
Eu já falei que amo a Páscoa, uma data que se infiltrou na minha memória infanto-juvenil pelo simples fato de acontecer por volta do dia meu de aniversário já que meu aniversário acontece ou nas redondezas da Páscoa ou durante a Páscoa em si. Eu adoro a estética dos ovos coloridos, dos coelhos de Páscoa e dos chocolates. Além disso, vou confessar, eu sou coelho no horóscopo chinês e sou mãe de uma outra coelha, mais motivos para eu gostar da Páscoa. Como muitos eu ignoro totalmente o sentido religioso por trás de datas como essa e acho muita graça nas transformações pelas quais uma celebração precisa passar para fazer sentido para romanos, gregos e troianos.

Aqui, no teto do planeta, a celebração da páscoa é um feriadão que dura 10 dias, sim, são 10 dias de dolce far niente para a grande maioria das pessoas. Até a segunda-feira depois do domingo de Páscoa é feriado, uma coisa maravilhosa por sinal. Amo feriados as segundas. Outra curiosidade norueguesa é o amarelo Páscoa, porque a Páscoa aqui é amarela. Tudo é amarelo, toda a decoração, pacotes, flores, velas, doces, tudo deve ser amarelo. E o mais engraçado de tudo é que ao invés do coelho eles celebram a galinha. Esses nórdicos são muito engraçados.
Eu detesto amarelo, detesto muito a cor amarela e nunca uso amarelo em nada, muito menos na Páscoa. Regras, em geral, eu desobedeço, esta então. Mas ganhei mais flores esta semana, tulipas amarelas, a flor mais tradicional da Páscoa norueguesa e elas estão linda, muito lindas. Ficaram lindas com o meu pudim de baunilha e ovos. Ovos, voltarei a falar sobre eles, e sobre colesterol e gorduras saturadas, mas só depois que a semana da Páscoa passar...


Pudim de baunilha e ovos de sempre
1 litro de leite desnatado
150 gramas de açúcar
raspas de uma fava de baunilha
4 ovos
4 gemas (use as claras para fazer um merengue!)
Como:
Separe 6 a 8 formas refratárias individuais do tipo ramequins. Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água numa panelinha. Em outra panela, de fundo grosso, coloque o leite, adicione as raspas da fava de baunilha e deixe cozinhar em fogo médio até fever, mas mexa o tempo todo para evitar que a mistura grude na panela ou que queime. Quando ferver desligue o fogo. Num pote grande bata as gemas e os ovos com o açúcar usando um batedor de mão (fouet). Adicione então, lentamente, o leite fervido aos ovos batidos e misture vigorosamente, sem parar, até incorporar totalmente a mistura de leite e temperar os ovos batidos com açúcar e, desse modo, evitar que talhem.
Divida a mistura nas formas individuais refratárias reservadas. Se houver espuma retire com uma colher. Coloque as forminhas num tabuleiro grande e encha o tabuleiro com a água fervida, ainda quente, enchendo até metade da altura dos potinhos/formas. Leve ao forno pré-aquecido a 180C e asse por 30 minutos, ou até que assentem. Retire do forno e deixe esfriar antes de levar à geladeira e deixe gelar por umas quatro horas antes de servir. O ideal é servir o pudim gelado.
Pode ser desenformado com facilidade se for adicionada uma calda de caramelo ao fundo das forminhas. Também pode ser servido com caldas diversas. Você também pode adicionar açúcar ao topo do pudim e caramelizar com um maçarico e vai virar um creme brulê.
Como já falei, eu não gosto de creme brulê feito com creme de leite e prefiro aqueles feitos com leite e ovos apenas e acho que esta receita produz um creme brulê leve e fantástico por causa do sabor intenso da baunilha.

E esta semana eu ainda fiz uns bombons e ovinhos de marzipã e pasta gianduia ( o que por aqui é chamado de blød nougat) e eles ficaram super bons, mas bons mesmo. Usei uma receita dinamarquesa muito simples para fazer aquele bombom Mozart e o resultado ficou razoavelmente parecido com o original mesmo. É que eu fiz diferente e misturei farinha de pistache (que eu mesma triturei) e uma colher de licor Disaronno ao marzipã e ficou muito parecido com bombom original que é parcialmente verde por dentro. Resolvi adicionar aqui o link para o vídeo ensinando a fazer o bombon Mozart mas, por favor, não se assuste com a língua que o sujeito fala. Concentre-se nas imagens do vídeo que dá para entender tudo ao ver ele fazer....



Quem não entendeu nada do vídeo pode dar uma olhadinha nas fotos da minha colagem e ficar ainda mais confusa... Risos... Para quem entendeu o importante é frisar que os bombonzinhos levam dois banhos de chocolate. A primeira cobertura ele pincela com as mãos e da segunda ele mergulha no chocolate, mas não aparece no vídeo pois ele apenas fala que precisam levar dois banhos e que você pode mergulhar as bolinhas no chocolate derretido... Aqui você pode ler um pouco da história do bombon Mozart

O problema todo é fazer o marzipã cru, que não é difícil mas requer uma certa disposição para pelar amêndoas e processar com açúcar e claras de ovo até atingir a consistência ideal. Eu deixo uns dias secando enrolado. Já a "pasta gianduia pura" nada mais é do que uma densa "manteiga" de avelã levemente adocicada que eu ainda não consegui clonar e, por isso, compro pronta. Tive a péssima idéia de adicionar pistaches moídos ao chocolate ainda mole e o problema é que os pistaches começaram a cair e esfarelaram os bombons todos dando uma aparência meio "suja" aos bombons. Eu recomendo não adicionar nada que possa ficar caindo depois...

Eu tentei fazer ovinhos de marzipã mas não fui capaz de moldar os ovos com as mãos, eles pareciam umas coxinhas de galinha... ou uns croquetes. Mas fiz uns sete ou oito. Não costumo ter paciência para fazer muitos bombons, em geral faço uma quantidade pequena pois o processo todo pode ser extremamente cansativo, mas sempre vale a pena fazer uns 20 ou 30 bombonzinhos e servir de surpresa depois do jantar. Mergulhei os bombons em chocolate amargo com apenas 50% de cacau, um chocolate muito suave da marca norueguesa Freia que é meu favorito no momento.






























