quarta-feira, 31 de março de 2010

Amarelo ovo, amarelo páscoa...



Eu já falei que amo a Páscoa, uma data que se infiltrou na minha memória infanto-juvenil pelo simples fato de acontecer por volta do dia meu de aniversário já que meu aniversário acontece ou nas redondezas da Páscoa ou durante a Páscoa em si. Eu adoro a estética dos ovos coloridos, dos coelhos de Páscoa e dos chocolates. Além disso, vou confessar, eu sou coelho no horóscopo chinês e sou mãe de uma outra coelha, mais motivos para eu gostar da Páscoa. Como muitos eu ignoro totalmente o sentido religioso por trás de datas como essa e acho muita graça nas transformações pelas quais uma celebração precisa passar para fazer sentido para romanos, gregos e troianos.



Aqui, no teto do planeta, a celebração da páscoa é um feriadão que dura 10 dias, sim, são 10 dias de dolce far niente para a grande maioria das pessoas. Até a segunda-feira depois do domingo de Páscoa é feriado, uma coisa maravilhosa por sinal. Amo feriados as segundas. Outra curiosidade norueguesa é o amarelo Páscoa, porque a Páscoa aqui é amarela. Tudo é amarelo, toda a decoração, pacotes, flores, velas, doces, tudo deve ser amarelo. E o mais engraçado de tudo é que ao invés do coelho eles celebram a galinha. Esses nórdicos são muito engraçados.


Eu detesto amarelo, detesto muito a cor amarela e nunca uso amarelo em nada, muito menos na Páscoa. Regras, em geral, eu desobedeço, esta então. Mas ganhei mais flores esta semana, tulipas amarelas, a flor mais tradicional da Páscoa norueguesa e elas estão linda, muito lindas. Ficaram lindas com o meu pudim de baunilha e ovos. Ovos, voltarei a falar sobre eles, e sobre colesterol e gorduras saturadas, mas só depois que a semana da Páscoa passar...



Pudim de baunilha e ovos de sempre



1 litro de leite desnatado
150 gramas de açúcar
raspas de uma fava de baunilha
4 ovos
4 gemas (use as claras para fazer um merengue!)

Como:

Separe 6 a 8 formas refratárias individuais do tipo ramequins. Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água numa panelinha. Em outra panela, de fundo grosso, coloque o leite, adicione as raspas da fava de baunilha e deixe cozinhar em fogo médio até fever, mas mexa o tempo todo para evitar que a mistura grude na panela ou que queime. Quando ferver desligue o fogo. Num pote grande bata as gemas e os ovos com o açúcar usando um batedor de mão (fouet). Adicione então, lentamente, o leite fervido aos ovos batidos e misture vigorosamente, sem parar, até incorporar totalmente a mistura de leite e temperar os ovos batidos com açúcar e, desse modo, evitar que talhem.

Divida a mistura nas formas individuais refratárias reservadas. Se houver espuma retire com uma colher. Coloque as forminhas num tabuleiro grande e encha o tabuleiro com a água fervida, ainda quente, enchendo até metade da altura dos potinhos/formas. Leve ao forno pré-aquecido a 180C e asse por 30 minutos, ou até que assentem. Retire do forno e deixe esfriar antes de levar à geladeira e deixe gelar por umas quatro horas antes de servir. O ideal é servir o pudim gelado.

Pode ser desenformado com facilidade se for adicionada uma calda de caramelo ao fundo das forminhas. Também pode ser servido com caldas diversas. Você também pode adicionar açúcar ao topo do pudim e caramelizar com um maçarico e vai virar um creme brulê.

Como já falei, eu não gosto de creme brulê feito com creme de leite e prefiro aqueles feitos com leite e ovos apenas e acho que esta receita produz um creme brulê leve e fantástico por causa do sabor intenso da baunilha.



E esta semana eu ainda fiz uns bombons e ovinhos de marzipã e pasta gianduia ( o que por aqui é chamado de blød nougat) e eles ficaram super bons, mas bons mesmo. Usei uma receita dinamarquesa muito simples para fazer aquele bombom Mozart e o resultado ficou razoavelmente parecido com o original mesmo. É que eu fiz diferente e misturei farinha de pistache (que eu mesma triturei) e uma colher de licor Disaronno ao marzipã e ficou muito parecido com bombom original que é parcialmente verde por dentro. Resolvi adicionar aqui o link para o vídeo ensinando a fazer o bombon Mozart mas, por favor, não se assuste com a língua que o sujeito fala. Concentre-se nas imagens do vídeo que dá para entender tudo ao ver ele fazer....




Quem não entendeu nada do vídeo pode dar uma olhadinha nas fotos da minha colagem e ficar ainda mais confusa... Risos... Para quem entendeu o importante é frisar que os bombonzinhos levam dois banhos de chocolate. A primeira cobertura ele pincela com as mãos e da segunda ele mergulha no chocolate, mas não aparece no vídeo pois ele apenas fala que precisam levar dois banhos e que você pode mergulhar as bolinhas no chocolate derretido... Aqui você pode ler um pouco da história do bombon Mozart



O problema todo é fazer o marzipã cru, que não é difícil mas requer uma certa disposição para pelar amêndoas e processar com açúcar e claras de ovo até atingir a consistência ideal. Eu deixo uns dias secando enrolado. Já a "pasta gianduia pura" nada mais é do que uma densa "manteiga" de avelã levemente adocicada que eu ainda não consegui clonar e, por isso, compro pronta. Tive a péssima idéia de adicionar pistaches moídos ao chocolate ainda mole e o problema é que os pistaches começaram a cair e esfarelaram os bombons todos dando uma aparência meio "suja" aos bombons. Eu recomendo não adicionar nada que possa ficar caindo depois...




Eu tentei fazer ovinhos de marzipã mas não fui capaz de moldar os ovos com as mãos, eles pareciam umas coxinhas de galinha... ou uns croquetes. Mas fiz uns sete ou oito. Não costumo ter paciência para fazer muitos bombons, em geral faço uma quantidade pequena pois o processo todo pode ser extremamente cansativo, mas sempre vale a pena fazer uns 20 ou 30 bombonzinhos e servir de surpresa depois do jantar. Mergulhei os bombons em chocolate amargo com apenas 50% de cacau, um chocolate muito suave da marca norueguesa Freia que é meu favorito no momento.

domingo, 28 de março de 2010

Merengue com frutas de uma outra estação...



Uma amiga querida que também mora aqui em Trondheim, mas acabou de chegar de Natal, no Rio Grande do Norte, ligou hoje cedo para dizer que iria passar aqui em casa hoje para nos ver. Eu queria fazer algo para servir para eles, que adoram uma sobremesa, mas estava sem muita inspiração. Acabei salva por um pote com quatro claras que haviam sobrado de um pudim de baunilha que servi ontem, e que deveria ter sido a postagem de hoje mas que foi engavetada... Com claras nada pode ser mais fácil e rápido do que um merengue, ou como chamam pela aí, Pavlova. Para acompanhar nada de frutas frescas, mas frutas colhidas no último verão e devidamente congeladas até hoje...



Usei as frutas congeladas e elas ficaram lindas e deliciosas. E o fato é que eu não tinha em casa nenhuma fruta fresca que me apetecesse servir com suspiro e creme de chantilly. Laranjas, bananas, melões, maças e kiwis não iriam agradar e era isso o que eu tinha. Já no freezer eu ainda tinha um último e imenso pote com mirtilos selvagens colhidos no final do verão. Os mirtilos já estavão pedindo por favor para serem consumidos já que, dá última vez que os provei puros já achei que estavam meio sem gosto... O fato é que em função do excesso acabamos colhendo demais e congelando frutas demais. Acho que este ano congelamos mais de 20kg de mirtilos, foram potes e mais potes. Este foi o último pote a ser colhido e congelado, foi colhido em setembro...



Merengue com frutas de uma outra estação


4 claras (cerca de 120 gramas)
250 gramas de açúcar (no meu merengue/suspiro perfeito o açúcar adicionado deve pesar duas vezes a medida das claras, ou um pouquinho mais)
1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de polvilho de mandioca
raspas de um limão verde (opcional)

para o chantilly

300ml de creme de leite fresco
1 a 2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de extrato de baunilha (opcional)

Como:

Aqueça o forno a 160C. Bata as claras em neve, quando as claras estiverem no ponto adicione o açúcar, aos poucos e continue batendo até formar um suspiro/merengue bem duro. Adicione então o polvilho, o vinagre e as raspas de limão e mexer com uma colher de metal ou de pau para incorporar. Forre uma forma com papel manteiga e transfira a massa para a forma formando um grande círculo de suspiro. Nivele com a colher, ou espátula e coloque no forno. Na hora que colocar no forno reduza a temperatura para 140C. Deixe assar por uma hora a uma hora e meia, dependendo do teu forno pode demorar um pouco mais, ou até que forme uma casca dura por fora mas por dentro ainda esteja macio. Desligue o forno e deixe esfriar dentro do forno. Deixe esfriar antes de decorar. Na hora de decorar bata o creme de leite com o açúcar e a baunilha até formar um chantilly duro. Coloque o creme por sobre o suspiro formando uma camada grosso. Decore com frutas ou raspas de chocolate.

Serve 6 a 8 pessoas



As frutas congeladas demoram para acabar porque não dá para comer só mirtilos. E nós ainda tínhamos montes de framboesas do jardim congeladas e por isso eu usei as duas frutas para cobrir o merengue. As frutas estavam lindas pois eu as congelo com muito cuidado para não amassar nenhuma fruta. Coloco as frutas sempre em potes, nunca em sacos, e eles ficam perfeitas, lindas, inteiras. As framboesas estavam tão perfeitinhas, inteirinhas que não dava para dizer que estiveram congeladas por seis meses!



As framboesas colhidas no nosso jardim finalmente acabaram, além de usa-las no merengue eu fiz mais um potão de geléia. Mas ainda há mirtilos, o potão inteiro da foto, que vão viram vitaminas, sucos e sorvetes e olha que eu fiz muita geléia com eles este ano. Dei vários potes de presente e, mesmo assim, parece o milagre dos mirtilos, a fruta não se esgota nunca...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Coração feito de doce de castanhas...



Meus queridos e queridas aqui estou eu. Voltei, estou voltando, devagarzinho, ainda me arrastando um pouquinho. O peito ainda dói muito, vai doer para sempre, mas ando louca de vontade de voltar para o blog. A saudade do blog é grande e tudo isso graça aos comentários gentis e carinhosos de vocês. Sem o apoio que recebi de vocês eu estaria afundada na cama até agora e sabe que, desde que voltei do Brasil, que não fiz muito além de afundar na cama e me debulhar. O inverno infeliz que infesta este país nórdico, e que insiste em durar, dificulta as coisas ainda mais. Haja bom humor para aguentar este tempinho desgraçado. Mas felizmente uma semana longa de feriado nos aguarda e eu vou curtir a Páscoa como se fosse a última...



Tinha planejado apresentar uns bombonzinhos, ou ovinhos de marzipã, mas não consegui. Quem sabe antes do final da semana eu não volto com eles. Hoje eu mostro uns bolinhos cremosos de doce de castanha que eu fiz com uma lata de doce de castanhas que ganhei de uma amiga querida. Ela me trouxe o doce de castanha da França pois sabe que eu adoro. Ao invés de comer com a colher usei para fazer este bolinho, uma espécie de fondant, bolo cremoso quase sem farinha e desta vez totalmente sem glúten já que eu usei amido de mandioca (polvilho) na massa. Estou abandonando sempre que posso a farinha de trigo e para sempre o amido de milho que é super transgênico... Nada mais transgênico nos dias de hoje do que milho. Se você não estiver certa quanto a origem do seu fubázinho, melhor deixa-lo de lado.




Bolo cremoso de castanhas

500 gramas de doce de castanhas adoçado (uma lata)
4 ovos separados em temperatura ambiente
100 gramas de manteiga derretida
1 colher de chá de extrato natural de baunilha
2 colheres de sopa de amido de mandioca (polvilho doce)

Como:

Unte 12 forminhas ou uma forma redonda com cerca de 20cm e salpique farinha. Num pote coloque o creme de castanhas, as gemas e o polvilho e com uma colher de pau misture bem para incorporar. Adicione a manteiga e a baunilha e mexa até incorporar totalmente a manteiga. Bata as claras em neve e adicione-as a misture de castanhas mexendo suavemente, de baixo para cima, com uma espátula. Evite mexer demais para a mistura não perder ar. Coloque a massa nas forminhas preparadas e asse por 20 minutos em forno pré-aquecido a 180C.

Se usar uma forma grande o tempo de forno deverá ser maior.

Deixe esfriar antes de desenformar e sirca com uma camadinha de açúcar de baunilha e uma colher de iogurte natural.

Rende 12 a 15 bolinhos (depende do tamanho das forminhas)




Estela estava super animada para servir o bolo e fez questão de preparar o prato dela e depois pediu para que eu fotografasse. Ela escolheu um quadradinho, salpicou com mais açúcar, um tanto de iogurte e colocou umas uvas para decorar. Ela já estava comendo as uvas e aproveitou para usa-las na produção. Depois do bolo saímos pois ela tinha uma partida de handball para jogar.


domingo, 14 de março de 2010

Em cacos...


Certas canções colam na gente, falam ao nosso estado de espírito e nos ajudam a fazer sentido da nossa dor e de nossas perdas. Muito comum canções servirem de tema para histórias de amor felizes, ou não, mas também para perdas de outras naturezas. Já faz tempo, mas me lembro como se fosse ontem, meu pai tinha acabado de perder o pai (meu avô) e ficava ouvindo sem parar e repetindo um milhão de vezes uma canção do João Nogueira chamada Espelho (aqui com o Diogo Nogueira) e que fala exatamente da perda do pai.

Neste momento eu ouço sem parar a canção Metade da Adriana Calcanhoto. A canção é de um álbum antigo mas assim, de repente, veio a minha cabeça e simplesmente fala ao meu coração, reflete meu estado de espírito e a minha dor. Talvez em breve eu não consiga mais ouvir essa canção, mas por hora é ela que me embala.

Abaixo a letra e aqui o vídeo com a Adriana Calcanhoto


Metade

Eu perco o chão, eu não acho as palavras
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco a chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio

Onde será que você está agora?

Eu perco a chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio

Onde será que você está agora?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Macarons de avelãs: Para retribuir a atenção dos amigos...



Eu adoraria oferecer uns biscoitinhos para cada uma de vocês que tem visitado o blog e deixado os comentários mais gentis e atenciosos. Seria uma forma de retribuir o carinho e a atenção de todas. Fico muito feliz pela atenção que vocês tem me dedicado durante as últimas semanas. Fiquei muito tocada por todos os comentários, em especial pelos comentários feitos por leitores que até então preferiam ficar quietos mas que saíram do silêncio para se solidarizar com a minha dor. A atenção de vocês não tem preço, muito obrigada mesmo.

Desde que voltei para a Noruega que vários amigos se revezam em me encher de atenção, me mandam presentes, ligam e aparecem para me oferecer ajuda e apoio e, cada uma dessas visitas é muito importante para mim. Para retribuir a atenção dos amigos eu fiz uma versão diferente de um biscoitinho bem simples que eu adoro e que não leva nada além de claras batidas em suspiro com um tanto de açúcar e depois delicadamente misturadas a uma mistura de farinha de alguma noz e açúcar de confeiteiro. Desta vez usei avelãs e o resultado foi fantástico, o melhor de todos eles...



Quem lê o blog há mais tempo já sabe que eu sou louca por de doces de ovo e por doces de ovo eu quero dizer gemas ou claras com açúcar e pouco mais do que isso. Eu gosto tanto da mistura de gemas com açúcar, de claras e açúcar e, claro, de claras e gemas juntas com açúcar. Na minha opinião, os melhores biscoitos e doces do mundo não levam muito mais do que ovos e açúcar. Neste caso, claras, farinha de nozes e açúcar. Assim são os macarons, os italianos amaretti, Ricciarelli alla mandorla e fiori di mandorla e os suícos luxemburgeli e basler brunsli.

Então foi isso, para retribuir a atenção e o carinho, eu ofereci às amigas uns saquinhos com 30 biscoitinhos que poderiam ter sido recheados e teriam virado 15 macarons. Mas como vocês sabem, eu prefiro macarons sem recheio, gosto deles puros, como um denso e mastigável "suspiro" de nozes, neste caso, de avelã. E acertei em cheio pois todos adoraram.



Macarons de avelã

140 gramas de claras (foram quatro claras razoavelmente grandes)
150 gramas de farinha de avelãs descascadas
250 gramas de açúcar de confeiteiro
70 gramas de açúcar branco

Como:

Minha forma de fazer este biscoito baseia-se na minha experiência, peguei uma receita e fiz sem me deixar assustar pela vasta seleção de descrições e experiências relatadas em diversos sites pela aí. Existem milhões de sites descrevendo em detalhes fantásticos as técnicas para fazer este biscoito simples ficar com a carinha de macaron, mas não entre na loucura. Pegue uma receita de alguém que te passe firmeza e teste. Mesmo que o resultado fique com a cara amassada ou arrepiada, mais para suspiro do que para macaron, ele ficará gostoso pois a mistura é deliciosa de qualquer jeito.

Para ficar com a carinha lisa por cima e enrugada na base é recomendável deixar as claras fora de geladeira, desidratando por uns dias. Dessa vez deixei três dias e três noites cobertas por um pires na bancada da cozinha. Eu então bato o suspiro a frio, método chamado de francês, mas há quem prefira o suspiro batido quente, modo italiano. A quente ele resiste por mais tempo do que se feito a frio, mas é mais complicado e se você não vai vender biscoitos por aí...

Para retirar as cascas das avelãs basta coloca-las numa forma e tosta-las a 200C por cerca de 15 a 20 minutos, até as cascas ficarem bem escurinhas. Retire-as do forno, coloque-as sobre uma toalha de cozinha seca e limpa e esfregue as avelãs com a toalha até que todas as cascas tenham saído. As cascas em geral saem com bastante facilidade. Depois de peladas (descascadas) coloque as avelãs juntamente com o açúcar no processador para obter uma farinha fina. Se você for a sortuda proprietária de um pilão de farinha triture as avelãs com o pilão. Atenção para não bater demais as avelãs e deixar a farinha muito gordurosa. Para dar uma secada nas avelãs, bata-as juntamente com o açúcar de confeiteiro e depois passe a mistura pela peneira e então pese.

Batas as claras em neve, quando começarem a endurecer adicione o açúcar branco, uma colher de cada vez e bata até formar um suspiro brilhante.

Adicione o suspiro à mistura de açúcar de confeiteiro com as avelãs e mexa suavemente, mexendo a espátula de baixo para cima, até incorporar totalmente a farinha aos suspiro. Não mexa demais, apenas o suficiente para que obter uma mistura homogênea. A mistura no ponto de macarons deverá achatar depois de colocada na forma, formando um círculo de massa bem baixinho, sem a pontinha arrepiada dos suspiros.

Usando um saco de confeiteiro, forme círculos de massa em tabuleiros forrados com papel manteiga (você vai precisar de uns três ou quatro tabuleiros) e deixe que os biscoitos recém formados sequem por cerca de 30 minutos, ou até que formem uma casquinha, antes de assar. Asse por 10 minutos a 160C. Você vai precisar conhecer o seu forno para obter os melhores resultados pois o tempo de forno pode arruinar o resultado final.

Deixe esfriar antes de retirar os biscoitos do papel. Eu nunca tive problema para retirar os biscoitos do papel manteiga, mas aqui é um lugar muito seco, talvez em ambientes mais úmidos seja mais difícil retira-los ddo papel.

Rende cerca de 60 casadinhos, 120 biscoitinhos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Em busca de sentido...


(Nós quatro, antes da chegada triunfante em nossas vidas do nosso adorado irmão caçula...)


Está muito difícil voltar a escrever. Eu estou imersa em uma dor profunda e muita confusão, fazendo o que posso para refazer a minha vida e ainda dar algum apoio aos meus pais, depois de tudo o que se passou na minha família.

Mas antes de começar a escrever, eu gostaria de agradecer o apoio de todas vocês nesse momento tão difícil. Seus comentários tão atenciosos e gentis foram muito importante para mim. Eu li e reli os comentários algumas vezes e, sinceramente, as palavras de vocês me fizeram companhia neste momento horroroso da minha vida.


Muita coisa mudou em mim e muita coisa ainda vai mudar. A morte do meu irmão, causada por uma parada cardio-respiratória fulminante, com pouco mais de 40 anos, está sendo um drama terrível. Nós não estávamos preparados, ninguém está, ainda que conscientes do nosso histórico familiar de doenças cardíacas e das escolhas individuais. Minha família, ao que tudo indica, tem veias muito ruins. Meu irmão, o homem mais otimista que alguém jamais conheceu, não acreditava e não aceitava acreditar que alguma coisa poderia dar errado com ele, nunca. Mas com DNA não se brinca e essa é uma lição definitiva. Vinicius viveu de acordo com suas verdades e entre outras coisas foi um fumante feliz. Ele era o único fumante de nós cinco e fumar o deixou ainda mais vulnerável...




(Meu irmão Nio durante o lançamento do livro do nosso pai em outubro passado na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro)


Enfartos precoces levaram muito cedo diversos homens fumantes da minha família e meu irmão foi o mais jovem entre todos eles. Meu avô paterno morreu aos 56, dois tios (paterno e materno) aos 60 anos, assim como meu avô materno que também morreu aos 60 anos, mas de derrame. Eu e meu irmão caçula sabemos que, apesar de não sermos fumantes, temos um desafio pela frente.

Nosso pai, como nós dois, nunca fumou mas sofreu muito com enfartos, cateterismos e safenas. Eu gostaria que as coisas tivessem sido diferentes, que meu irmão pudesse ter tido uma chance de sobrevivência, mas as coisas seguem uma lógica própria. Eu não sei quantas de vocês são familiarizadas com a filosofia de Schopenhauer. Este filósofo escreveu alguns dos livros mais importantes da filosofia ocidental (na minha opinião) e, entre outras coisas, explicou e demonstrou a exaustão os quatro aspectos do princípio da razão suficiente.

Enfim, quando eu cheguei ao Rio de Janeiro no começo de fevereiro, numa segunda-feira as 5:00 horas da manhã, o meu irmão Vinicius já estava lá me esperando. Ele era a única pessoa no mundo que iria sempre me esperar, me buscar e me levar aonde quer que fosse, a hora que fosse e do jeito que fosse. Eu levava na minha bolsa o livro de Schopenhauer The World as Will and Representation, a tradução inglesa de 1957. Havia mais de um mês que eu estava as voltas com este livro e o renovei na biblioteca da universidade antes de viajar para poder leva-lo comigo. Estava decidida a destrinchar algumas teses de Schopenhauer no Rio para usa-las na teoria de um projeto que estou montando. Não podia imaginar que o princípio de razão suficiente de Schopenhauer iria me ajudar a entender e facilitar minha vida neste momento.

Para Schopenhauer o mundo é uma representação, composta de duas partes inseparáveis: o objeto e sua consciência subjetiva acerca do mundo. O objeto é resultado do espaço e do tempo e ao tomar consciência de si próprio o ser humano se percebe como um ser movido por desejos e paixões que, para Schopenhauer, constituem a "vontade" o princípio condutor da vida humana. Para Schopenhauer a "vontade" corresponde ao ser humano em si; ela é a síntese de toda realidade.

As coisas não devem fazer muito sentido mas, do meu jeito, eu busco sentido para justificar minha vida e conseguir continuar a viver sem ele, sem a companhia e o apoio do meu maior companheiro neste mundo, meu irmão mais velho...


Adoro esta foto, meu pai e meu irmão, estilos muito parecidos, ambos donos de corações frágeis...

Espero que este blog me ajude a voltar a vida. Por hora eu me escondo e durmo para esquecer. Continuo sem apetite, sem vontade de nada. Meu coração continua no Brasil mas estou feliz de já estar na Noruega, ao lado do Per...