quarta-feira, 30 de junho de 2010

Bolo de ruibarbo



Outro dia teve jogo, eu fiz limonada com morangos e como a casa está lotada de ruibarbos fui fazer um bolo que é bem típico norueguês. Como já mencionei, ruibarbo é como mato por aqui, dá em todo canto e em quase todos os jardins. No meu jardim ainda não nasce, mas eu me farto com os ruibarbos que nascem no jardim da casa de uma amiga. Bolo de ruibarbo é um clássico da doceria norueguesa, um bolo simples que pode ser feito invertido, ou não. Eu prefiro fazer este bolo invertido, com os ruibarbos colocados embaixo da massa, depois de desenformado o bolo os ruibarbos ficam na parte de cima do bolo. Eu acho que fica bem mais bonito assim.



Receitas do bolo de ruibarbo norueguês são muito fáceis de achar na internet de língua inglesa e norueguesa, claro. Eu selecionei algumas receitas que achei mais interessante, se alguém se interessar por ver aqui,aqui,aqui e aqui. O bolo ficou uma delícia, o bolo em si ficou um dos melhores que eu já provei e os ruibarbos fizerem um belo par. Não que eu ame ruibarbos, acho um vegetal mais do que agradável, mas nada de especial mesmo. Enfim, disperdiçar é que eu não vou. Se tenho ruibarbos hei de usa-los sempre. Faz parte.

Espero voltar amanhã com um semifrio de ruibarbo e morango maravilhoso que eu fiz para a minha cunhada que estava por aqui na semana passada mas que tive que repetir pois acabou num piscar de olhos...




Bolo norueguês de ruibarbo

3 ou 4 talos de ruibarbo em bastões de 5 a 6 cm (corte do jeito que você preferir)
1 xícara de açúcar + algumas colheres para rolar os ruibarbos
1 xícara de farinha de trigo
200 gramas de manteiga em temperatura ambiente, mas bem molenga + manteiga para untar a forma
3 ovos em temperatura ambiente
180 ml de iogurte natural em temperatura ambiente (desnatado se preferir)
1 colher de chá de extrato natural de baunilha
1 colher de chá de fermento em pó
pitada de sal

Como:

Coloque os ruibarbos num prato e cubra com algumas colheres de açúcar, usei umas quatro. Deixe os ruibarbos marinando no açúcar. Unte uma forma e forre com papel manteiga. Unte o papel com bastante manteiga, mais do que o habitual, você quer uma camada generosa para cozinhar um pouco os ruibarbos. Arranje os ruibarbos na forma forrada e super untada. Coloque por cima o açúcar do prato onde os ruibarbos estiveram marinando. Se houver líquido adicione os líquidos também e adicione mais algumas colheradas de açúcar para que os ruibarbos fiquem cobertos por uma camada fina de açúcar. Reserve.

Pré-aqueça o forno a 180C. Coloque a manteiga e o açúcar num pote grande e usando uma colher de pau ou espátula bata a manteiga com o açúcar até ficar uma massa bem cremosa, adicione os ovos, um a um, e bata vigorosamente com a colher até ficar uma massa aerada. Adicione uma parte da farinha e uma pitada de sal mexa bem até incorporar. Adicione o iogurte e mexa bem, vigorosamente, para incorporar totalmente. Adicione então a segunda parte da farinha e mexa bem. Adicione a baunilha e por fim o fermento em pó. Eu tenho o hábito de adicionar o fermento sempre no final, hábito que herdei da minha mãe que sempre adiciona o fermento em separado e no final. Enfim, adicione o fermento do jeito que preferir, faz pouquíssima diferença no produto final.

Transfira a massa para a forma preparada e coloque-a sobre a base de ruibarbos. Asse por 40 minutos a 180C ou até que um palito saia seco...

Obs. Eu adoro fazer bolos a mão usando apenas uma colher de pau, mas use batedeira se preferir. Se usar a batedeira cuidado para não bater demais a massa!

domingo, 27 de junho de 2010

Até parece verão...




Aqui no meu jardim as coisas não são exatamente o que parecem ser. Por isso, não se deixe enganar pelo azul da fotos. Olhando para a baía, que se alonga diante das nossas janelas, parece que é verão. Fez sol, o dia foi lindo, mas fazia frio e a sombra da memória era um lugar impossível de viver, um dia explico isto. A falta de calor me deixa bem desanimada e pouco tenho saído da toca. Se for pensar numa cor emblemática deste momento eu escolheria lilás e naturalmente a canção vem à cabeça. Nossas liláses floriram com paixão, acho que só para me agradar. Gosto de pensar que elas floriram para mim. Eu as amo imensamente. Quando mudamos para cá haviam três árvores de liláses, hoje são seis, duas imensas, as principais árvores do nosso jardim.



No final de semana fomos à Suécia já que uma das irmãs do Per, que mora em Oslo, veio visitar e fomos todos para o chalé da outra irmã nas montanhas para pescar (sic). Åre, onde o chalé está localizado, fica nas montanhas bem aqui pertinho, exatamente uma hora daqui de casa, mas lá já é Suécia. Chovia muito e fazia um frio horripilante. Voltei para a casa pensando em Alagoas, Estado que eu amo tanto e mais uma canção do Djavan me vem a cabeça. Uma dor imensa no meu coração ao ver as imagens em União dos Palmares. Agora é brigar que o modelo da reconstrução desses municípios seja um pouco menos cruel do que o atual. Será que este inverno não vai acabar nunca?



A irmã viajante do Per decidiu encurtar a viagem e voltou para casa mais cedo. Apesar do frio indigesto a viagem à Suécia foi linda e é uma pena que tenha chovido tanto e eu não tive coragem de sair para fotografar o vale do rio Stjørdal. O leito do rio estava "infestado" de pescadores ansiosos e suas vans imensas. O vale do rio Stjørdal corre ao longo de 50km da estrada que liga a Noruega e a Suécia, é um dos cinco principais rios para a pesca do salmão na Noruega, um dos privilegiados endereços de salmão selvagem no mundo.




A temporada de pesca começou e a abundância de chuvas ajuda a pesca em alguns rios da região de Trøndelag, onde vivemos. As pequenas estradas da região, em geral desertas e bucólicas, estão repletas de trailers e vans de pescadores que vem da Europa toda. Eu fico na dúvida sobre o que pensar, não sei se gosto. Eles pagam caro pela licença de pesca. Em geral alemães, franceses e russos são os pescadores mais fanáticos, passam o verão acampados nas cercanias dos rios noruegueses. É muito interessante a saga do salmão selvagem, suas várias idas e vindas do rio para o mar, a aventura definitiva rio acima para reproduzir no mesmo rio onde nasceu. Quando a gente pára para pensar fica claríssimo o dilema pesado ao redor das fazendas de peixe.

Taí mais um assunto para a lista dos assunto que eu estou devendo: as fazendas assassinas de salmão...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cenas dos próximos capítulos...



A cozinha anda a todo vapor por aqui desde que as férias escolares começaram. Muitas são as postagens em processo, pré-começadas e a caminho. Chove lá fora, faz frio, o verão insiste em dar espaço para um segundo inverno se insinuar... Frutas e flores sofrendo imensamente com a confusão que chega junto com o frio excessivo para um mês de junho. Ao que tudo indica elas vão atrasar mais do que as anunciadas duas semanas, a demora para frutificar e florescer faz deste um lugar muito triste. Por hora tudo é decepção.

Mas é nesta hora que o mundo globalizado faz algum sentido, quando podemos ver que há um lado bom na globalização: quando os alimentos que abundam em distantes e ensolaradas nações chegam para matar a fome das famintas e nos salvar da mingua, nós tristes almas deste norte nublado...

O pôr do sol vai renovar, brilhar de novo o teu sorriso e libertar
Da areia preta e do arco íris cor de sangue,
O beijo meu, vem com melado decorado cor de rosa...
O senho seu, vem dos lugares mais distantes, terra dos gigantes,
Super homem, super mosca, super carioca, super eu...
Super eu
Deixa tudo em forma é melhor não ser,
Não tem mais perigo, digo, já nem sei
Ele está comigo, o sol, o som, não sei
o sol não adivinha que baby é magrelinha
No coração do Brasil,
No coração do Brasil,
No coração do Brasil...


(Luiz Melodia - versão original)


Todas as vezes que eu escrevo eu tenho uma canção na cabeça...

domingo, 20 de junho de 2010

Pastel de nata de chocolate...




Porque hoje é domingo, porque fez sol (mas nem por isso fez calor), porque eu estava feliz, porque a minha geladeira estava cheia de massa folheada que eu fiz ontem, porque eu amo pastel de natas, eu decidi fazer estes pastéis de nata de chocolate para evento da Ana Khadija do blog Eu Mulher. Foi a primeira vez que eu fiz pastel de nata em versão chocolate e, para ser honesta, eu achei esta versão ainda melhor do que a tradicional. A crianças enlouqueceram, sério!



Pastel de nata é um dos meus doces favoritos, e doce favorito do meu pai também. Faz todo sentido eu amar pastel de natas já que eu sou uma apaixonada por creme e pudins de gemas e nada mais natural. Mas um pastel de nata de chocolate com massa folheada feita por mim e chocolate amargo com 60% de cacau ficou realmente muito especial. Está na dúvida? Faça e confira você mesma. Eu não recomendo massa folheada comprada pronta nem para o meu pior inimigo, mas se você gosta, use. Se puder faça você mesma a sua massa folheada e aqui eu tenho uma receita bem simples e rápida ...




A textura do recheio ficou do jeito que eu gosto, bem cremosinha por dentro, nada seca e a massa cozinhou no ponto exato, nem a mais, nem de menos, apesar de ter ficado apenas levemente dourada ficou crocante e esfarelenta como deve ser. O único problema que eu tive é que ainda não consegui achar a espessura ideal da massa. A última vez que fiz pastel de nada eu achei que a massa ficou fina demais e por isso quebrou com facilidade. Como a massa deve ser enrolada, fatiada e cada fatia depois deve aberta as camadas de massa vão quebrar com mais facilidade depois de assadas se estiverem finas demais. Por isto, desta vez eu cortei a maior parte das fatias mais grossas mas achei que o resultado final ficou um pouco grosso demais, mas fica melhor do que fino demais...




Pastel de nata de chocolate


400 gramas de massa folheada caseira
200 ml de creme de leite (natas)
200 ml de leite (usei desnatado)
100 gramas de açúcar
4 gemas
2 colheres de sopa rasas de amido de mandioca, use amido de milho se preferir
1 colher de chá de extrato de baunilha
80 gramas de chocolate meio amargo (usei com 60% de cacau)

Como:

Primeiro prepare o creme de chocolate e deixe esfriar levemente enquanto você prepara a massa para forrar as forminhas.

Coloque as gemas, o açúcar e o amido numa panela de fundo grosso. Usando um fouet ou uma colher de pau bata os ovos com o açúcar e o amido para incorporar sem deixar fomar pelotas. Adicione o creme de leite e mexa bem para incorporar. Por fim adicione o leite e mexa um pouco mais. Leve a panela ao fogo médio e, mexendo o tempo para não deixar queimar no fundo, deixe que a mistura ferva até engrossar. Assim que a mistura ferver e começar a engrossar retire do fogo e adicione o chocolate picado à mistura quente e mexa vigorosamente para que a mistura derreta o chocolate. Mexa virando de baixo para cima e depois de cima para baixo para ter certeza que todo o chocolate foi derretido, que não há pedaços e que a mistura está homogênea, sem nenhuma parte do creme de baunilha por baixo. Adicione o extrato de baunilha e mexa mais um pouco. Quando o creme de chocolate ficar totalmente homogêneo deixe esfriar.

Unte 12 formas de empada ou de muffin e reserve. Abra a massa folheada até formar um retângulo com cerca de 50X30cm e com cerca de meio centimetro de espessura. Divida a massa ao meio em duas partes iguais. Coloque uma parte em cima de outra e enrole as duas massas até formar uma torinha com 4 a 5cm de diâmetro. Corte fatias com cerca 1 cm de espessura da tora de massa e abra cada uma delas até formar um círculo com cerca de 10 a 12 cm de diâmetro. Coloque o círculo dentro da forma, deixando uma borda de massa para fora da forma. A massa vai encolher e o recheio vai inchar durante o cozimento e por isso é bom deixar uma margem para fora mesmo.

Asse por 15 a 20 minutos em forno prée-aquecido a 190C ou até que as bordas e a cobertura comecem a ficar dourandas.

Rende 12 unidades


As fatias de massa antes de serem abertas...


As fatias de massa depois de abertas e já colocadas nas forminhas...

Encha a forma com o creme de chocolate mas não encha demais, encha mais ou menos 2/3 da capacidade da forma pois o recheio vai borbulhar e inflar e se estiver cheio demais vai transbordar recheio para for adas forminhas. O problema de transbordar é que além de não ficar um resultado muito bonito ele ainda gruda na forma e dificulta na hora de retirar pastéis sem quebrar.



Deixe os pastéis esfriarem um pouco antes de remover das forminhas e deixe-os esfriar totalmente antes de servir eu não gosto de pastel de nata quente, acho que fica bem mais gostoso frio...


O recheio de alguns pastéis transbordaram um pouquinho durante o cozimento, apesar do meu cuidado para evitar isso, mas não foi muito e deu para remover os pastéis das forminhas sem problema, mas no fim o pastel fica com uma "linguinha" de recheio transbordado pendurada para fora...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bolinhos de arroz, ou melhor, laranjinhas de arroz...



A minha casa é uma casa bem brasileira, de brasileiros no exílio, mas brasileiros típicos. Isto significa que no nosso cardápio tem que ter arroz sempre. Sempre. Mesmo quando o arroz não foi feito naquele dia, há de haver sobras na geladeira para esquentar e servir no dia seguinte mesmo que o prato principal do dia seguinte seja de outra natureza. E mesmo quando não há feijão, o arroz é um prato básico aqui em casa e sempre sobra.

Faço também muitos risotos, principalmente risoto a brasileira como eu gosto de chamar, que nada mais é do que arroz basmati, pois aqui não há arroz agulhinha, "estufado", ou seja reforçado com diferentes tipos de vegetais e até carnes. O "risoto brasileira" fica melhor se feito com o arroz no dia seguinte, quando o arroz está mais seco e dá para refogar um monte de coisas diferentes e depois adicionar o arroz e fazer um senhor arroz estufado.



Mas eu também faço regularmente risoto a italiana, com vinho, caldos e na manteiga, usando um tipo de arroz mais grudento. Normalmente uso um similar do arroz arbório que aqui é vendido para fazer mingau e que na minha opinião é de melhor qualidade do que o arroz italiano vendido por aqui. Outro dia fiz um risoto a italiana com cenoura e queijo e sobrou muito, mas muito mesmo, mais do que o esperado. O "risoto" a brasileira quando sobre esquento e comemos até acabar, já com o risoto a italiana a coisa muda de figura pois não é possível comer as sobras. Tudo o que resta a fazer com as sobras de risoto feito com arroz de grão curto são bolinhos de arroz.

Bolinho de arroz de risoto é um prato típico em diversas regiões da Itália, mas acho que o mais conhecido deles é a versão siciliana que é chamada de Arancini, i.e. arancino e quer dizer "laranjinhas". Os bolinhos são chamados de laranjinhas por se parecerem com pequenas laranjas depois de prontos. Uma graça, não? As "laranjinhas" sicilianas, ou melhor, os arancini são normalmente recheados com muzzarella.




Eu confesso que como brasileira e carioca eu amo bolinhos e fritinhos em geral, salgadinhos e aperitivos de todos os tipos. Eu amo aqueles aperitivinhos típicos de boteco do Rio de Janeiro, entradinhas de restaurante na beira da praia. Desde croquetes e pastéis de todos os tipos, destaque para os pastéis de camarão de Grumari até a mais simples esfiha de queijo ou um vagabundo bolinho feito de falso-bacalhau.

Quando estive em São Paulo em fevereiro fui encontrar algumas amigas no Ritz e nos enchemos de bolinhos de arroz. E no Rio de Janeiro fui ao Bracarense para traçar uns bolinhos de mandioca recheados. Além dos muitos pastéis, esfihas, bolinhos de bacalhau e croquetes de camarão que eu belisquei em diversos cantos das duas cidades.



Eu não pego pesado nas frituras. Faço muito pouco e quando como mais é porque estou no Brasil. Nunca como fritura na rua por aqui pois a oferta é bem mais retrista e exatamente por isso não sinto a menor culpa de fritar umas "laranjinhas de arroz" para a moçada. As laranjinhas de hoje, ou melhor, os bolinhos de arroz foram recheados com cubos de muzzarella passados no orégano que depois de enrolados foram rolados na farinha de trigo, passados no ovo e então na farinha de rosca feita em casa.

Os bolinhos foram fritos em óleo de girassol, meu óleo favorito para frituras deste gênero. Lembre-se que no Brasil todos os óleos de colza (i.e. canola), soja e milho distribuídos nos grandes mercados já são transgênicos e o óleo mais seguro, saudável e não transgênico é o de girassol. Aqui eu compro um óleo de girassol orgânico que é mais caro do que azeite de oliva, o custo alto do óleo bom ajuda na hora de não fazer muitas frituras.



Infelizmente, a receita de hoje é bem mambembe. Não há medidas exatas, ou seja, veja quanta sobra você tem e adicione os demais ingredientes a medida do necessário. Basta cortar uns cubos de muzzarella ou outro queijo qualquer, passe no oréganos, faça bolinhas de arroz, abra um buraco na bolinha, coloque o cubo de queijo, feche a bolinha, enrole bem com as mãos. Passe as bolinhas na farinha de trigo, depois no ovo batido e temperado e por fim na farinha de rosca. Deixe esfriar um tempo na geladeira antes de fritar em óleo bem quente!



Bolinhos de arroz

300 gramas de sobras de risoto
1 ovo
muzzarella em cubos
orégano a gosto
farinha de rosca quanto baste
farinha de trigo quanto baste
sal e pimenta do reino a gosto


Como:

Corte cubinhos de muzzarella usando uma colher de chá retire quantidades pequenas de arroz, enrole até formar uma bola, enfie o dedo fazendo um furo na bola, coloque um pedaço de muzzarella passada no orégano, feche a bolinha de arroz. Role as bolinhas na farinha de trigo até ficarem com uma camadinha bem fina de farinha, passe no ovo batido e temperado com sal e pimenta e depois na farinha de rosca. Leve para gelar por 10 a 15 minutos e frite em óleo de girassol bem quente. Eu gosto de servir os bolinhos acompanhados por um potinho de molho de tomate apimentadinho para mergulhar os bolinhos nas hora de comer...



Arancini a brasileira...

domingo, 13 de junho de 2010

Cantalupe potiguar...



Eles estão sempre tão lindos e saborosos que eu precisava abrir um espaço para mostrar e falar desta belezura potiguar ... Principalmnete nesta época do ano quando os cantalupes potiguares ficam mais raros e mais difíceis de achar. É nesta época do ano que a produção espanhola chega por aqui arrebentando e toma de assalto as bancas de frutas de toda a região...



Eu não compro melão espanhol por vários motivos, o principal deles pelo prazer que me dá imaginar os melões sendo plantados, colhidos e embarcados por mãos potiguares que os enviam de Mossoró para mim. Gosto da fantasia que acompanha a fruta que viaja longas distâncias para alimentar a minha alma faminta, aqui, neste norte frio e de biodiversidade tão limitada. Além disso, algumas espécies de melões espanhóis se tornaram um mero mostruário das sementes transgênicas da Syngenta.



Não que os melões do Brasil estejam totalmente livres das sementes transgênicas, não, infelizmente não. As sementes trangênicas de melão entraram no Brasil em 2006 mas permanecem restritas as lavouras voltadas para a exportação que administradas por empresas holandesas em pleno sertão potiguar.

A Noruega se esforça para manter todos os tipos de alimentos transgênicos, exceto os produtos industriais que devem ser rotulados, fora dos limites de seu território, mas a diretoria de segurança alimentar deste país dificilmente dá conta de averiguar todos os produtos agrícolas que entram no país. Lembro de um "recall" de um arroz canadense transgênico que foi recolhido não faz muito tempo e da multa alta dada à empresa que usou de má fé para introduzir o tal arroz. Enfim, enquanto eu posso, eu fujo da Syngenta, da Monsanto e de todas as outras empresas que estão transformando as fazendas em fábricas...

sábado, 12 de junho de 2010

Com as (rui)barbas de molho....



Eu tenho uma amiga muito querida aqui em Trondheim, uma mexicana, que como eu veio para o exílio no barco do amor. Minha amiga está terminando a escola de culinária e acabou de voltar de um estágio na Espanha de onde me trouxe uns presente muito especiais. Entre outras coisitas não comestíveis eu ganhei uma lata de páprica defumada e torinhas de chouriço espanhol. Eu fui visita-la enquanto nossas crianças estavam na escola, tomar café, ouvir as novidades de sua estada na Espanha e voltei para casa carregada de delícias. Além da páprica defumada e do chouriço eu ainda trouxe para casa um imenso bouquet de ruibarbos ( ruibarbos escritos com "O", claro, perdoem-me pelo trocadilho do título) colhidos no jardim da casa da minha amiga...




Minha amiga mexicana é uma cozinheira entusiasmada, apaixonada pela cozinha do oriente médio, mas detesta ruibarbos, não os entende. O mais curioso é que essa mesma amiga não pode ver um vaso com cactus num canto qualquer que, na mesma hora, sente uma vontade imensa de comer cactus. Os ruibarbos do imenso arbusto que cresce livre todos os anos no jardim da casa dessa amiga, devoradora de cactus, morriam de velho todos os anos até que um dia eu, e nossa amiga japonesa, aquela mesma que me traz farelos e pós de peixe de Tóquio, resolvemos intervir e salvar os ruibarbos do abandono. Agora, todos os verões, nós duas fazemos a festa nos últimos anos, sob nossa influencia, nossa amiga mexicana já usa o ruibarbo no trabalho, mas ainda não conseguiu aceitar esse vegetal totalmente em casa.




Eu fui doutrinada na filosofia do ruibarbo ao longo dos anos, aos poucos e não foi de uma hora para outra que achei graça naqueles talos cor de rosa. Durante muito tempo achei que o uso do ruibarbo deveria ficar restrito aos chás e fitoterápicos. Aprendi a gostar de chá de ruibarbo com uma ex-chefe, durante minha passagem pelo jornal Valor Econômico. Minha chefe, uma gaúcha de origem alemã, e uma senhora bon vivant me apresentou e conseguiu me deixar dependente do chá de ruibarbo que ela bebia nas tardes frias de São Paulo. Ela bebia (bem, ainda bebe) chá todos os dias e eu então passei a tomar chá de ruibarbo com baunilha todas as tardes na redação do Valor Econômico.




Naquela época eu voltava da licença maternidade, já tinha tido bebê mas o enjôo de café trazido pela gestação ainda não tinha passado e eu me jogava no chá de ruibarbo que minha chefe trazia de uma loja de chás no shopping Iguatemi. Será que ainda existe essa loja? Depois que mudei para cá, em função da abundância de ruibarbos, comecei cozinhar com eles com bastante frequência. Gosto de fazer geléia e gelatina de ruibarbo e aprecio bastante os resultados. A gelatina, como todas as gelatinas feitas em casa, fica uma maravilha e as crianças adoram comer com iogurte de baunilha e morangos picados. O sabor da gelatina de ruibarbo é de fato único, uma mistura de sabores conhecidos com um sabor de fundo totalmente desconhecido. Eu diria que é uma mistura de salsão com maça, morango, cerejas e casca de maracujá roxo.




O ruibarbo é um "arbustinho" lindo, com folhas imensas de um verdes profundo que parecem couves mas que não podem ser consumidas por conterem ácido oxálico uma substância altamente tóxica. As raízes do ruibarbo também são tóxicas. Do ruibarbo só devem ser consumidos os talos de forte perfume mas intenso sabor azedo. Os talos tem um cor vermelha linda e a gelatina de ruibarbo adquire uma cor de rosa linda, enquanto a polpa perde a cor depois que o suco é drenado, mas o sabor permanece intenso. A polpa cozida e adoçada pode ser usada para compotas, tortas, geléias e outras finalidades enquanto o líquido é usado na gelatina.





Gelatina de ruibarbo

1 kg de talos de ruibarbo sem folhas, lavados e cortados em rodelas
450 gramas de açúcar
200 ml de água + 100 ml para dissolver a gelatina
4 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor


Como:

Coloque o ruibarbo lavado e fatiado numa tigela, adicione o açúcar e misture bem para espalhar o açúcar em todos os pedaços. Adicione a água, mexa um pouco mais. Transfira tudo para um tabuleiro refratário e leve ao forno pré-aquecido a 180C por cerca de 30 minutos ou até que os ruibarbos estejam bem macios. Deixe esfriar e passe o conteúdo pela peneira para um jarra medidora. Confira a quantidade de líquido antes de definir a quantidade de gelatina (ou agar agar) a ser usado. Eu uso 1 colher de chá de gelatina em pó para cada 200-250 ml de líquido, mas eu não gosto de gelatinas duras demais, gosto que elas fiquem meio molengas, balançando depois de desenformadas. Como eu obtive 900 ml de líquido eu usei 4 colheres de chá. Se fosse usar folhas usaria umas 4 a 5 folhas. Se você estiver insegura confira as instruções do seu fabricante de gelatina.

Coloque cerca de 100ml de água fria numa xícara, salpique a gelatina e deixe o pó amolecer e crescer por uns cinco minutos. Enquanto isso ferva metade do suco de ruibarbo drenado até ferver, retire do fogo e adicione a gelatina amolecida em água fria e mexa vigorosamente até que a gelatina derreta totalmente. Misture o suco fervido com a gelatina ao restante do suco frio e misture para incorporar. Divida o líquido em potinhos de vidro ou taças, deixe esfriar e leve para gelar.

Rende de 6 a 8 porções de gelatina.

Obs. Desta vez eu não desenformei as gelatinas, coloquei-as para gelar em potes de vidro com tampa. Na hora de servir adicionei uma bela colherada de iogurte de baunilha com baixo teor de gordura e servi com morangos picados para as crianças. Eu e Per comemos a nossa gelatina com parte da compota de ruibarbo que depois foi usada na torta de ruibarbo e maça.





Torta de Maça e Ruibarbos


Massa:

Receita reduzida de receita original do Olivier Anquier, para conferir receita original clique aqui:

250 gramas de farinha de trigo
100 gramas de manteiga fria (com ou sem sal, use o tipo que preferir)
uma pitada de sal
35 gramas de açúcar
75 ml de leite

Recheio:

500 gramas de compota de ruibarbo e maça


Como:

Numa tigela misture a farinha, o sal e o açúcar. Pique a manteiga ainda fria, mas não super dura, em cubos pequenos e adicione a mistura de farinha. Usando a ponta dos dedos misture bem com amassando os cubos de manteiga até formar uma massa esfarelada, como farofa. Adicione o leite frio, aos poucos, mexendo até formar uma massa homogênea, super macia. Enrole num filme plástico ou coloque num saco e leve a geladeira por meia hora. Na hora de assar abra a massa até forma um circulo com diâmetro de cerca de 30 a 35 cm com 2 a 3 mm de espessura. Coloque a massa numa forma grande forrada com papel manteiga. Coloque o recheio, a compota de maças e ruibarbo, no centro da massa, usando uma espátula para nivelar o recheio. Deixando uma borda de massa, com cerca de 5 cm, sem recheio. Dobre a borda tendo o cuidado para formar algumas pregas nas curvas para manter o círculo da torta. Leve para assar por cerca de 25 a 30 minutos ou até que a massa esteja cozida e levemente dourada.

Serve 6 a 8 pessoas





Compota de ruibarbos e maça


600 gramas de polpa de ruibarbo fria mas cozida em água e açúcar
4 maças grandes descascadas e picadas
4 colheres de sopa de açúcar de baunilha
3 colheres de sopa de água

Como:

Numa panela pequena de fundo grosso coloque as maças picadas, o açúcar e a água e deixe as maças cozinharesm até ficarem macias. Adicione a polpa de ruibarbo já cozida a polpa de maça, aos poucos, mexendo suavemente para incoporar as polpas sem amassa-las demais. Quando a mistura começar a ferver abaixe o fogo e deixe cozinhar por cerca de 3 a 5 minutos. Retire do fogo e deixe esfriar. Coma com queijo, torradas ou use como recheio para uma torta tipo galette.