguês não está nem pronto, como eu ainda consegui abandonar meu blog em inglês as moscas. Se a gente não se compromete a coisa não rola, não é mesmo? Enfim, gostaria de informar aos amigos e leitores que estamos mesmo abrindo uma loja que vai abrir as portas para o público local na última semana final de março. A data da abertura será confirmada depois que eu voltar do Rio de Janeiro.





A loja que estamos montando é um empório orgânico e gourmet e vai reunir uma arsenal de coisas deliciosas do planeta inteiro. Mas o processo de criação deste nosso pequeno grande empório orgânico gourmet é uma loucura. É como reunir as peças de um gigante quebra cabeças. São quase uma centena de contatos e milhares de produtos de onde selecionaremos algumas centenas de produtos que sevirão de base. Nosso projeto é oferecer produtos de alta qualidade, "gourmets" que sejam orgânicos. Mas nossos produtos serão majoritariamente orgânicos, mas vamos quebrar nossas próprias regras com alguns produtos artesanais de alta qualidade que não são orgânicos, ou não detém os selos oficiais. A questão dos selos é bem complicada e há uma infinidade de selos diferentes. Por isso eu decidi não vou ser policial do rótulo e dos selos. Há muita coisa boa sendo produzida por aí que não é orgânica. Além disso há muitos produtos que não são auditados mas que são orgânicos.




Nossa loja foi levemente reformada para nos receber. Eu queria ter pintado a fachada, mas não é possível pintar agora, a tinta não seca e além disso é difícil mexer na fachada da loja agora já que até outro dia estava cercada por uma montanha de neve dura por todos os lados. Mas a neve deu uma baixada, a chuva está ajudando a limpar a área e já podemos ver nossa casinha diante da linda baía. E por isso, pelo fato de estarmos diante da baía de Hommelvik, que a nossa loja se chama A Baía, mas em noruguês. Vika Organic Gourmet já que em norueguês Vika quer dizer A Baía. Em breve nossa lojinha poderá ser acessada pela internet no site Vika Organic Gourmet.



Fazer a seleção de produtos é a parte mais trabalhosa e a mais importante de todo o projeto, mas é também a mais apaixonante. É onde eu posso exercitar a minha paixão e as minhas preferências, claro. Delirar e priorizar tudo o que eu mais aprecio e que acredito ser do gosto do meu público alvo. Estamos fazendo uns testes, provando alguns produtos e é tão excitante que vocês não imaginam. Mas como somos dois nessa parad a quantidade de tarefas é grande e os dias curtos. São tantos detalhes, mas tantos e dúvidas deliciosas, tipo, cor do letreiro, fonte, tamanho e outras coisinhas excitantes. Vou voltar com outra postagem sobre a loja, sobre as coisas que vamos vender, outras que pretendemos distribuir na Noruega e o projeto de transformar a nossa pequena lojinha numa loja online e quem sabe despachar para o planetinha todo. A esta altura do campeonato ambição pouca é bobagem.




As fotos que ilustram esta postagem exibem turkish delights e chocolates turcos produzidos pela Confeitaria Divan de Istambul. Recebi um caixote de provas dos muitos sabores de delights, chocolates e dragees que eles produzem e simplesmente enloqueci. São comer e gritar de tão bom. Os delights da foto são de rosas, limão, chocolate e gengibre... mas o melhor de todos é o turkish delight de pistache. É uma experiência única realmente. E o que fala das amêndoas turcas cobertas de chocolate meio amargo e passadas no cacau são uma perdição, o cacau é natural (não alcalinizado) e mas não amarga na boca, é de uma suavidade única... Estou totalmente apaixonada pelos doces da Confeitaria Divan são uma coisa de louco.