
O último texto que publiquei foi bem chatongo. Eu meio que posando de policial de posturas, saí para lá, tô fora. Por favor, não pensem que eu estou aqui para isso! Eu sei que posso ter magoado algumas pessoas. Me desculpem, não era o meu desejo. Espero sinceramente que entendam que é apenas uma opinião.
Eu sou mesmo uma pessoa excessivamente crítica, costumo ruminar sobre coisas por longo tempo e eventualmente solto minha opinião de uma hora para outra e isso pode eventualmente causar susto. Lá pelas tantas apareço do eu, outro lado de alguma coisa, exercitando a minha opinião isolada.

Eu amo a blogosfera da língua portuguesa porque acho que somos muito originais, criativos e românticos. Acho que a nossa blogosfera é ainda mais crítica do que as demais, em outras línguas. Olha, eu não leio chinês, nem russo, para poder comparar com tudo o que se escreve pela aí, mas considerando o tamanho da nossa rede em função do tamanho das demais redes eu acho que estamos bem pacas a nível de estilo e personalidade. Somos feitos de muitas verdades (não há um modelo dominante que sirva de doutrina para todo mundo). Mas temos mais curiosidade, uma boa dose de humor, usamos menos chavão e muito menos cinismo.
Eu amo a blogosfera em português porque vejo nela não apenas mais originalidade, mas mais generosidade com o universo globalizado do qual fazemos parte. Mas o que eu mais gosto é quando percebo que falamos das nossas verdades, das verdades da nossa realidade. Mas nem tudo são flores e originalidade. Há quem se paute pelas prioridades alheias, pelo universo alheio e realidade distante, aqueles que reproduzem sem dó (ou senso crítico) o que os blogs estrangeiros publicam inclusive mimicam as atitudes desses em grupo. E é quando viramos uma repetição, ou um apêndice dos outros, que nos reduzimos, que perdemos o valor e é isso que me deixa chateada. Mas quem sou eu para falar? A polícia? Não, claro que não. Sou alguém que acompanha com admiração o imenso esforço diário que está por trás de um blog criativo e bem atualizado. Uma coisa eu tenho certeza: blog não é só belezura, é acima de tudo conteúdo, personalidade e originalidade, e isso a gente tem de montão e eu quero levantar a bola para essas pessoas e não ficar apenas dando opinião. Será que me fiz entender?

Gostaria de ver mais e mais personalidades blogueiras em português, mais autoridades se formando e se exibindo na nossa rede, gente vigorosa, gerando opinião, contestando e produzindo conteúdo exclusivo e sensacional. É em português o melhor blog de comida do mundo, o
come-se.
Na minha opinião o come-se é o mais sensacional blog pessoal, individual, de comida no mundo. Já escrevi isto para a Neide diversas vezes.
E por que ela faz o melhor blog de comida do mundo? Porque nenhum outro sabidão gringo, ou metido a sabido, conhece tanto de comida como a Neide. E se conhece tanto quanto ela, jamais será tão generoso, curioso ou capaz de demonstrar respeito e reverenciar outros "comeres", culturas e histórias por amor, como a Neide faz todos os dias. Ela é mais do que uma especialista, é uma apaixonada, formou-se comendo, na cozinha do afeto, na cozinha da história, na cozinha da Brasilândia. Ela não esconde interesses por trás dos textos, ela que não quer te vender nem te empurrrar uma agenda pessoal e está ali para ficar te doutrinando.

Pensei em selecionar as minhas postagens favoritas, mas são todas tão sensacionais que é difícil. Resolvi então deixar o link a
Série sobre Paraibuna. E para as demais partes:
parte 2,
parte 3,
parte 4,
parte 5,
parte 6 e
parte 7. Talvez por eu ser apaixonada por rios e, pelo rio Paraíba do Sul em especial, as postagens sobre o Paraibuna são especiais para mim.
Eu acho que todos nós, brasileiros e portugueses e angolanos e moçambicanos e caboverdianos, temos esse talento da Neide e deveríamos sair por aí apaixonando e provocando, inspirando e criando, de dentro para fora. Porque somos todos deveras apaixonados e temos um mundo lindo para representar.
(refogadinho com gordura de porco)
Gordura de porcoIlustram esta postagem imagens da gordura de porco caseira que preparei com a leva de porcos que consumimos durante as festas de natal, ano novo e aniversários. Nós assamos muito porco, várias partes diferentes, eu aproveitei para remover com todo cuidado e dedicação a gordura que se separa do líquido durante o cozimento. Esta gordura tem sabor forte de porco e foi temperada com muitas folhas de tomilho, muito alho amassado, usados para temperar a carne em si. Não dá para usar em confeitaria, nem para fazer sabão, mas minha gordura de porco ficou aromática e de sabor fantástico. Usei para preparar farofa, caldo para sopas e até mesmo para refogar feijão. O sabor é único.
É tão fácil aproveitar a gordura quando se assa, por exemplo, costela ou carne da barriga do porco (de onde se tira o toucinho) que é desperdício remover a gordura e jogar fora. Ainda mais agora que a gordura de porco está totalmente de volta como alimento saudável que é... Assim, a gordura de porco tem menos gordura saturada do que a manteiga e muito mais sabor dependendo do que você vai usar. Além disso, em tempos de gorduras trans, a gordura de porco é mesmo uma opção muito mais saudável. Além disso não é para o todo dia, é para de vez em quando, para pratos e dias especiais...